Há gestos que se repetem tantas vezes no quotidiano que acabam por ser feitos de forma automática. Introduzir o cartão. Digitar o PIN. Retirar o dinheiro. Guardar o cartão. E seguir caminho. Tudo parece normal.
Mas é precisamente essa rotina que pode levar a baixar a guarda.
Uma caixa Multibanco é um equipamento concebido para realizar operações bancárias de forma rápida e segura. Ainda assim, como acontece com qualquer meio de pagamento, existem riscos de utilização fraudulenta. O Banco de Portugal recomenda que os titulares estejam atentos à segurança do cartão e comuniquem imediatamente qualquer suspeita de utilização não autorizada ou fraudulenta.
Entre os métodos conhecidos está o skimming, que consiste na apropriação indevida de dados do cartão através de equipamentos ou terminais manipulados.
O perigo está precisamente na aparência.
Um dispositivo fraudulento pode tentar passar despercebido, aproveitando o facto de o utilizador estar concentrado na operação e não no próprio equipamento.
Por isso, antes de introduzir o cartão, existem dois pontos que merecem uma atenção especial: a ranhura do cartão e o teclado.
1. A ranhura do cartão pode denunciar uma adulteração
A primeira coisa a observar é a zona onde o cartão é introduzido.
Uma alteração física inesperada pode justificar desconfiança.
Por exemplo, uma peça que pareça estar sobreposta, uma saliência invulgar, uma folga que não deveria existir ou um acabamento diferente do restante equipamento são sinais que não devem ser simplesmente ignorados. O problema é que o cérebro tende a considerar normal aquilo que já conhece. Se a caixa está instalada no local habitual e o equipamento parece funcionar normalmente, é fácil assumir que tudo está bem. Mas a aparência geral do Multibanco não garante, por si só, que não tenha existido uma tentativa de adulteração.
O que deve despertar atenção?
Antes de inserir o cartão, observe rapidamente:
- se a ranhura parece diferente do habitual;
- se existe alguma peça aparentemente acrescentada;
- se há folgas ou saliências inexplicáveis;
- se algum componente parece solto;
- se o acabamento ou a cor diferem claramente do resto do equipamento.
Não é necessário desmontar ou manipular a caixa.
Uma observação visual cuidadosa é suficiente para justificar uma decisão simples: se algo parecer estranho, não utilize aquele terminal.
2. O teclado também merece atenção
O segundo ponto crítico é o teclado.
É aqui que entra uma das informações mais importantes de toda esta matéria: o PIN é pessoal e intransmissível e nunca deve ser comunicado a terceiros. O Banco de Portugal recomenda que seja memorizado e que não seja divulgado em circunstância alguma.
Num cenário de fraude, obter os dados do cartão pode não ser suficiente.
Por isso, a proteção do PIN é essencial.
Um teclado que pareça sobreposto, deslocado, excessivamente elevado ou diferente do habitual merece atenção. Uma peça que se mova de forma estranha ou apresente um encaixe suspeito também deve ser encarada com prudência.
Mas existe uma medida ainda mais simples.
O gesto que deve tornar-se automático: proteger o PIN
Sempre que introduzir o código PIN, tape o teclado com a mão livre.
Este gesto reduz a possibilidade de alguém observar diretamente os movimentos dos dedos e ajuda a proteger o código de eventuais câmaras ou olhares indiscretos.
Não custa dinheiro.
Não demora mais de um segundo.
E pode tornar-se um hábito tão automático como retirar o cartão no final da operação.
O Banco de Portugal reforça precisamente a importância de manter o PIN secreto e de adotar cuidados de segurança na utilização dos cartões.
O maior erro é pensar: “Se está ali, é seguro”
Uma caixa Multibanco instalada numa rua movimentada, junto a uma loja ou noutro local conhecido pode transmitir uma enorme sensação de segurança.
Mas essa sensação não deve substituir a atenção.
O problema da fraude física é precisamente o facto de poder explorar a confiança do utilizador.
A pessoa aproxima-se.
Vê o equipamento.
Executa a operação.
E vai embora.
Sem olhar para a máquina.
Sem verificar o teclado.
Sem proteger devidamente o PIN.
É nesse automatismo que uma situação suspeita pode passar despercebida.
O que fazer se alguma coisa parecer estranha?
A resposta mais segura é simples:
não introduza o cartão.
Se existir uma peça aparentemente solta, uma ranhura alterada, um teclado estranho ou qualquer outra anomalia física, interrompa a operação.
Não tente desmontar o equipamento.
Não force componentes.
Não introduza objetos na ranhura.
E, sobretudo, não continue a operação apenas porque existe uma fila atrás de si.
A pressa nunca deve ser mais importante do que a segurança da conta bancária.
Se possível, utilize outro caixa automático, preferencialmente num local em que se sinta mais seguro.
Também pode comunicar a situação à entidade responsável pelo equipamento ou ao seu banco.
E se o cartão já tiver sido utilizado num terminal suspeito?
Nesse caso, a vigilância deve aumentar.
Verifique os movimentos da conta e esteja atento a operações que não reconheça.
O Banco de Portugal recomenda que os extratos e movimentos efetuados com o cartão sejam consultados regularmente e determina que qualquer utilização não autorizada seja comunicada imediatamente ao prestador de serviços de pagamento.
Se suspeitar que o cartão foi clonado, falsificado, perdido, roubado ou utilizado indevidamente, deve contactar imediatamente o banco ou entidade que emitiu o cartão através dos contactos oficiais.
Quanto mais cedo a situação for comunicada, mais rapidamente poderão ser tomadas medidas de segurança.
E se aparecer um levantamento que não foi realizado?
Não espere para perceber “o que terá acontecido”.
Contacte imediatamente o banco.
O Banco de Portugal recomenda precisamente a comunicação imediata de movimentos que o titular não reconheça.
Além disso, a legislação relativa aos serviços de pagamento estabelece regras específicas sobre operações não autorizadas e sobre a responsabilidade do titular, sendo particularmente importante comunicar rapidamente a situação à entidade emitente. Em determinadas circunstâncias, antes da comunicação, a responsabilidade do titular pode estar limitada a 50 euros; existem, contudo, exceções, nomeadamente em situações de fraude ou negligência grave.
Por isso, não deve assumir automaticamente que terá de suportar todo o prejuízo.
A situação deve ser comunicada e analisada pelo banco.
O cartão ficou retido no Multibanco? Não entre em pânico
Outro cenário que pode assustar qualquer pessoa acontece quando a caixa automática “engole” o cartão.
O Banco de Portugal explica que um cartão pode ser capturado pelo ATM por diferentes razões e recomenda que o cliente contacte o emitente para perceber o motivo da retenção e solicitar informações sobre a possibilidade de receber um novo cartão.
Não aceite ajuda de desconhecidos que se aproximem imediatamente a pedir o PIN ou a sugerir procedimentos fora do normal.
O PIN nunca deve ser revelado.
Uma alternativa: utilizar o Multibanco sem inserir o cartão
Existe ainda uma possibilidade que muitos utilizadores desconhecem.
A funcionalidade “Utilizar MULTIBANCO” do MB WAY permite utilizar determinados caixas automáticos sem inserir fisicamente o cartão.
O processo utiliza a aplicação MB WAY, um QR Code apresentado no ecrã do caixa automático e o PIN MB WAY na aplicação. Segundo o próprio MB WAY, a funcionalidade utiliza mecanismos de segurança destinados a garantir a confidencialidade, integridade e autenticação dos dados transmitidos.
Também é possível efetuar levantamentos sem cartão através da funcionalidade de levantamento MB WAY.
Isto não significa que qualquer método seja absolutamente isento de risco, mas constitui uma alternativa interessante para quem pretende evitar a inserção física do cartão no terminal.
Não confunda fraude com uma simples avaria
Uma caixa automática pode apresentar problemas técnicos sem que exista qualquer tentativa de fraude.
Uma ranhura que não funciona, um teclado com uma tecla danificada ou um equipamento fora de serviço não significam automaticamente que exista um skimmer.
Por isso, é importante evitar conclusões precipitadas.
O objetivo não é viver desconfiado de todos os Multibancos.
É desenvolver um hábito simples de observação.
Se alguma coisa parecer fisicamente diferente, não vale a pena arriscar.
A fraude pode começar num pequeno detalhe
É fácil imaginar uma fraude como algo complexo, distante e sofisticado.
Na realidade, para o utilizador, o momento crítico pode ser muito simples.
Uma peça que parece deslocada.
Um teclado que não parece igual.
Um cartão que começa a apresentar movimentos que o titular não reconhece.
Um levantamento realizado num local onde nunca esteve.
Pequenos sinais podem ser suficientes para justificar uma reação imediata.
E essa reação pode impedir que um problema pequeno se transforme numa situação financeira muito mais grave.
O checklist de segurança antes de usar o Multibanco
Antes de introduzir o cartão, vale a pena fazer uma verificação de poucos segundos.
Primeiro: observe a ranhura do cartão.
Segundo: repare no teclado e procure alterações físicas evidentes.
Terceiro: se algo parecer estranho, não introduza o cartão.
Quarto: ao digitar o PIN, tape sempre o teclado com a outra mão.
Quinto: nunca diga o PIN a outra pessoa.
Sexto: depois da operação, guarde imediatamente o cartão.
Sétimo: consulte regularmente os movimentos da conta.
Oitavo: se detetar uma operação que não reconhece, contacte imediatamente o banco.
Estas medidas são simples, mas ajudam a criar uma barreira adicional contra utilizações indevidas.
A segurança começa antes de tocar no teclado
O Multibanco faz parte da vida quotidiana de milhões de portugueses.
É precisamente por ser tão familiar que pode deixar de receber a atenção necessária.
Mas bastam alguns segundos.
Olhar para a ranhura.
Observar o teclado.
Proteger o PIN.
Confirmar os movimentos da conta.
E reagir rapidamente perante qualquer anomalia.
O Banco de Portugal recomenda expressamente que os titulares comuniquem imediatamente suspeitas de utilização não autorizada ou fraudulenta e que verifiquem regularmente os movimentos realizados com o cartão.
A melhor proteção não é viver com medo.
É não agir em piloto automático.
Porque, quando se trata do dinheiro e dos dados pessoais, alguns segundos de atenção podem valer muito mais do que parecem.
No Multibanco, antes de carregar num botão, olhe primeiro para a máquina.
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