Uma nota presa na saída do Multibanco pode parecer um simples esquecimento. Mas, perante uma situação estranha junto de uma caixa automática, a curiosidade pode transformar-se num risco desnecessário. Saiba como agir, proteger o cartão e o código PIN e evitar cair em esquemas de distração.
Imagine chegar a uma caixa Multibanco para levantar dinheiro e, antes mesmo de concluir a operação, reparar numa nota aparentemente esquecida na zona onde são entregues as notas.
A primeira reação pode ser de surpresa.
“Alguém deixou dinheiro aqui?”
É precisamente esse impulso que está associado ao chamado “truque da nota”, uma alegada modalidade de burla que tem circulado nas redes sociais e que merece atenção. Mas existe uma ressalva fundamental: não há confirmação oficial de que este esquema específico esteja a ocorrer em Portugal com a dimensão sugerida por algumas publicações online.
Uma verificação divulgada em maio de 2026, citando o Polígrafo, indicava não existirem registos oficiais desta burla específica em Portugal, embora métodos semelhantes tenham sido descritos noutros contextos.
Por isso, não há motivo para entrar em pânico sempre que aparece uma nota junto de um Multibanco.
Há, sim, motivo para não baixar a guarda.
Como funciona o chamado “truque da nota”?
A descrição deste esquema é simples e assenta sobretudo na distração.
Uma nota é colocada de forma a parecer que ficou esquecida ou presa na zona de saída do dinheiro. Quem está a utilizar a máquina repara no dinheiro e pode interromper a sua atenção para tentar perceber o que aconteceu. É nesse momento que, segundo as descrições deste método, poderá surgir a verdadeira ameaça. A distração pode servir para tentar observar o código PIN, aproximar-se da vítima, provocar uma nova operação ou criar confusão enquanto o cartão ainda está inserido na máquina. Ou seja, a nota pode não ser o verdadeiro objetivo.
Pode ser apenas o isco.
E é precisamente por isso que qualquer situação anormal junto de uma caixa automática deve ser tratada com cautela.
Encontrou uma nota presa no Multibanco? Não mexa
Se uma nota estiver presa, parcialmente visível ou colocada de forma estranha na zona de saída das notas, não tente puxá-la.
Também não é aconselhável continuar a operação como se nada tivesse acontecido.
Se o cartão já estiver na máquina, cancele a operação e retire-o normalmente, desde que o terminal permita fazê-lo.
Perante qualquer comportamento anormal, a opção mais segura é não insistir naquela caixa automática.
Uma nota que não pertence a quem está a utilizar o terminal não justifica colocar em risco o cartão, o PIN ou o acesso à conta bancária.
O verdadeiro alvo pode ser a distração
As burlas junto de caixas automáticas nem sempre dependem de tecnologia sofisticada.
Muitas vezes, exploram simplesmente a distração e a confiança das pessoas.
Uma situação inesperada pode fazer com que o utilizador:
- desvie o olhar do teclado;
- se vire para procurar a origem do dinheiro;
- aceite ajuda de um desconhecido;
- volte a introduzir o PIN;
- deixe o cartão desprotegido;
- abandone a operação sem confirmar se terminou corretamente.
É precisamente nesses segundos de desatenção que uma situação aparentemente banal pode tornar-se perigosa.
O PIN nunca deve ser revelado
Existe uma regra que deve ser absoluta:
o código PIN é pessoal e nunca deve ser comunicado a terceiros.
Não importa quem esteja a pedir.
Não importa se a pessoa afirma ser funcionária do banco.
Não importa se parece estar apenas a tentar ajudar.
O PIN não deve ser dito, mostrado ou introduzido de forma que possa ser observado por outra pessoa.
O mesmo cuidado deve existir quando alguém se aproxima demasiado durante uma operação.
Cubra o teclado ao introduzir o PIN
É um gesto simples, demora apenas alguns segundos e pode fazer uma enorme diferença.
Ao introduzir o código, utilize uma mão para tapar o teclado enquanto a outra introduz o PIN.
Desta forma, dificulta a observação dos movimentos por parte de quem esteja atrás ou nas proximidades.
Este cuidado é especialmente importante quando existe alguém demasiado próximo ou quando a movimentação junto da caixa automática parece incomum.
O PIN deve ser protegido sempre, mesmo quando a máquina parece perfeitamente normal.
Atenção a caixas Multibanco que pareçam alteradas
Antes de inserir o cartão, vale a pena fazer uma observação rápida do terminal.
Não é necessário transformar um simples levantamento numa investigação.
Basta procurar sinais evidentes de alteração.
Tenha atenção a:
- peças soltas ou desalinhadas;
- elementos estranhos junto ao teclado;
- alterações na ranhura do cartão;
- objetos que não pareçam fazer parte da máquina;
- sinais de danos ou manipulação;
- comportamentos inesperados do terminal;
- pessoas demasiado próximas durante a operação.
Se alguma coisa parecer fora do normal, não utilize a máquina.
É preferível procurar outro terminal do que correr um risco desnecessário.
Existem outros tipos de fraude nos Multibancos
O chamado “truque da nota” não deve ser confundido com outros métodos de fraude associados a caixas automáticas.
Ao longo dos anos, foram identificadas técnicas como o skimming, que procura obter dados dos cartões através de dispositivos fraudulentos.
Também existem métodos destinados a obter o PIN através da observação direta ou de dispositivos de captação de imagem.
Outro exemplo é a retenção fraudulenta do cartão, através de mecanismos instalados na máquina para impedir que o cartão seja devolvido ao utilizador.
Há ainda situações em que a vítima é abordada presencialmente, precisamente no momento em que está mais concentrada na operação bancária.
O ponto comum entre muitos destes métodos é simples:
a distração pode ser tão importante como a tecnologia.
E se alguém se aproximar para “ajudar”?
Imagine que aparece uma pessoa desconhecida enquanto está a utilizar o Multibanco.
Diz que conhece aquela máquina.
Afirma que sabe resolver o problema.
Sugere que volte a introduzir o PIN.
Ou pede para verificar o cartão.
A resposta deve ser simples:
não entregue o cartão e não revele o PIN.
Se existir um problema com a máquina, a solução deve passar pelo banco ou pela entidade responsável pelo terminal.
Não é necessário aceitar a intervenção de um desconhecido.
Mesmo que a pessoa pareça simpática.
Mesmo que aparente estar apenas a ajudar.
Em matéria de segurança bancária, a prudência deve falar mais alto.
O que fazer se o cartão ficar retido?
Se o Multibanco não devolver o cartão, não tente resolver a situação com a ajuda de terceiros.
Não introduza novamente o PIN.
Não aceite que alguém manipule a máquina.
E não abandone simplesmente o local sem contactar o banco.
Contacte imediatamente o banco emissor do cartão e siga as instruções dadas pelos canais oficiais.
Quanto mais rapidamente a situação for comunicada, mais cedo poderão ser tomadas medidas para proteger a conta.
E se o PIN tiver sido visto?
Se existir a suspeita de que outra pessoa conseguiu observar o PIN, não é aconselhável ignorar a situação.
Contacte o banco e explique o que aconteceu.
Dependendo das circunstâncias, poderá ser necessário bloquear ou substituir o cartão e tomar outras medidas de segurança.
É igualmente importante acompanhar os movimentos da conta e verificar se existem operações que não reconhece.
Uma reação rápida pode limitar eventuais prejuízos.
E se surgir um movimento bancário que não reconhece?
Qualquer operação que não reconheça deve ser comunicada ao banco o mais rapidamente possível.
Não espere vários dias para perceber se a situação se resolve sozinha.
Registe os detalhes disponíveis, incluindo data, hora, local e valor da operação, e siga os procedimentos indicados pela instituição bancária.
Se existir suspeita de fraude, poderá também ser necessário comunicar o caso às autoridades competentes.
Prefira locais seguros para levantar dinheiro
Sempre que possível, escolha caixas automáticas situadas em locais bem iluminados e com circulação de pessoas.
Um terminal instalado no interior de um espaço movimentado pode oferecer algumas vantagens em termos de segurança e reduzir a oportunidade para abordagens suspeitas.
Ainda assim, uma caixa automática localizada no exterior não significa, por si só, que seja insegura.
O mais importante é manter uma atitude prudente e estar atento a qualquer sinal anormal.
O “truque da nota” está confirmado em Portugal?
Esta é talvez a questão mais importante.
Não deve ser apresentado como facto confirmado aquilo que não está oficialmente comprovado.
O chamado “truque da nota” tem circulado online e métodos semelhantes são descritos em diferentes contextos. Contudo, a informação referida no artigo aponta para a ausência de registos oficiais desta burla específica em Portugal com a dimensão sugerida pelas publicações que circulam nas redes sociais.
Por isso, é importante separar duas coisas:
uma alegação que circula na Internet e uma burla oficialmente confirmada pelas autoridades.
Isso não significa que seja seguro ignorar situações estranhas num Multibanco.
Pelo contrário.
Uma máquina que apresenta um comportamento anormal deve ser evitada, independentemente de existir ou não uma burla específica associada àquele método.
Checklist para usar o Multibanco com segurança
Antes de utilizar uma caixa automática, vale a pena recordar estas regras simples:
1. Observe a máquina.
Procure peças estranhas, danos ou sinais de manipulação.
2. Proteja o PIN.
Tape o teclado enquanto introduz o código.
3. Não aceite ajuda de desconhecidos.
Em caso de problema, contacte o banco.
4. Não mexa em dinheiro aparentemente esquecido.
Se encontrar uma nota presa ou uma situação estranha, interrompa a operação.
5. Nunca force o cartão.
Se ficar retido, contacte imediatamente o banco.
6. Não revele dados bancários.
PIN, códigos de segurança e credenciais são informações pessoais.
7. Verifique os movimentos da conta.
Esteja atento a operações que não reconheça.
8. Em caso de dúvida, abandone a máquina.
É preferível utilizar outro terminal.
Uma nota pode parecer uma oportunidade, mas não vale o risco
Encontrar uma nota junto de um Multibanco pode despertar imediatamente a curiosidade.
É uma reação humana.
Mas, quando há dinheiro colocado de forma estranha, a melhor decisão não é descobrir quem o deixou ali.
É proteger o que realmente importa.
O cartão.
O PIN.
A conta bancária.
E os dados pessoais.
Mesmo sem confirmação oficial de que o chamado “truque da nota” esteja a ocorrer em Portugal com a dimensão sugerida online, existem outros métodos de fraude associados às caixas automáticas e, sobretudo, existe uma regra que continua a ser válida em qualquer circunstância:
perante algo estranho, não continue a operação.
Não toque.
Não aceite ajuda.
Não revele o PIN.
E contacte o banco se houver qualquer dúvida.
Porque, quando está em causa o dinheiro de uma vida inteira, mais vale desconfiar durante alguns segundos do que arrepender-se durante muito tempo.




