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Chaves: a cidade onde brota água quente do solo, no Norte de Portugal

Descubra Chaves, as Termas, a Ponte de Trajano, o castelo e o centro histórico. Veja o que visitar nesta cidade histórica de Trás-os-Montes.

Sara Costa Por Sara Costa
02/10/2026
em Curiosidades, Destinos e Viagens, Notícias
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Chaves: a cidade onde brota água quente do solo, no Norte de Portugal

Chaves: a cidade onde brota água quente do solo, no Norte de Portugal

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Chaves é uma cidade que se descobre devagar, rua após rua, pedra após pedra, como se cada esquina guardasse uma história à espera de ser contada.

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No extremo norte de Portugal, junto à fronteira com Espanha, a cidade estende-se ao longo do rio Tâmega e conserva uma herança histórica extraordinária. Por aqui passaram romanos, suevos, visigodos, muçulmanos, reis medievais e exércitos que fizeram desta região uma das zonas estratégicas da fronteira portuguesa.

Mas Chaves não vive apenas do passado.

É também a cidade das águas termais, das ruas do centro histórico, das casas tradicionais, das muralhas, das igrejas, da gastronomia transmontana e de uma paisagem que convida a parar.

No coração da cidade, o visitante pode atravessar a antiga Ponte de Trajano, caminhar pela Rua Direita, subir até à Torre de Menagem, descobrir o Museu da Região Flaviense e aproximar-se das águas termais que ajudaram a definir a própria história de Chaves.

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E há ainda lugares nos arredores que merecem uma visita, como o Castelo de Monforte de Rio Livre, a Pedra Bolideira e o histórico Parque de Vidago.

Chaves é, por isso, muito mais do que um destino termal.

É uma cidade onde a história romana, medieval e moderna se encontra com a vida quotidiana.

brota água quente do solo
Chaves: a cidade onde brota água quente do solo, no Norte de Portugal

Chaves e a água quente que nasce do solo

A relação entre Chaves e as águas termais perde-se no tempo.

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As nascentes de água quente foram um dos fatores que contribuíram para a importância da antiga Aquae Flaviae, cidade romana que se desenvolveu no cruzamento do rio Tâmega com a Via XVII, uma importante estrada que ligava Bracara Augusta, a atual Braga, a Asturica Augusta, correspondente à atual Astorga, em Espanha.

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Durante o período romano, as águas termais, a localização estratégica, os recursos naturais e a riqueza da região favoreceram o desenvolvimento urbano. O próprio nome Aquae Flaviae está associado à dinastia Flávia e ao imperador Vespasiano.

É difícil imaginar hoje a dimensão que esta cidade teria há quase dois mil anos.

Mas os vestígios arqueológicos ajudam a reconstruir essa realidade.

No atual centro histórico ainda é possível reconhecer elementos da organização urbana romana. A antiga zona do decumanus corresponde, em parte, ao eixo da atual Rua Direita, enquanto a área da atual Igreja Matriz corresponde à zona onde se localizava o fórum da cidade romana.

Caminhar pelo centro de Chaves é, assim, caminhar sobre várias camadas de história.

As Termas Romanas de Aquae Flaviae

Uma das maiores surpresas arqueológicas de Chaves surgiu quase por acaso.

Quando foram realizadas prospeções arqueológicas no centro da cidade, tendo em vista a construção de um parque de estacionamento, surgiram vestígios que levaram à alteração do projeto e à realização de escavações.

O que apareceu debaixo da terra era extraordinário.

Foram identificadas estruturas pertencentes a um importante complexo termal romano, com diferentes fases de construção, piscinas e um sofisticado sistema hidráulico. O museu atualmente instalado no local permite compreender a importância que as águas tinham na sociedade romana.

Os vestígios estão relacionados com um complexo que conheceu diferentes fases ao longo dos séculos. A primeira fase remonta ao século I e, entre os finais do século II e o início do século III, foram realizadas importantes obras associadas às termas medicinais.

No final do século IV, um forte sismo provocou a derrocada de parte do complexo, deixando as estruturas preservadas durante muitos séculos.

Hoje, o Museu das Termas Romanas de Chaves permite viajar cerca de dois mil anos para trás sem sair do centro da cidade.

É uma das visitas fundamentais para compreender a relação entre Chaves e as águas termais.

brota água quente do solo
Chaves: a cidade onde brota água quente do solo, no Norte de Portugal

Ponte de Trajano: o grande símbolo romano de Chaves

Se existe um monumento que resume a ligação de Chaves ao mundo romano, é a Ponte de Trajano.

Erguida sobre o rio Tâmega, a ponte foi concluída no início do século II, durante o reinado do imperador Trajano. A documentação patrimonial portuguesa associa a conclusão da primeira coluna comemorativa ao ano 104 d.C.

A ponte é um dos mais importantes testemunhos da engenharia romana existentes em Portugal e está classificada como Monumento Nacional.

Ao atravessá-la, é fácil perceber por que razão continua a ser um dos lugares mais fotografados de Chaves.

O granito, o rio, as margens da cidade e os arcos da ponte criam uma paisagem particularmente bonita, sobretudo ao início da manhã ou ao final da tarde.

E vale a pena reparar nas colunas comemorativas existentes sobre a ponte, associadas aos imperadores Vespasiano e Trajano.

Não é apenas uma ponte.

É uma das portas de entrada para a história de Aquae Flaviae.

brota água quente do solo
Chaves: a cidade onde brota água quente do solo, no Norte de Portugal

O centro histórico de Chaves

Depois da Ponte de Trajano, o melhor caminho é perder-se pelas ruas do centro histórico.

Não é necessário seguir um percurso rígido.

A graça está precisamente em caminhar sem pressa.

As ruas estreitas, as casas tradicionais, as varandas e os edifícios antigos ajudam a preservar a identidade da cidade. O próprio Município destaca, no roteiro turístico atual, a importância das ruas de pedra, das varandas de madeira, das muralhas e dos monumentos que se concentram no centro histórico.

A Rua Direita merece especial atenção.

Além de ser uma das artérias mais conhecidas do centro histórico, encontra-se relacionada com o antigo eixo romano da cidade, o decumanus.

É uma rua onde passado e presente se cruzam quase sem se dar por isso.

Castelo de Chaves e Torre de Menagem

No ponto mais alto da antiga cidadela encontra-se um dos símbolos mais reconhecíveis da cidade: a Torre de Menagem do Castelo de Chaves.

Do castelo medieval, chegaram aos nossos dias sobretudo a torre e elementos da antiga estrutura defensiva.

A torre alberga atualmente o Museu Militar de Chaves, criado em 1978. A exposição apresenta peças relacionadas com diferentes períodos da história militar portuguesa, incluindo a Reconquista, as Guerras Peninsulares, a Primeira Guerra Mundial e a Guerra Colonial.

Mas há outro motivo para subir até à torre.

A vista.

Do alto, a paisagem abre-se sobre Chaves, o rio Tâmega e a envolvente transmontana.

É um daqueles lugares onde vale a pena permanecer alguns minutos em silêncio.

Igreja Matriz de Santa Maria Maior

A Igreja Matriz de Santa Maria Maior é outro dos monumentos que não deve ficar de fora de uma visita a Chaves.

O templo encontra-se no coração do centro histórico e está relacionado com a antiga área central da cidade.

A sua presença é particularmente importante porque a zona envolvente corresponde também a uma área de enorme interesse arqueológico, associada ao antigo fórum de Aquae Flaviae.

Ao visitar a igreja, vale a pena observar a combinação de diferentes elementos arquitetónicos e perceber como o edifício testemunha a evolução histórica da cidade.

Igreja da Misericórdia

Na Praça de Camões, junto aos Paços do Concelho, encontra-se a Igreja da Misericórdia.

O templo, associado ao período barroco, destaca-se pelo interior ricamente decorado.

A talha dourada, a pintura do teto e os elementos decorativos tornam esta igreja particularmente interessante para quem aprecia arte sacra e arquitetura histórica.

A Igreja da Misericórdia encontra-se integrada numa das zonas mais emblemáticas do centro histórico de Chaves, junto à Praça de Camões e a outros edifícios históricos.

Praça de Camões e Paços do Concelho

A Praça de Camões funciona como um dos grandes pontos de encontro do centro histórico.

Aqui encontra-se o edifício dos Paços do Concelho, instalado num antigo palacete, e o Paço dos Duques de Bragança, que atualmente acolhe o Museu da Região Flaviense.

É um espaço que merece ser percorrido sem pressa.

Observe-se a arquitetura dos edifícios, os detalhes das fachadas e a relação entre a praça e as ruas históricas que dela partem.

É também um excelente ponto de partida para descobrir o resto da cidade.

Museu da Região Flaviense

Para compreender verdadeiramente Chaves, uma visita ao Museu da Região Flaviense pode fazer toda a diferença.

Instalado no Paço dos Duques de Bragança, o museu conserva e apresenta parte importante do património arqueológico e histórico da região.

As coleções permitem acompanhar a evolução do território desde períodos muito antigos até à romanização e aos períodos posteriores.

É especialmente interessante para quem pretende compreender o que existia em Chaves antes, durante e depois da presença romana.

Chaves, uma cidade marcada pela fronteira

A história de Chaves também é uma história de fronteira.

A sua localização tornou-a estratégica durante séculos e explica a importância das fortificações que ainda hoje marcam a paisagem urbana.

Na Alta Idade Média, o território voltou a integrar a esfera cristã e, posteriormente, foi reforçada a sua posição como praça fronteiriça. A tradição histórica local situa por volta de 1160 a integração de Chaves no território português.

O primeiro foral de Chaves foi concedido por D. Afonso III, em 15 de maio de 1258, e mais tarde foi concedido novo foral por D. Manuel I, em 1514.

Séculos depois, Chaves recebeu outro marco importante: foi elevada à categoria de cidade em 12 de março de 1929, através do Decreto n.º 16:621.

Poucas cidades portuguesas conseguem contar uma história tão longa através dos próprios edifícios.

Castelo de Monforte de Rio Livre

A viagem por Chaves não deve ficar limitada ao centro urbano.

A cerca de poucos quilómetros encontra-se o Castelo de Monforte de Rio Livre, uma das fortificações mais impressionantes da região.

A ocupação humana do local é anterior à construção medieval, existindo referências a uma ocupação pré-histórica, embora o próprio Património Cultural assinale que essa atribuição deve ser encarada com cautela quando não existem vestígios materiais que a confirmem.

O castelo medieval ganhou importância durante o reinado de D. Afonso III, que concedeu foral à povoação em 1273. A construção e reforço da fortaleza prosseguiram durante o reinado de D. Dinis, estando a maior parte do conjunto atual associada ao final do século XIII e à primeira metade do século XIV.

A localização é outro dos seus grandes atrativos.

Erguido numa posição dominante sobre a paisagem, o castelo permite compreender a importância estratégica que estas terras tiveram na defesa da fronteira.

É um daqueles lugares em que a paisagem parece explicar a história.

Parque de Vidago: um passeio entre natureza e história

A poucos quilómetros de Chaves, Vidago acrescenta outro capítulo à viagem.

O Parque de Vidago, associado ao histórico Vidago Palace, é um espaço de grande beleza paisagística e interesse histórico.

Mas existe uma alteração importante relativamente à informação frequentemente encontrada em artigos antigos: atualmente, o acesso ao parque não é simplesmente livre e gratuito para todos os visitantes.

Segundo o Vidago Palace, existe atualmente um modelo de acesso com bilhete para visitantes, enquanto hóspedes do hotel e determinados clientes têm acesso gratuito. O parque funciona das 08h00 às 19h00 entre maio e outubro e das 08h00 às 18h00 entre novembro e abril.

Por isso, antes de visitar, é aconselhável confirmar as condições de acesso.

O passeio, contudo, continua a ser uma excelente forma de conhecer uma das paisagens históricas mais emblemáticas da região.

Pedra Bolideira: a pedra que parece desafiar a lógica

Há lugares em Chaves que parecem saídos de uma história.

A Pedra Bolideira é um deles.

Localizada na Serra do Brunheiro, a cerca de 18 quilómetros de Chaves, junto à Estrada Nacional 103, trata-se de um enorme bloco de granito com uma característica surpreendente: apesar das suas dimensões e do seu peso, pode realizar um movimento oscilatório quando é empurrado.

O Município classifica-a como um geomonumento e descreve-a como um dos blocos graníticos mais interessantes daquela área.

É uma paragem diferente, especialmente para quem gosta de paisagens naturais, geologia e curiosidades pouco conhecidas.

E existe sempre o mesmo momento de espanto:

Como é possível uma pedra daquele tamanho mexer-se?

Chaves também se saboreia

Uma viagem a Chaves não estaria completa sem falar da gastronomia.

A cozinha flaviense e transmontana é marcada por sabores fortes, produtos locais e receitas de tradição.

Entre os sabores que merecem atenção encontram-se os pastéis de carne de Chaves, o presunto, o folar e pratos de carne característicos da região.

O Município inclui precisamente os pastéis de carne, o folar, o presunto, o bacalhau e a vitela entre os sabores que ajudam a definir a experiência gastronómica local.

É também uma boa oportunidade para fazer aquilo que tantas vezes se perde nas viagens demasiado apressadas:

sentar, comer e conversar.

Porque uma cidade não se conhece apenas através dos monumentos.

Conhece-se também à mesa.

Quantos dias são necessários para visitar Chaves?

Para conhecer os principais pontos turísticos da cidade com tranquilidade, um dia completo permite fazer uma primeira descoberta muito interessante.

Um percurso possível começa na Ponte de Trajano e segue pelo centro histórico, passando pela Rua Direita, Igreja Matriz, Igreja da Misericórdia, Praça de Camões, Paço dos Duques de Bragança, Museu da Região Flaviense e Torre de Menagem.

As Termas Romanas merecem depois uma visita própria.

Com dois dias, já é possível acrescentar locais nos arredores, como o Castelo de Monforte de Rio Livre, a Pedra Bolideira e Vidago.

Para quem pretende aproveitar também as Termas de Chaves e conhecer a gastronomia local sem pressas, um fim de semana prolongado permite uma experiência muito mais tranquila.

Qual é a melhor época para visitar Chaves?

Chaves pode ser visitada durante todo o ano.

A primavera é particularmente agradável para passeios ao ar livre, enquanto o verão permite aproveitar os dias longos e explorar com mais tempo os arredores.

O outono tem um encanto especial em Trás-os-Montes, sobretudo para quem aprecia paisagens, gastronomia e temperaturas mais amenas.

Já o inverno oferece uma experiência diferente: frio, nevoeiro ocasional, ruas mais tranquilas e aquele ambiente transmontano que combina particularmente bem com uma refeição quente e demorada.

Para quem procura turismo termal, a cidade mantém interesse em qualquer estação.

Um roteiro para descobrir Chaves a pé

Para uma primeira visita, este pode ser um bom percurso:

Ponte de Trajano → Rua Direita → Igreja Matriz → Castelo e Torre de Menagem → Praça de Camões → Igreja da Misericórdia → Paço dos Duques de Bragança → Museu da Região Flaviense → Termas Romanas → zona termal

É um percurso que permite perceber, em poucas horas, a sucessão de diferentes épocas que moldaram Chaves.

Roma.

A Idade Média.

A época moderna.

A cidade contemporânea.

Tudo parece estar concentrado num espaço relativamente pequeno.

Chaves é uma cidade para descobrir devagar

Talvez seja essa a verdadeira magia de Chaves.

Não é uma cidade que precise de ser percorrida a correr.

É uma cidade para caminhar.

Para atravessar uma ponte romana e imaginar soldados e comerciantes a passar pelo mesmo lugar há quase dois mil anos.

Para entrar numa rua estreita e reparar numa varanda antiga.

Para subir a uma torre e olhar para o Tâmega.

Para descobrir debaixo da cidade os vestígios de umas termas que permaneceram escondidas durante séculos.

Para sentar numa praça e observar o movimento.

E, no fim do dia, provar um sabor transmontano que faça lembrar que também a gastronomia é uma forma de contar histórias.

Chaves reúne uma combinação rara de património romano, arquitetura medieval, águas termais, natureza, gastronomia e cultura transmontana.

É uma cidade onde o passado não está fechado num museu.

Está debaixo dos pés.

Está nas pedras.

Está na água.

Está nas muralhas.

E está, sobretudo, nas ruas onde a vida continua a acontecer todos os dias.

Informação útil: Posto de Turismo

Posto de Turismo do Alto Tâmega e Barroso

Morada: Praça de Camões, 5400-150 Chaves

Para horários, contactos e eventuais alterações de funcionamento, é recomendável confirmar a informação junto do Município de Chaves antes da deslocação.

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Etiquetas: Aquae FlaviaechavesChaves PortugalPonte de TrajanoTermas de Chavestrás-os-montesturismo em Chavesturismo em Portugal
Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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