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Sismo em Portugal: as 6 cidades mais vulneráveis

Portugal tem risco sísmico real. Saiba quais são as zonas mais vulneráveis, o que agravaria os danos e como preparar a casa e a família.

Sara Costa Por Sara Costa
17/08/2026
em Curiosidades, Notícias
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Sismo em Portugal: as 6 cidades mais vulneráveis

Sismo em Portugal: as 6 cidades mais vulneráveis

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Há fenómenos naturais que parecem pertencer a um passado distante. O terramoto de 1755, por exemplo, transformou para sempre a história de Lisboa e deixou uma marca profunda na memória de Portugal. Mas a terra continua em movimento.

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Portugal tem risco sísmico real.

Isso não significa que seja possível saber quando ocorrerá o próximo grande terramoto, onde será o epicentro ou qual será a sua magnitude. A ciência não permite fazer esse tipo de previsão com precisão. O que os dados permitem afirmar é diferente e igualmente importante: existem zonas do território português com perigosidade sísmica significativa e existe um historial de sismos capazes de provocar danos muito graves.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) classifica a sismicidade do continente como intermédia em termos globais de frequência e magnitude. No entanto, a distribuição não é uniforme: o sul do Algarve, sobretudo a sudoeste do Cabo de São Vicente, concentra uma parte importante da atividade sísmica, enquanto outras zonas apresentam concentrações sísmicas distintas. Nos Açores, a frequência de sismos é consideravelmente superior.

Por isso, mais do que perguntar “qual será a próxima cidade atingida?”, a pergunta certa é: quais são as regiões onde um grande sismo poderia ter consequências particularmente graves?

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Lisboa: a cidade que carrega a memória de 1755

Quando se fala em risco sísmico em Portugal, Lisboa surge inevitavelmente em primeiro plano.

A razão não é apenas histórica. É também geológica, urbanística e demográfica.

O terramoto de 1 de novembro de 1755 provocou uma devastação extraordinária em Lisboa e noutras regiões do país. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o sismo teve magnitude estimada em cerca de 8,75 e foi acompanhado por um tsunami que terá atingido aproximadamente 15 metros em algumas zonas, além de fenómenos de liquefação do solo e deslizamentos de terras.

A vulnerabilidade atual de Lisboa resulta da combinação de vários fatores.

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A cidade possui zonas edificadas sobre diferentes tipos de terrenos, incluindo depósitos sedimentares associados ao Tejo, que podem influenciar a forma como as ondas sísmicas são sentidas. Existe também um vasto património edificado antigo. Bairros históricos como Alfama, Mouraria e outras áreas antigas da cidade apresentam edifícios com características construtivas muito diferentes das estruturas projetadas segundo regulamentação sísmica moderna. E há ainda outro fator impossível de ignorar: a enorme concentração de população, edifícios, serviços, infraestruturas e atividade económica.

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Um sismo forte não provocaria apenas danos em casas.

Poderia afetar estradas, pontes, redes de água, eletricidade, comunicações, transportes e serviços essenciais.

Setúbal e a Península de Setúbal

A região de Setúbal merece igualmente atenção quando se analisa o risco sísmico português.

A proximidade da zona de Lisboa, a localização geográfica, determinados tipos de solos e a concentração urbana fazem com que a Península de Setúbal seja uma área onde os efeitos de um sismo significativo devem ser levados a sério.

Almada, Seixal, Barreiro e outros núcleos urbanos da margem sul do Tejo apresentam uma elevada concentração populacional e infraestrutural.

Mas há uma ressalva importante: não é rigoroso afirmar que todas estas cidades apresentam exatamente o mesmo nível de risco.

A perigosidade sísmica varia dentro de cada região e depende de fatores como a localização das fontes sísmicas, o tipo de terreno, a vulnerabilidade dos edifícios e a exposição da população.

É justamente esta combinação que determina o risco final.

Algarve: uma das regiões portuguesas onde a atividade sísmica merece especial atenção

O Algarve é frequentemente associado ao sol, às praias e ao turismo. Porém, do ponto de vista sísmico, o sul de Portugal é uma das regiões que merece maior atenção.

O IPMA indica que a maior parte dos sismos registados no continente ocorre na zona sul do Algarve, sobretudo a sudoeste do Cabo de São Vicente.

A região está também relacionada com a complexa dinâmica tectónica do Atlântico e do limite entre placas.

Foi precisamente nesta envolvente que ocorreram alguns dos grandes acontecimentos sísmicos que marcaram a história portuguesa.

Cidades como Faro, Portimão e Lagos não devem ser encaradas como se estivessem todas igualmente ameaçadas. Contudo, encontram-se numa região onde a perigosidade sísmica é relevante e onde a preparação assume particular importância.

O risco também não depende apenas da magnitude de um sismo.

Um abalo moderado num local próximo e superficial pode produzir efeitos importantes, enquanto um evento de maior magnitude, mas mais distante, pode ter consequências diferentes.

Santarém e o Vale Inferior do Tejo: a memória do sismo de 1909

Existe outro episódio histórico que continua a ser fundamental para compreender o risco sísmico português.

A 23 de abril de 1909, um forte sismo teve epicentro na região de Benavente.

O evento provocou destruição significativa e tornou-se um dos mais importantes acontecimentos sísmicos registados em Portugal continental depois do terramoto de 1755. O IPMA destaca precisamente os sismos de 1755 e de Benavente, em 1909, entre os acontecimentos com maior impacto histórico, científico e socioeconómico.

A região do Vale Inferior do Tejo continua, por isso, a ser relevante nos estudos de perigosidade sísmica.

Terrenos sedimentares podem também influenciar a intensidade do movimento sentido à superfície.

É uma demonstração clara de que o risco sísmico português não se resume a Lisboa.

Porto: menor perigosidade não significa risco inexistente

O Porto surge muitas vezes fora das listas quando se fala nos grandes riscos sísmicos portugueses.

E existe uma razão para isso.

De acordo com o IPMA, a sismicidade do continente apresenta uma distribuição desigual, sendo o sul do território uma das zonas de maior atividade.

Isso não significa, porém, que o Porto esteja completamente protegido.

Uma cidade pode apresentar menor perigosidade sísmica e, ainda assim, possuir edifícios vulneráveis ou infraestruturas críticas que poderiam sofrer danos perante um evento suficientemente forte.

O centro histórico do Porto contém numerosos edifícios antigos, e a idade e características construtivas do parque edificado são fatores relevantes na avaliação do risco.

Por isso, menor risco não significa risco zero.

Açores: uma realidade sísmica diferente

Nos Açores, a questão assume outra dimensão.

O arquipélago encontra-se numa região geologicamente complexa, associada à interação de diferentes placas tectónicas e estruturas geológicas.

O IPMA classifica a sismicidade dos Açores como alta em termos de frequência e intermédia em termos de magnitude.

A atividade sísmica faz parte da realidade natural do arquipélago e é acompanhada continuamente pela rede sísmica.

Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Horta e outras localidades podem sentir os efeitos de sismos ocorridos na região, embora o risco concreto varie conforme a ilha, a localização, o terreno e as características das construções.

Os registos do próprio IPMA mostram a ocorrência contínua de atividade sísmica nos Açores, incluindo eventos sentidos e outros de menor magnitude.

Afinal, quais são as zonas mais vulneráveis?

Não existe uma lista oficial simples que permita afirmar que uma determinada cidade é “a mais perigosa” e outra é “segura”.

O risco sísmico é o resultado da combinação entre perigosidade, exposição e vulnerabilidade.

Ainda assim, olhando para a atividade sísmica histórica e para a exposição populacional e urbana, há regiões que merecem especial atenção.

Lisboa e a região envolvente destacam-se pelo historial sísmico, pela elevada concentração urbana e pelas características de determinadas zonas do subsolo.

Setúbal e a Península de Setúbal merecem atenção pela localização e elevada exposição populacional e infraestrutural.

Algarve e sudoeste do continente apresentam uma atividade sísmica relevante, particularmente na zona marítima a sudoeste do Cabo de São Vicente.

Vale Inferior do Tejo e região de Benavente têm uma importância histórica e geológica significativa, sobretudo devido ao sismo de 1909.

Açores constituem um caso particular devido à elevada frequência da atividade sísmica.

O perigo não está apenas no epicentro

Existe uma ideia errada que importa desmontar: uma cidade não precisa de estar exatamente sobre uma falha ativa para sofrer consequências graves.

O impacto de um sismo depende de vários elementos.

Entre eles estão a magnitude, a profundidade, a distância ao epicentro, o tipo de terreno e as características das construções.

É por isso que dois bairros relativamente próximos podem sentir efeitos diferentes durante o mesmo sismo.

O solo pode amplificar o movimento

Os terrenos sedimentares e determinados solos pouco consolidados podem modificar a forma como as ondas sísmicas chegam à superfície.

Este fenómeno pode aumentar a intensidade do movimento em determinadas zonas.

É uma das razões pelas quais os mapas de perigosidade sísmica são muito mais complexos do que simplesmente desenhar uma linha à volta de uma falha.

O LNEC explica que os estudos de perigosidade sísmica recorrem a zonas sismogénicas que consideram características sismológicas, tectónicas e geológicas, bem como a frequência e magnitude dos eventos.

Os edifícios são uma parte fundamental do problema

Imagine dois edifícios sujeitos exatamente ao mesmo abalo.

Um pode resistir relativamente bem.

O outro pode sofrer danos graves.

Porquê?

Porque a resistência sísmica depende das características da construção, dos materiais, da conceção estrutural, da idade do edifício, de alterações realizadas posteriormente e das normas aplicáveis no momento da construção.

É por isso que a existência de edifícios antigos em zonas densamente povoadas constitui um fator de vulnerabilidade.

E este é um dos aspetos em que a prevenção pode realmente fazer diferença.

Um grande sismo não pode ser previsto

Esta é talvez a informação mais importante de todo o artigo.

Não existe atualmente uma forma científica de indicar o dia, a hora, o local exato e a magnitude do próximo grande terramoto em Portugal.

Por isso, afirmações como “o próximo grande sismo vai acontecer em breve” ou “Lisboa será atingida em determinada data” não devem ser confundidas com previsões científicas.

O que os especialistas conseguem fazer é estudar a perigosidade sísmica, analisar os registos históricos, identificar zonas de maior exposição e estimar cenários de risco.

É uma diferença fundamental.

Não podemos saber exatamente quando a terra vai tremer.

Podemos, contudo, preparar-nos para quando isso acontecer.

O que pode acontecer nos primeiros minutos?

Um sismo forte pode provocar queda de objetos, danos estruturais, quebra de vidros, interrupção de eletricidade e comunicações, incêndios, deslizamentos ou bloqueios de vias.

Em determinadas zonas costeiras e perante determinados eventos, pode ainda existir risco de tsunami.

O terramoto de 1755 é o exemplo histórico mais dramático: além da destruição causada pelo próprio sismo, a Proteção Civil salienta a ocorrência de um tsunami, liquefação do solo e deslizamentos de terras.

Por isso, a preparação não deve limitar-se à possibilidade de o edifício sofrer danos.

É necessário pensar também no que acontece depois do primeiro abalo.

O que fazer para estar mais preparado?

Há medidas simples que podem aumentar a segurança.

Antes de mais, é importante identificar os locais mais seguros da habitação e saber como agir durante um sismo.

Objetos pesados devem ser devidamente fixados sempre que possível, sobretudo aqueles que possam cair sobre pessoas.

É também aconselhável conhecer as saídas da habitação e estabelecer previamente um ponto de encontro familiar.

Documentos importantes, medicamentos essenciais, água e alguns bens básicos podem fazer parte de um kit de emergência adaptado às necessidades da família.

E há uma regra que merece ser repetida: durante um sismo, não se deve correr imediatamente para as escadas ou para a rua enquanto o edifício está a tremer.

A prioridade é proteger-se de objetos que possam cair e seguir as orientações das autoridades.

A informação pode salvar vidas

O IPMA mantém informação atualizada sobre a atividade sísmica registada pela rede sísmica nacional. A própria plataforma salienta que os dados apresentados podem ser atualizados à medida que são analisados novos elementos.

Acompanhar informação oficial é particularmente importante durante uma crise.

Em caso de emergência, devem ser seguidas as indicações das autoridades de proteção civil e evitada a circulação de rumores ou informações não verificadas.

Portugal não deve viver com medo — deve viver preparado

A existência de risco sísmico não significa que seja necessário viver permanentemente assustado.

Significa compreender que os sismos fazem parte da realidade geológica do território português.

O continente apresenta uma sismicidade intermédia em termos globais, mas com regiões de maior atividade, enquanto os Açores apresentam uma frequência sísmica elevada.

A história já demonstrou que grandes acontecimentos são possíveis.

O terramoto de 1755 e o sismo de Benavente de 1909 são duas lembranças incontornáveis dessa realidade.

A questão não é saber se alguém consegue adivinhar o próximo grande terramoto.

Ninguém consegue.

A verdadeira questão é outra: se a terra voltar a tremer com grande intensidade, estaremos preparados?

Conclusão: a terra não avisa

Portugal tem memória de grandes terramotos. Lisboa tem a memória de 1755. Benavente tem a memória de 1909. Os Açores convivem com uma atividade sísmica frequente.

E o Algarve continua inserido numa das áreas de maior atividade sísmica do continente.

Nada disto significa que seja possível prever o próximo grande sismo.

Significa apenas que o risco existe e deve ser levado a sério.

Preparar uma casa, conversar com a família, conhecer os procedimentos de emergência e acompanhar a informação oficial são gestos simples que podem fazer uma diferença enorme quando os segundos contam.

Porque, quando a terra tremer, já não haverá tempo para começar a preparar-se.

O melhor momento para estar preparado é antes do primeiro abalo.

Fontes: IPMA, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

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Etiquetas: risco de terramoto Portugalrisco sísmico Portugalsismo em portugalsismos Portugalterramoto em Portugal
Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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