Usar um caixa Multibanco faz parte da rotina de milhões de portugueses. Levantar dinheiro, consultar o saldo, pagar uma conta ou fazer uma transferência tornou-se um gesto tão habitual que, muitas vezes, a operação é realizada quase de forma automática.
É precisamente essa familiaridade que pode levar a que pequenos sinais de adulteração passem despercebidos.
Uma ranhura que parece ligeiramente diferente, um teclado que não encaixa como seria esperado ou uma pessoa demasiado próxima durante a introdução do código PIN podem justificar uma pausa antes de continuar. Não significa que exista necessariamente fraude, mas qualquer alteração invulgar deve ser encarada com prudência.
Entre as técnicas conhecidas encontra-se o skimming, associado à captura ilícita de dados do cartão. O risco não deve ser dramatizado — a rede MULTIBANCO dispõe de mecanismos de segurança e monitorização —, mas conhecer os sinais de alerta permite agir rapidamente perante uma situação suspeita.
O que é o skimming e como funciona?
O skimming é uma técnica de fraude que procura obter ilicitamente dados de um cartão através de equipamentos adulterados ou dispositivos instalados num terminal.
Dependendo do esquema, os criminosos podem tentar obter dados do cartão e, separadamente, o código PIN. Por essa razão, a proteção do PIN é tão importante como a atenção ao próprio cartão.
O Banco de Portugal recomenda que o código secreto seja mantido confidencial e que, quando é introduzido, existam condições de privacidade que impeçam terceiros de o observar.
O objetivo de quem pratica este tipo de fraude é passar despercebido. É por isso que a atenção aos pequenos detalhes pode fazer a diferença.
1. Observe a ranhura antes de inserir o cartão
Antes de introduzir o cartão, observe durante alguns segundos a zona onde este é inserido.
Uma peça aparentemente solta, desalinhada, excessivamente saliente ou com um aspeto diferente do equipamento pode justificar cautela. O mesmo princípio se aplica a alterações que não pareçam fazer parte da estrutura habitual do caixa. Não é necessário tocar ou tentar desmontar qualquer componente. Se algo parecer estranho, não introduza o cartão.
A opção mais segura é cancelar a operação e utilizar outro caixa automático. A SIBS recomenda precisamente que, perante sinais de comportamento anormal, vandalismo ou adulteração do terminal, a situação seja comunicada e que o utilizador abandone o local se suspeitar de atividade ilícita.
2. Preste atenção ao teclado
O teclado merece a mesma atenção.
Se parecer excessivamente elevado, apresentar uma peça sobreposta ou tiver um aspeto diferente do habitual, não avance automaticamente com a operação.
Uma das razões para esta precaução é que o código PIN constitui uma informação de segurança que nunca deve ser partilhada nem ficar exposta a terceiros.
Mesmo que o caixa automático pareça perfeitamente normal, proteja sempre o teclado com uma mão enquanto introduz o PIN. Este gesto simples dificulta que alguém próximo consiga observar o código e também reduz o risco de este ser captado visualmente por uma câmara.
O Banco de Portugal recomenda expressamente que o titular proteja o código secreto do olhar de terceiros.
3. Nunca aceite “ajuda” de desconhecidos quando o cartão fica retido
Imagine uma situação particularmente desconfortável: o cartão é introduzido, a operação termina e o Multibanco não devolve o cartão.
Pouco depois, alguém que se encontra nas proximidades aproxima-se e afirma saber como resolver o problema.
É precisamente neste momento que deve existir cautela redobrada.
Não forneça o PIN a ninguém e não permita que terceiros manipulem o cartão ou o terminal em seu nome.
Se o cartão ficar retido, contacte imediatamente o banco emissor ou a entidade responsável, utilizando os contactos oficiais. O Banco de Portugal recomenda que, quando um cartão é capturado por um caixa automático, o cliente contacte o respetivo emitente para averiguar o motivo e saber como proceder.
4. Escolha cuidadosamente o local onde utiliza o Multibanco
O local também merece atenção.
A SIBS aconselha a evitar levantamentos durante a noite ou em locais isolados e recomenda que o utilizador esteja atento às pessoas que se encontram nas proximidades do caixa. Se houver qualquer sensação de insegurança ou comportamento suspeito, a orientação é utilizar outro terminal.
Sempre que possível, pode optar-se por um caixa localizado num espaço movimentado, com boa iluminação e condições adequadas de privacidade.
Isto não significa que um caixa localizado numa rua seja automaticamente inseguro ou que um terminal dentro de um edifício esteja imune a fraude. Significa apenas que o contexto envolvente também deve fazer parte da avaliação de segurança.
5. Tape sempre o teclado ao introduzir o PIN
É provavelmente um dos hábitos mais simples e eficazes.
Ao introduzir o código PIN, coloque a outra mão por cima do teclado de forma a impedir que terceiros consigam observar os movimentos dos dedos.
Este cuidado deve ser mantido mesmo quando não existe qualquer sinal de adulteração.
Uma pessoa que esteja atrás do utilizador pode conseguir memorizar o código simplesmente observando os movimentos. A proteção física do teclado acrescenta uma camada simples de segurança e é recomendada pelas boas práticas do Banco de Portugal.
6. Se algo parecer estranho, cancele a operação
Um dos erros mais comuns perante uma situação suspeita é pensar: “Provavelmente não é nada”.
Se o terminal apresentar um comportamento invulgar, se existir uma peça aparentemente estranha ou se alguém estiver a pressionar para que a operação seja concluída rapidamente, não há qualquer razão para correr o risco.
Cancele a operação e utilize outro caixa.
A SIBS recomenda que, perante sinais de comportamento anormal ou adulteração, o utilizador abandone a zona e reporte a situação.
Uma operação que pode ser realizada noutro terminal não justifica colocar os dados do cartão em risco.
7. Consulte regularmente os movimentos da conta
A segurança não termina quando o cartão sai do Multibanco.
É importante verificar regularmente os movimentos da conta e do cartão e prestar atenção a qualquer operação que não reconheça.
O Banco de Portugal recomenda a consulta regular dos extratos e determina que qualquer movimento não realizado pelo titular seja comunicado imediatamente ao prestador de serviços de pagamento.
Este hábito permite detetar rapidamente uma eventual utilização não autorizada e agir sem atrasos desnecessários.
As instituições financeiras dispõem também de mecanismos de prevenção e deteção de fraude. A SIBS, por exemplo, disponibiliza sistemas destinados à monitorização e deteção de operações suspeitas. Ainda assim, a atenção do próprio titular continua a ser uma importante camada de proteção.
O que fazer se suspeitar que o cartão foi clonado?
Se existir suspeita de que os dados do cartão foram comprometidos, é importante agir rapidamente.
Em primeiro lugar, deve contactar imediatamente o banco ou o prestador de serviços de pagamento que emitiu o cartão, através dos contactos oficiais.
Se existirem operações que não reconhece, comunique-as sem demora.
O Banco de Portugal recomenda que situações de perda, roubo, apropriação indevida ou utilização não autorizada sejam comunicadas imediatamente ao emitente do cartão.
Quando existir suspeita de fraude financeira, a situação pode também ser participada às autoridades competentes, nomeadamente PSP, GNR, Polícia Judiciária ou Ministério Público.
E se o Multibanco ficar com o cartão?
Se o caixa automático não devolver o cartão, não tente resolver a situação através de instruções dadas por desconhecidos.
Contacte o banco emissor do cartão e siga os procedimentos indicados pela instituição.
No caso dos terminais ATM Express, por exemplo, a própria SIBS recomenda contactar imediatamente o banco emissor ou o serviço de apoio da rede quando o cartão é capturado e não é devolvido.
É também importante nunca utilizar números de telefone desconhecidos afixados por terceiros junto ao terminal. Para comunicar um problema, devem ser utilizados os contactos oficiais da entidade responsável ou do banco.
O que acontece se existirem movimentos que não autorizou?
Quando existe uma operação não autorizada, o tempo de reação é importante.
O Banco de Portugal indica que o titular deve comunicar a situação ao prestador de serviços de pagamento sem atrasos injustificados. Em determinadas circunstâncias, antes da comunicação, o titular pode suportar perdas até ao limite de 50 euros; existem, contudo, exceções, nomeadamente em situações de fraude ou negligência grave. Depois de comunicada a situação, existem regras específicas de proteção relativamente a operações posteriores não autorizadas.
Por isso, se surgir uma operação que não reconhece, não espere para ver se aparece outra. Contacte imediatamente o banco.
Não entre em pânico, mas não ignore sinais estranhos
A utilização de um Multibanco faz parte do quotidiano e a rede dispõe de mecanismos de segurança e monitorização. O objetivo destes cuidados não é criar medo sempre que alguém utiliza um caixa automático.
A questão é outra: desenvolver pequenos hábitos que tornam a utilização mais segura.
Observar o terminal antes de inserir o cartão, proteger o PIN, manter distância de terceiros, escolher locais adequados, cancelar uma operação quando algo parece errado e verificar regularmente os movimentos da conta são medidas simples que podem reduzir a exposição a situações de fraude.
E existe uma regra que vale a pena guardar:
Se algo no Multibanco parecer diferente do habitual, não ignore a sensação.
Não é preciso saber exatamente que dispositivo poderá estar instalado nem identificar a técnica utilizada. Basta reconhecer que existe algo anormal, interromper a operação e procurar um terminal seguro.
Checklist rápido antes de utilizar um Multibanco
Antes de inserir o cartão, confirme:
- A ranhura do cartão parece normal?
- O teclado parece fazer parte do equipamento?
- Existe alguma peça solta, sobreposta ou desalinhada?
- Há pessoas demasiado próximas?
- O local oferece privacidade suficiente?
- O terminal apresenta algum comportamento estranho?
- O código PIN está protegido do olhar de terceiros?
Se alguma coisa parecer suspeita, não prossiga com a operação.
A segurança começa muitas vezes com uma pausa de poucos segundos.
Precaução simples, proteção real
A fraude bancária pode assumir diferentes formas e nenhuma medida elimina todos os riscos. Ainda assim, muitos cuidados eficazes são extraordinariamente simples.
Proteger o PIN, verificar o terminal, manter o cartão sob controlo e acompanhar os movimentos da conta são hábitos que não exigem conhecimentos técnicos nem muito tempo.
O mais importante é não agir de forma automática.
Da próxima vez que utilizar um Multibanco, dedique alguns segundos a observar o equipamento antes de inserir o cartão. Essa pequena pausa pode ser suficiente para identificar algo fora do normal e evitar que uma operação aparentemente banal se transforme num problema sério.
Fontes e informação útil
As recomendações de segurança deste artigo foram confrontadas com informação do Banco de Portugal sobre utilização segura de cartões, operações não autorizadas e comunicação de fraude, bem como com as recomendações de segurança da SIBS para utilização de caixas automáticos.




