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Vírus do Nilo Ocidental preocupa a Europa: especialistas admitem que Portugal poderá registar novos casos

O vírus do Nilo Ocidental já circula em vários países europeus. Saiba quais os sintomas, como se transmite, qual o risco para Portugal e como se proteger.

Sara Costa Por Sara Costa
29/07/2026
em Curiosidades, Notícias
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Vírus do Nilo Ocidental preocupa a Europa: especialistas admitem que Portugal poderá registar novos casos

Vírus do Nilo Ocidental preocupa a Europa: especialistas admitem que Portugal poderá registar novos casos

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O verão é sinónimo de dias mais longos, temperaturas elevadas e maior atividade ao ar livre. Mas é também a época em que os mosquitos se tornam mais ativos, aumentando o risco de transmissão de algumas doenças que, até há poucos anos, eram consideradas pouco frequentes na Europa.

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Uma dessas doenças é provocada pelo vírus do Nilo Ocidental (West Nile Virus), que já está a circular em vários países europeus. Desde o início da época de transmissão de 2026, foram confirmados dezenas de casos humanos adquiridos localmente e as autoridades de saúde mantêm uma vigilância apertada sobre a evolução da situação.

Embora Portugal não registe atualmente um surto de grande dimensão, especialistas admitem que a presença do vírus no território nacional é uma possibilidade real, sobretudo devido às condições climáticas e à existência dos mosquitos responsáveis pela transmissão.

De acordo com a TSF, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já apelou aos países europeus para reforçarem as medidas de prevenção, numa altura em que a época de maior risco está apenas a atingir o seu pico.

O que é o vírus do Nilo Ocidental?

O vírus do Nilo Ocidental é um agente infeccioso pertencente à família dos flavivírus, a mesma que inclui outros vírus conhecidos, como o da dengue e o da febre-amarela.

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Foi identificado pela primeira vez em 1937, no Uganda, junto ao distrito de West Nile, de onde herdou o nome.

Atualmente, encontra-se distribuído por vários continentes, incluindo África, Europa, Ásia, Médio Oriente e América.

Nos últimos anos, os especialistas têm observado uma expansão gradual da sua presença em território europeu.

Como é transmitido?

Ao contrário de muitas doenças contagiosas, o vírus do Nilo Ocidental não se transmite normalmente de pessoa para pessoa.

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O ciclo de transmissão envolve principalmente:

  • aves selvagens, que funcionam como reservatórios naturais do vírus;
  • mosquitos do género Culex, que adquirem o vírus ao picarem aves infetadas;
  • seres humanos e cavalos, considerados hospedeiros ocasionais.
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Leia também:
  • Vírus do Nilo Ocidental avança na Europa: há risco em Portugal? Conheça os sintomas e saiba como se proteger
  • Vírus do Nilo Ocidental aproxima-se de Portugal: Espanha declara alerta e Lisboa está entre as zonas de maior risco
  • Novo surto de Ébola leva OMS a declarar emergência internacional e aumenta vigilância em Portugal
  • Alerta de saúde pública em Portugal após infeções por vírus invulgar, incluindo um caso em pessoa vacinada. Veja os sintomas

 

Depois de infetado, o mosquito pode transmitir o vírus quando volta a picar outro animal ou uma pessoa.

Segundo os especialistas, os seres humanos não desenvolvem níveis suficientes do vírus no sangue para manter este ciclo de transmissão.

Por isso, a infeção não passa através do contacto habitual entre pessoas.

A Europa está a registar novos casos

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) acompanha semanalmente a evolução da doença durante a época de maior atividade dos mosquitos.

Até 22 de julho de 2026, foram identificadas 35 áreas afetadas em vários países europeus.

Entre os países com transmissão local encontram-se:

  • Itália;
  • Grécia;
  • Espanha;
  • Roménia;
  • Macedónia do Norte;
  • França.

No conjunto destes países, o ECDC contabilizou 81 casos humanos adquiridos localmente durante a atual época de transmissão.

Os números poderão continuar a aumentar durante os meses de verão, período em que as condições meteorológicas favorecem a proliferação dos mosquitos.

O vírus pode chegar a Portugal?

Para vários especialistas, essa possibilidade deve ser encarada como bastante provável.

O médico infeciologista Diogo Pedro considera que a questão não será propriamente “se”, mas “quando” poderão surgir novos casos em território nacional.

Ainda assim, sublinha que isso não significa que Portugal venha a enfrentar uma crise sanitária semelhante à provocada pela pandemia de Covid-19.

Na realidade, o vírus já não é totalmente desconhecido no país.

Ao longo dos últimos anos foram identificados casos em cavalos no sul de Portugal e, embora raros, também já existiram infeções humanas.

O facto de existirem mosquitos capazes de transmitir o vírus significa que as autoridades continuam a manter vigilância epidemiológica permanente.

Porque aumenta o risco durante o verão?

A resposta está no ciclo de vida dos mosquitos.

Entre o final da primavera e o início do outono, especialmente entre julho e setembro, as temperaturas mais elevadas favorecem:

  • maior reprodução dos mosquitos;
  • aumento da sua atividade;
  • aceleração da replicação do vírus dentro do inseto.

Quanto mais quente for o ambiente, maiores tendem a ser as condições para a circulação do vírus.

Regiões húmidas, zonas com águas paradas e temperaturas elevadas apresentam normalmente maior vulnerabilidade.

Quais são os sintomas?

A maioria das pessoas infetadas não desenvolve qualquer sintoma.

Estima-se que cerca de 80% das infeções sejam assintomáticas.

Quando a doença se manifesta, os sintomas costumam surgir entre dois e catorze dias após a picada do mosquito.

Os sinais mais frequentes incluem:

  • febre;
  • dores musculares;
  • dores de cabeça;
  • fadiga intensa;
  • mal-estar geral;
  • náuseas;
  • vómitos;
  • erupções cutâneas;
  • gânglios aumentados.

Numa fase inicial, o quadro clínico pode ser facilmente confundido com uma gripe ou outra infeção viral comum.

Quando pode tornar-se perigoso?

Embora a maioria das infeções evolua favoravelmente, existe uma pequena percentagem de casos que pode desenvolver complicações neurológicas graves.

Estas incluem:

  • meningite;
  • encefalite;
  • inflamação da medula espinal.

As pessoas com maior risco são:

  • idosos;
  • doentes crónicos;
  • pessoas imunodeprimidas.

Nestes grupos, a doença pode provocar sequelas permanentes e, em situações excecionais, tornar-se fatal.

Existe vacina?

Atualmente não existe uma vacina aprovada para utilização generalizada em seres humanos contra o vírus do Nilo Ocidental.

Também não existe um tratamento antiviral específico.

O tratamento disponível centra-se essencialmente no alívio dos sintomas e no suporte clínico dos doentes que desenvolvem formas mais graves da doença.

Por esse motivo, a prevenção continua a ser a melhor forma de proteção.

Como reduzir o risco de infeção?

As autoridades de saúde recomendam várias medidas simples, mas muito eficazes:

  • utilizar repelente de insetos;
  • vestir roupa de mangas compridas ao amanhecer e ao entardecer;
  • instalar redes mosquiteiras nas janelas;
  • evitar águas paradas em vasos, baldes, pneus ou recipientes exteriores;
  • manter piscinas e depósitos de água devidamente tratados.

Eliminar locais onde os mosquitos se reproduzem continua a ser uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco.

As alterações climáticas podem favorecer a propagação?

Vários especialistas consideram que o aquecimento global pode desempenhar um papel importante.

Temperaturas médias mais elevadas prolongam a época de atividade dos mosquitos e criam condições mais favoráveis à circulação do vírus.

Além disso, alterações nos padrões de precipitação e humidade podem aumentar as áreas adequadas à reprodução destes insetos.

Embora as alterações climáticas não sejam a única explicação para o aumento dos casos na Europa, são apontadas como um dos fatores que podem favorecer a expansão geográfica da doença.

Portugal deve preocupar-se?

Neste momento, não existe indicação de um surto de grande dimensão em Portugal.

Contudo, isso não significa ausência de risco.

O país reúne várias condições favoráveis à presença do mosquito transmissor, sobretudo durante os meses mais quentes.

Por essa razão, a vigilância epidemiológica continua ativa e as autoridades acompanham permanentemente a evolução da situação na Europa.

Informação e prevenção continuam a ser as melhores defesas

A circulação do vírus do Nilo Ocidental em vários países europeus demonstra que esta doença deixou de ser uma realidade distante.

Apesar de a maioria das infeções ser ligeira ou mesmo assintomática, existem grupos particularmente vulneráveis que podem desenvolver complicações graves.

Adotar medidas simples de proteção contra as picadas de mosquito continua a ser a forma mais eficaz de reduzir o risco.

Num verão marcado pelo aumento das temperaturas e pela maior atividade destes insetos, alguns gestos aparentemente simples — como eliminar águas paradas ou utilizar repelente — podem fazer toda a diferença.

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Etiquetas: casos vírus Nilo Europavírus do Nilo Ocidentalvírus do Nilo Portugalvírus Nilo Ocidental PortugalWest Nile Virus
Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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