O mundo volta a olhar com preocupação para África Central depois de um novo surto de Ébola ter levado a Organização Mundial da Saúde a declarar uma emergência de saúde pública internacional.
O alerta surgiu após a deteção de casos associados ao vírus Bundibugyo, uma das variantes mais raras e preocupantes do Ébola, atualmente sem vacina aprovada disponível.
O epicentro do surto localiza-se na República Democrática do Congo e no Uganda, duas regiões que já enfrentam enormes fragilidades nos sistemas de saúde, deslocações populacionais e dificuldades no controlo epidemiológico.
Enquanto isso, vários países europeus, incluindo Portugal, reforçam discretamente os mecanismos de vigilância e deteção precoce.
A decisão da OMS aumentou a preocupação internacional
A declaração de emergência internacional feita pela Organização Mundial da Saúde não significa que exista uma pandemia global em curso.
Mas representa um sinal claro de preocupação.
A decisão acontece quando existe risco significativo de propagação internacional e necessidade de coordenação urgente entre vários países.
No centro das atenções está a estirpe Bundibugyo, uma variante particularmente desafiante porque:
- não possui vacina aprovada;
- apresenta dificuldades acrescidas no controlo;
- surge em zonas com acesso limitado a cuidados médicos;
- pode espalhar-se rapidamente através de contacto direto.
Portugal considera o risco muito baixo
Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde considera que o risco para a população continua muito baixo.
Ainda assim, as autoridades estão a reforçar:
- vigilância epidemiológica;
- controlo de viajantes;
- preparação hospitalar;
- protocolos de deteção rápida;
- comunicação com profissionais de saúde.
O objetivo é garantir capacidade de resposta imediata caso surja algum caso importado.
O Ébola continua a assustar o mundo
Poucas doenças provocam tanto impacto emocional quanto o Ébola.
A memória coletiva continua marcada pelas imagens dramáticas dos surtos anteriores em África, sobretudo durante a grande crise sanitária de 2014.
O nome da doença tornou-se praticamente sinónimo de medo global.
E existe uma razão para isso.
O vírus pode provocar:
- febre intensa;
- dores musculares;
- vómitos;
- diarreia;
- hemorragias;
- falência orgânica;
- morte.
A boa notícia: o vírus não se transmite pelo ar
As autoridades de saúde têm insistido numa mensagem fundamental.
O Ébola não é transmitido por via aérea.
Ao contrário de doenças respiratórias como a Covid-19, a transmissão ocorre através de:
- sangue;
- saliva;
- vómito;
- fezes;
- fluidos corporais;
- objetos contaminados.
Isto reduz significativamente o risco de propagação rápida em larga escala.
O maior perigo está no contacto direto
A transmissão exige contacto próximo com pessoas infetadas ou materiais contaminados.
É precisamente por isso que profissionais de saúde enfrentam maior risco durante surtos ativos.
A proteção exige:
- máscaras;
- viseiras;
- luvas;
- fatos de proteção;
- higiene rigorosa;
- isolamento clínico.
A ausência de vacina preocupa especialistas
O atual surto está a gerar especial atenção porque a variante Bundibugyo continua sem vacina aprovada.
Segundo informações internacionais, uma vacina específica poderá ainda demorar vários meses a ficar disponível.
Até lá, o combate depende sobretudo de:
- isolamento de casos;
- rastreio de contactos;
- deteção rápida;
- vigilância internacional;
- proteção hospitalar.
O perigo das viagens internacionais
Especialistas recordam que o mundo atual está extremamente interligado.
Uma pessoa pode viajar de uma região afetada para a Europa em poucas horas.
Foi precisamente isso que levou a Organização Mundial da Saúde a aumentar o nível de alerta.
Ainda assim, especialistas consideram improvável um cenário semelhante ao de uma pandemia global.
Os sintomas podem confundir-se com doenças comuns
Um dos maiores desafios está precisamente na fase inicial da doença.
Os primeiros sintomas podem parecer relativamente banais:
- febre;
- dores no corpo;
- cansaço;
- dores de cabeça;
- garganta inflamada.
Isso dificulta a identificação rápida.
Sobretudo em países onde o Ébola não circula habitualmente.
Quando o vírus começa a tornar-se mais agressivo
Numa fase mais avançada, a situação pode agravar-se rapidamente.
Podem surgir:
- vómitos intensos;
- diarreia severa;
- desidratação;
- hemorragias;
- falência de órgãos.
É nesta fase que a mortalidade aumenta drasticamente.
Portugal já possui protocolos preparados
Apesar do baixo risco, Portugal não está desprevenido.
Durante surtos anteriores, o país desenvolveu:
- hospitais de referência;
- planos de emergência;
- equipas especializadas;
- protocolos laboratoriais;
- sistemas de isolamento.
A experiência adquirida durante crises sanitárias anteriores continua a servir de base para a preparação atual.
A deteção precoce será essencial
Especialistas sublinham que o fator mais importante será a rapidez de resposta.
Qualquer pessoa que:
- tenha viajado para zonas afetadas;
- apresente sintomas compatíveis;
- tenha tido contacto de risco;
deve contactar imediatamente os serviços de saúde antes de se deslocar presencialmente a hospitais.
As autoridades pedem calma
Apesar da preocupação internacional, as autoridades insistem numa mensagem de tranquilidade.
Neste momento:
- não existe transmissão em Portugal;
- o risco europeu é considerado muito baixo;
- os mecanismos de vigilância estão ativos.
Ainda assim, o surto está a ser acompanhado diariamente pelas principais entidades internacionais.
África continua a enfrentar enormes dificuldades
Grande parte do problema está relacionada com as condições locais.
As zonas afetadas enfrentam:
- pobreza extrema;
- conflitos armados;
- deslocações populacionais;
- falta de infraestruturas médicas;
- dificuldades de rastreio epidemiológico.
Tudo isso dificulta o controlo do vírus.
O mundo continua atento
De acordo com o Postal, o novo surto surge numa altura em que a comunidade internacional permanece particularmente sensível a ameaças sanitárias globais.
Sobretudo depois do impacto traumático provocado pela pandemia de Covid-19.
E embora especialistas afastem, para já, cenários alarmistas, o alerta internacional mostra que o risco está longe de ser ignorado.
O receio existe, mas o cenário é diferente da Covid-19
A principal diferença continua a ser a forma de transmissão.
O Ébola não circula pelo ar.
E isso reduz drasticamente a facilidade de disseminação global.
Ainda assim, especialistas alertam que qualquer surto desta dimensão exige resposta rápida, vigilância constante e cooperação internacional.
Porque quando se trata de vírus altamente perigosos, cada hora pode fazer diferença.




