Muitos condutores estacionam o carro durante a noite sem imaginarem que existe uma peça escondida debaixo do veículo que se tornou um verdadeiro tesouro para os ladrões. Não está à vista, passa despercebida à maioria das pessoas e, ainda assim, vale centenas ou até milhares de euros no mercado paralelo.
Chama-se catalisador e está a transformar-se num dos componentes automóveis mais roubados em vários países europeus, incluindo Espanha. As autoridades espanholas têm vindo a lançar alertas sucessivos devido ao aumento deste tipo de furto, que afeta carros, carrinhas e até algumas motos.
O motivo é simples: esta peça contém metais preciosos extremamente valiosos, como platina, paládio e ródio. E o pior é que os ladrões conseguem removê-la em poucos minutos.
Porque é que o catalisador vale tanto dinheiro?
O catalisador desempenha uma função ambiental essencial nos veículos modernos.
A peça faz parte do sistema de escape e serve para reduzir gases poluentes libertados pelo motor, transformando substâncias tóxicas em emissões menos nocivas para o ambiente.
Para conseguir esse processo químico, o componente utiliza metais raros e altamente valiosos, entre eles:
- Platina;
- Paládio;
- Ródio.
O problema é que o preço destes metais disparou nos últimos anos nos mercados internacionais, tornando os catalisadores extremamente apetecíveis para redes de furto e venda ilegal.
Em alguns casos, o valor dos metais presentes no interior da peça pode ultrapassar largamente o preço de outros componentes automóveis.
O roubo acontece em silêncio e demora apenas minutos
Segundo as autoridades espanholas, os criminosos atuam normalmente durante a noite ou em locais com pouca vigilância. O método é rápido, discreto e altamente eficaz.
Os ladrões:
- Levantam ligeiramente o veículo;
- Entram debaixo do carro;
- Cortam a secção do escape onde está o catalisador;
- Fogem em poucos minutos.
Muitas vítimas só descobrem o roubo na manhã seguinte.
O primeiro sinal costuma ser um ruído extremamente forte ao ligar o motor, já que o sistema de escape fica incompleto após a remoção da peça.
O prejuízo pode ultrapassar milhares de euros
O problema não termina com o desaparecimento do catalisador.
Em muitos casos, o corte provoca danos adicionais em:
- Sensores;
- Cablagem;
- Tubos de escape;
- Fixações metálicas;
- Componentes eletrónicos próximos.
Dependendo do modelo do veículo, a substituição pode facilmente ultrapassar os mil euros.
Além do impacto financeiro, circular sem catalisador pode gerar:
- Falhas mecânicas;
- Aumento da poluição;
- Reprovação na inspeção;
- Problemas legais;
- Consumo irregular do motor.
Espanha já enfrenta uma vaga crescente de roubos
As autoridades espanholas têm vindo a realizar várias operações relacionadas com este fenómeno.
Um dos casos mais mediáticos aconteceu em La Rioja, onde dois suspeitos foram associados ao roubo de mais de 100 catalisadores.
Segundo informações divulgadas pela imprensa espanhola, os indivíduos foram intercetados na autoestrada AP-68, junto a Alagón, enquanto transportavam dezenas de catalisadores escondidos em sacos.
Mais recentemente, os Mossos d’Esquadra divulgaram imagens relacionadas com outro caso semelhante que terminou com várias detenções.
Nem as motos escapam aos ladrões
Embora o fenómeno seja mais associado aos automóveis, algumas motos também começaram a entrar na mira dos criminosos.
Determinados motociclos possuem sistemas de escape com componentes valorizados devido à presença de metais preciosos.
Além disso, em algumas motos, o acesso à zona inferior é ainda mais fácil do que nos carros, acelerando o furto.
Há também situações em que peças roubadas acabam revendidas no mercado de usados ou utilizadas em modificações ilegais.
O Toyota Prius tornou-se um dos maiores alvos
Um dos modelos mais procurados pelos ladrões é o Toyota Prius.
Especialistas explicam que este híbrido possui um catalisador particularmente valioso devido à quantidade superior de metais preciosos presentes no componente.
Nos Estados Unidos e em vários países europeus, o modelo tornou-se um alvo recorrente de furtos.
O problema atingiu tal dimensão que começaram a surgir proteções específicas para dificultar o acesso à peça.
Escudos protetores podem dificultar os roubos
Para tentar travar o fenómeno, algumas empresas desenvolveram proteções metálicas destinadas a dificultar a remoção do catalisador.
Um dos sistemas mais conhecidos é o Cat Shield, criado para determinados modelos do Toyota Prius.
Estes escudos utilizam materiais resistentes, como:
- Alumínio;
- Aço inoxidável;
- Parafusos antirroubo.
Embora não eliminem totalmente o risco, aumentam significativamente o tempo necessário para concretizar o furto, o que pode afastar muitos criminosos.
Como reduzir o risco de roubo
De acordo com o Postal, nenhuma solução oferece proteção absoluta, mas existem medidas que podem ajudar:
- Estacionar em zonas iluminadas;
- Utilizar garagens fechadas;
- Optar por locais com videovigilância;
- Instalar alarmes;
- Aplicar proteções metálicas;
- Evitar estacionamentos isolados durante longos períodos.
Nos veículos mais altos, como SUVs ou carrinhas, o acesso inferior costuma ser mais simples para os ladrões, exigindo atenção redobrada.
O que deve fazer se suspeitar de roubo
Se ouvir um ruído anormalmente alto ao ligar o carro, deve verificar imediatamente o sistema de escape.
Perante suspeitas:
- Evite circular longas distâncias;
- Contacte as autoridades;
- Informe a seguradora;
- Leve o veículo rapidamente a uma oficina.
Em muitos casos, uma intervenção rápida pode evitar danos adicionais.
O catalisador pode ser uma peça quase invisível para o condutor, mas tornou-se um dos componentes mais cobiçados do mercado ilegal automóvel. Está escondido debaixo do veículo, mas pode desaparecer em minutos e transformar-se numa despesa pesada e inesperada para qualquer proprietário.
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