O cenário começa a desenhar-se de forma quase impercetível. O céu limpa-se. O vento abranda. O ar aquece.
E, de repente, Portugal entra num novo episódio de calor que promete marcar o início da semana com temperaturas típicas de verão — mesmo antes de ele se afirmar por completo.
A partir de segunda-feira, o país muda de ritmo. E o interior será o primeiro a senti-lo.
Segunda-feira: o dia em que o calor atinge o auge
Será na tarde de segunda-feira que o calor ganha verdadeira expressão.
No interior Centro e Sul — regiões como Alentejo, Ribatejo e Beira Interior — os termómetros deverão atingir valores entre os 27 e os 30 °C, podendo localmente ultrapassar esse patamar, sobretudo no vale do Tejo.
No interior Norte, incluindo Trás-os-Montes e Douro, as temperaturas deverão oscilar entre os 25 e os 28 °C.
Já no litoral — de Viana do Castelo a Lisboa e até ao Algarve costeiro — o oceano continua a impor limites, com máximas entre os 22 e os 26 °C.
É o contraste habitual, mas sempre marcante: dois climas no mesmo país.
O detalhe invisível que agrava a sensação de calor
Mais do que os números, há fatores que intensificam o desconforto. O vento fraco e a humidade reduzida criam condições ideais para o aquecimento rápido do ar, especialmente durante a tarde. O resultado? Uma sensação térmica mais elevada, mais pesada, mais difícil de ignorar.
Radiação UV em níveis elevados
Nas horas centrais do dia, o índice UV deverá atingir valores entre 7 e 9.
Isto significa radiação solar elevada.
Mesmo sem temperaturas extremas, o risco de exposição excessiva aumenta significativamente.
A pele sente. Os olhos ressentem-se. E a exposição prolongada pode ter consequências.
Terça-feira: calor mantém-se, mas começa a ceder
Na terça-feira, o calor não desaparece — mas perde intensidade.
No interior Centro e Sul, as temperaturas deverão situar-se entre os 26 e os 29 °C. No interior Norte, entre os 24 e os 27 °C.
A descida é subtil, mas indica uma mudança em curso.
No litoral, o cenário mantém-se estável, com vento de norte a soprar por vezes com alguma intensidade, especialmente na faixa costeira entre o Minho e a região Oeste.
Esse vento traz alívio — mas apenas para quem está junto ao mar.
Interior: o epicentro do calor
Este episódio volta a confirmar um padrão claro.
O interior será a região mais afetada.
A combinação de temperaturas elevadas e baixa humidade cria um ambiente mais seco, mais quente e mais exigente.
Zonas como:
- Alentejo
- Vale do Tejo
- Beira Interior
- Trás-os-Montes
serão as mais expostas a este pico térmico.
Litoral: o refúgio térmico
Enquanto isso, o litoral Norte e Centro mantém-se mais moderado.
A influência atlântica funciona como um regulador natural, impedindo subidas abruptas e criando uma diferença térmica que pode ultrapassar vários graus face ao interior.
É um contraste que se repete — e que se sente.
Porque está a acontecer esta onda de calor
A origem está na atmosfera.
Uma crista subtropical instala-se sobre a Península Ibérica, trazendo ar quente e estável em altitude.
Este padrão favorece:
- Céu limpo ou pouco nublado
- Forte exposição solar
- Estabilidade atmosférica
- Subida contínua das temperaturas
É um cenário típico de verão — mas antecipado.
Quarta-feira: o início da mudança
A partir de quarta-feira, o padrão começa a alterar-se.
A influência atlântica ganha força, trazendo:
- Maior circulação de ar
- Aumento da humidade
- Ligeira descida das temperaturas
Não será uma quebra abrupta, mas suficiente para aliviar o calor acumulado.
Um episódio curto, mas intenso
Apesar da intensidade, esta onda de calor será relativamente breve.
Mas isso não reduz o seu impacto.
Durante dois a três dias, o país viverá um cenário de verão pleno — com tudo o que isso implica.
O impacto no dia a dia
Este tipo de episódio exige atenção.
- A hidratação torna-se essencial
- A exposição solar deve ser controlada
- As atividades ao ar livre devem ser ajustadas
Pequenos cuidados fazem a diferença.
Um aviso do que está para vir
Mais do que um episódio isolado, este calor funciona como um sinal, sublinha o Postal.
O verão aproxima-se.
E com ele, períodos mais longos, mais intensos e mais frequentes de temperaturas elevadas.
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