As notas de euro que circulam diariamente nas carteiras de milhões de europeus estão prestes a iniciar uma nova etapa da sua história. Mais de duas décadas depois da entrada em circulação da moeda única, em 2002, o Banco Central Europeu (BCE) prepara o primeiro grande redesenho de toda a série de notas.
O objetivo vai muito além da estética. A nova geração de notas pretende reforçar a segurança contra falsificações, melhorar a acessibilidade para pessoas com deficiência visual, reduzir o impacto ambiental da sua produção e, simultaneamente, representar melhor a identidade europeia.
Pela primeira vez, os cidadãos da área do euro podem participar diretamente neste processo, indicando quais os desenhos que mais apreciam e aqueles de que menos gostam.
Embora o parecer dos participantes não seja vinculativo, terá um papel importante na decisão final do BCE.
As notas de euro vão ter uma nova imagem
Desde a introdução do euro, há mais de vinte anos, as notas mantiveram praticamente o mesmo aspeto.
Ao longo deste período foram introduzidas melhorias de segurança, mas nunca existiu um redesenho completo da moeda física. Essa situação vai agora mudar.
O Banco Central Europeu apresentou dez propostas finalistas, selecionadas após um concurso europeu que reuniu mais de 1.200 candidaturas de designers gráficos provenientes de vários países.
Depois de uma avaliação conduzida por um júri independente composto por 21 especialistas em áreas como design, comunicação, história e neurociência, foram escolhidos os projetos que passam agora à fase de consulta pública.
Cada proposta apresenta o aspeto das seis notas atualmente em circulação:
- 5 euros;
- 10 euros;
- 20 euros;
- 50 euros;
- 100 euros;
- 200 euros.
Dois temas disputam o futuro das notas europeias
Os dez projetos finalistas estão divididos em duas grandes linhas criativas.
Cultura Europeia
Uma das propostas procura destacar algumas das figuras mais marcantes da história e da cultura europeia.
Entre os nomes representados encontram-se:
- Ludwig van Beethoven;
- Leonardo da Vinci;
- Marie Curie;
- Maria Callas.
O objetivo passa por celebrar o património cultural europeu, homenageando personalidades que contribuíram para a ciência, a música, a arte e a cultura.
Curiosamente, nesta seleção não surge qualquer personalidade portuguesa.
Rios e Aves
A segunda proposta segue uma abordagem completamente diferente.
Em vez de figuras históricas, aposta na riqueza dos ecossistemas naturais europeus.
As notas representam diferentes espécies de aves e vários ambientes naturais associados aos rios do continente.
Entre os animais escolhidos encontram-se espécies como:
- martim-pescador;
- cegonha-branca.
Esta opção pretende simbolizar a biodiversidade europeia e a ligação entre natureza, sustentabilidade e património comum.










Porque decidiu o BCE alterar as notas?
Embora o novo visual seja o elemento que mais chama a atenção, existem razões bastante mais profundas para esta atualização.
Segundo a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, as notas de euro representam muito mais do que um simples instrumento de pagamento.
São um símbolo visível da união europeia e uma das formas mais tangíveis de ligação entre milhões de cidadãos.
Mas existem também objetivos técnicos fundamentais.
Reforçar a segurança contra falsificações
A luta contra a contrafação continua a ser uma prioridade para os bancos centrais.
À medida que a tecnologia evolui, também evoluem as técnicas utilizadas pelos falsificadores.
Por isso, a futura série deverá incorporar novos elementos de segurança ainda mais sofisticados, tornando as notas muito mais difíceis de copiar ou reproduzir ilegalmente.
Embora o BCE ainda não tenha divulgado os detalhes técnicos dessas medidas, é expectável que integrem tecnologias de última geração.
Melhor acessibilidade para todos
Outro dos objetivos passa por facilitar a utilização das notas por pessoas cegas ou com baixa visão.
O desenho final deverá incluir características que permitam distinguir mais facilmente cada valor, tornando o dinheiro físico mais inclusivo.
Esta preocupação acompanha uma tendência crescente de adaptação dos serviços públicos e dos meios de pagamento às necessidades de todos os cidadãos.
Notas mais sustentáveis
A preocupação ambiental também faz parte do projeto.
O BCE pretende utilizar materiais mais resistentes e processos de fabrico com menor impacto ecológico.
Notas mais duráveis significam menos substituições ao longo do tempo, reduzindo simultaneamente custos de produção e consumo de recursos.
O dinheiro físico continua a ser importante
Apesar do crescimento dos pagamentos digitais, cartões bancários, aplicações móveis e carteiras eletrónicas, o Banco Central Europeu reafirma que o numerário continua a desempenhar um papel essencial.
Segundo o membro da Comissão Executiva do BCE, Piero Cipollone, o objetivo é preservar a liberdade de escolha dos cidadãos quanto à forma como pretendem efetuar os seus pagamentos.
Ou seja, o desenvolvimento do euro digital não significa o desaparecimento das notas.
Pelo contrário.
O banco central pretende garantir que o dinheiro físico permanece seguro, acessível e disponível durante muitos anos.
Qualquer cidadão pode dar a sua opinião
Uma das novidades deste processo é precisamente a participação pública.
O Banco Central Europeu lançou uma consulta online aberta a qualquer cidadão europeu.
Não é necessário representar qualquer instituição nem possuir conhecimentos técnicos.
Cada participante pode indicar:
- quais os conjuntos de notas de que mais gosta;
- quais considera menos apelativos.
O objetivo não consiste em realizar uma votação formal para escolher o vencedor.
O BCE pretende recolher perceções, opiniões e preferências que ajudem a fundamentar a decisão final.
Até quando é possível participar?
A consulta pública permanece aberta até 21 de setembro de 2026.
Em paralelo, será ainda realizado um estudo independente junto de uma amostra representativa de cidadãos da área do euro.
Desta forma, o BCE pretende comparar os resultados da participação livre com um inquérito estatisticamente representativo da população.
No final do processo será divulgado um relatório com as principais conclusões.
Quando será conhecido o desenho vencedor?
A decisão final deverá ser tomada no final de 2026 pelo Conselho do Banco Central Europeu.
Antes disso serão analisados vários fatores:
- avaliação técnica dos projetos;
- parecer do júri internacional;
- resultados das consultas públicas;
- aspetos relacionados com produção e segurança.
Mesmo depois de escolhido o desenho vencedor, ainda decorrerá uma fase de desenvolvimento técnico e testes.
As novas notas não chegam já às carteiras
Quem espera encontrar rapidamente novas notas nos multibancos terá de aguardar.
A produção de uma nova série monetária exige anos de preparação.
É necessário desenvolver novos elementos de segurança, testar materiais, adaptar equipamentos de impressão, caixas automáticas, terminais de pagamento e máquinas de tratamento de numerário.
Por isso, a entrada em circulação só deverá acontecer vários anos depois da decisão final.
As notas atuais continuam válidas?
Sim.
Este é talvez o ponto mais importante para tranquilizar os cidadãos.
As notas atualmente em circulação mantêm exatamente o mesmo valor e continuarão a poder ser utilizadas normalmente.
Não existe qualquer necessidade de trocar dinheiro, gastar rapidamente as notas atuais ou recear perder o seu valor.
Quando a nova série começar a circular, as duas gerações de notas deverão coexistir durante um período prolongado.
Como aconteceu em anteriores mudanças monetárias, a substituição será gradual.
Deve trocar as notas antigas?
A resposta é simples.
Não.
Neste momento não existe qualquer motivo para alterar hábitos ou preocupar-se com as notas existentes.
As notas atuais continuam plenamente válidas, continuam a ser aceites em toda a área do euro e conservarão o seu valor legal.
Caso venha a existir algum processo de substituição futura, será amplamente comunicado pelas autoridades monetárias europeias e pelos bancos centrais nacionais.
Um novo capítulo para a moeda mais utilizada da Europa
O euro faz parte do quotidiano de mais de 350 milhões de pessoas.
Está presente nas compras diárias, nas poupanças, nas viagens e em praticamente todas as atividades económicas da zona euro.
Alterar a imagem das notas não representa apenas uma mudança gráfica.
É também uma oportunidade para refletir a evolução da Europa, reforçar a segurança do numerário e preparar a moeda física para os desafios das próximas décadas.
Enquanto o desenho final não é conhecido, uma coisa já é certa: as notas de euro vão mudar de rosto, mas continuarão a representar uma das moedas mais importantes e utilizadas do mundo.




