Há quem entre numa rotunda sem hesitar.
Há quem abrande demasiado.
Há quem ocupe sempre a faixa da direita, independentemente da saída que pretende tomar.
E há ainda quem só ligue o pisca quando já está praticamente a sair.
As rotundas fazem parte da paisagem rodoviária portuguesa e, apesar de serem utilizadas diariamente por milhares de condutores, continuam a gerar dúvidas, discussões e manobras perigosas.
A própria PSP e outras entidades de segurança rodoviária têm vindo a reforçar a importância de conhecer e cumprir as regras de circulação nas rotundas. As regras não são novas: estão previstas no artigo 14.º-A do Código da Estrada.
E existe um detalhe que pode fazer toda a diferença: a faixa que deve ocupar depende da saída que pretende utilizar.
A regra de ouro das rotundas
Antes de complicar, vale a pena guardar uma regra muito simples:
Primeira saída → direita.
Restantes saídas → via adequada ao destino e aproximação progressiva à direita antes de sair.
O Código da Estrada determina que, se pretende sair da rotunda na primeira saída, deve ocupar a via da direita. Se pretende sair por qualquer uma das saídas seguintes, só deve ocupar a via de trânsito mais à direita depois de passar a saída imediatamente anterior àquela por onde pretende sair, aproximando-se progressivamente dessa via e efetuando a mudança depois de tomadas as devidas precauções. Esta regra é fundamental. E é também uma das que mais frequentemente são esquecidas.
Antes de entrar na rotunda, há uma regra que vem primeiro
Antes de pensar na faixa que vai ocupar, existe uma obrigação ainda mais importante:
ceder passagem aos veículos que já circulam na rotunda.
O artigo 14.º-A estabelece que o condutor deve entrar na rotunda após ceder passagem aos veículos que nela circulam, qualquer que seja a via por onde o façam.
Isto significa que não basta olhar apenas para a faixa mais próxima.
É necessário verificar a circulação existente na rotunda e entrar apenas quando for seguro fazê-lo.
Uma entrada precipitada pode obrigar outro condutor a travar ou a desviar-se.
E é precisamente este tipo de comportamento que uma boa condução deve evitar.
Vai sair na primeira saída? A direita é a sua via
Esta é a situação mais simples.
Se pretende sair imediatamente na primeira saída, deve ocupar a via da direita.
Imagine que chega a uma rotunda e pretende sair logo na primeira saída.
A conduta correta é:
- Aproximar-se da rotunda.
- Ceder passagem a quem já circula.
- Entrar pela via adequada.
- Permanecer na direita.
- Sinalizar a saída de acordo com as regras de sinalização.
- Sair com segurança.
O artigo 14.º-A é claro relativamente à utilização da via da direita para a primeira saída.
Vai sair na segunda, terceira ou quarta saída?
É aqui que começam muitos dos erros.
Se pretende sair por uma saída que não é a primeira, não tem de entrar obrigatoriamente pela faixa da direita.
A lei determina que deve utilizar a via de trânsito mais conveniente ao seu destino, respeitando as regras específicas da rotunda.
À medida que se aproxima da saída pretendida, deve passar progressivamente para a via mais à direita.
Mas há uma condição essencial:
a mudança de via só deve ser feita depois de tomadas as devidas precauções.
Não deve atravessar duas vias de forma repentina.
Não deve cortar a trajetória de outro veículo.
E não deve assumir que tem prioridade apenas porque pretende sair.
O erro de circular sempre pela direita
Este é provavelmente um dos hábitos mais difíceis de corrigir.
Há condutores que entram sempre na faixa da direita, independentemente da saída que pretendem utilizar.
A intenção pode ser boa:
“Estou na direita, portanto estou a cumprir a regra.”
Mas numa rotunda com várias vias, essa interpretação pode estar errada.
Se pretende sair mais adiante, a legislação permite e prevê a utilização das vias mais adequadas ao destino, sendo que a aproximação à direita deve ocorrer depois de passar a saída imediatamente anterior à pretendida.
Ou seja, estar sempre na direita não significa automaticamente estar a circular corretamente.
Porque é que circular sempre na direita pode ser perigoso?
Imagine uma rotunda com duas vias.
Um veículo entra pela direita e pretende sair na terceira saída.
Outro veículo circula na via interior e pretende sair também nessa zona.
Quando o primeiro tenta atravessar a faixa interior ou o segundo tenta sair, podem surgir trajetórias conflitantes.
Se ambos desconhecerem as regras, o resultado pode ser uma travagem brusca, uma mudança repentina de direção ou até uma colisão.
É por isso que a legislação procura tornar a circulação previsível.
Cada condutor deve escolher a via adequada ao seu destino e fazer as mudanças necessárias de forma progressiva e segura.
O erro de mudar de faixa demasiado tarde
Outro problema frequente acontece quando o condutor percorre quase toda a rotunda numa via interior e, no último momento, tenta atravessar para a direita para sair.
É uma das manobras que mais facilmente pode criar perigo.
A regra determina que, para sair por uma das vias seguintes à primeira, o condutor deve passar para a via mais à direita depois de passar a saída imediatamente anterior àquela por onde pretende sair, aproximando-se progressivamente dessa via.
Portanto, não deixe a decisão para o último segundo.
A condução deve ser antecipada.
O pisca também conta
Numa rotunda, a sinalização não é um pormenor.
É uma ferramenta fundamental para comunicar aos outros condutores aquilo que pretende fazer.
Um pisca ligado demasiado tarde pode não dar tempo aos outros para perceberem a intenção.
Um pisca que permanece ligado pode transmitir uma mensagem errada.
E não sinalizar uma manobra pode tornar a trajetória imprevisível.
A regra geral do Código da Estrada estabelece que os condutores devem sinalizar a sua intenção com a necessária antecedência, de forma a permitir que os restantes utilizadores possam adaptar o seu comportamento.
Na prática, a mensagem deve ser clara:
os outros condutores devem conseguir perceber o que pretende fazer antes de a manobra acontecer.
Não confunda pisca com prioridade
Outro erro perigoso é pensar:
“Tenho o pisca ligado, portanto posso mudar.”
Não.
O pisca não dá prioridade.
A sinalização serve para comunicar uma intenção.
Antes de mudar de via, é necessário verificar se a manobra pode ser realizada sem perigo.
Se existir outro veículo na trajetória, o facto de ter acionado o indicador de mudança de direção não lhe dá autorização para avançar.
Primeiro a segurança.
Depois a manobra.
A saída deve ser preparada com antecedência
Uma rotunda não deve ser encarada como uma corrida contra o tempo.
Se sabe que vai sair numa determinada saída, prepare a manobra com antecedência.
Observe:
- qual é a sua saída;
- quantas vias existem;
- onde está a saída anterior;
- que veículos circulam ao seu lado;
- se existe espaço para mudar de via;
- se há sinalização adicional;
- e se a saída está livre.
A condução preventiva começa antes de chegar ao ponto crítico.
E se não conseguir passar para a direita?
Esta é uma situação que pode acontecer.
Imagine que pretende sair na terceira saída, mas quando chega o momento de passar para a direita existe outro veículo a circular nessa via.
O que não deve fazer é cortar-lhe a trajetória.
Se não houver espaço seguro, não force a mudança.
É preferível continuar a circular na rotunda e realizar uma nova volta do que atravessar uma via de forma perigosa.
Uma volta adicional pode custar alguns segundos.
Um acidente pode mudar uma vida inteira.
A rotunda não deve ser uma batalha
Há um comportamento que se tornou demasiado comum:
um condutor entende que tem prioridade e avança;
outro entende que a prioridade é sua;
ninguém abranda;
e, de repente, uma simples rotunda transforma-se num momento de tensão.
A condução defensiva exige outra atitude.
Mesmo quando tem razão, deve evitar criar uma situação perigosa.
Ter prioridade não significa estar autorizado a ignorar a segurança.
O próprio Código da Estrada determina que os condutores devem observar as cautelas necessárias à segurança do trânsito.
Quanto pode custar circular incorretamente numa rotunda?
Aqui não há lugar para dúvidas.
O artigo 14.º-A estabelece uma coima de 60 a 300 euros para quem infringir as regras previstas nas alíneas b), c) e d) do n.º 1 e no n.º 2.
Isto inclui, entre outras situações previstas na norma, o incumprimento das regras relativas:
- à utilização da via da direita para a primeira saída;
- à aproximação progressiva à direita antes das restantes saídas;
- à utilização da via mais conveniente ao destino.
É importante não transformar este valor numa afirmação genérica de que qualquer erro cometido numa rotunda dá automaticamente uma multa de 300 euros.
A coima é definida dentro de um intervalo legal.
A situação concreta, a infração praticada e a norma aplicável determinam o enquadramento.
A multa não é o único problema
Uma coima pode doer na carteira.
Mas o verdadeiro perigo está noutro lugar.
Uma mudança de faixa feita sem verificar o ângulo morto.
Uma travagem repentina.
Um veículo que entra demasiado depressa.
Um motociclista que surge ao lado.
Um peão que atravessa junto à saída.
Uma distração de apenas alguns segundos.
Numa rotunda, várias trajetórias cruzam-se num espaço relativamente pequeno.
Por isso, previsibilidade é segurança.
O que diz exatamente o artigo 14.º-A?
A norma atualmente em vigor estabelece quatro princípios fundamentais:
1. Ceder passagem ao entrar.
É obrigatório ceder passagem aos veículos que já circulam na rotunda.
2. Primeira saída: via da direita.
Quem pretende sair na primeira via de saída deve ocupar a via da direita.
3. Restantes saídas: aproximação progressiva à direita.
Quem pretende sair por uma saída posterior só deve ocupar a via mais à direita depois de passar a saída imediatamente anterior àquela que pretende utilizar.
4. Via mais conveniente ao destino.
Sem prejuízo das regras anteriores, os condutores devem utilizar a via de trânsito mais conveniente ao seu destino.
É esta sequência que deve ficar na memória. (diariodarepublica.pt)
E os veículos pesados, bicicletas e veículos de tração animal?
Existe uma regra específica.
O n.º 2 do artigo 14.º-A estabelece que veículos de tração animal ou de animais, velocípedes e automóveis pesados podem ocupar a via de trânsito mais à direita.
No entanto, devem facultar a saída aos condutores que circulam de acordo com as regras previstas para quem pretende sair pelas vias seguintes.
É uma exceção importante e demonstra que as regras das rotundas não podem ser reduzidas a uma fórmula demasiado simplista.
E se a rotunda tiver apenas uma via?
Nesse caso, naturalmente, não existe escolha entre faixas dentro da rotunda.
A atenção deve concentrar-se na cedência de passagem, sinalização das manobras, velocidade adequada e saída em segurança.
É sobretudo nas rotundas com duas ou mais vias que surgem as dúvidas relacionadas com a escolha da faixa.
Rotundas com duas vias: o cenário que gera mais conflitos
São particularmente comuns em zonas urbanas e acessos a grandes superfícies, vias rápidas e zonas industriais.
Aqui, a antecipação é essencial.
Se a primeira saída for o destino, direita.
Se a saída for mais adiante, deve ser escolhida a via adequada ao destino e, posteriormente, deve ser feita a aproximação progressiva à direita antes da saída pretendida.
O erro está em pensar que existem apenas duas opções:
“Ficar sempre à direita” ou “ficar sempre à esquerda”.
A realidade é mais simples e mais segura:
a via deve acompanhar o destino.
Cinco erros que devem ser evitados
1. Entrar sem ceder passagem
O facto de estar a chegar primeiro à entrada da rotunda não significa que tenha prioridade.
Primeiro, observe quem já circula.
2. Ficar sempre na direita
A direita não é obrigatoriamente a via correta para todas as saídas.
3. Cortar várias vias para sair
Se a saída está próxima e não existe espaço seguro para mudar, não force a manobra.
4. Não sinalizar a saída
Os outros condutores precisam de perceber a sua intenção.
5. Travar ou mudar de direção bruscamente
Uma decisão tardia pode criar um perigo muito maior do que continuar a circular e corrigir a trajetória de forma segura.
Um método simples para fazer qualquer rotunda
Antes de entrar, faça mentalmente três perguntas:
Para onde vou?
Identifique a saída.
Que via devo utilizar?
Escolha a via adequada ao destino.
Quando devo aproximar-me da direita?
Antes da saída pretendida, respeitando a regra de passar a saída imediatamente anterior e fazendo a mudança com segurança.
Este pequeno hábito reduz bastante a probabilidade de tomar uma decisão em cima do acontecimento.
A regra que todos os condutores deviam memorizar
Se houver apenas uma coisa a guardar deste artigo, que seja esta:
Primeira saída: direita.
Outra saída: via adequada ao destino e aproximação progressiva à direita depois de passar a saída anterior à pretendida.
Sempre: ceder passagem a quem já está na rotunda e mudar de via apenas quando for seguro.
É isto que estabelece o artigo 14.º-A do Código da Estrada.
@psp_portugal 🚔 Sabe circular numa rotunda? Este é um dos temas que mais dúvidas e debates gera entre os condutores e a verdade é que muitos erros continuam a acontecer todos os dias. A Polícia de Segurança Pública pretende ajudar a esclarecer, de forma simples e direta, como deve agir em cada saída de uma rotunda. Neste vídeo mostramos, passo a passo, como entrar, posicionar-se e sinalizar corretamente, para que conduza de forma mais segura para si e para todos os que circulam consigo. Presente pela proximidade, próxima na segurança! pelaordemepelapatria policiasegurancapublica
♬ som original – Polícia de Segurança Pública – Polícia de Segurança Pública
A PSP deixa o alerta
O vídeo divulgado pela PSP tem um objetivo claro:
simplificar e relembrar regras que já existem
Mais do que ensinar algo novo, trata-se de corrigir hábitos antigos — muitos deles incorretos.
E reforçar uma ideia essencial:
nas rotundas, não há espaço para “interpretações pessoais”
Perguntas frequentes sobre rotundas
Quem tem prioridade numa rotunda?
O condutor que pretende entrar deve ceder passagem aos veículos que já circulam na rotunda, independentemente da via em que estes se encontrem.
Posso utilizar a via da direita para sair na terceira saída?
A regra não determina simplesmente que todas as saídas posteriores devam ser feitas pela direita desde a entrada. Para essas saídas, o condutor deve utilizar a via de trânsito mais conveniente ao destino e só deve ocupar a via mais à direita depois de passar a saída imediatamente anterior à pretendida, aproximando-se progressivamente dela.
Posso mudar de via dentro da rotunda?
Sim, quando tal seja necessário e possa ser feito em segurança. A mudança deve ser precedida das devidas precauções e não pode colocar os outros utilizadores em perigo.
Tenho de usar o pisca numa rotunda?
As manobras devem ser devidamente sinalizadas e com a antecedência necessária para que os restantes utilizadores possam adaptar o seu comportamento. A sinalização não substitui, contudo, a obrigação de verificar se a manobra pode ser realizada em segurança.
Quanto é a multa por circular incorretamente numa rotunda?
O artigo 14.º-A prevê coima de 60 a 300 euros para as infrações ali especificadas relativas à utilização das vias nas rotundas.
Se não conseguir passar para a direita antes da saída, devo cortar a frente de outro carro?
Não. Nunca deve forçar uma mudança de via. Se não existir espaço seguro, é preferível continuar a circular e voltar a posicionar-se para sair posteriormente, em vez de executar uma manobra brusca.
A PSP pode fiscalizar estas infrações?
Sim. As forças de segurança fiscalizam o cumprimento das regras de circulação rodoviária. A PSP tem também realizado ações de sensibilização e divulgação de informação sobre segurança rodoviária. A existência de conteúdos de sensibilização da PSP não altera, naturalmente, as regras que constam do Código da Estrada.
Uma rotunda não é uma corrida. É uma questão de antecipação
Talvez o maior erro seja pensar que circular numa rotunda significa simplesmente entrar, acelerar e sair.
Não significa.
É necessário observar.
Antecipar.
Escolher.
Sinalizar.
E só depois executar.
Uma rotunda bem utilizada pode tornar a circulação muito mais fluida. Uma rotunda mal utilizada transforma-se rapidamente num ponto de conflito entre veículos que seguem trajetórias diferentes.
E há algo que todos os condutores devem ter presente:
não basta conhecer a regra; é preciso aplicá-la no momento certo.
O Código da Estrada não deixa a escolha das vias numa rotunda entregue a “interpretações pessoais”. O artigo 14.º-A estabelece regras concretas sobre a entrada, a escolha da via e a aproximação à saída.
E o preço de ignorá-las pode chegar aos 300 euros.
Mas há um preço muito maior que nenhuma coima consegue medir:
um acidente que poderia ter sido evitado.
Por isso, da próxima vez que chegar a uma rotunda, não pense apenas em qual é a saída.
Pense também onde deve estar, quando deve mudar de via e como pode fazê-lo sem colocar ninguém em risco.
Na estrada, alguns segundos de antecipação podem valer muito mais do que qualquer multa.




