O verão traz dias de calor, milhares de viagens e, infelizmente, um risco acrescido de incêndios rurais. Quando as chamas se aproximam de uma autoestrada, uma viagem aparentemente tranquila pode transformar-se, em poucos minutos, numa situação de elevado perigo.
Perante este cenário, a Brisa reforçou as recomendações de segurança dirigidas aos condutores, apelando à máxima prudência durante os períodos de maior risco de incêndio e lembrando que Portugal continua a ser um dos países europeus mais vulneráveis aos fogos florestais.
O objetivo é simples: garantir que os automobilistas sabem exatamente como agir quando se deparam com fumo intenso, chamas junto à estrada ou interrupções provocadas por incêndios.
Cada decisão tomada nesses momentos pode ser determinante para proteger vidas.
Portugal continua entre os países europeus mais afetados pelos incêndios
Nos últimos anos, Portugal tem enfrentado sucessivos verões marcados por incêndios de grande dimensão, capazes de destruir milhares de hectares de floresta, ameaçar populações e obrigar ao encerramento de várias estradas.
A situação preocupa também os operadores rodoviários.
Segundo a Brisa, este ano os incêndios já consumiram mais de 250 mil hectares na União Europeia, ultrapassando a média registada para esta altura do ano nas últimas duas décadas.
Este cenário levou ao reforço da divulgação do Plano de Ação e Resposta aos Grandes Incêndios Rurais (PARGIR), desenvolvido em colaboração com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e a Guarda Nacional Republicana (GNR).
O plano pretende preparar os condutores para reagirem corretamente perante diferentes cenários de emergência.
O fogo pode aproximar-se rapidamente da autoestrada
Muitos automobilistas acreditam que uma autoestrada larga oferece proteção suficiente contra um incêndio. Na realidade, isso nem sempre acontece. Em dias de vento forte, as chamas podem propagar-se rapidamente, enquanto o fumo reduz drasticamente a visibilidade e dificulta a circulação. Mesmo sem contacto direto com o fogo, o fumo intenso representa um perigo significativo.
A perda de visibilidade aumenta o risco de colisões em cadeia, enquanto o calor extremo pode criar condições de elevada perigosidade para todos os ocupantes dos veículos.
É precisamente por isso que a Brisa distingue dois cenários completamente diferentes.
Se ainda conseguir circular, mantenha a calma e reduza a velocidade
Quando o incêndio ainda permite a circulação em segurança, a prioridade deve ser evitar movimentos bruscos e reduzir o risco de acidente.
A Brisa recomenda:
- reduzir significativamente a velocidade;
- manter uma distância de segurança superior ao habitual relativamente ao veículo da frente;
- circular com as luzes ligadas;
- utilizar os quatro piscas quando a situação o justificar.
A visibilidade pode deteriorar-se muito rapidamente.
Mesmo que o incêndio pareça distante, o fumo pode cobrir a estrada em poucos instantes.
Por esse motivo, conduzir de forma defensiva torna-se essencial.
O que fazer quando o fumo é muito intenso?
Quando a visibilidade diminui drasticamente, a Brisa aconselha os condutores a utilizarem a linha branca da faixa de rodagem como referência, sempre que isso possa ser feito em segurança.
Além disso, existem outras medidas importantes para limitar a entrada de fumo no habitáculo:
- manter todas as janelas fechadas;
- fechar as entradas de ar exteriores;
- ativar o modo de recirculação do sistema de ar condicionado.
Estas medidas ajudam a reduzir a quantidade de fumo que entra no interior do veículo, protegendo temporariamente os ocupantes.
Ainda assim, devem ser encaradas apenas como uma forma de aumentar a segurança enquanto é possível abandonar a zona de risco.
Nunca circule em sentido contrário
Uma das reações mais perigosas durante um incêndio consiste em tentar fugir realizando manobras proibidas.
Perante o pânico, alguns condutores podem sentir vontade de inverter o sentido de marcha.
A Brisa é clara:
Nunca deve circular em sentido contrário na autoestrada, salvo se essa manobra for expressamente ordenada pelas autoridades policiais.
Circular contra o trânsito pode provocar acidentes extremamente graves e colocar em risco dezenas de pessoas.
Mesmo perante um incêndio, as indicações da GNR, da Proteção Civil e das restantes autoridades devem ser sempre respeitadas.
Quando já não é possível continuar a viagem
Há situações em que prosseguir deixa de ser seguro.
Se as autoridades interromperem a circulação ou se o avanço do incêndio impedir a continuação da viagem, a Brisa aconselha os condutores a estacionarem o veículo:
- fora da faixa de rodagem;
- afastado da vegetação sempre que possível;
- junto de estruturas sólidas, como barreiras acústicas, muros de betão, viadutos ou passagens superiores.
Estas estruturas podem oferecer alguma proteção adicional contra o calor radiante.
Escolher corretamente o local onde o veículo fica imobilizado pode fazer uma diferença importante.
Deve sair do automóvel?
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a recomendação da Brisa é permanecer dentro do veículo, quando já não seja possível prosseguir e desde que essa seja a orientação aplicável à situação.
O veículo oferece alguma proteção contra o calor e o fumo.
Nestes casos, recomenda-se:
- manter as janelas completamente fechadas;
- manter o motor ligado;
- manter as luzes e os quatro piscas ligados;
- utilizar a buzina, se necessário, para facilitar a localização pelas equipas de emergência.
Abandonar o veículo e caminhar junto de um incêndio pode expor as pessoas a temperaturas extremas, fumo denso e alterações rápidas da direção das chamas.
A aplicação SOS Autoestradas pode acelerar o socorro
Além das recomendações de condução, a Brisa volta a incentivar a instalação da aplicação SOS Autoestradas.
Esta aplicação permite solicitar ajuda em situação de emergência e envia automaticamente a localização do utilizador, facilitando a rápida mobilização dos meios de socorro.
Num cenário em que cada minuto conta, transmitir imediatamente a posição exata do veículo pode reduzir significativamente o tempo necessário para a chegada da assistência.
É particularmente útil em locais onde o automobilista tenha dificuldade em identificar o quilómetro ou o ponto exato da autoestrada.
Que contactos deve memorizar?
Além da aplicação, existem dois contactos que podem ser essenciais em caso de emergência:
- 112, número europeu de emergência;
- 210 730 300, linha de apoio da Brisa.
Sempre que exista risco para pessoas, o contacto prioritário deverá ser o 112.
Quanto mais precisa for a informação transmitida sobre a localização e a situação existente, mais eficaz poderá ser a resposta dos meios de socorro.
Porque é tão importante preparar a viagem?
Muitas situações de emergência acontecem sem qualquer aviso.
Antes de iniciar uma viagem durante períodos de risco elevado de incêndio, pode ser útil adotar algumas medidas simples:
- verificar o estado do trânsito;
- acompanhar os avisos da Proteção Civil;
- manter o telemóvel carregado;
- garantir combustível suficiente;
- instalar previamente a aplicação SOS Autoestradas.
Preparar-se antes de partir poderá fazer toda a diferença caso seja necessário reagir rapidamente.
O pânico é um dos maiores inimigos
Num incêndio florestal, o fogo representa um perigo evidente.
Mas o pânico pode ser igualmente perigoso.
Travagens bruscas, mudanças repentinas de direção, inversões de marcha e decisões precipitadas aumentam significativamente o risco de acidentes.
Por isso, as autoridades insistem numa mensagem fundamental:
manter a calma, seguir as instruções oficiais e evitar comportamentos impulsivos continua a ser a melhor forma de proteger a própria vida e a dos restantes utilizadores da estrada.
Cada segundo pode fazer a diferença
Os incêndios rurais são fenómenos extremamente imprevisíveis.
O vento pode alterar a direção das chamas em poucos minutos e transformar uma situação aparentemente controlada num cenário de elevado perigo.
Conhecer antecipadamente os procedimentos corretos permite reagir com maior rapidez e segurança.
O Plano de Ação e Resposta aos Grandes Incêndios Rurais pretende precisamente esse objetivo: garantir que, perante um cenário de emergência, os condutores saibam exatamente o que fazer.
Porque numa autoestrada cercada por fumo e fogo, a informação correta pode salvar vidas.




