Há lugares em Portugal que parecem ter sido desenhados para surpreender. A Duna de Salir do Porto é um deles.
Quando surge no horizonte, junto à baía de São Martinho do Porto, a primeira impressão é quase de incredulidade. Uma enorme massa de areia ergue-se perante o visitante como uma pequena montanha dourada, dominando a paisagem e criando um contraste extraordinário com o azul do Atlântico.
Com cerca de 50 metros de altura e 200 metros de comprimento, a Duna de Salir do Porto é considerada a maior duna litoral de Portugal. Em 2025, o Governo determinou a realização de um estudo integrado dos seus valores ecológicos e paisagísticos com vista à sua classificação enquanto área protegida.
E há ainda algo que torna este lugar particularmente fascinante: a sua história geológica remonta a dezenas de milhares de anos.
Estamos, portanto, perante muito mais do que uma simples duna. Estamos perante uma verdadeira página da história natural de Portugal.

Um gigante de areia à entrada da baía de São Martinho do Porto
A Duna de Salir do Porto encontra-se no concelho das Caldas da Rainha, na região Oeste, junto à foz do rio Tornada e no extremo da magnífica baía de São Martinho do Porto.
A localização é extraordinária.
De um lado, surge a imensidão do Atlântico. Do outro, a tranquilidade das águas junto à foz do Tornada. Pelo meio, ergue-se esta gigantesca formação de areia que domina toda a paisagem.
A Câmara Municipal das Caldas da Rainha confirma as suas dimensões impressionantes: cerca de 50 metros de altura e 200 metros de comprimento. A duna protege também a praia de Salir dos ventos atlânticos e oferece, a partir do topo, vistas privilegiadas sobre o rio e a baía.
Vista de longe, a sua dimensão torna-se ainda mais evidente. É precisamente a partir da baía de São Martinho do Porto que se consegue compreender a verdadeira escala deste gigante natural.
Uma formação com uma história geológica impressionante
A Duna de Salir do Porto não nasceu de um dia para o outro.
A sua formação está relacionada com processos geológicos que se prolongaram durante milhares de anos.
Segundo informação oficial do município, a sua formação estará relacionada com uma antiga praia ou depósito arenoso que existiria na região e que ficou exposto durante a última glaciação, quando o nível do mar era bastante mais baixo do que atualmente.
As areias ficaram então sujeitas aos ventos dominantes, sobretudo de norte e noroeste, que as transportaram e acumularam progressivamente na vertente da encosta rochosa.
O resultado desse processo é a paisagem que hoje deixa tantos visitantes boquiabertos.
Cerca de 100 mil anos de história
Um despacho publicado em 2025 refere que a dimensão da duna terá sido alcançada há cerca de 100 mil anos, com areias provenientes de antigas lagoas que existiriam entre Óbidos e Nazaré.
É difícil imaginar uma escala temporal desta dimensão.
Enquanto gerações inteiras nasceram, viveram e desapareceram, os ventos continuaram lentamente a transportar grãos de areia.
Pouco a pouco.
Ano após ano.
Século após século.
Até surgir uma das formações dunares mais extraordinárias de Portugal.
Uma duna que guarda vestígios de outras paisagens
Há outro detalhe que torna esta formação ainda mais fascinante.
A duna não é apenas constituída por areia recente.
Na sua estrutura encontram-se materiais consolidados e vestígios de formações dunares mais antigas. A informação disponibilizada pela União das Freguesias de Tornada e Salir do Porto refere a presença de arenito vermelho associado a uma antiga duna fóssil.
É como se diferentes capítulos da história geológica da região estivessem empilhados uns sobre os outros.
Por isso, caminhar junto à Duna de Salir do Porto não significa apenas contemplar uma paisagem bonita.
Significa estar perante uma formação que conserva testemunhos de profundas alterações ambientais e climáticas ocorridas ao longo do tempo.
A subida é difícil. A recompensa vale a pena.
Quem olha para a duna a partir da praia pode pensar que a subida será simples.
Não é.
A areia solta torna cada passo mais exigente. O pé afunda, a inclinação aumenta e aquilo que parecia uma pequena caminhada transforma-se rapidamente num desafio físico.
Mas existe uma recompensa extraordinária à espera de quem chega ao topo.
A paisagem.
Lá de cima, o olhar percorre a praia de Salir do Porto, o rio Tornada e a magnífica baía de São Martinho do Porto.
A própria Câmara Municipal das Caldas da Rainha destaca as vistas sobre o rio e a baía proporcionadas pela duna.
É daqueles lugares em que vale a pena parar durante alguns minutos.
Não para fotografar.
Não para publicar.
Apenas para olhar.
Uma paisagem que parece mudar a cada passo
A Duna de Salir do Porto proporciona uma experiência curiosa.
À medida que se sobe, a paisagem parece transformar-se.
Primeiro, vê-se sobretudo a areia.
Depois, começam a surgir as águas do rio.
Mais acima, a baía revela progressivamente o seu desenho característico.
Finalmente, no topo, abre-se uma perspetiva ampla sobre uma das zonas costeiras mais bonitas do Oeste.
O dourado da areia contrasta com os tons verdes da vegetação e com o azul do mar.
É uma combinação simples.
Mas extraordinariamente poderosa.
A praia de Salir do Porto completa o cenário
A duna não deve ser visitada isoladamente.
Na sua base encontra-se a Praia de Salir do Porto, junto à foz do rio Tornada.
A Câmara Municipal descreve-a como uma praia de ambiente familiar, banhada pelas águas calmas do rio e protegida pela própria duna dos ventos do Atlântico.
A proximidade entre a praia, o rio, a duna e a baía cria uma paisagem muito particular.
É possível passar algumas horas na praia, caminhar junto à água e depois subir à duna para contemplar tudo de uma perspetiva completamente diferente.
Um dos melhores lugares para contemplar São Martinho do Porto
A baía de São Martinho do Porto é uma das imagens mais reconhecíveis da região Oeste.
Vista a partir da Duna de Salir, ganha uma dimensão diferente.
A baía parece quase uma enorme concha aberta para o Atlântico.
É precisamente esta relação entre a duna e a baía que torna a paisagem tão especial.
De um lado está a força do oceano.
Do outro, a serenidade das águas protegidas.
E entre ambos encontra-se uma formação de areia com dezenas de metros de altura.
Um lugar perfeito para fotografar
Poucos elementos são necessários para criar uma fotografia memorável neste local.
A duna.
O mar.
A baía.
A luz.
Ao nascer ou ao pôr do sol, a areia ganha tons particularmente quentes e as sombras acentuam o relevo da formação.
É também um excelente local para fotografia de paisagem, precisamente porque a dimensão da duna permite criar diferentes enquadramentos.
Uma fotografia tirada a partir da praia mostra a imponência da formação.
Uma fotografia tirada do alto mostra a relação entre a duna, o rio e a baía.
São praticamente dois lugares diferentes.
A história também vive aqui
A região de Salir do Porto não é apenas rica em património natural.
A poucos passos da duna encontram-se as ruínas da antiga Alfândega e dos estaleiros navais, testemunhos de uma época em que esta zona tinha uma importância muito diferente da atual.
Segundo a União das Freguesias de Tornada e Salir do Porto, ali funcionou uma alfândega e foram reparados e construídos barcos utilizando madeira proveniente do Pinhal de Leiria.
A tradição local associa ainda este espaço à construção de embarcações ligadas à época dos Descobrimentos, embora algumas dessas narrativas devam ser encaradas no contexto das tradições e lendas locais.
O que permanece inequívoco é a importância histórica do local.
Hoje, as ruínas são uma memória silenciosa desse passado.
A Capela de Sant’Ana e a Pocinha
A visita pode ser enriquecida com outros pontos de interesse existentes na envolvente.
Na extremidade norte da duna encontra-se a Capela de Sant’Ana, restaurada em 2021.
Nas proximidades está também a chamada Pocinha de Salir, uma nascente de água doce mesotermal situada junto à foz do rio Tornada.
São pequenos detalhes que tornam a visita mais interessante.
Em poucos quilómetros é possível encontrar geologia, natureza, história, arquitetura e paisagem.
Há ainda fósseis e património geológico na região
A riqueza natural da zona não termina na duna.
As arribas atlânticas próximas apresentam jazidas fósseis de grande importância. A Duna de Salir do Porto, a Capela de Sant’Ana e estas jazidas integram a lista de geossítios do Geoparque Oeste da UNESCO, segundo a informação disponibilizada pelo Município das Caldas da Rainha.
É uma região particularmente interessante para quem gosta de compreender a paisagem para além daquilo que os olhos conseguem ver.
Cada arriba, cada camada de rocha e cada formação arenosa podem contar uma história muito mais antiga do que a presença humana.
É mesmo a maior duna da Europa?
Aqui é importante fazer uma distinção.
A Duna de Salir do Porto é a maior duna de Portugal em altura, com cerca de 50 metros.
Durante muito tempo, foi também divulgada como uma das maiores da Europa e como tendo sido, em tempos, a maior do continente. A própria autarquia refere atualmente a duna como a segunda maior da Europa, enquanto documentação governamental de 2025 indica que, segundo registos históricos, poderá ter sido a maior da Europa.
Por isso, é mais rigoroso falar numa das formações dunares de maior dimensão e relevância da Europa do que apresentar como facto absoluto que é atualmente a maior duna europeia.
O título nacional, esse, é inequívoco.
É a maior duna de Portugal.
Um tesouro natural que merece ser preservado
A importância deste lugar é hoje reconhecida também ao nível da conservação.
Em fevereiro de 2025, foi publicado o Despacho n.º 1815/2025, que determinou a realização de um estudo integrado dos valores ecológicos e paisagísticos associados à Duna de Salir do Porto, tendo em vista a sua eventual classificação enquanto área protegida.
É uma decisão que revela a importância crescente atribuída a este património natural.
Uma duna desta dimensão não é apenas um local bonito para visitar.
É um sistema natural dinâmico, sujeito à ação do vento, da água, da vegetação e da intervenção humana.
Preservá-lo significa garantir que continuará a existir para as próximas gerações.
O que fazer durante uma visita?
Uma visita à Duna de Salir do Porto pode ser simples, mas há muito para descobrir.
Comece pela praia e observe a duna a partir de baixo. É aqui que a sua dimensão se torna mais impressionante.
Depois, se as condições forem adequadas e houver segurança, poderá subir pela zona de acesso existente e contemplar a paisagem a partir de uma posição elevada.
Reserve também algum tempo para conhecer a envolvente.
Vale a pena explorar a zona da Capela de Sant’Ana, a Pocinha e as ruínas da antiga Alfândega, sempre respeitando as áreas sinalizadas e o património existente.
E há uma regra essencial: não retirar areia, plantas, pedras ou outros elementos naturais do local.
Uma paisagem desta importância merece ser deixada exatamente como foi encontrada.
Uma escapadinha perfeita na região Oeste
Para quem procura uma escapadinha em Portugal, Salir do Porto reúne vários ingredientes difíceis de ignorar.
Há praia.
Há rio.
Há uma baía magnífica.
Há uma duna gigantesca.
Há património histórico.
Há geologia.
E há uma paisagem que muda completamente consoante a hora do dia.
Além disso, a proximidade de São Martinho do Porto permite combinar a visita à duna com um passeio pela famosa baía.
É uma excelente opção para quem pretende conhecer melhor a Costa de Prata sem se limitar aos destinos mais conhecidos.
Um gigante de areia que muitos portugueses ainda desconhecem
Talvez seja esta a maior surpresa.
Apesar de ser a maior duna de Portugal, a Duna de Salir do Porto continua a ser relativamente discreta no mapa turístico nacional.
Não possui a fama de outros grandes monumentos naturais portugueses.
E talvez seja precisamente isso que lhe dá parte do encanto.
Ali, o visitante não encontra apenas uma paisagem para fotografar.
Encontra silêncio.
Encontra espaço.
Encontra história.
E encontra uma formação natural que levou milhares de anos a adquirir a aparência que hoje apresenta.
Duna de Salir do Porto: um lugar que merece ser descoberto
Há paisagens que impressionam pela dimensão.
Outras pela beleza.
Outras ainda pela história.
A Duna de Salir do Porto consegue reunir as três características.
Com cerca de 50 metros de altura e 200 metros de comprimento, domina a paisagem junto à foz do rio Tornada e à baía de São Martinho do Porto.
A sua história geológica remonta a dezenas de milhares de anos.
A sua envolvente guarda vestígios de atividade humana e construção naval.
E a paisagem que se contempla do alto é daquelas que permanecem na memória muito depois de terminar a visita.
Portugal tem muitos lugares extraordinários.
Mas há algo de particularmente fascinante num gigante de areia que cresceu lentamente ao longo de milhares de anos, sob a ação paciente do vento, mesmo junto ao Atlântico.
A Duna de Salir do Porto não é apenas uma montanha de areia. É uma memória da paisagem portuguesa — e um dos tesouros naturais mais surpreendentes da Costa de Prata.




