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Moeda de 1 centavo de 1922 pode valer 85 mil euros: veja porquê

A moeda portuguesa de 1 centavo de 1922 é raríssima: só há seis exemplares conhecidos e um foi vendido em leilão por 85 mil euros.

Sara Costa Por Sara Costa
20/08/2026
em Curiosidades, Notícias
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Moeda de 1 centavo de 1922 pode valer 85 mil euros: veja porquê

Moeda de 1 centavo de 1922 pode valer 85 mil euros: veja porquê

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Há moedas que valem exatamente aquilo que está inscrito nelas.

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E depois existem moedas que parecem desafiar todas as regras.

É o caso de uma pequena moeda portuguesa de 1 centavo, datada de 1922, uma peça minúscula em bronze que se transformou numa das maiores raridades da numismática portuguesa.

O valor facial era praticamente simbólico. O valor histórico é incalculável. E o valor alcançado num leilão chegou aos 85 mil euros.

Mais extraordinário ainda é o facto de serem conhecidos apenas seis exemplares desta moeda. A Numisma, uma das referências do mercado numismático português, classifica-a como sendo de “da mais alta raridade” e identifica seis exemplares conhecidos.

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É precisamente esta combinação de escassez, história e mistério que transformou o 1 centavo de 1922 numa verdadeira lenda entre colecionadores.

Mas há uma questão que desperta ainda mais curiosidade:

será possível que alguém tenha uma destas moedas guardada sem saber o que tem?

A resposta é extremamente improvável, mas a história desta peça explica por que motivo a pergunta continua a alimentar o imaginário dos apaixonados por moedas antigas.

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centavo português
Moeda de 1 centavo de 1922 pode valer 85 mil euros

Uma moeda minúscula com uma história gigantesca

A numismática é muito mais do que colecionar moedas antigas. Cada peça pode contar uma história sobre um país, uma época, uma crise económica, um reinado, uma mudança política ou uma transformação social. Em Portugal, a história monetária atravessa séculos. Muito antes do euro e até muito antes do escudo, Portugal utilizou diferentes sistemas monetários. Ao longo da história, reis e governos introduziram novas moedas, adaptadas às necessidades económicas e políticas de cada período.

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O escudo português surgiu em 1911, após a implantação da República, substituindo o real como unidade monetária.

É neste contexto republicano que surge a moeda de 1 centavo de 1922.

A moeda é de bronze, tem cerca de 19 milímetros de diâmetro e pesa aproximadamente 3 gramas. A catalogação numismática identifica-a como a referência Gomes R.01.06.

À primeira vista, parece uma moeda pequena e discreta.

Mas é precisamente aí que reside a sua extraordinária história.

O que torna o 1 centavo de 1922 tão raro?

A resposta está numa palavra:

sobrevivência.

A moeda de 1 centavo de 1922 não chegou a ter uma circulação normal comparável às moedas correntes da época.

Segundo a tradição numismática associada a esta peça, o valor do bronze utilizado na sua produção terá ultrapassado o próprio valor facial da moeda, contribuindo para que a emissão não avançasse para circulação regular.

A hipótese mais difundida é que as moedas tenham permanecido na Casa da Moeda e que grande parte tenha sido posteriormente fundida, com o metal a ser reaproveitado na produção de moedas de 5 centavos.

Esta explicação é reproduzida em várias fontes dedicadas à numismática portuguesa, embora alguns pormenores históricos sobre a quantidade originalmente cunhada permaneçam incertos.

E é precisamente essa falta de certezas que alimenta o mistério.

Quantas moedas de 1 centavo de 1922 foram realmente cunhadas?

Esta é uma das perguntas para as quais não existe uma resposta definitiva amplamente consensual.

O que se sabe é que seis exemplares são atualmente conhecidos.

A Numisma confirma essa raridade nos seus catálogos de leilão e chegou mesmo a indicar, num leilão de 2023, que teve acesso aos seis exemplares conhecidos.

Mas a quantidade original de moedas produzidas é outra questão.

Ao longo dos anos surgiram diferentes versões e hipóteses sobre a cunhagem desta moeda, incluindo relatos de uma produção muito superior ao número de exemplares que sobreviveram.

É importante, por isso, separar duas ideias:

seis exemplares conhecidos não significa necessariamente que só tenham sido produzidas seis moedas.

Significa que, até ao momento, são conhecidos apenas seis exemplares que sobreviveram e foram identificados.

Essa diferença é fundamental para compreender a verdadeira raridade da peça.

O curioso caso das seis moedas

A história ganhou ainda mais força em 1960.

De acordo com documentação reproduzida por fontes numismáticas, o Diário de Lisboa publicou, a 5 de dezembro desse ano, uma notícia relativa à existência de três exemplares.

No dia seguinte, o jornal terá divulgado o aparecimento de mais três.

Assim, passou a existir documentação pública apontando para seis exemplares conhecidos.

Este episódio é particularmente interessante porque mostra como uma moeda praticamente desconhecida do grande público conseguiu transformar-se num dos grandes objetos de desejo da numismática portuguesa.

Não era apenas uma moeda antiga.

Era uma moeda sobre a qual existiam perguntas.

Onde estavam os exemplares?

Quem os possuía?

Quantos tinham sido realmente cunhados?

Porque razão não circularam?

E quantos poderiam ter desaparecido para sempre?

O paradeiro das moedas também alimenta o mistério

Outra questão frequentemente associada ao 1 centavo de 1922 diz respeito à localização dos exemplares conhecidos.

Existem diferentes relatos sobre a distribuição das seis moedas.

Uma das versões mais divulgadas indica que duas estarão associadas a museus e quatro a coleções particulares. Outras fontes apresentam versões diferentes sobre a propriedade institucional de alguns exemplares.

Por isso, não é prudente afirmar que existe um mapa público e definitivo com a localização atual de cada uma das seis moedas.

O que é seguro afirmar é que seis exemplares são conhecidos no universo numismático, sendo esta escassez uma das principais razões para a extraordinária valorização da peça.

Quanto vale a moeda de 1 centavo de 1922?

Aqui surge o número que tornou esta moeda famosa:

85.000 euros.

Um exemplar foi vendido em leilão em 2006 por esse valor.

Antes disso, em 2002, outro exemplar tinha sido vendido por 60.000 euros. Fontes numismáticas registam a licitação inicial desse exemplar em 37.500 euros.

O valor de 85 mil euros continua a ser uma das referências mais conhecidas para esta moeda.

A Doutor Finanças, citando avaliações indicativas de moedas portuguesas raras, apresenta precisamente uma faixa de 60.000 a 85.000 euros para o 1 centavo de 1922 e identifica os dois leilões como referências históricas.

Mas existe uma ressalva muito importante:

85 mil euros não significa que qualquer moeda de 1 centavo de 1922 valha 85 mil euros.

Na verdade, esta é uma distinção essencial.

O valor de uma moeda rara depende da autenticidade, estado de conservação, proveniência, procura, raridade e condições concretas do mercado.

E, neste caso específico, estamos a falar de uma moeda para a qual apenas seis exemplares são conhecidos.

O valor de 85 mil euros é atual?

Não necessariamente.

Este é um dos pontos que deve ser esclarecido para evitar criar expectativas erradas.

Os 85 mil euros correspondem a uma venda realizada em leilão em 2006. Não representam automaticamente o preço atual que alguém pagaria hoje pela moeda.

Aliás, a própria Doutor Finanças refere os 85 mil euros como o último valor de mercado conhecido para esta peça na sua informação publicada sobre moedas portuguesas valiosas.

Uma eventual venda atualmente poderia atingir um valor diferente.

Poderia ser superior.

Poderia ser inferior.

Tudo dependeria do exemplar, do seu estado de conservação, da autenticidade, da documentação, do interesse dos colecionadores e das condições do leilão.

Por isso, é mais rigoroso dizer:

“Um exemplar foi vendido por 85 mil euros em 2006.”

É diferente de afirmar:

“Esta moeda vale atualmente 85 mil euros.”

Uma moeda igual pode estar numa coleção antiga?

É precisamente aqui que nasce o sonho de muitos colecionadores.

Portugal tem milhares de casas onde foram guardadas antigas moedas de escudos, caixas de recordações, coleções herdadas de familiares, frascos com moedas antigas e pequenos álbuns esquecidos durante décadas.

É possível que existam moedas portuguesas raras fora do circuito habitual dos colecionadores.

Mas, no caso específico do 1 centavo de 1922, é preciso manter os pés assentes na terra.

Se apenas seis exemplares são conhecidos, encontrar um sétimo seria uma descoberta extraordinária e teria de ser rigorosamente autenticada.

Não basta encontrar uma moeda com a inscrição “1922”.

É necessário confirmar que se trata exatamente da variante correta, que é genuína e que não corresponde a uma reprodução, falsificação ou moeda de outro ano.

Atenção: não confunda todas as moedas de 1 centavo

Este aviso é especialmente importante.

Existem outras moedas portuguesas de 1 centavo de anos diferentes, incluindo 1917, 1918, 1920 e 1921.

A moeda de 1922 é uma emissão extraordinariamente rara.

A catalogação numismática identifica a variante de 1922 como R.01.06 e assinala explicitamente a existência de apenas seis moedas conhecidas.

Por isso, encontrar um velho 1 centavo numa caixa de moedas não significa automaticamente ter encontrado uma fortuna.

O ano é decisivo.

E, mesmo que apareça “1922”, a autenticação continua a ser indispensável.

Como identificar a moeda de 1 centavo de 1922?

A moeda pertence ao período da Primeira República Portuguesa e é feita de bronze.

Segundo a catalogação disponível, apresenta cerca de 19 mm de diâmetro e 3 gramas de peso.

No anverso surge o brasão nacional com a esfera armilar e o escudo português.

No reverso encontra-se a indicação do valor e a inscrição “REPÚBLICA PORTUGUESA”, com o ano de 1922.

Estes elementos são importantes para uma primeira identificação, mas não são suficientes para confirmar autenticidade.

Uma moeda extremamente rara é também uma moeda que pode despertar o interesse de falsificadores.

Não limpe a moeda se encontrar uma

Este é um conselho que pode poupar uma grande desilusão.

Se encontrar uma moeda antiga que suspeite ser rara, não tente poli-la, esfregá-la ou devolver-lhe o brilho original.

Produtos de limpeza, abrasivos, escovas ou métodos caseiros podem danificar a superfície e reduzir significativamente o interesse numismático da peça.

Na numismática, o estado original da moeda é extremamente importante.

Uma moeda com patine natural e sem intervenções pode ser muito mais interessante para um colecionador do que uma moeda artificialmente polida.

Por isso:

não esfregue;

não utilize produtos químicos;

não tente remover manchas;

não lixe;

não aplique vernizes ou óleos.

Se existir uma suspeita legítima de raridade, o melhor caminho é procurar uma avaliação profissional.

Como saber se uma moeda antiga é realmente valiosa?

O valor de uma moeda não depende apenas da idade.

Esta é uma das ideias mais importantes para quem começa a interessar-se por numismática.

Uma moeda com 200 anos pode valer pouco.

Outra com pouco mais de 100 anos pode valer milhares.

O que determina o valor?

Entre os principais fatores estão:

Raridade: quantos exemplares existem?

Estado de conservação: a moeda está muito desgastada ou preserva grande parte dos detalhes originais?

Autenticidade: é genuína?

Procura: existem colecionadores interessados nessa peça?

Erro ou variante: existe alguma característica rara de cunhagem?

Proveniência: existe documentação que permita conhecer a história da moeda?

Mercado: quanto estão os compradores dispostos a pagar em determinado momento?

É a combinação destes fatores que transforma uma simples moeda num objeto de elevado valor numismático.

O 1 centavo de 1922 é mesmo a moeda mais valiosa da República Portuguesa?

É frequentemente apresentada como a moeda mais rara e valiosa da República Portuguesa, sobretudo entre as moedas correntes republicanas.

A Numisma classificou-a como sendo de “da mais alta raridade” e, em 2023, apresentou um exemplar com uma base de licitação de 45 mil euros.

No entanto, afirmar que é “a moeda portuguesa mais valiosa de sempre” seria demasiado abrangente.

Existem moedas portuguesas de outros períodos históricos, nomeadamente moedas de ouro raríssimas, que podem atingir valores muito superiores em leilões especializados.

Por isso, é mais rigoroso falar na extrema raridade e elevado valor do 1 centavo de 1922 dentro da numismática da República Portuguesa.

Diário de Lisboa
Diário de Lisboa

Uma pequena moeda que atravessou um século

Talvez o mais fascinante nesta história seja imaginar o percurso destes seis exemplares.

Em 1922, eram pequenas moedas de bronze.

Pouco depois, deixaram de ter interesse como moeda de circulação.

Grande parte da emissão terá desaparecido ou sido fundida.

Durante décadas, permaneceram praticamente desconhecidas do grande público.

Em 1960, o Diário de Lisboa trouxe novamente a sua existência para a luz do dia.

Depois, décadas mais tarde, exemplares começaram a aparecer em leilões especializados.

E, em 2006, uma delas atingiu 85 mil euros.

É uma viagem extraordinária.

Uma pequena peça que nasceu para representar apenas uma fração mínima da unidade monetária acabou por se tornar num objeto de desejo para colecionadores.

O tempo transformou um centavo numa fortuna.

O verdadeiro tesouro está na história

É tentador olhar para esta moeda apenas através do seu preço.

85 mil euros.

Seis exemplares.

Uma moeda de bronze.

Mas a verdadeira riqueza está na história.

Esta peça é um testemunho da República Portuguesa, das dificuldades económicas de uma época e das mudanças no sistema monetário nacional.

É também uma demonstração de como a escassez pode transformar radicalmente o significado de um objeto.

Uma moeda que não chegou a cumprir plenamente a função para a qual foi concebida acabou por adquirir uma importância muito maior do que o seu valor facial.

E talvez seja isso que torna a numismática tão fascinante.

O que hoje parece insignificante pode amanhã revelar uma história extraordinária.

Tem moedas antigas em casa? Vale a pena verificar

Se existem antigas coleções de família guardadas numa gaveta, num sótão ou numa caixa esquecida, pode ser interessante observar cuidadosamente as moedas.

Não significa que exista uma fortuna escondida.

Mas pode existir uma peça rara.

Procure sobretudo:

  • moedas portuguesas antigas;
  • moedas da Primeira República;
  • moedas de escudos;
  • moedas com anos pouco comuns;
  • variantes de cunhagem;
  • moedas em excelente estado de conservação;
  • peças com erros ou características invulgares;
  • moedas acompanhadas de documentação ou proveniência.

E, acima de tudo, não confunda uma estimativa encontrada na Internet com uma avaliação profissional.

O mercado numismático pode variar significativamente e os preços de leilão representam transações concretas, não garantias de venda futura.

A moeda que vale 85 mil euros — mas cujo maior valor está no mistério

O 1 centavo de 1922 é uma daquelas peças que parecem ter sido retiradas de um romance.

É pequena.

É antiga.

É portuguesa.

É extremamente rara.

E tem uma história que permanece parcialmente envolta em dúvidas.

São conhecidos apenas seis exemplares, segundo a catalogação numismática disponível.

Um deles chegou a ser vendido por 60 mil euros em 2002 e outro atingiu 85 mil euros em 2006.

O valor histórico dessas vendas transformou esta pequena moeda numa das mais famosas raridades da numismática portuguesa.

Mas há uma última coisa que merece ser repetida:

não significa que qualquer 1 centavo antigo valha milhares de euros.

Se aparecer uma moeda de 1922, é aconselhável não a limpar, não a alterar e não tentar vendê-la precipitadamente.

Primeiro, é necessário confirmar a autenticidade e identificar corretamente a peça.

Porque, na numismática, uma data pode valer dinheiro — mas a combinação entre raridade, autenticidade, conservação e história é aquilo que pode transformar uma moeda num verdadeiro tesouro.

E é precisamente por isso que, mais de um século depois, o pequeno 1 centavo de 1922 continua a alimentar um dos mais fascinantes mistérios da numismática portuguesa.

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Etiquetas: 1 centavo 1922moeda de 1 centavo de 1922moeda portuguesa raramoeda rara portuguesa
Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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