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Início Língua Portuguesa

10 erros gramaticais comuns em português que deve evitar na escrita

Conheça 10 erros gramaticais comuns na língua portuguesa e aprenda a evitá-los. Esclareça dúvidas sobre porque, há, concordância e outras palavras.

José Ferreira Por José Ferreira
31/10/2026
em Língua Portuguesa, Português
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10 erros gramaticais comuns em português que deve evitar na escrita

10 erros gramaticais comuns em português que deve evitar na escrita

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Escrever corretamente é muito mais do que conhecer as regras da gramática. É saber transmitir ideias, evitar mal-entendidos e encontrar as palavras certas para cada situação. No entanto, há erros de português que continuam a escapar até a quem escreve diariamente e conhece bem a língua.

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Algumas palavras parecem iguais, outras soam da mesma maneira e existem ainda regras de concordância que facilmente passam despercebidas. Basta uma pequena distração para transformar uma frase correta numa construção gramaticalmente errada.

A língua portuguesa é rica, expressiva e cheia de particularidades. É precisamente essa riqueza que, por vezes, torna a escrita mais desafiante. Mesmo quem domina o português pode ter dúvidas sobre a utilização de «há» e «a», a diferença entre «perca» e «perda» ou a conjugação de determinados verbos.

Reunimos 10 erros gramaticais frequentes na língua portuguesa, com explicações simples e exemplos práticos para ajudar a reconhecê-los e evitá-los. Alguns poderão surpreender, sobretudo porque certas formas que muitas pessoas consideram erradas estão, afinal, perfeitamente corretas.

Os 10 erros gramaticais mais comuns na língua portuguesa

1. Confundir «porque», «porquê» e «por que»

Esta é uma das dúvidas mais frequentes da língua portuguesa. As três formas têm utilizações diferentes e saber distingui-las é essencial para escrever corretamente.

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Porque utiliza-se como conjunção causal, para apresentar uma explicação ou justificação. Também pode funcionar como advérbio interrogativo nas perguntas que procuram saber a razão de alguma coisa.

Exemplos:

  • Não fui trabalhar porque estava doente.
  • Porque chegaste tão tarde?
  • Não percebo porque tomou aquela decisão.

Porquê é utilizado como substantivo ou como advérbio interrogativo em construções próprias do português europeu. Quando funciona como substantivo, pode ser acompanhado de um artigo ou de outro determinante.

 

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Exemplos:

  • Ninguém explicou o porquê da decisão.
  • Gostava de perceber o porquê de tanta confusão.
  • Porquê tanta pressa?
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Por que escreve-se separado quando resulta da preposição «por» seguida do pronome ou determinante «que». É frequente aparecer antes de palavras como «razão» ou «motivo».

Exemplos:

  • Por que razão não compareceu?
  • Os motivos por que tomou aquela decisão são desconhecidos.

Uma nota importante: a forma «por quê», muito associada ao português do Brasil, não é a grafia habitual do advérbio interrogativo no português europeu. Em Portugal, escreve-se normalmente «porquê?». A sequência separada pode, contudo, surgir em construções específicas em que «por» e «quê» desempenham funções distintas.

2. Confundir «há» com «a»

A diferença entre estas duas palavras parece simples, mas continua a provocar muitos erros.

Há é uma forma do verbo haver e utiliza-se, entre outras situações, para indicar tempo decorrido ou existência.

A é uma preposição que pode indicar distância, localização ou um momento futuro.

Exemplos:

  • Há duas semanas que não vejo a minha família.
  • Vivo nesta cidade há dez anos.
  • Daqui a duas semanas vou de férias.
  • O restaurante fica a cinco quilómetros de casa.
  • A reunião começa daqui a meia hora.

Um truque muito simples ajuda a evitar esta confusão: quando se refere a tempo já decorrido, experimente substituir «há» por «faz». Se a frase continuar a fazer sentido, provavelmente está perante a forma correta.

Por exemplo: «Há três dias que não chove» pode ser substituído por «Faz três dias que não chove».

3. Cometer erros de concordância verbal

A concordância verbal determina que o verbo deve ajustar-se ao sujeito da frase, respeitando a pessoa e o número.

É uma regra fundamental, mas nem sempre é respeitada, sobretudo em frases mais longas ou quando o sujeito está afastado do verbo.

Veja alguns exemplos:

Errado: As crianças brinca no parque.

Correto: As crianças brincam no parque.

Errado: Houveram muitos problemas durante a reunião.

Correto: Houve muitos problemas durante a reunião.

Neste último exemplo existe uma particularidade importante: o verbo «haver», quando significa «existir» ou «acontecer», é impessoal e utiliza-se sempre na terceira pessoa do singular.

Assim:

  • Há muitas pessoas à espera.
  • Houve vários problemas.
  • Havia muitas dúvidas.
  • Haverá novas oportunidades.

O mesmo cuidado deve ser aplicado ao verbo «fazer» quando indica tempo decorrido.

Errado: Fazem três anos que trabalho nesta empresa.

Correto: Faz três anos que trabalho nesta empresa.

Estes verbos merecem especial atenção porque o nome que aparece a seguir não é o sujeito e, por isso, não determina a concordância.

4. Confundir «onde» com «aonde»

«Onde» e «aonde» são frequentemente utilizados como se fossem exatamente a mesma coisa. Embora existam situações em que ambas as formas são aceites, há uma diferença importante.

Onde utiliza-se sobretudo para perguntar ou indicar o lugar em que algo se encontra ou acontece.

Exemplos:

  • Onde fica esta rua?
  • Onde está o livro?
  • Não sei onde deixei as chaves.

Aonde resulta da combinação da preposição «a» com «onde» e exprime normalmente uma ideia de destino ou direção.

Exemplos:

  • Aonde vais?
  • Aonde se dirige o comboio?
  • Aonde pretende chegar com esta decisão?

Também é possível utilizar «para onde» para indicar destino:

  • Para onde vai viajar?
  • Para onde se dirigem os convidados?

Um pormenor importante: não se deve considerar automaticamente incorreta a utilização de «onde» com verbos de movimento. Em determinadas construções, nomeadamente com o verbo «ir», também pode ser aceite. A escolha depende da construção gramatical e da preposição exigida pelo verbo.

5. Dizer «interviu» em vez de «interveio»

O verbo «intervir» significa interferir, participar ou tomar parte numa situação. A dificuldade está na sua conjugação, que segue o modelo do verbo «vir».

Por isso, no pretérito perfeito do indicativo, a forma correta na terceira pessoa do singular é interveio, e não «interviu».

Exemplos:

  • O diretor interveio na negociação.
  • A polícia interveio para resolver a situação.
  • A médica interveio rapidamente.
  • Os responsáveis intervieram para evitar o problema.

Uma boa maneira de memorizar esta regra é pensar na conjugação do verbo «vir»:

  • Ele veio.
  • Ele interveio.

O mesmo acontece com outras formas:

  • Eu intervim.
  • Tu intervieste.
  • Ele interveio.
  • Nós interviemos.
  • Eles intervieram.

6. Confundir «fizeste» com «fizestes»

Aqui existe uma confusão muito comum: muitas pessoas consideram que «fizestes» está sempre errado. Não é verdade. As duas formas existem, mas correspondem a pessoas gramaticais diferentes.

Fizeste é a segunda pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo do verbo fazer.

Exemplos:

  • Fizeste um excelente trabalho.
  • Fizeste tudo o que era necessário?

Fizestes corresponde à segunda pessoa do plural, tradicionalmente associada ao pronome «vós».

Exemplos:

  • Vós fizestes uma boa escolha.
  • Fizestes tudo o que vos foi pedido?

Na utilização corrente em Portugal, é muito mais frequente encontrar «fizeste» quando se utiliza «tu» e «fizeram» quando se utiliza «vocês».

O erro acontece quando se utiliza «fizestes» numa frase cujo sujeito exige a forma «fizeste».

7. Confundir «perca» com «perda»

São palavras semelhantes na pronúncia e na escrita, mas têm funções gramaticais diferentes.

Perca é uma forma do verbo perder, utilizada no presente do conjuntivo ou no imperativo.

Perda é um substantivo feminino que designa o ato ou o resultado de perder alguma coisa.

Exemplos:

  • Espero que não perca esta oportunidade.
  • É importante que não perca a concentração.
  • Perca peso de forma equilibrada e saudável.
  • A perda de tempo pode comprometer os resultados.
  • Foi uma grande perda para a família.

Um truque simples: quando a palavra pode ser substituída por «prejuízo», «desaparecimento» ou «privação», normalmente deve utilizar «perda».

8. Dizer «quinhentas gramas» em vez de «quinhentos gramas»

Esta dúvida aparece frequentemente nas conversas do dia a dia, sobretudo quando se fala de alimentos e quantidades.

Quando se refere à unidade de medida de massa, a palavra «grama» é masculina. Por isso, o numeral também deve concordar no masculino.

A forma correta é quinhentos gramas, e não «quinhentas gramas».

Exemplos:

  • Comprei quinhentos gramas de queijo.
  • A receita leva trezentos gramas de farinha.
  • São necessários duzentos gramas de açúcar.
  • O pacote contém cem gramas de café.

A confusão pode surgir porque «grama» também é uma palavra feminina quando designa uma planta ou erva rasteira. Nesse contexto, é correto dizer «a grama».

Mas quando se trata da unidade de medida, deve utilizar-se o masculino.

9. Escrever «hás de» com a grafia incorreta

A expressão «hás de» é utilizada para indicar intenção, expectativa, propósito ou uma ação futura.

Um erro frequente consiste em escrever «hásdes» ou manter o hífen de grafias antigas.

De acordo com o Acordo Ortográfico de 1990, as formas do verbo haver seguidas da preposição «de» passaram a escrever-se sem hífen.

Assim, as grafias atuais são:

  • Hei de conseguir.
  • Hás de encontrar uma solução.
  • Há de chegar a tempo.
  • Havemos de resolver o problema.
  • Hão de compreender a decisão.

A forma «hás de» corresponde à segunda pessoa do singular. É importante não confundir esta expressão com «hás», forma verbal que pode surgir noutras construções.

10. Confundir «mal» com «mau»

Apesar de terem uma pronúncia semelhante, «mal» e «mau» têm significados e funções gramaticais diferentes.

Mal pode funcionar como advérbio, substantivo ou conjunção. Enquanto advérbio, é geralmente o contrário de «bem».

Exemplos:

  • O trabalho ficou mal feito.
  • Dormi mal durante a noite.
  • O mal deve ser combatido.
  • Mal chegou, começou a trabalhar.

Mau é um adjetivo e corresponde ao contrário de «bom». Utiliza-se para caracterizar uma pessoa, um objeto, uma situação ou uma qualidade.

Exemplos:

  • Foi um mau resultado.
  • O tempo está mau.
  • Ele teve um mau comportamento.
  • A comida tinha um mau aspeto.

O truque mais fácil é substituir as palavras pelos respetivos opostos: se a frase admitir «bem», utilize «mal»; se admitir «bom», utilize «mau».

Bónus: «ralar» ou «relar»? Nem sempre aquilo que parece errado está errado

Esta é uma dúvida interessante que merece um esclarecimento.

A forma «ralar» é a mais habitual em Portugal quando se pretende triturar ou reduzir um alimento a pedaços pequenos utilizando um ralador.

Exemplos:

  • Vou ralar o queijo para a receita.
  • Preciso de pão ralado para preparar os croquetes.
  • Rale a cenoura antes de a juntar à massa.

No entanto, «relar» também existe na língua portuguesa. Está registado em dicionários com o significado de reduzir a pedaços pequenos por fricção contra um ralador, entre outros sentidos.

Por isso, não é correto afirmar que «relar» não existe. Simplesmente, «ralar» é a forma mais habitual e familiar no português corrente.

Como evitar erros gramaticais na escrita?

Conhecer estas diferenças é um bom começo, mas melhorar a escrita exige também atenção e prática.

Há alguns hábitos simples que ajudam a reduzir os erros:

  • Leia regularmente: o contacto frequente com livros, jornais e textos bem escritos ajuda a interiorizar a estrutura das frases e a utilização correta das palavras.
  • Releia antes de publicar: uma segunda leitura permite detetar erros de concordância, palavras trocadas e frases pouco claras.
  • Consulte dicionários: quando surgir uma dúvida, confirme a grafia, o significado e a conjugação da palavra.
  • Não confie exclusivamente no corretor automático: estas ferramentas identificam muitos erros ortográficos, mas nem sempre reconhecem problemas de concordância ou palavras utilizadas num contexto inadequado.
  • Procure compreender as regras: memorizar exemplos é útil, mas perceber a razão de cada construção ajuda a evitar o mesmo erro noutras frases.

Escrever bem não significa nunca cometer erros. Significa ter vontade de aprender, esclarecer dúvidas e melhorar continuamente a forma como comunicamos.

Uma língua rica merece ser escrita com cuidado

A língua portuguesa é uma das maiores riquezas culturais que partilhamos. É através dela que contamos histórias, expressamos sentimentos, transmitimos conhecimento e preservamos a nossa identidade.

Pequenos erros podem parecer insignificantes, mas uma escrita cuidada transmite confiança, credibilidade e atenção aos pormenores. Seja num simples comentário, numa mensagem profissional ou num artigo, escolher as palavras certas faz toda a diferença.

Agora que conhece estes 10 erros gramaticais comuns, será mais fácil reconhecê-los e evitá-los. E lembre-se: ninguém precisa de dominar todas as regras de memória. O mais importante é nunca deixar de aprender.

Fontes para esclarecer dúvidas

  • Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
  • Dicionário Infopédia – Porto Editora
  • Priberam – Dicionário da Língua Portuguesa
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Etiquetas: dúvidas de portuguêserros de portuguêserros gramaticaisescrever corretamentegramática portuguesalíngua portuguesaortografiaregras gramaticais
José Ferreira

José Ferreira

Professor de Português, sempre gostou de desafiar os seus alunos com jogos de gramática e de ortografia. Para ele, a oportunidade de divulgar esses desafios em artigos que chegam a um público mais vasto é verdadeiramente estimulante e animador.

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