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Início Língua Portuguesa

10 erros de português comuns que deve evitar: aprenda a escrever corretamente

Aprenda a evitar 10 erros de português frequentes, com exemplos claros sobre há/a, mal/mau, senão/se não e outras dúvidas comuns da escrita e da fala.

José Ferreira Por José Ferreira
29/10/2026
em Língua Portuguesa, Português
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10 erros de português comuns que deve evitar: aprenda a escrever corretamente

10 erros de português comuns que deve evitar: aprenda a escrever corretamente

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Há erros de português que passam despercebidos porque os ouvimos tantas vezes que acabamos por acreditar que estão corretos.

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Acontece nas conversas do dia a dia, nas mensagens de telemóvel, nos e-mails profissionais e até em textos que são publicados sem uma revisão cuidadosa.

Uma palavra mal escolhida, uma expressão utilizada fora do contexto ou uma preposição esquecida podem alterar o sentido de uma frase e comprometer a clareza da mensagem.

E o mais curioso é que, em muitos casos, basta conhecer uma regra simples para evitar o erro de uma vez por todas.

A língua portuguesa é rica em palavras parecidas, expressões com significados diferentes e regras que nem sempre são intuitivas.

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Por isso, mesmo quem fala português desde a infância pode ter dúvidas quando precisa de escrever com rigor.

Preparei esta lista com 10 erros e dúvidas frequentes da língua portuguesa, explicados com exemplos simples e adaptados ao português de Portugal.

Vai descobrir como distinguir «há» de «a», quando utilizar «mal» ou «mau», qual a diferença entre «senão» e «se não» e como evitar expressões desnecessárias ou pouco precisas.

São pequenas diferenças que podem fazer uma grande diferença na forma como comunicamos.

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1. «Precisa-se» ou «precisam-se»?

Esta é uma dúvida frequente em anúncios de emprego, avisos comerciais e mensagens afixadas em estabelecimentos. A construção mais habitual e recomendada é «Precisa-se de funcionários», com o verbo no singular, porque o verbo «precisar», neste caso, é utilizado com a preposição «de».

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Veja os exemplos:

Correto: «Precisa-se de colaboradores para uma loja.»

Correto: «Precisa-se de voluntários para a iniciativa.»

Incorreto nesta construção: «Precisam-se de colaboradores para uma loja.»

Quando o verbo «precisar» é utilizado com «de», o «se» indica que não se identifica quem precisa dos colaboradores. O verbo mantém-se na terceira pessoa do singular.

Mas existe uma alternativa particularmente útil: utilizar o verbo «procurar».

Correto: «Procura-se um funcionário.»

Correto: «Procuram-se funcionários.»

Neste último caso, o verbo concorda com o sujeito plural «funcionários». A diferença está na construção gramatical utilizada, e não apenas no número de pessoas pretendidas.

Como memorizar: escreva «Precisa-se de…» quando utiliza o verbo precisar com a preposição «de». Se optar por «procurar», faça a concordância com aquilo que está a ser procurado.

2. «Anexo», «anexa» ou «em anexo»?

Esta dúvida surge frequentemente na redação de e-mails profissionais, sobretudo quando é necessário enviar documentos, fotografias ou outros ficheiros.

A palavra «anexo» pode funcionar como adjetivo, caso em que deve concordar com o nome a que se refere em género e número.

Por exemplo:

«Envio o documento anexo ao e-mail.»

«Envio a fotografia anexa ao processo.»

«Seguem anexos os relatórios solicitados.»

«Seguem anexas as fotografias do imóvel.»

A expressão «em anexo» também é utilizada corretamente, com o sentido de que algo segue junto ou apenso a uma mensagem ou documento.

Assim, são aceitáveis construções como:

«Envio o relatório em anexo.»

«Seguem em anexo os documentos solicitados.»

A diferença está na estrutura da frase. Quando «anexo» é um adjetivo, concorda com o nome. Na expressão «em anexo», a locução mantém-se invariável.

Como memorizar: «documentos anexos», «fotografias anexas» e «documentos em anexo» são construções possíveis. Não trate todas as utilizações de «em anexo» como erros.

3. «Há» ou «a»?

A diferença entre «há» e «a» é uma das dúvidas mais frequentes na escrita portuguesa, sobretudo quando se pretende indicar o tempo.

A regra essencial é simples: «há» indica, neste contexto, tempo decorrido; «a» pode indicar um momento futuro.

Veja os exemplos:

«Cheguei há duas horas.»

«Vivo nesta cidade há cinco anos.»

«A reunião começa daqui a meia hora.»

«O comboio chega daqui a dez minutos.»

Na primeira frase, as duas horas já passaram. Na terceira, a meia hora ainda está por decorrer.

O verbo «haver» também pode ser utilizado para indicar existência, como em «Há muitos livros naquela estante» ou «Há várias soluções para este problema».

Um truque útil consiste em substituir «há», quando indica tempo decorrido, por «faz».

Por exemplo, «Cheguei há duas horas» pode ser reformulado como «Faz duas horas que cheguei». Se a substituição fizer sentido, é provável que deva utilizar «há».

Como memorizar: «há dois dias» refere-se ao passado; «daqui a dois dias» refere-se ao futuro.

4. «Senão» ou «se não»?

Embora tenham uma pronúncia semelhante, estas duas formas desempenham funções diferentes.

«Senão», escrito numa só palavra, pode significar «caso contrário», «de outro modo» ou «a não ser».

«Se não», escrito em duas palavras, corresponde normalmente à conjunção «se» seguida do advérbio de negação «não», introduzindo uma condição.

Veja os exemplos:

«Estude com atenção, senão poderá cometer erros.»

Aqui, «senão» pode ser substituído por «caso contrário».

«Se não estudar com atenção, poderá cometer erros.»

Nesta segunda frase, «se não» introduz uma condição: a possibilidade de cometer erros depende de estudar ou não com atenção.

Existem ainda outras utilizações de «senão», como em «Não fez senão reclamar», em que a expressão transmite a ideia de que não fez outra coisa além de reclamar.

Para distinguir as duas formas, experimente substituir «senão» por «caso contrário». Se a frase mantiver o sentido, a forma junta poderá ser a correta. Se estiver a estabelecer uma condição negativa, provavelmente deverá escrever «se não».

Como memorizar: «senão» equivale frequentemente a «caso contrário»; «se não» introduz uma condição negativa.

5. «Onde» ou «aonde»?

As duas palavras estão corretas, mas a escolha depende da construção da frase e do sentido pretendido.

Tradicionalmente, «onde» é utilizado para indicar localização ou permanência. «Aonde» resulta da combinação da preposição «a» com «onde» e está associado a contextos em que existe uma ideia de destino ou movimento em direção a um lugar.

Por exemplo:

«Onde está o livro?»

«Onde fica a estação de comboios?»

«Aonde te diriges?»

«Aonde nos leva este caminho?»

A diferença torna-se mais clara quando se pergunta pelo local onde algo se encontra ou pelo destino de uma deslocação.

No entanto, o uso de «onde» com verbos de movimento está também muito difundido em português, incluindo em Portugal. Por isso, não é rigoroso afirmar que todas as frases com «onde» e um verbo de movimento estão necessariamente erradas.

Quando a frase exige explicitamente a preposição «para», deve conservar-se essa preposição:

«Para onde vamos depois do almoço?»

«Para onde foi enviado o documento?»

Em textos formais, procure sobretudo respeitar a preposição exigida pelo verbo e escolher a forma que transmite a ideia com maior precisão.

Como memorizar: «onde» destaca a localização; «aonde» corresponde, na distinção tradicional, a «a que lugar»; «para onde» indica claramente um destino.

6. «A fim» ou «afim»?

A diferença entre estas duas formas está no significado.

A expressão «a fim de» é utilizada para indicar finalidade ou propósito, sendo equivalente a «com o objetivo de».

Por exemplo:

«Estudou a fim de obter melhores resultados.»

«A empresa organizou a reunião a fim de esclarecer as dúvidas.»

Já «afim» é um adjetivo que significa semelhante, relacionado ou com afinidade.

Veja os exemplos:

«Os dois projetos têm objetivos afins.»

«Procuramos pessoas com interesses afins.»

«A questão está relacionada com áreas afins.»

Existe ainda a expressão «estar a fim de», utilizada em determinados registos informais, sobretudo no português do Brasil, com o sentido de ter vontade ou interesse em alguma coisa. Em português de Portugal, dependendo do contexto, poderá ser mais natural escrever «ter vontade de», «estar disposto a» ou «ter interesse em».

Por exemplo, em vez de «Estou a fim de sair», pode escrever «Tenho vontade de sair».

Como memorizar: «a fim de» indica finalidade; «afim» significa semelhante ou relacionado.

7. «A nível de», «ao nível de» ou «em termos de»?

A expressão «a nível de» é muito utilizada na comunicação profissional e no discurso quotidiano. O problema surge quando é repetida indiscriminadamente, mesmo em frases nas quais não acrescenta qualquer informação.

Por exemplo:

«A nível de orçamento, precisamos de rever os valores.»

A frase é compreensível, mas pode ser escrita de forma mais direta:

«Quanto ao orçamento, precisamos de rever os valores.»

Ou:

«Em termos de orçamento, precisamos de rever os valores.»

Em português de Portugal, a expressão «ao nível de» também é utilizada com o sentido de «no âmbito de» ou «no domínio de», embora muitas vezes existam alternativas mais simples.

A expressão é particularmente clara quando se refere à altura ou a um nível físico:

«O passeio está ao nível da entrada.»

«A aldeia fica ao nível do mar.»

Por isso, não é correto afirmar que todas as utilizações de «a nível de» ou «ao nível de» são erros. O mais importante é perceber se a expressão é necessária e se transmite o significado pretendido.

A construção «em nível de», frequente em determinados usos do português do Brasil, não é geralmente a escolha mais natural em Portugal para substituir expressões como «quanto a», «no âmbito de» ou «em termos de».

Como memorizar: quando puder dizer a mesma coisa de forma mais clara e direta, prefira «quanto a», «em termos de», «no âmbito de» ou simplesmente «em».

8. «À medida que» ou «na medida em que»?

Estas expressões são parecidas, mas não devem ser confundidas, porque podem transmitir relações diferentes.

«À medida que» indica normalmente uma evolução gradual ou uma relação entre acontecimentos que decorrem em simultâneo.

Por exemplo:

«À medida que a noite avançava, a temperatura descia.»

«À medida que estudava, compreendia melhor a matéria.»

Nestes casos, existe uma progressão: uma situação evolui enquanto outra também se altera.

Por sua vez, «na medida em que» pode indicar um limite, uma condição ou o grau em que algo é verdadeiro. Em determinados contextos, também é utilizado com valor causal.

Por exemplo:

«A proposta é viável na medida em que respeita o orçamento disponível.»

A ideia é que a viabilidade depende de a proposta respeitar esse limite.

Quando o sentido pretendido é claramente causal, pode ser mais simples utilizar «porque» ou «uma vez que».

Por exemplo:

«A reunião foi adiada porque vários participantes não puderam comparecer.»

Esta construção é mais direta do que recorrer a «na medida em que» sem necessidade.

Como memorizar: «à medida que» indica geralmente progressão; «na medida em que» exprime uma relação de grau, condição ou, conforme o contexto, causa.

9. «Mal» ou «mau»?

É um dos pares de palavras que mais dúvidas provoca na escrita, mas existe um truque muito simples para nunca mais os confundir.

«Mal» é frequentemente o contrário de «bem». «Mau» é o contrário de «bom».

Veja os exemplos:

«O funcionário sentiu-se mal durante a reunião.»

«O texto está mal escrito.»

«Foi um mau resultado.»

«Hoje está mau tempo.»

Na primeira frase, «mal» indica como a pessoa se sentiu. Na segunda, indica que o texto foi escrito de forma inadequada.

Já «mau» é utilizado para caracterizar um nome: um mau resultado, um mau exemplo ou um mau hábito.

Há ainda situações em que «mal» funciona como nome ou como conjunção, como em «O mal deve ser evitado» ou «Mal chegou a casa, começou a chover».

Mesmo nestes casos, a distinção entre as palavras continua a depender da função e do significado.

Se tiver dúvidas, experimente substituir a palavra por «bem» ou «bom».

Se «bem» fizer sentido como antónimo, utilize «mal». Se o contrário de «bom» for o pretendido, utilize «mau».

Como memorizar: mal é o contrário de bem; mau é o contrário de bom.

10. «Eminente» ou «iminente»?

Basta trocar uma letra para alterar completamente o significado de uma frase. É isso que acontece com «eminente» e «iminente».

«Eminente» significa ilustre, notável, distinto ou de grande importância.

Por exemplo:

«O investigador é um eminente cientista.»

«A cidade recebeu uma visita de uma figura eminente.»

Já «iminente» significa que algo está prestes a acontecer ou que se encontra muito próximo de ocorrer.

Veja os exemplos:

«Existe um perigo iminente.»

«A chegada do comboio é iminente.»

«O início das obras parece iminente.»

A confusão pode parecer pequena, mas numa notícia, num relatório ou num documento profissional pode alterar significativamente o sentido da mensagem.

Imagine escrever que uma pessoa é «iminente» quando pretende descrevê-la como notável. Ou anunciar um «perigo eminente» quando quer dizer que o perigo está prestes a concretizar-se.

A forma correta depende inteiramente da ideia que se pretende transmitir.

Como memorizar: eminente significa notável; iminente significa prestes a acontecer.

Como evitar estes erros de português no dia a dia

Conhecer as regras é importante, mas aplicá-las com naturalidade exige alguma prática. Não é necessário decorar manuais inteiros de gramática para melhorar a escrita. Muitas vezes, basta criar pequenos hábitos.

Leia os textos antes de os enviar ou publicar. Uma segunda leitura ajuda a detetar palavras trocadas, preposições em falta e construções pouco claras.

Quando tiver dúvidas, procure compreender o significado da expressão em vez de memorizar apenas uma frase. Saber que «mal» é o contrário de «bem», por exemplo, permite resolver inúmeras dúvidas sem consultar constantemente um dicionário.

Também é útil evitar expressões demasiado longas quando existe uma alternativa mais simples. Em vez de recorrer automaticamente a «a nível de», pense se «quanto a», «sobre», «em» ou «no âmbito de» transmite a ideia com maior precisão.

Por fim, não confunda uma preferência de estilo com uma regra absoluta. Algumas expressões admitem mais do que uma construção correta, como acontece com «anexo» e «em anexo». Noutras situações, o contexto e a intenção do falante são decisivos.

O objetivo não é escrever de forma complicada nem recear cada palavra. É comunicar com clareza, rigor e confiança.

Escrever melhor começa com pequenas mudanças

A língua portuguesa tem inúmeras particularidades, e ninguém precisa de dominar todas as regras para comunicar bem. Ainda assim, conhecer as diferenças entre palavras e expressões muito utilizadas ajuda a evitar erros e torna a escrita mais clara.

A distinção entre «há» e «a», «senão» e «se não», «mal» e «mau» ou «eminente» e «iminente» pode parecer um pormenor, mas estes cuidados fazem diferença em textos profissionais, trabalhos escolares, mensagens e publicações nas redes sociais.

Também é importante reconhecer que nem tudo o que provoca dúvidas está errado. «Em anexo» é uma expressão válida, «a nível de» tem usos registados e a escolha entre «onde» e «aonde» exige atenção ao contexto.

Falar e escrever corretamente não significa nunca ter dúvidas. Significa saber esclarecê-las e escolher as palavras que melhor transmitem aquilo que queremos dizer.

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José Ferreira

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Professor de Português, sempre gostou de desafiar os seus alunos com jogos de gramática e de ortografia. Para ele, a oportunidade de divulgar esses desafios em artigos que chegam a um público mais vasto é verdadeiramente estimulante e animador.

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