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Descoberta nova espécie de aranha venenosa em Portugal

Aranha-reclusa-chilena é descoberta no Porto e pela primeira vez na Península Ibérica. Conheça os riscos, sintomas da mordida e o que dizem os especialistas.

Sara Costa Por Sara Costa
02/07/2026
em Curiosidades, Notícias
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Descoberta nova espécie de aranha venenosa em Portugal

Descoberta nova espécie de aranha venenosa em Portugal

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A descoberta da aranha-reclusa-chilena (Loxosceles laeta) na cidade do Porto representa um marco científico sem precedentes. Pela primeira vez, esta espécie venenosa foi oficialmente identificada na Península Ibérica, despertando o interesse da comunidade científica e levantando inevitáveis questões sobre os riscos para a saúde pública.

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Apesar da reputação da sua mordida, capaz de provocar graves lesões cutâneas e, em situações excecionais, complicações sistémicas, os investigadores garantem que não existem razões para alarmismo. O comportamento extremamente discreto desta aranha torna os encontros com seres humanos pouco frequentes.

Ainda assim, a descoberta levanta novos desafios para o estudo das espécies invasoras e demonstra como a globalização, as alterações climáticas e o comércio internacional estão a transformar silenciosamente a biodiversidade europeia.

Aranha-reclusa-chilena (Loxosceles laeta)
Aranha-reclusa-chilena (Loxosceles laeta)

A primeira aranha-reclusa-chilena encontrada na Península Ibérica

De acordo com o Euronews, foi na cidade do Porto que os investigadores identificaram, pela primeira vez, a presença da aranha-reclusa-chilena, uma espécie originária da costa ocidental da América do Sul e considerada uma das mais perigosas do género Loxosceles.

A descoberta foi conduzida pelos biólogos Francisco Gil e José Manuel Grosso-Silva, entomólogo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto.

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Segundo explicou José Manuel Grosso-Silva, em declarações à Euronews, a presença desta espécie não deve ser encarada como motivo para pânico.

“A probabilidade de as pessoas se cruzarem com esta espécie ou serem mordidas por ela é reduzida.”

Esta avaliação baseia-se sobretudo nos hábitos da aranha, que evita o contacto humano e permanece escondida durante o dia.

 

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Como foi feita a descoberta?

O primeiro exemplar foi encontrado de forma totalmente acidental. No dia 10 de setembro de 2025, um macho foi observado numa parede junto ao Campo dos Mártires da Pátria, no Porto. Meses mais tarde, a 10 de janeiro de 2026, surgiu um segundo exemplar, igualmente macho, encontrado morto numa armadilha adesiva destinada à captura de outros insetos.

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A existência de dois exemplares em momentos distintos levou os investigadores a concluir que não se tratava de um episódio isolado, justificando a publicação científica do primeiro registo oficial da espécie na Península Ibérica.

Uma mordida rara, mas potencialmente grave

A fama da aranha-reclusa-chilena resulta sobretudo do poderoso veneno que produz.

Embora a maioria das mordidas seja pouco frequente devido ao comportamento reservado da espécie, quando acontecem podem provocar um quadro clínico conhecido como loxoscelismo.

Nos casos mais ligeiros, surgem:

  • Vermelhidão;
  • Dor localizada;
  • Inchaço;
  • Inflamação.

Nos casos mais graves, podem desenvolver-se:

  • Necrose da pele;
  • Úlceras profundas;
  • Destruição dos tecidos;
  • Febre;
  • Mal-estar generalizado;
  • Complicações sistémicas raras.

Os investigadores sublinham, no entanto, que estas situações representam uma pequena minoria dos casos descritos mundialmente.

O caso português que demonstrou a gravidade do loxoscelismo

Portugal já conheceu um caso clínico associado a uma aranha do mesmo género.

Em 2023, uma mulher de 48 anos foi mordida pela aranha-reclusa-do-mediterrâneo (Loxosceles rufescens) enquanto se encontrava num parque urbano.

Inicialmente, a lesão parecia pouco significativa.

Contudo, nas 24 horas seguintes surgiram sintomas progressivamente mais graves:

  • dores intensas;
  • sensação febril;
  • mal-estar;
  • necrose na zona da mordida;
  • descamação da pele em diferentes partes do corpo.

A paciente permaneceu internada durante 16 dias, recuperando totalmente após tratamento hospitalar.

O episódio demonstrou que, embora raras, as mordidas deste género de aranhas exigem sempre avaliação médica imediata.

Aranha-reclusa-chilena (Loxosceles laeta)
Aranha-reclusa-chilena (Loxosceles laeta)

Como identificar uma aranha-reclusa?

Ao contrário da imagem frequentemente associada a aranhas coloridas ou de grandes dimensões, a aranha-reclusa apresenta um aspeto discreto.

Caracteriza-se por:

  • coloração castanha uniforme;
  • corpo relativamente pequeno;
  • pernas longas e finas;
  • ausência de padrões chamativos;
  • hábitos predominantemente noturnos.

Também não constrói as típicas teias circulares visíveis em jardins.

Prefere esconder-se em:

  • cantos de paredes;
  • caves;
  • arrecadações;
  • garagens;
  • interiores de edifícios;
  • zonas pouco iluminadas e raramente perturbadas.

Diferenças entre a aranha-reclusa-chilena e a aranha-reclusa-do-mediterrâneo

Portugal já alberga há várias décadas outra espécie do mesmo género: a aranha-reclusa-do-mediterrâneo (Loxosceles rufescens).

À primeira vista, ambas são extremamente semelhantes.

Segundo os investigadores, a principal diferença encontra-se nos pedipalpos dos machos, estruturas localizadas na parte frontal do corpo que desempenham funções sensoriais e reprodutivas.

Esta semelhança levanta uma possibilidade importante: poderão existir fotografias e observações anteriormente atribuídas à espécie mediterrânica que correspondam, na realidade, à aranha-reclusa-chilena.

Isso significa que a distribuição desta nova espécie poderá ser mais ampla do que atualmente se conhece.

Como chegou esta espécie a Portugal?

Os cientistas acreditam que a resposta está no aumento do comércio internacional.

A movimentação constante de mercadorias entre continentes facilita o transporte involuntário de pequenos animais, insetos e aracnídeos.

Contentores marítimos, embalagens, plantas ornamentais, madeira, mobiliário ou materiais de construção podem servir de veículo para espécies exóticas.

Este fenómeno já aconteceu anteriormente com diversas espécies invasoras, sendo a vespa asiática um dos exemplos mais conhecidos em Portugal.

Alterações climáticas favorecem a expansão

O aquecimento global poderá desempenhar igualmente um papel importante.

À medida que as temperaturas médias aumentam, determinadas espécies encontram condições mais favoráveis para sobreviver em regiões onde anteriormente não conseguiam estabelecer populações.

A Europa é atualmente um dos continentes que aquece mais rapidamente, criando novos desafios para a conservação da biodiversidade e para o controlo de espécies exóticas.

Os investigadores admitem que ainda é impossível prever se a aranha-reclusa-chilena conseguirá expandir-se significativamente pela Península Ibérica.

A evolução da sua presença será acompanhada nos próximos anos.

Uma presença já registada noutros países europeus

Embora esta seja a primeira ocorrência confirmada na Península Ibérica, a espécie já tinha sido identificada anteriormente em território europeu.

O primeiro registo conhecido remonta a 1972, quando exemplares foram encontrados num edifício da Universidade de Helsínquia, na Finlândia.

Mais recentemente, em 2025, outro exemplar foi identificado na cave da Universidade Eberhard Karl de Tübingen, na Alemanha.

Existem ainda referências à sua possível presença em Itália, embora esses registos permaneçam por confirmar.

Há motivos para preocupação?

Segundo os especialistas, não.

Apesar da notoriedade desta espécie, o seu comportamento é extremamente reservado.

A aranha evita o contacto com pessoas, permanece escondida durante o dia e apenas morde quando é comprimida contra a pele ou se sente ameaçada.

Ainda assim, qualquer suspeita de mordida deverá motivar observação médica, sobretudo se surgirem sinais de necrose, dor intensa ou agravamento progressivo da lesão.

A descoberta desta espécie constitui sobretudo um importante alerta científico sobre a crescente chegada de organismos exóticos ao território nacional e reforça a necessidade de monitorizar a biodiversidade portuguesa num contexto de alterações ambientais e climáticas.

A ciência continuará agora a acompanhar a evolução desta população para perceber se se trata de uma ocorrência isolada ou do início da instalação permanente da aranha-reclusa-chilena em Portugal.

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Etiquetas: aranha descoberta Portoaranha venenosa Portugalaranha-reclusa-chilenaLoxosceles laetamordida de aranhaprimeira ocorrência Península Ibérica
Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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