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Como temperar corretamente os alimentos: os segredos para dar mais sabor a qualquer prato

Aprenda a temperar carne, peixe e legumes, descubra quanto sal usar e saiba salvar pratos sem sabor ou demasiado salgados com truques simples de cozinha.

Paula Miranda Por Paula Miranda
06/11/2026
em Curiosidades, Notícias, Truques e Dicas
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Como temperar corretamente os alimentos: os segredos para dar mais sabor a qualquer prato

Como temperar corretamente os alimentos: os segredos para dar mais sabor a qualquer prato

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Quanto sal deve utilizar, quando deve juntar a pimenta e quais são os truques para equilibrar os sabores? Aprenda a temperar como um profissional e transforme refeições banais em pratos verdadeiramente deliciosos.

Há uma diferença enorme entre um prato que está simplesmente cozinhado e outro que nos deixa com vontade de repetir. Muitas vezes, essa diferença não está nos ingredientes, na receita ou sequer na qualidade dos produtos utilizados. Está no tempero.

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Quantas vezes preparou uma refeição seguindo rigorosamente uma receita, respeitando os tempos de cozedura e utilizando bons ingredientes, mas, no momento de provar, sentiu que faltava qualquer coisa? O prato estava pronto, mas parecia não ter personalidade. Os sabores estavam apagados, a carne parecia insípida e os legumes não tinham aquele sabor que se espera de uma boa refeição.

O problema pode estar num dos gestos mais simples da cozinha: a forma como tempera os alimentos.

Salgar apenas no final, utilizar demasiada pimenta, esquecer a acidez ou não considerar a gordura dos ingredientes são erros que podem comprometer o resultado. E há pequenos truques que fazem uma diferença surpreendente, mesmo quando se prepara uma receita bastante simples.

Temperar bem não significa colocar mais sal ou acrescentar especiarias indiscriminadamente. Significa perceber o que cada ingrediente precisa, saber quando deve ser adicionado e encontrar o equilíbrio entre os diferentes sabores.

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A quantidade de sal, o momento em que se tempera a carne, a frescura da pimenta e até algumas gotas de limão podem transformar completamente uma refeição.

Descubra os melhores truques para temperar carne, peixe, legumes, sopas e estufados, saiba como corrigir um prato sem sabor e aprenda a recuperar uma preparação que ficou demasiado salgada.

São pequenos segredos de cozinha que vale a pena conhecer e que podem mudar a forma como prepara as refeições todos os dias.

1. Quanto sal deve utilizar? A regra que ajuda a acertar no tempero

O sal é um dos ingredientes mais importantes da cozinha. Além de proporcionar o sabor salgado, ajuda a realçar os sabores naturais dos alimentos e influencia a textura de determinados ingredientes.

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Contudo, saber utilizar a quantidade certa é fundamental. Uma das referências utilizadas na cozinha profissional consiste em utilizar aproximadamente 1% do peso do alimento em sal, como ponto de partida para determinados ingredientes, especialmente carne e aves sem tempero prévio.

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Leia também:

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  • Como demolhar bacalhau corretamente: tempos, truques e dicas para ficar no ponto
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Por exemplo:

  • 250 g de carne: cerca de 2,5 g de sal.
  • 500 g de frango: cerca de 5 g de sal.
  • 750 g de carne: cerca de 7,5 g de sal.
  • 1 kg de carne: cerca de 10 g de sal.

Esta proporção não deve ser aplicada cegamente a todas as receitas. O peixe, os legumes, as sopas e os preparados com molhos podem necessitar de quantidades diferentes.

Também é importante considerar os ingredientes que já contêm sal, como chouriço, presunto, bacon, queijo curado, molho de soja, caldos concentrados e bacalhau.

Quando estes produtos entram numa receita, a quantidade de sal adicional deve ser reduzida.

Um truque que faz toda a diferença: utilize uma balança de cozinha para pesar o sal nas primeiras vezes. É uma maneira simples de desenvolver a sensibilidade ao tempero e perceber melhor as quantidades utilizadas.

Depois de repetir o procedimento algumas vezes, será muito mais fácil acertar sem precisar de pesar constantemente.

2. Sal fino, sal grosso ou flor de sal: qual deve escolher?

Nem todos os tipos de sal têm a mesma utilização. A diferença está sobretudo na dimensão dos cristais, na velocidade de dissolução e na textura que proporcionam.

Sal fino

É um dos mais utilizados na cozinha doméstica.

Dissolve-se rapidamente e distribui-se facilmente pelos alimentos, sendo indicado para temperar carnes, peixes, legumes, molhos, sopas e estufados.

É especialmente prático quando se pretende controlar a quantidade de sal ao longo da confeção.

Sal grosso

É frequentemente utilizado para temperar a água de cozedura de massas e legumes, preparar crostas de sal ou assar determinados alimentos.

Também pode ser utilizado em grelhados e em preparações que beneficiam de cristais maiores.

Convém, contudo, ter atenção à quantidade: o sal grosso não é necessariamente menos salgado do que o fino. Uma colher de chá de cada tipo pode conter quantidades diferentes de sal devido ao volume ocupado pelos cristais.

Flor de sal

A flor de sal é um produto particularmente apreciado pela sua textura delicada e pelos pequenos cristais que se desfazem na boca.

A sua utilização é especialmente interessante no final da preparação.

Pode ser adicionada sobre um bife acabado de grelhar, legumes assados, peixe no forno ou até determinadas sobremesas.

O objetivo é proporcionar pequenos apontamentos de sabor e textura, sem desperdiçar as suas características numa cozedura prolongada.

3. Quando deve adicionar o sal? O segredo está em temperar por etapas

Um dos erros mais frequentes é deixar todo o tempero para o final da preparação.

Embora seja importante fazer o ajuste final, o sal precisa de tempo para se dissolver, distribuir e integrar os diferentes ingredientes.

Quando se tempera apenas no momento de servir, é possível que o prato apresente zonas demasiado salgadas e outras praticamente sem sabor.

A melhor estratégia consiste em temperar progressivamente, ajustando as quantidades ao longo da confeção.

Como temperar corretamente a carne?

No caso da carne, o momento em que se acrescenta o sal pode influenciar o sabor, a retenção de humidade e a formação da crosta durante a confeção.

Para bifes e cortes individuais, existem duas estratégias particularmente úteis:

  • Salgar imediatamente antes de colocar a carne na frigideira ou grelha.
  • Temperar com pelo menos 40 a 45 minutos de antecedência, permitindo que o sal tenha tempo para atuar.

Quando existe tempo suficiente, o sal inicialmente extrai alguma humidade da superfície. Depois, o líquido salgado pode ser parcialmente reabsorvido, permitindo uma distribuição mais uniforme do tempero.

Entre estas duas opções, deixar a carne salgada durante um período prolongado e em condições adequadas de refrigeração pode proporcionar bons resultados.

Um dos métodos utilizados na cozinha profissional chama-se dry brining, ou salga a seco.

Consiste em temperar a carne antecipadamente com sal e deixá-la no frigorífico, sobre uma grelha colocada num tabuleiro, durante várias horas.

Para peças maiores, como lombos, pernas de peru ou peças de assado, pode ser útil fazer este procedimento com 12 a 24 horas de antecedência, ajustando o tempo à dimensão da peça.

A superfície mais seca favorece a formação de uma crosta dourada durante a confeção.

Como temperar o peixe?

O peixe exige um pouco mais de delicadeza.

Ao contrário de algumas peças de carne, determinados peixes apresentam uma estrutura mais frágil e podem perder facilmente a sua textura quando são submetidos a um tempero prolongado.

Uma boa opção consiste em adicionar uma pequena quantidade de sal pouco antes da confeção.

No caso de postas ou filetes mais espessos, também pode experimentar temperar cerca de 10 a 15 minutos antes, secando depois cuidadosamente a superfície com papel de cozinha.

Se pretende preparar peixe com pele crocante, é especialmente importante retirar a humidade superficial antes de o colocar na frigideira.

No peixe branco e mais delicado, evite exagerar no sal e nas especiarias. O objetivo deve ser realçar o sabor natural do produto, não escondê-lo.

Quando deve salgar os legumes?

O momento depende do tipo de legume e do resultado que pretende alcançar.

Nos legumes destinados a refogados e assados, adicionar sal durante a preparação ajuda a distribuir o tempero e permite que os sabores se desenvolvam ao longo da confeção.

No entanto, existem algumas exceções.

No caso dos cogumelos, por exemplo, salgar demasiado cedo pode favorecer a libertação de água e dificultar a formação de uma superfície dourada, sobretudo quando a frigideira está demasiado cheia.

Se pretende saltear cogumelos bem dourados, comece por os cozinhar numa frigideira quente, sem os amontoar, e acrescente o sal quando já começarem a ganhar cor.

Já a curgete e a beringela podem ser salgadas antecipadamente quando se pretende retirar parte da sua humidade antes de assar ou fritar.

O importante é perceber que não existe um único momento ideal para todos os legumes.

Como salgar a água da massa?

Este é um dos passos que não deve ser esquecido.

A massa absorve parte da água durante a cozedura. Por isso, temperar apenas o molho pode não ser suficiente para conseguir um resultado equilibrado.

Uma referência prática utilizada na confeção de massa é cerca de 10 g de sal por litro de água.

Pode reduzir esta quantidade quando o molho contém ingredientes salgados, como queijo curado, enchidos, anchovas ou azeitonas.

Não é necessário que a água fique literalmente a saber ao mar. Deve ficar suficientemente temperada para conferir sabor à massa sem exagerar na quantidade de sal.

E o arroz e as batatas?

No caso do arroz, a quantidade de sal deve ser ajustada à receita e ao método de preparação.

Quando se utiliza o método de absorção, em que toda a água é incorporada no arroz, o cuidado deve ser ainda maior, porque o sal permanece no prato final.

Nas batatas cozidas, pode acrescentar uma quantidade moderada de sal à água, ajustando o tempero ao tipo de preparação e ao acompanhamento.

O objetivo é evitar que estes alimentos cheguem à mesa completamente insípidos, mas sem exagerar.

4. Provar durante a confeção: o hábito que distingue um bom cozinheiro

Existe um gesto simples que pode melhorar qualquer refeição: provar.

Parece óbvio, mas muitas pessoas seguem a receita do princípio ao fim sem voltar a verificar o sabor dos alimentos.

É um erro.

Os ingredientes variam, as quantidades podem não ser exatamente iguais e o próprio processo de cozedura modifica os sabores.

Uma sopa que começa equilibrada pode ficar demasiado salgada depois de reduzir. Um estufado pode precisar de acidez no final. Um molho pode tornar-se mais intenso depois da adição de queijo ou de outros ingredientes.

Por isso, habitue-se a provar em diferentes momentos.

Nas sopas: prove depois de os legumes começarem a amolecer e volte a ajustar antes de servir.

Nos estufados: verifique o tempero durante a confeção e especialmente depois de o molho reduzir.

Nas carnes: prove o molho ou os acompanhamentos e avalie o resultado final antes de acrescentar mais sal.

Nos molhos: faça pequenos ajustes depois de incorporar os ingredientes principais.

Utilize sempre uma colher limpa para provar.

Este hábito permite corrigir pequenos desequilíbrios antes que se transformem num problema difícil de resolver.

5. Pimenta: porque deve preferir moê-la na hora?

A pimenta é um dos temperos mais utilizados na cozinha, mas nem sempre recebe a atenção que merece.

Muitas pessoas recorrem à pimenta já moída, que costuma permanecer durante meses no armário, perdendo gradualmente parte do seu aroma e intensidade.

A melhor opção é, sempre que possível, comprar pimenta em grão e moê-la no momento da utilização.

A razão está nos compostos aromáticos presentes na especiaria.

Quando a pimenta é moída, aumenta a superfície exposta ao ar e os seus compostos voláteis ficam mais sujeitos à oxidação e à perda de aroma.

Ao utilizar pimenta acabada de moer, consegue obter um perfume mais intenso e um sabor mais definido.

Um moinho de qualidade é um pequeno utensílio que vale a pena ter na cozinha.

Quando deve adicionar a pimenta?

A resposta depende da receita e da forma como pretende utilizar este tempero.

No início da confeção: a pimenta em grão pode ser adicionada a caldos, marinadas e estufados de cozedura prolongada. Liberta gradualmente os seus aromas e permite que estes se integrem no preparado.

Durante a confeção: a pimenta moída pode ser incorporada em refogados, molhos e outros preparados, desde que não seja submetida a temperaturas excessivas que possam queimar as partículas.

No final: a pimenta acabada de moer sobre carne grelhada, peixe, ovos, sopas e molhos cremosos proporciona um aroma mais fresco e evidente.

Uma exceção interessante: nos bifes preparados à maneira do steak au poivre, a pimenta grosseiramente esmagada é pressionada contra a carne antes de esta ser cozinhada. O objetivo é precisamente criar uma crosta aromática.

Que quantidade de pimenta deve utilizar?

Não existe uma proporção universal entre sal e pimenta.

A quantidade depende da intensidade da especiaria, do tipo de prato e da preferência de quem vai consumir.

Comece com uma quantidade pequena e vá ajustando.

É preferível acrescentar um pouco mais do que descobrir que a pimenta dominou completamente o sabor dos restantes ingredientes.

6. Os cinco elementos que tornam um tempero verdadeiramente equilibrado

Um prato saboroso não depende apenas do sal e da pimenta.

Existem outros componentes que desempenham um papel fundamental no equilíbrio dos sabores: acidez, gordura, picante e umami.

Compreender estas cinco dimensões permite corrigir muitas refeições que parecem não ter sabor, mesmo quando já estão suficientemente salgadas.

Sal: realça os sabores

O sal ajuda a realçar as características dos ingredientes e torna os sabores mais definidos.

Uma quantidade insuficiente pode deixar determinados pratos insípidos, enquanto o excesso acaba por dominar todas as outras sensações.

O segredo é encontrar o equilíbrio.

Acidez: desperta sabores apagados

A acidez é frequentemente o ingrediente que falta quando uma refeição parece pesada ou sem vida.

Algumas gotas de limão, um pouco de vinagre ou um ingrediente naturalmente ácido podem transformar o resultado.

Experimente:

  • Umas gotas de limão sobre peixe grelhado.
  • Um pouco de vinagre numa sopa demasiado pesada.
  • Tomate num estufado com excesso de gordura.
  • Vinagre balsâmico em legumes assados.
  • Sumo de limão num molho de azeite e ervas aromáticas.

A acidez ajuda a equilibrar a sensação de gordura e a tornar os sabores mais vivos.

Um dos truques mais simples consiste em acrescentar algumas gotas de limão ou vinagre a um prato que parece insípido, mesmo depois de ter sido devidamente salgado.

Faça-o gradualmente e prove novamente.

Gordura: dá corpo e transporta aromas

A gordura contribui para a textura, a sensação de untuosidade e a perceção dos aromas.

O azeite, a manteiga, as natas e outros ingredientes gordos podem tornar os pratos mais envolventes.

Experimente finalizar uma sopa com um fio de azeite virgem extra, acrescentar uma pequena noz de manteiga a um molho ou utilizar um pouco de natas numa preparação que necessite de maior cremosidade.

Há, contudo, uma diferença importante entre acrescentar gordura para equilibrar um prato e exagerar na sua quantidade.

O objetivo é dar corpo e suavidade, sem tornar a refeição pesada.

Picante: acrescenta personalidade

O picante pode transformar completamente um prato, mesmo quando é utilizado em quantidades muito pequenas.

Piri-piri, malagueta, caiena, mostarda e determinadas especiarias ajudam a acrescentar intensidade.

Não é necessário que a refeição fique extremamente picante.

Uma pequena quantidade de piri-piri num refogado, por exemplo, pode acrescentar profundidade sem dominar os restantes sabores.

Umami: o segredo dos pratos com sabor profundo

O umami é frequentemente descrito como o quinto sabor básico, associado a uma sensação saborosa, intensa e prolongada.

Está presente naturalmente em vários alimentos e pode ajudar a dar profundidade a receitas aparentemente simples.

Alguns exemplos de ingredientes ricos em compostos associados ao umami são:

  • Queijo parmesão;
  • Cogumelos secos;
  • Tomate concentrado;
  • Anchovas;
  • Molho de soja;
  • Miso;
  • Presunto e outros produtos curados.

Ao preparar uma sopa, um molho ou um estufado, acrescentar um destes ingredientes pode tornar o resultado mais rico e interessante.

Tenha apenas atenção ao sal já presente em produtos curados, queijos e molhos comerciais.

7. Como salvar um prato que ficou sem sabor?

Um prato que parece insípido nem sempre precisa de mais sal.

Esta é uma das lições mais importantes para quem pretende melhorar a forma como cozinha.

Quando uma preparação parece pouco interessante, o primeiro passo é identificar aquilo que está em falta.

Faça algumas perguntas:

  • Falta sal ou os sabores estão apenas apagados?
  • O prato está demasiado gorduroso?
  • Falta acidez?
  • Tem aromas suficientes?
  • Precisa de um pouco de picante?
  • Os ingredientes foram cozinhados durante tempo suficiente?

Depois de identificar o problema, faça pequenos ajustes.

Se a sopa parece demasiado pesada, experimente umas gotas de vinagre ou limão.

Se o molho está sem profundidade, acrescente um pouco de tomate concentrado, cogumelos ou queijo curado, tendo em atenção o sal.

Se os legumes parecem insípidos, finalize com azeite, ervas aromáticas e um pouco de acidez.

Se a carne grelhada precisa de mais personalidade, experimente pimenta acabada de moer e um pequeno toque de flor de sal.

Estes pequenos ajustes são muitas vezes suficientes para transformar uma refeição banal numa preparação muito mais interessante.

8. Como salvar um prato demasiado salgado?

É um dos acidentes mais comuns na cozinha.

Basta uma distração, uma colher mal medida ou um caldo concentrado já salgado para transformar uma receita equilibrada num prato difícil de comer.

Mas nem tudo está perdido.

Existem várias formas de corrigir o excesso de sal, dependendo do tipo de preparação.

1. Dilua o preparado

É geralmente a solução mais eficaz.

Se a sopa, o estufado ou o molho ficou demasiado salgado, acrescente água, caldo sem sal ou outro líquido adequado à receita.

Pode também aumentar a quantidade dos ingredientes principais sem acrescentar mais sal.

Por exemplo, numa sopa, pode adicionar mais legumes e água. Num estufado, pode acrescentar mais carne, legumes ou molho sem tempero.

Esta estratégia reduz efetivamente a concentração de sal no preparado.

2. Acrescente ingredientes sem sal

Outra solução consiste em aumentar o volume do prato através de ingredientes que não tenham sido previamente temperados.

Num arroz demasiado salgado, pode preparar mais arroz sem sal e misturá-lo com o primeiro.

Num estufado, pode acrescentar legumes cozidos ou outros ingredientes compatíveis com a receita.

Numa sopa, pode aumentar a quantidade de batata, cenoura ou outros vegetais.

O resultado será um prato maior, mas com o sabor mais equilibrado.

3. Utilize a acidez para equilibrar a perceção do sal

Algumas gotas de limão ou uma pequena quantidade de vinagre podem ajudar a equilibrar a perceção do excesso de sal.

Este método é particularmente útil em molhos, sopas, estufados e preparações com tomate.

No entanto, é importante perceber que a acidez não elimina o sal. Apenas altera o equilíbrio dos sabores e pode tornar o excesso menos evidente.

Acrescente sempre pouco de cada vez.

4. Acrescente um pouco de gordura

Em determinadas preparações, a adição de natas, iogurte natural, manteiga ou outro ingrediente gordo pode suavizar a sensação de salinidade.

É uma técnica útil em molhos cremosos, sopas e alguns estufados.

Mais uma vez, não remove o sal, mas pode tornar o resultado mais equilibrado.

5. Acompanhe com alimentos sem sal

Quando já não é possível alterar a receita, pode servir o prato com um acompanhamento neutro.

Arroz branco, batata cozida sem sal ou pão podem ajudar a equilibrar cada garfada.

É uma solução prática quando não existe possibilidade de aumentar a quantidade do preparado principal.

9. O truque da batata para retirar o sal funciona?

É uma das dicas mais repetidas na cozinha portuguesa.

Quando uma sopa ou um estufado fica demasiado salgado, existe quem recomende colocar uma batata descascada no tacho e deixá-la cozer durante alguns minutos.

Segundo esta ideia, a batata absorveria o excesso de sal, deixando o prato menos salgado.

Mas será verdade?

A batata absorve líquido durante a cozedura e, com ele, pode absorver também algum sal. Contudo, não tem a capacidade de atrair seletivamente o sal e deixar os restantes componentes no tacho.

Experiências culinárias demonstram que a batata não é uma solução eficaz para reduzir a concentração de sal de um líquido.

Por isso, se uma sopa ficou demasiado salgada, é muito mais eficaz acrescentar água ou caldo sem sal e ajustar a quantidade dos restantes ingredientes.

O mesmo se aplica aos estufados e aos molhos.

A batata pode fazer parte da solução se for acrescentada como ingrediente adicional, mas não deve ser considerada um truque milagroso para retirar o sal.

10. Como evitar que a comida fique demasiado salgada?

A melhor forma de recuperar um prato demasiado salgado é, naturalmente, evitar que isso aconteça.

Existem alguns cuidados que tornam o tempero muito mais fácil de controlar.

Utilize uma colher ou uma balança: evite adicionar sal diretamente do pacote quando está a cozinhar.

Tenha atenção aos ingredientes salgados: presunto, chouriço, bacon, queijo e molho de soja podem aumentar significativamente a quantidade total de sal.

Tempere progressivamente: não acrescente toda a quantidade prevista no início da confeção.

Prove antes de corrigir: o prato pode precisar de acidez, gordura ou umami, e não necessariamente de mais sal.

Tenha cuidado com as reduções: quando um molho perde água durante a cozedura, os sabores e o sal ficam mais concentrados.

Reserve o ajuste final: deixe sempre uma pequena margem para corrigir o tempero imediatamente antes de servir.

O verdadeiro segredo para temperar bem

Cozinhar bem não significa seguir receitas de memória ou acrescentar uma lista interminável de especiarias.

Significa aprender a reconhecer o que cada alimento precisa e perceber como os diferentes sabores se relacionam.

O sal deve ser utilizado com equilíbrio, a pimenta deve preservar o seu aroma, a acidez deve despertar os sabores, a gordura deve proporcionar corpo e o umami deve acrescentar profundidade.

Mais importante ainda, é preciso provar.

Um bom cozinheiro não se limita a executar uma receita. Observa, prova, ajusta e aprende com cada preparação.

E, muitas vezes, a diferença entre uma refeição banal e um prato verdadeiramente delicioso está apenas numa pitada de sal colocada no momento certo, numa pequena gota de limão ou num toque de pimenta acabada de moer.

Porque, na cozinha, os melhores resultados nem sempre dependem de grandes segredos. Por vezes, dependem apenas de saber utilizar os ingredientes certos, na quantidade certa e no momento certo.

Fontes e leituras complementares

  • Organização Mundial da Saúde – Recomendações sobre o consumo de sal
  • Centro de Informação Umami – Alimentos ricos em umami
  • Serious Eats – Como temperar carne antecipadamente com sal (dry brining)
  • Serious Eats – Qual é o momento certo para salgar um bife?
  • Centro de Informação Umami – Como descobrir e reconhecer o sabor umami
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Etiquetas: carnecozinha portuguesadicas de culináriaEstufadosgastronomialegumespeixepimentaSabor umamisalSegredos de cozinha.sopasTécnicas de cozinhatemperostruques de cozinha
Paula Miranda

Paula Miranda

Formou-se em Direito, mas o seu sonho sempre foi cozinhar. Por isso, de há uns anos para cá, tem apostado em cursos culinários e em formações de cake design para aperfeiçoar a sua técnica. Comunicadora por excelência, encontra nas receitas a melhor forma de partilhar com os outros aquilo que a alimenta por dentro e por fora.

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