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La Codosera: uma aldeia espanhola com alma alentejana

Conheça La Codosera, a aldeia espanhola onde se fala português. Descubra as raízes alentejanas, as aldeias gémeas, o contrabando e a ponte de El Marco, na raia.

Sara Costa Por Sara Costa
06/11/2026
em Curiosidades, Destinos e Viagens, Notícias
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La Codosera: uma aldeia espanhola com alma alentejana

La Codosera: uma aldeia espanhola com alma alentejana

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La Codosera é uma localidade espanhola situada na província de Badajoz, na comunidade autónoma da Extremadura, muito próxima da fronteira portuguesa e do concelho alentejano de Arronches.

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À primeira vista, parece uma povoação extremenha como tantas outras. As casas tradicionais, as ruas tranquilas, a igreja, os pequenos estabelecimentos comerciais e o ambiente rural fazem lembrar as aldeias do interior espanhol.

Mas basta aproximar-se das localidades mais próximas da fronteira para descobrir uma realidade surpreendente: ali, o português continua a fazer parte da vida quotidiana.

Não se trata apenas de pessoas que aprenderam português para comunicar com os vizinhos portugueses. Em várias aldeias e pequenos aglomerados do município, o português é a língua transmitida entre gerações, conservando características próprias do falar alentejano e incorporando algumas influências do castelhano.

É uma realidade estudada pelo linguista Juan M. Carrasco González, da Universidade da Extremadura, que dedicou parte da sua investigação às comunidades portuguesas existentes na região.

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O investigador identificou pequenos núcleos de população onde a língua portuguesa continuava viva, demonstrando que a fronteira política não tinha conseguido apagar os laços familiares, linguísticos e culturais existentes entre os dois lados.

Uma das expressões mais ilustrativas desta identidade foi recolhida durante um trabalho de campo em La Tojera: «Cá no Alentejo, ao para-chuva chamamos sombrinha».

A frase, aparentemente simples, revela muito mais do que uma particularidade linguística. Mostra como pessoas que vivem administrativamente em Espanha continuam a reconhecer-se como parte de uma comunidade cultural alentejana.

É precisamente esta ligação que torna La Codosera tão especial.

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La Codosera: o coração português numa aldeia espanhola
La Codosera: uma aldeia espanhola com alma alentejana

A emigração portuguesa que mudou a identidade da região

A forte presença portuguesa na região não resulta de uma antiga anexação territorial nem de uma ligação histórica a Olivença. A explicação encontra-se sobretudo nos movimentos migratórios de famílias portuguesas que atravessaram a fronteira e se estabeleceram em terrenos espanhóis, mantendo, muitas vezes, ligações familiares e propriedades do lado português.

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A freguesia de Esperança, no concelho de Arronches, teve uma importância particular neste processo.

Durante várias gerações, famílias portuguesas procuraram terras para cultivar, melhores condições económicas e oportunidades de trabalho na região espanhola, onde existiam terrenos disponíveis e possibilidades de exploração agrícola.

O investigador Juan M. Carrasco González explica que as pequenas localidades fronteiriças de língua portuguesa tiveram uma formação relativamente recente, desenvolvendo-se sobretudo a partir dos séculos XVIII e XIX.

A expansão de algumas destas povoações esteve relacionada com famílias provenientes das localidades portuguesas vizinhas, que atravessavam a fronteira sem deixar verdadeiramente de viver na mesma comunidade.

A proximidade era tão grande que muitos habitantes continuavam a fazer compras, a frequentar serviços religiosos, a procurar assistência médica e a visitar familiares do lado português.

Na prática, a fronteira administrativa tinha muito menos importância do que os laços humanos que uniam as populações.

La Codosera: o coração português numa aldeia espanhola
La Codosera: uma aldeia espanhola com alma alentejana

As aldeias gémeas separadas pela fronteira

Um dos exemplos mais curiosos desta realidade encontra-se nas chamadas aldeias gémeas.

São pequenas povoações que nasceram praticamente lado a lado, mas ficaram divididas entre Portugal e Espanha.

Entre os exemplos mais conhecidos encontram-se:

  • Rabaça e La Rabaza: duas localidades com nomes praticamente idênticos, situadas em lados diferentes da fronteira
  • Marco e El Marco: povoações que representam uma continuidade territorial e familiar entre Portugal e Espanha
  • Bacoco: um pequeno aglomerado espanhol associado à presença de famílias de origem portuguesa
  • La Tojera (Tojeira): uma localidade onde foram identificados falares portugueses de características alentejanas
  • La Varse: outra povoação fronteiriça marcada pela influência portuguesa
  • Monteviejo (Monte Velho): um núcleo rural cuja população também foi associada à presença e à cultura portuguesas

Estas localidades fazem parte de uma realidade geográfica e sociolinguística muito particular.

O mais surpreendente é que algumas nem sequer estão diretamente ligadas entre si por estradas. Para circular entre determinados aglomerados do próprio município espanhol, os habitantes tinham frequentemente de passar pela vila de La Codosera.

Porém, o percurso até às localidades portuguesas mais próximas era, muitas vezes, mais simples e natural.

O resultado foi uma comunidade repartida por dois países, mas unida por uma história comum.

Português em Espanha: uma língua que resistiu às fronteiras

A presença da língua portuguesa em La Codosera é um dos aspetos mais fascinantes desta região.

Enquanto noutros territórios a língua portuguesa sobreviveu através de comunidades historicamente estabelecidas, aqui a sua expansão está diretamente relacionada com a migração de famílias provenientes do Alentejo.

O português falado nestas localidades apresenta características próximas das variedades alentejanas da região de Arronches, embora tenha incorporado algumas influências do castelhano.

Não se trata, portanto, de uma língua completamente diferente, mas de uma variedade de português de fronteira, moldada pelo contacto prolongado entre duas comunidades linguísticas.

Um estudo publicado por Juan M. Carrasco González na Universidade da Extremadura, com base em investigação realizada entre 1997 e 1999, analisou precisamente a origem destas povoações e as características do português ali falado.

O investigador concluiu que os núcleos de língua portuguesa de La Codosera tiveram uma formação relativamente recente, associada à fixação de famílias portuguesas na região.

Uma publicação do Observatório da Língua Portuguesa, em agosto de 2022, referia que o português era ensinado na escola local e que a população mantinha fortes ligações culturais a Portugal. Esta referência deve ser entendida no contexto da informação publicada nessa data, não como confirmação da oferta escolar atual.

Os casamentos que aproximaram ainda mais os dois povos

A ligação entre portugueses e espanhóis não se ficou pela vizinhança ou pelas trocas comerciais.

Ao longo do tempo, os casamentos entre cidadãos dos dois países contribuíram para criar famílias com raízes dos dois lados da fronteira.

Uma publicação do Observatório da Língua Portuguesa refere cerca de 200 casamentos entre portugueses e espanhóis em La Codosera, com base em dados censitários anteriores cuja data não é especificada.

Embora este número não deva ser interpretado como uma estatística atual, demonstra a importância histórica das relações familiares entre as duas comunidades.

Em muitas casas, a língua portuguesa e a espanhola conviveram naturalmente. Os filhos cresceram entre duas culturas, os avós mantiveram os hábitos de origem e as famílias continuaram a atravessar a raia para visitar parentes.

A nacionalidade podia ser portuguesa ou espanhola, mas a identidade familiar ultrapassava qualquer documento oficial.

A Guerra Civil Espanhola e a ligação às escolas portuguesas

A Guerra Civil Espanhola, que decorreu entre 1936 e 1939, deixou marcas profundas nas populações da região.

Segundo o relato histórico divulgado pelo Observatório da Língua Portuguesa, houve famílias que, depois da guerra, procuraram assegurar que os filhos continuassem ligados a Portugal, enviando-os para escolas portuguesas.

A intenção era preservar a língua, a educação e a ligação à nacionalidade portuguesa.

Este episódio revela como a identidade destas comunidades não dependia apenas do local onde viviam.

Para muitas famílias, manter o português significava preservar a memória dos pais, dos avós e de uma terra que continuava a ser considerada sua.

Chandavila: um lugar de encontro entre portugueses e espanhóis

Entre os lugares mais importantes da região encontra-se o Santuário de Nossa Senhora das Dores de Chandavila, situado nas proximidades de La Codosera.

Este espaço religioso tornou-se especialmente conhecido devido a acontecimentos ocorridos em 1945, quando duas jovens da localidade, Marcelina e Afra, relataram experiências de natureza religiosa associadas à Virgem Maria.

O episódio despertou grande atenção e contribuiu para a construção do santuário, cuja igreja começou a ser edificada em 1947.

O complexo religioso passou a atrair visitantes e peregrinos, incluindo pessoas provenientes de Portugal.

Mais do que um local de devoção, Chandavila representa também um ponto de encontro entre comunidades que partilham tradições, relações familiares e uma profunda ligação à região fronteiriça.

As romarias e celebrações religiosas ajudam a manter essa proximidade, reunindo portugueses e espanhóis num ambiente em que a nacionalidade parece perder importância perante a força da tradição.

É um dos exemplos mais bonitos da forma como a cultura popular consegue unir povos que vivem separados por uma linha imaginária.

El Marco: a aldeia onde Portugal e Espanha estão separados por seis metros

Há lugares onde uma fronteira exige uma longa viagem, documentos e postos de controlo. Em El Marco, basta dar alguns passos.

Esta pequena povoação do município de La Codosera está ligada à localidade portuguesa de Várzea Grande, na freguesia de Esperança, concelho de Arronches.

Entre as duas margens corre a ribeira de Abrilongo, que durante muitos anos representou uma separação física entre as comunidades.

Mas hoje existe ali uma pequena ponte de madeira que permite atravessar de um país para o outro.

É a conhecida Ponte Internacional do Marco.

Com aproximadamente seis metros de comprimento e 1,45 metros de largura, esta pequena estrutura é frequentemente apresentada como a ponte internacional mais pequena do mundo.

A sua dimensão é tão reduzida que a travessia pode ser feita em poucos segundos. De um lado está Portugal. Do outro, Espanha.

A ponte foi construída em 2008, com financiamento europeu e participação de trabalhadores dos dois países.

A sua função é muito mais importante do que as dimensões poderiam sugerir: permite uma ligação permanente entre duas comunidades que, durante gerações, estiveram dependentes de uma passagem improvisada.

A ponte que nasceu para substituir um pontão improvisado

Antes da construção da atual ponte, os habitantes de El Marco e Várzea Grande utilizavam um pontão improvisado para atravessar a ribeira de Abrilongo.

A estrutura era simples, construída com materiais disponíveis e sujeita às condições do tempo.

Quando chegavam as chuvas fortes, a corrente da ribeira podia arrastar as tábuas e destruir a passagem.

Nessas ocasiões, os próprios habitantes voltavam a colocar o pontão em condições de utilização, porque aquela ligação era indispensável para a vida quotidiana.

Atravessar a água significava visitar familiares, chegar às propriedades agrícolas, fazer compras e manter contacto com os vizinhos.

A construção da ponte, em 2008, veio resolver um problema antigo e transformar uma passagem frágil numa ligação estável.

É uma obra pequena em dimensão, mas enorme em significado para quem vive naquela região.

É mesmo a ponte internacional mais pequena do mundo?

A fama da Ponte Internacional do Marco não surgiu por acaso.

Durante muito tempo, também foi atribuída a uma pequena ponte situada na ilha Zavikon, entre territórios que eram apresentados como pertencentes ao Canadá e aos Estados Unidos, a distinção de ponte internacional mais pequena do mundo.

Contudo, essa atribuição foi contestada, uma vez que a pequena passagem de Zavikon não liga efetivamente dois países.

Em dezembro de 2024, o Polígrafo analisou a questão e classificou como verdadeira a afirmação de que a Ponte Internacional do Marco, com seis metros de comprimento, é a mais pequena ponte internacional do mundo.

A análise confirmou que a ponte atravessa efetivamente a fronteira entre Portugal e Espanha, enquanto a conhecida ponte de Zavikon une dois territórios canadianos.

Assim, este pequeno ponto de passagem na fronteira alentejana e extremenha conquistou um título verdadeiramente invulgar.

Os tempos do contrabando: quando a fronteira era uma oportunidade de negócio

Muito antes de a pequena ponte se tornar uma atração turística, a região de El Marco e Várzea Grande era conhecida por uma atividade que marcou profundamente a vida das populações: o contrabando.

A proximidade entre Portugal e Espanha e as diferenças de preços, impostos e disponibilidade de produtos criavam oportunidades para o comércio clandestino.

A fronteira era uma barreira política, mas também uma linha económica que podia ser aproveitada por quem conhecia os caminhos, os atalhos e os hábitos das autoridades.

Durante décadas, muitos habitantes participaram nestas atividades, transportando mercadorias de um país para o outro.

Entre os produtos mais associados a estas trocas encontravam-se café, tabaco, cortiça, azeitonas, vinho, toalhas e diferentes artigos de uso doméstico.

Do lado português, eram procurados determinados produtos que tinham procura em Espanha. Do lado espanhol, existiam mercadorias que interessavam aos comerciantes e consumidores portugueses.

A pequena passagem sobre a ribeira de Abrilongo tornou-se um ponto estratégico para estas movimentações.

Em vez de percorrer caminhos longos e sujeitos a maior vigilância, os contrabandistas aproveitavam as ligações naturais entre as duas aldeias.

Havia quem transportasse pequenas quantidades de mercadoria, quem conhecesse todos os atalhos e quem dependesse destas atividades para complementar o rendimento familiar.

Era uma economia paralela, feita de riscos, cumplicidades e conhecimentos transmitidos entre gerações.

A Andorra extremenho-portuguesa

A intensidade das trocas comerciais levou a que a região fosse descrita em algumas narrativas como uma espécie de «Andorra extremenho-portuguesa».

A comparação pretendia transmitir a ideia de um pequeno território onde o comércio assumia uma importância desproporcionada em relação à reduzida dimensão da população.

Segundo os relatos associados à história local, chegaram a existir numerosas lojas nas imediações da fronteira, atraindo compradores e vendedores dos dois países.

A atividade comercial era tão importante que a região ganhou fama entre quem procurava produtos mais baratos ou mercadorias difíceis de encontrar do outro lado da raia.

Mas esta realidade começou a desaparecer com a integração europeia e a progressiva eliminação dos controlos fronteiriços.

1993 e 1995: os anos que mudaram a vida na fronteira

A transformação da fronteira entre Portugal e Espanha não aconteceu de um dia para o outro.

A entrada em funcionamento do mercado único europeu, em 1 de janeiro de 1993, aprofundou a livre circulação de mercadorias entre os Estados participantes.

Depois, em 26 de março de 1995, a aplicação da Convenção de Schengen a Portugal e Espanha levou à abolição dos controlos sistemáticos de pessoas nas fronteiras internas.

Estas mudanças alteraram profundamente as condições que tinham alimentado o comércio clandestino durante décadas.

Quando deixou de existir a antiga barreira aduaneira e se tornou muito mais fácil circular entre os dois países, muitas das oportunidades associadas ao contrabando perderam a sua razão de ser.

A atividade foi diminuindo e as antigas rotas comerciais clandestinas começaram a desaparecer.

Algumas lojas fecharam, outras mudaram de atividade e muitas famílias tiveram de adaptar a sua forma de ganhar a vida.

Contudo, as memórias permaneceram.

Para os habitantes mais velhos, aqueles caminhos continuam associados a histórias de resistência, trabalho e sobrevivência, numa época em que atravessar uma pequena ribeira podia representar a diferença entre conseguir ou não levar determinados produtos para casa.

A Rota do Contrabando: reviver uma história que não pode ser esquecida

Hoje, os antigos caminhos utilizados pelos contrabandistas ganharam uma nova vida através do turismo e da valorização do património local.

O município de La Codosera promove a chamada Ruta del Contrabando, um percurso pedestre que recupera parte dos caminhos históricos utilizados nas trocas clandestinas entre Portugal e Espanha.

A iniciativa permite conhecer paisagens naturais, percursos antigos e lugares associados à memória da fronteira.

Entre os pontos de interesse encontram-se o Santuário de Chandavila, a zona da Casa do Medo e a Ponte Internacional do Marco.

Durante o percurso, são evocadas histórias e personagens ligadas ao contrabando, recriando o ambiente de uma época em que as comunidades viviam a fronteira de uma forma muito diferente da atual.

É uma maneira interessante de conhecer a região e compreender como uma atividade clandestina acabou por se transformar num elemento importante do património histórico e cultural.

O Tratado de Limites de 1864 e a história do nome El Marco

A ligação entre Portugal e Espanha nesta região não pode ser compreendida sem recordar o Tratado de Limites assinado em Lisboa a 29 de setembro de 1864.

Este acordo estabeleceu uma delimitação mais precisa de um importante troço da fronteira entre os dois países, desde a foz do rio Minho até à confluência do rio Caia com o Guadiana.

Na região de Arronches e La Codosera existiam anteriormente terrenos comunitários conhecidos como reyertas, áreas cuja utilização e administração eram partilhadas entre populações e autoridades dos dois lados.

A delimitação da fronteira veio alterar esta organização e contribuiu para a definição dos territórios nacionais.

É neste contexto que ganha interesse a designação El Marco.

O nome está associado à palavra espanhola marco, utilizada para designar uma marca ou sinal de delimitação territorial. A investigação linguística de Juan M. Carrasco González considera plausível que o nome da povoação esteja relacionado com a marcação da fronteira.

A aldeia desenvolveu-se, assim, num território onde a própria identidade geográfica foi profundamente influenciada pela definição da linha que separava Portugal e Espanha.

É particularmente curioso pensar que uma povoação com um nome associado à fronteira acabou por se tornar um dos melhores exemplos de como essa mesma fronteira pode unir em vez de separar.

Uma região onde dois países continuam a ser uma só comunidade

La Codosera é muito mais do que uma curiosidade linguística ou uma aldeia espanhola onde se fala português.

É um exemplo extraordinário de como a proximidade humana, as relações familiares, os hábitos culturais e a memória coletiva podem resistir às mudanças políticas e às fronteiras administrativas.

Nas pequenas localidades junto à raia, continuam a existir referências a Portugal, expressões do Alentejo, nomes de lugares que atravessam os dois países e histórias de famílias que nunca deixaram de se sentir ligadas à sua origem.

A pequena ponte de El Marco tornou-se o símbolo perfeito desta realidade.

Tem apenas seis metros, mas representa séculos de convivência, trabalho, comércio e relações familiares.

Por ali passaram contrabandistas, agricultores, comerciantes, crianças, vizinhos e gerações inteiras que nunca olharam para a fronteira como uma verdadeira separação.

Talvez seja essa a maior lição de La Codosera: uma fronteira pode dividir territórios, mas não consegue apagar facilmente aquilo que une as pessoas.

E, naquela pequena parcela de Espanha onde ainda ecoam palavras do Alentejo, Portugal continua a estar muito mais perto do que os mapas fazem parecer.

Fontes e leituras complementares

  • Universidade da Extremadura – Aldeias de fala portuguesa em La Codosera
  • Observatório da Língua Portuguesa – A peculiar língua portuguesa de La Codosera
  • Ayuntamiento de La Codosera – História e património
  • Ayuntamiento de La Codosera – Rota do Contrabando
  • Polígrafo – A ponte internacional mais pequena do mundo
  • União Europeia – A história do espaço Schengen
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Etiquetas: Aldeias raianasalentejoArronchesContrabandoEl MarcoEmigração portuguesaExtremaduraFronteirahistória de portugalla codoseralíngua portuguesaPonte Internacional do MarcoPortugal e EspanhaTradições popularesturismo rural
Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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