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Língua Portuguesa: palavras que modificaram com o AO

O Novo Acordo Ortográfico trouxe algumas regras que vale a pena ficar a conhecer, caso queira ou tenha de seguir o novo padrão de escrita.

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Língua Portuguesa: palavras que modificaram com o AO

O Novo Acordo Ortográfico trouxe algumas regras que vale a pena ficar a conhecer, caso queira ou tenha de seguir o novo padrão de escrita. Apreciado por uns, odiado por outros, o novo Acordo Ortográfico é tudo menos consensual. Certo é que, em muitas circunstâncias, somos “forçados” a adotar as alterações de escrita que ele trouxe e, por isso, mais do que memorizar todas as mudanças, é importante sim aprender algumas das suas regras. São várias as palavras que modificaram, por isso, aqui ficam algumas regras do novo Acordo Ortográfico.

Algumas regras de palavras cuja grafia foi alterada

Consoantes

1ª Regra: As consoantes «c» e «p» são eliminadas nas palavras em que não

são lidas.

Exemplo: Accionar passou a acionar.

Exceção: Quando pronunciadas, estas mesmas consoantes já são conservadas como, por exemplo, em perfeccionismo.

2ª Regra: O «p» é eliminado nas sequências «mpc», «mpç» e «mpt», o «m»

passa a «n».

Exemplo: Assumpção passou a assunção.

3ª Regra: Em caso de oscilação na pronúncia, é aceite a dupla grafia.

Exemplo: característica ou caraterística.


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Acentuação

1ª Regra: Deixaram de se usar acentos em algumas palavras homógrafas.

Exemplo: Pólo passou a polo.

Exceção: Continua a ser obrigatório o acento em «pôde» (pretérito perfeito do indicativo) para diferenciar de «pode» (presente do indicativo) e em «pôr» (infinitivo) para diferenciar de «por» (preposição).

Regra: Foi eliminado o acento no ditongo «oi», em palavras graves.

Exemplo: Jóia passou a joia.

Exceção: Nas palavras agudas e monossilábicas, este ditongo continua a ser acentuado, caso da palavra «herói».

3ª Regra: Foi descartado o acento nas formas verbais terminadas em «eem».

Exemplo: Lêem passou a leem.

Exceção: Os verbos «ter», «vir» e seus derivados continuam a ser acentuados na 3ª pessoa do plural, como acontece com têm ou vêm.

4ª Regra: “Desapareceram” os acentos na letra «u» nas terminações verbais «gue»,

«que», «gui» e «qui».

Exemplo: Averigúe passou a averigue.

Exceção: Casos em que se aceita a dupla grafia:

  • 1ª pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da 1ª conjugação (passámos ou passamos);
  • 1ª pessoa do plural do presente do conjuntivo do verbo «dar» (dêmos ou demos);
  • no nome feminino que significa «molde» ou «recipiente» (forma ou fôrma).

Hifenização

Supressão do hífen – o hífen é eliminado nos seguintes casos:

1ª Regra: As palavras formadas por prefixos ou falsos prefixos e que terminam em vogal e o segundo elemento começa por «r» ou «s», duplicam a consoante.

Exemplo: antirrevolucionário

2ª Regra: As palavras formadas por prefixos ou falsos prefixos e que terminam em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente.

Exemplo: extraescolar.

Regra: As palavras formadas pelo prefixo «co», mesmo nos casos em que o segundo elemento começa por «o»
Exemplo: coadministração.

Regra: Formas monossilábicas do verbo «haver», seguidas da preposição «de».

Exemplo: hás de.

5ª Regra: Em palavras compostas em que se perdeu a noção de composição.
Exemplo: paraquedas.

Regra: Em locuções de uso geral.

Exemplo: fim de semana.


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Hífen – o hífen é usado nos seguintes casos:

A) Palavras formadas por prefixos ou falsos prefixos que terminam em vogal e o segundo elemento começa, precisamente, pela mesma vogal.
Exemplo: micro-ondas

B) Palavras formadas pelos prefixos «hiper», «inter» e «super», no caso em que o segundo elemento começa por «r».

Exemplo: hiper-realista.

C) Quando as palavras são formadas por prefixos ou falsos prefixos e o segundo elemento começa por «h».

Ex: super-homem.

D) Palavras formadas pelos prefixos «ex», «pós», «pré», «pró» e «vice».
Exemplo: vice-presidente.

E) Palavras formadas pelos prefixos «circum» e «pan» e em que o segundo elemento começa por vogal, «h», «m» ou «n».
Exemplo: pan-helénico.

F) Topónimos iniciados pelos adjetivos «grã» e «grão» ou cujos elementos estejam ligados por artigo.

Exemplo: Grã-Bretanha.

G) Palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas.
Exemplo: feijão-verde.

H) Palavras compostas, formadas por elementos de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal.

Exemplo: primeiro-ministro.

Minúsculas e maiúsculas – a letra minúscula é usada nos seguintes casos:

  • Nomes dos meses e das estações do ano. Exemplo: janeiro;
  • Pontos cardeais, colaterais e subcolaterais, mas não quando designam regiões ou quando abreviados. Exemplos: norte (ponto cardeal); Norte (região); N (abreviatura);
  • Designações usadas para mencionar alguém cujo nome se desconhece. Exemplo: fulano

NOTA: O uso inicial de minúscula ou maiúscula é facultativo nos seguintes casos:

  • Nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas. Exemplo: físico-química ou Físico-Química.
  • Títulos de livros ou de obras (exceto o primeiro elemento e os nomes próprios, que se escrevem com inicial maiúscula). Exemplo: O crime do padre Amaro ou O Crime do Padre Amaro.
  • Vias, lugares públicos, monumentos, templos e edifícios. Exemplos: avenida da Liberdade ou Avenida da Liberdade.
  • Formas de tratamento grafadas por extenso. (Já as formas abreviadas são grafadas com maiúscula). Exemplo: senhor doutor ou Senhor Doutor.

Lista de palavras cuja grafia foi alterada

auto‐estrada – autoestrada

auto‐retrato – autorretrato

auto‐suficiente – autossuficiente

baptismo – batismo

bóia – boia

braço‐de‐ferro – braço de ferro

cabeça‐de‐lista – cabeça de lista

cepticismo – ceticismo

director – diretor

directório – diretório

directriz – diretriz

eclectismo – ecletismo

efectivamente – efetivamente

efectividade – efetividade

fracção – fração

fractura – fratura

frente‐a‐frente – frente a frente

heróico – heroico

hidroeléctrica – hidroelétrica

inactividade – inatividade

incorrecção – incorreção

incorrecto – incorreto

jóia – joia

Julho – julho

Junho – junho

leccionar – lecionar

lectivo – letivo

lêem – leem

Maio – maio

mão‐de‐obra – mão de obra

neo‐realismo – neorrealismo

nocturno – noturno

Novembro – novembro

objecção – objeção

objectivo – objetivo

objecto – objeto

protecção – proteção

protector – protetor

radioactividade – radioatividade

radioactivo – radioativo

reacção – reação

subjectividade – subjetividade

subjectivo – subjetivo

susceptível – suscetível

tablóide – tabloide

táctico – tático

tacto – tato

tróica – troica

ultra‐ortodoxo – ultraortodoxo

vector – vetor

vêem – veem

Verão – verão

2 COMENTÁRIOS

  1. É falso quando diz que “somos forçados” a escrever segundo o AO90.
    Todas as pessoas de bom senso e carácter não o fazem, desde logo é imperativo informar qual a Lei ou Decreto-Lei que força a escrever esta “mixórdia ortográfica”, conotada com a grafia brasileira.
    Portugal não é território brasileiro, tal como o Brasil já foi (mas já não é) território português, para termos de aceitar uma grafia que não nos pertence

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