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Início Histórias Curiosidades

O Castelo de Guimarães ia ser demolido, mas foi salvo por 15 votos

Descubra a história da votação que quase levou à demolição do Castelo de Guimarães, um dos maiores símbolos da independência portuguesa.

Sara Costa Por Sara Costa
23/06/2026
em Curiosidades, História de Portugal, Monumentos, Notícias
0
O Castelo de Guimarães ia ser demolido, mas foi salvo por 15 votos

O Castelo de Guimarães ia ser demolido, mas foi salvo por 15 votos

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Hoje é impensável imaginar Portugal sem o Castelo de Guimarães. As suas muralhas robustas, a imponente torre de menagem e a sua ligação direta às origens da nacionalidade transformaram-no num dos monumentos mais importantes do país.

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Todos os anos, milhares de visitantes percorrem os seus caminhos de pedra para conhecer o local onde nasceu uma das mais extraordinárias histórias da Europa: a formação do Reino de Portugal.

Contudo, aquilo que poucos portugueses sabem é que este símbolo nacional esteve, por muito pouco, à beira da destruição.

No século XIX, uma proposta formal sugeriu a demolição parcial do castelo para aproveitar as suas pedras em obras urbanas. O episódio gerou polémica, dividiu opiniões e poderia ter alterado para sempre a história do património português.

 

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O castelo que deu origem a Portugal

O Castelo de Guimarães não é apenas mais uma fortificação medieval. É considerado o principal símbolo das origens da nacionalidade portuguesa.

Construído no século X para proteger o território das invasões normandas e muçulmanas, tornou-se, ao longo dos séculos, um dos centros políticos e militares mais importantes da região.

Foi neste contexto que nasceu D. Afonso Henriques, figura incontornável da História de Portugal e responsável pela independência do reino. Por essa razão, o castelo ganhou uma dimensão simbólica que ultrapassa largamente o seu valor arquitetónico.

Representa o nascimento de uma nação. Representa o início da identidade portuguesa. Representa o lugar onde começou uma história com mais de oito séculos.

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Uma proposta que hoje parece impensável

Em janeiro de 1836, Portugal atravessava um período de profundas transformações políticas e sociais. O país recuperava das consequências das Guerras Liberais e muitas cidades procuravam modernizar-se para acompanhar as novas exigências urbanísticas. Foi nesse contexto que surgiu uma proposta que hoje parece quase inacreditável.

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Durante uma reunião da Sociedade Patriótica Vimaranense, foi sugerida a demolição de uma das torres do Castelo de Guimarães.

O objetivo não era militar nem estratégico.

Pretendia-se utilizar as pedras da estrutura para pavimentar ruas e apoiar obras de urbanização na cidade.

À luz dos valores atuais, a ideia parece chocante. No entanto, naquela época, muitos monumentos históricos eram vistos apenas como construções antigas sem utilidade prática.

Porque queriam demolir parte do castelo?

No século XIX, a preservação patrimonial estava longe de ser uma prioridade.

Muitos edifícios medievais encontravam-se degradados e eram frequentemente encarados como obstáculos ao progresso urbano.

Em várias regiões da Europa, monumentos históricos foram parcialmente destruídos para fornecer materiais de construção.

As pedras eram consideradas recursos valiosos e facilmente reutilizáveis.

No caso do Castelo de Guimarães, alguns defensores da proposta argumentavam que a estrutura representava um passado ultrapassado e que os materiais poderiam servir melhor a população em obras consideradas mais úteis.

A ideia refletia uma visão pragmática do desenvolvimento urbano, mas ignorava completamente o valor histórico e identitário do monumento.

A Sociedade Patriótica Vimaranense entra para a História

A decisão ficou nas mãos da Sociedade Patriótica Vimaranense (SPV), uma das instituições mais influentes da cidade na época.

Fundada por membros da elite local, reunia:

  • Advogados;
  • Médicos;
  • Comerciantes;
  • Proprietários;
  • Intelectuais;
  • Clérigos.

A organização tinha como missão promover o progresso da região através de debates e propostas relacionadas com educação, saúde pública, desenvolvimento económico e urbanização.

Foi precisamente numa das suas reuniões que o futuro do castelo esteve em jogo.

A votação que salvou o monumento

O debate revelou-se intenso.

De um lado encontravam-se os defensores da modernização urbana.

Do outro estavam aqueles que reconheciam o valor histórico e simbólico do castelo.

Quando chegou o momento da votação, o resultado foi decisivo.

Apenas quatro membros votaram a favor da demolição.

Quinze votaram contra.

A proposta foi rejeitada e o Castelo de Guimarães ficou salvo.

Embora a diferença tenha sido significativa, o episódio alimentou uma das lendas mais conhecidas da cidade.

O mito do “castelo salvo por um voto”

Ao longo das décadas, popularizou-se a ideia de que o Castelo de Guimarães teria sido salvo por apenas um voto.

A história ganhou força porque simboliza a fragilidade com que, por vezes, o património enfrenta o risco de desaparecer.

Contudo, os registos históricos demonstram que essa versão não corresponde à realidade.

A maioria dos membros da Sociedade Patriótica Vimaranense reconheceu claramente a importância do monumento.

Mesmo assim, a persistência do mito mostra como a população continua a valorizar este episódio como um momento decisivo para a preservação da memória nacional.

Um país em mudança

Para compreender a proposta de demolição é fundamental olhar para o contexto da época.

Portugal vivia profundas mudanças após anos de conflitos políticos.

As ideias liberais ganhavam força e surgia uma forte vontade de modernizar cidades e infraestruturas.

Ao mesmo tempo, o conceito moderno de património histórico ainda estava longe de existir.

Muitos monumentos antigos eram avaliados apenas pela sua utilidade prática.

Foi precisamente durante o século XIX que começou a crescer uma nova consciência patrimonial, que viria mais tarde a influenciar a proteção de inúmeros monumentos portugueses.

O caso do Castelo de Guimarães tornou-se um dos exemplos mais importantes dessa mudança de mentalidade.

Muito mais do que uma fortaleza

O Castelo de Guimarães não representa apenas pedras e muralhas.

É um símbolo emocional profundamente ligado à identidade portuguesa.

Cada torre, cada ameia e cada muralha contam capítulos fundamentais da construção do país.

Ali nasceram sonhos de independência.

Ali consolidaram-se alianças.

Ali começou uma história que moldou gerações de portugueses.

A sua preservação permitiu que milhões de pessoas continuassem a contactar diretamente com um dos locais mais importantes da História nacional.

O monumento que continua a inspirar Portugal

Atualmente, o Castelo de Guimarães é uma das atrações turísticas mais visitadas do país.

Reconhecido internacionalmente, continua a atrair visitantes interessados em conhecer as raízes da nação portuguesa.

Ao percorrer os seus espaços, é impossível não pensar no que poderia ter acontecido se aquela votação de 1836 tivesse tido um resultado diferente.

Portugal teria perdido muito mais do que uma construção medieval.

Teria perdido um dos seus maiores símbolos.

Teria perdido uma parte essencial da sua memória coletiva.

Uma lição que continua atual

A história da tentativa de demolição do Castelo de Guimarães permanece atual porque recorda uma verdade fundamental: o património histórico pode desaparecer para sempre quando não é valorizado.

A preservação dos monumentos não significa rejeitar o progresso.

Significa compreender que o desenvolvimento de um país também passa pela proteção da sua identidade, das suas raízes e da sua memória.

Felizmente, em 1836 prevaleceu o bom senso.

Graças a essa decisão, o berço de Portugal continua de pé, desafiando o tempo e lembrando a cada geração de onde veio a nação portuguesa.

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Etiquetas: berço de PortugalCastelo de Guimarãesdemolição do Castelo de Guimarãeshistória do Castelo de Guimarãesmonumentos de Portugalpatrimónio português
Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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