Portugal prepara-se para mudar novamente a hora na madrugada deste domingo, 25 de outubro de 2026. Milhões de portugueses vão poder dormir mais 60 minutos, mas a alteração volta a levantar uma questão que continua sem resposta: porque é que ainda temos de mudar os relógios duas vezes por ano?
A União Europeia chegou a aprovar uma posição favorável ao fim desta prática, em 2019. A mudança deveria ter acontecido em 2021, mas o plano ficou bloqueado por falta de acordo entre os Estados-membros. Sete anos depois da proposta inicial da Comissão Europeia, continua sem existir uma data definitiva para acabar com a mudança sazonal da hora.
A alteração deste fim de semana segue, por isso, o calendário habitual. Na madrugada de sábado para domingo, os relógios recuam uma hora em Portugal continental, na Madeira e nos Açores, embora a mudança aconteça em momentos diferentes consoante a região.
A que horas muda a hora em Portugal este domingo?
A mudança acontece na madrugada de 25 de outubro de 2026, quando Portugal regressa à hora de inverno, também designada hora padrão.
Em Portugal continental e na Madeira, quando forem 02h00, os relógios devem ser atrasados para a 01h00. Na prática, a mesma hora será vivida duas vezes.
Nos Açores, a alteração acontece quando for 01h00, momento em que os relógios devem recuar para a meia-noite.
O resultado é simples: nessa noite, há mais uma hora disponível no relógio. Contudo, a forma como cada pessoa sente a mudança pode variar, sobretudo nos primeiros dias, enquanto o organismo se adapta ao novo horário.
Os telemóveis, computadores e outros dispositivos ligados à rede costumam atualizar a hora automaticamente. Ainda assim, convém confirmar os relógios de parede, os fornos, os automóveis e outros equipamentos que não fazem essa atualização.
As regras oficiais para a hora legal em Portugal podem ser consultadas no Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
A União Europeia aprovou o fim da mudança da hora em 2019
A discussão sobre o fim da mudança sazonal da hora não é recente. Em setembro de 2018, a Comissão Europeia apresentou uma proposta para terminar com a alteração dos relógios duas vezes por ano. A ideia era permitir que cada Estado-membro escolhesse o horário padrão que pretendia manter permanentemente, desde que existisse coordenação entre os países.
A proposta ganhou força no ano seguinte. A 26 de março de 2019, o Parlamento Europeu aprovou a posição favorável ao fim da mudança sazonal por 410 votos a favor, 192 contra e 51 abstenções. O objetivo era fazer com que a última mudança acontecesse em 2021.
Contudo, essa votação não era suficiente para alterar a legislação europeia. A proposta precisava também de uma posição comum do Conselho da União Europeia, que representa os governos dos Estados-membros.
Foi precisamente aí que o processo ficou bloqueado.
Porque é que a mudança da hora ainda não acabou?
A principal dificuldade não está em decidir se os relógios devem ou não mudar, mas em determinar qual será o horário permanente de cada país.
Alguns Estados poderão preferir conservar a hora de verão, enquanto outros consideram mais adequado manter a hora de inverno. Esta diferença de interesses torna necessária uma solução coordenada, para evitar que países vizinhos adotem horários permanentes que compliquem as deslocações, os transportes, o comércio e o funcionamento do mercado interno.
Até outubro de 2026, não foi alcançado um acordo legislativo que permita terminar com a mudança sazonal da hora. O Parlamento Europeu voltou a discutir o assunto em outubro de 2025 e a atualização institucional de 2026 assinala a realização de uma análise mais aprofundada pela Comissão Europeia, destinada a apoiar uma futura decisão.
Por enquanto, não existe uma data confirmada para o fim desta prática. Assim, os portugueses terão de continuar a adiantar e atrasar os relógios enquanto as regras atuais permanecerem em vigor.
A maioria dos participantes numa consulta europeia queria acabar com esta prática
O descontentamento com a mudança da hora também ficou evidente numa consulta pública promovida pela Comissão Europeia em 2018.
A iniciativa recebeu cerca de 4,6 milhões de respostas. Entre os participantes, 84% manifestaram-se a favor do fim das alterações semestrais, enquanto 16% preferiam manter o sistema.
Apesar da expressão deste resultado, a consulta não substituiu o processo legislativo nem resolveu as divergências entre os governos nacionais.
A questão continua, por isso, a dividir opiniões. Há quem valorize as tardes mais luminosas proporcionadas pela hora de verão e quem prefira os horários de inverno, que permitem ter mais luz natural nas primeiras horas da manhã.
A escolha de um horário permanente teria consequências diferentes consoante a localização geográfica e a rotina de cada país. É essa diversidade de necessidades que torna o acordo europeu mais complexo do que pode parecer à primeira vista.
Porque começámos a mudar os relógios duas vezes por ano?
A mudança sazonal da hora está associada à tentativa de aproveitar melhor a luz natural e reduzir o consumo de energia.
A prática foi introduzida em diferentes países durante períodos de guerra e voltou a ganhar expressão na década de 1970, durante a crise petrolífera, quando a poupança energética passou a ter especial importância.
Posteriormente, os países europeus harmonizaram as datas de mudança para reduzir diferenças entre os calendários nacionais e facilitar o funcionamento do mercado interno. As regras atuais determinam a passagem à hora de verão no último domingo de março e o regresso à hora padrão no último domingo de outubro.
Hoje, os benefícios energéticos desta prática são considerados uma questão que exige avaliação, uma vez que os hábitos de consumo e os padrões de utilização da eletricidade evoluíram. A decisão sobre o futuro do sistema depende, por isso, não apenas da preferência dos cidadãos, mas também de uma análise das consequências económicas, sociais e práticas.
Mudar a hora pode afetar o sono?
Embora o regresso à hora de inverno permita, em teoria, dormir mais uma hora nessa noite, a alteração pode perturbar temporariamente as rotinas de sono de algumas pessoas.
O organismo adapta-se aos horários de forma gradual, e uma mudança no relógio pode alterar as horas habituais de deitar e acordar. Crianças, pessoas com horários de trabalho irregulares e quem já tem dificuldades em dormir podem sentir mais essa transição.
Para tornar a adaptação mais simples, pode ajudar manter horários de sono regulares, aproveitar a luz natural durante o dia e evitar alterações bruscas na rotina.
O impacto não é igual para todos, mas uma transição tranquila pode facilitar o regresso ao novo horário.
Quando volta a mudar a hora em Portugal?
Depois do regresso à hora de inverno deste domingo, a próxima mudança está prevista para 28 de março de 2027, último domingo de março.
Nessa madrugada, os relógios voltarão a avançar uma hora: no continente e na Madeira, passarão da 01h00 para as 02h00; nos Açores, da meia-noite para a 01h00, sublinha o Postal.
Até que seja aprovada uma alteração legislativa europeia, o calendário mantém-se: uma mudança em março e outra em outubro.
O fim da mudança da hora continua sem data marcada
A mudança deste domingo volta a trazer uma hora extra ao relógio, mas também recorda uma decisão europeia que permanece por concluir.
O Parlamento Europeu já se pronunciou a favor do fim da mudança sazonal, e a consulta pública de 2018 mostrou um apoio expressivo entre os participantes. Ainda assim, a falta de acordo entre os governos impede que a proposta avance para uma solução definitiva.
Para já, a regra mantém-se. Na madrugada de 25 de outubro de 2026, os relógios recuam uma hora em Portugal, e a próxima alteração está prevista para março de 2027.
A pergunta continua no ar: quantas mudanças de hora ainda teremos de fazer antes de a União Europeia chegar finalmente a um acordo?




