Há plantas que entram em casa para decorar. Outras acabam por se tornar parte da própria atmosfera do espaço. Dão vida a uma divisão, quebram a frieza de paredes e móveis e acrescentam aquela sensação de frescura que dificilmente se consegue reproduzir apenas com objetos decorativos.
Mas será que algumas plantas conseguem realmente ajudar a melhorar a qualidade do ar dentro de casa?
A resposta exige alguma cautela. Vários estudos realizados em laboratório demonstraram que determinadas plantas conseguem absorver ou remover alguns compostos orgânicos voláteis, incluindo substâncias como formaldeído e benzeno. Foi precisamente este tipo de investigação que tornou célebre o estudo da NASA sobre plantas de interior, realizado em ambientes controlados.
Contudo, existe uma diferença importante entre um ambiente laboratorial fechado e uma casa onde existem portas, janelas, correntes de ar, móveis, tecidos, produtos de limpeza e muitas outras fontes de poluentes. Uma revisão científica publicada em 2020 concluiu que seriam necessárias quantidades muito elevadas de plantas para alcançar, através dos vasos, uma remoção de compostos comparável àquela proporcionada pela renovação normal do ar.
Por isso, estas plantas devem ser encaradas sobretudo como aliadas de um ambiente doméstico mais agradável, e não como substitutas da ventilação. Abrir as janelas quando as condições exteriores o permitem, evitar o fumo dentro de casa, controlar a humidade e reduzir as fontes de poluição continuam a ser medidas fundamentais para uma boa qualidade do ar interior. A EPA também salienta que a ventilação e a renovação do ar são muito mais importantes do que depender de plantas em vaso para controlar a poluição doméstica.
Ainda assim, há boas razões para trazer um pouco mais de verde para dentro de casa. As plantas ajudam a criar uma sensação de proximidade com a natureza, podem contribuir para o conforto visual e, dependendo da espécie, adaptam-se muito bem a diferentes divisões.
E há uma vantagem adicional: algumas são extremamente decorativas e exigem poucos cuidados.
As 7 plantas de interior que vale a pena ter em casa
Não existe uma planta milagrosa capaz de transformar, sozinha, o ar de uma casa. Mas há espécies que ficaram associadas à investigação sobre a qualidade do ar interior e que, além disso, são excelentes escolhas para quem pretende tornar a casa mais verde, acolhedora e agradável.

1. Aloé vera: uma suculenta resistente e versátil
O aloé vera é uma das plantas mais populares para ter em casa. É uma suculenta de folhas carnudas, capaz de armazenar água e, por isso, bastante resistente a períodos de menor rega.
Além do aspeto decorativo, o aloé vera foi uma das plantas analisadas em estudos relacionados com a remoção de determinados compostos presentes no ar em condições laboratoriais. A investigação da NASA incluiu esta espécie em experiências com compostos como o formaldeído. É também uma planta particularmente interessante para quem se esquece frequentemente de regar as plantas. Prefere um local luminoso e um substrato com boa drenagem. O excesso de água é um dos erros mais comuns no seu cultivo e pode favorecer o apodrecimento das raízes.
Uma janela com bastante luminosidade, sem necessidade de manter o vaso constantemente encharcado, pode proporcionar boas condições para o seu desenvolvimento.
Cuidados essenciais: muita luminosidade, vaso com drenagem eficiente e regas moderadas, deixando o substrato secar entre regas.
Atenção aos animais: apesar da fama do seu gel, o aloé vera não deve ser considerado seguro para cães e gatos quando ingerido. A ASPCA classifica a planta como tóxica para estes animais.

2. Crisântemo: cor e beleza para dentro de casa
O crisântemo é muito mais do que uma planta associada a flores vistosas. É uma espécie cultivada há séculos e apreciada pela enorme variedade de formas e cores das suas flores.
Foi também uma das plantas incluídas na investigação da NASA sobre plantas de interior e determinados poluentes atmosféricos.
Dentro de casa, precisa de bastante luminosidade para se desenvolver bem e manter uma floração bonita. Uma divisão luminosa pode fazer toda a diferença.
Ao contrário de algumas plantas de folhagem que toleram ambientes mais escuros, o crisântemo tende a beneficiar de uma boa exposição à luz. A rega deve ser equilibrada: o substrato não deve permanecer constantemente encharcado, mas também não convém deixar a planta passar longos períodos completamente seca.
É uma excelente opção para quem pretende juntar cor, frescura e presença natural a uma divisão.

3. Dieffenbachia: folhagem exuberante para espaços interiores
Conhecida popularmente como comigo-ninguém-pode, a Dieffenbachia destaca-se pelas folhas grandes e vistosas, muitas vezes marcadas por diferentes tonalidades de verde e creme.
É uma planta tropical que se tornou extremamente popular como planta de interior, sobretudo porque consegue adaptar-se bem às condições de muitas casas.
A investigação histórica da NASA também incluiu espécies de plantas de interior na análise da remoção de determinados compostos orgânicos presentes no ar.
Para a manter saudável, o ideal é proporcionar-lhe bastante luz indireta. A exposição solar direta e intensa pode danificar as folhas, enquanto um espaço demasiado escuro pode comprometer o crescimento.
Quanto à rega, há uma regra simples: mais vale verificar o substrato do que seguir um calendário rígido. Quando a camada superior começa a secar, pode ser altura de voltar a regar. O excesso de água deve ser evitado.
Importante: a Dieffenbachia é tóxica para cães e gatos quando ingerida, podendo provocar irritação intensa da boca, salivação e dificuldade em engolir.

4. Hera inglesa: uma planta elegante que cresce facilmente
A hera inglesa, conhecida cientificamente como Hedera helix, é uma das plantas mais reconhecíveis quando se pensa em folhagem trepadeira.
Pode ser cultivada em vaso e conduzida de forma pendente, criando um efeito particularmente bonito em prateleiras, estantes ou suportes elevados.
A espécie também surgiu em estudos sobre a capacidade das plantas de interior para remover determinados compostos orgânicos voláteis em ambientes controlados.
A hera prefere boa luminosidade, embora possa adaptar-se a condições de luz moderada. Gosta de alguma humidade, mas isso não significa que as raízes devam permanecer mergulhadas em água.
Uma das grandes vantagens desta planta é o crescimento relativamente rápido quando encontra boas condições.
Atenção: a hera inglesa é tóxica para cães e gatos quando ingerida. A ASPCA refere sintomas como vómitos, dor abdominal, salivação excessiva e diarreia.
Por isso, em casas com crianças pequenas ou animais curiosos, convém escolher cuidadosamente o local onde será colocada.

5. Lírio-da-paz: elegante, resistente e perfeito para interiores
Poucas plantas conseguem transformar uma divisão com tanta facilidade como o lírio-da-paz.
Com as suas folhas verdes e as características flores brancas, esta espécie tornou-se uma das favoritas para interiores. É particularmente apreciada por quem procura uma planta decorativa sem exigir cuidados excessivamente complicados.
O lírio-da-paz prefere luz indireta e pode adaptar-se a divisões que não recebem sol direto. Isso não significa, porém, que deva ficar permanentemente num espaço escuro. Uma boa luminosidade indireta é importante para manter a planta saudável e favorecer a floração.
Um dos sinais mais conhecidos desta espécie é a forma como as folhas ficam caídas quando necessita de água. Depois de uma rega adequada, a planta pode recuperar rapidamente a postura.
Ainda assim, não é aconselhável esperar sempre que a planta fique completamente descaída. O ideal é verificar regularmente o estado do substrato e regar quando a camada superior começar a secar.
O lírio-da-paz também surge frequentemente associado aos estudos sobre plantas e qualidade do ar, mas, tal como acontece com as restantes espécies, não deve ser encarado como um substituto da ventilação.
Atenção aos animais: o lírio-da-paz é tóxico para cães e gatos quando ingerido, podendo provocar irritação da boca, vómitos e dificuldade em engolir.

6. Areca-bambu: um toque tropical dentro de casa
A areca-bambu, também conhecida como palmeira-areca ou Dypsis lutescens, é uma das melhores escolhas para quem pretende dar à casa um aspeto mais tropical.
Os seus caules finos e a folhagem abundante criam imediatamente uma sensação de volume e frescura. É especialmente interessante para salas, entradas ou outros espaços onde exista luminosidade suficiente.
Tal como outras plantas de interior, a areca-bambu foi incluída em investigações sobre vegetação e qualidade do ar, embora os efeitos observados em condições laboratoriais não devam ser confundidos com uma capacidade comprovada de purificar significativamente o ar de uma casa.
Esta planta prefere luz indireta abundante e um substrato ligeiramente húmido, mas nunca permanentemente encharcado.
Antes de regar, vale a pena tocar no substrato. Se a camada superior estiver seca, é um bom indicador de que chegou a altura de fornecer água.
Com espaço suficiente e boas condições de luz, pode crescer de forma bastante exuberante e transformar uma divisão aparentemente banal num espaço muito mais acolhedor.

7. Árvore-da-borracha: folhas grandes e uma presença impressionante
A árvore-da-borracha, ou Ficus elastica, é uma das plantas de interior mais elegantes para quem procura folhas grandes, brilhantes e uma aparência marcadamente exótica.
É também uma espécie relativamente resistente quando encontra boas condições de crescimento.
A árvore-da-borracha prefere um espaço luminoso, mas a luz solar direta e intensa pode ser problemática para as folhas. Uma zona com bastante luz indireta costuma ser uma boa solução.
Quanto à água, deve evitar-se tanto a seca prolongada como o excesso de rega. O substrato deve ter tempo para secar parcialmente antes de receber nova água.
A espécie também aparece em referências relacionadas com a capacidade de determinadas plantas para remover compostos orgânicos voláteis em ambientes controlados. Porém, a evidência disponível não justifica apresentar um simples vaso de Ficus elastica como um verdadeiro sistema de purificação do ar doméstico.
A grande vantagem é que, além de trazer mais verde para a casa, pode funcionar como uma verdadeira peça decorativa.
Afinal, as plantas purificam mesmo o ar de casa?
Esta é provavelmente a questão mais importante.
A resposta curta é: podem participar em processos de remoção de determinados compostos, mas não devem ser usadas como principal método para purificar o ar de uma habitação.
A ideia ganhou enorme popularidade depois dos estudos realizados pela NASA no final da década de 1980. Nessas experiências, algumas plantas demonstraram capacidade para remover compostos como formaldeído, benzeno e tricloroetileno em câmaras experimentais.
O problema está na forma como estes resultados foram posteriormente apresentados.
Uma casa não funciona como uma pequena câmara de laboratório completamente fechada. Existe renovação de ar, circulação, diferentes fontes de poluição, variações de temperatura e humidade e uma área muito maior.
Uma revisão publicada no Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology analisou os resultados de vários estudos e concluiu que seria necessária uma quantidade extraordinariamente elevada de plantas para que a sua capacidade de remoção de compostos voláteis se aproximasse da renovação natural do ar existente em edifícios comuns.
Por isso, ter plantas em casa é uma excelente ideia por muitas razões, mas não vale a pena transformar a sala numa floresta tropical com a expectativa de substituir a ventilação.
O que realmente ajuda a melhorar o ar dentro de casa?
As plantas podem fazer parte de um ambiente doméstico agradável, mas existem medidas muito mais importantes para melhorar a qualidade do ar interior.
Arejar a casa regularmente: sempre que as condições exteriores o permitam, a renovação do ar ajuda a reduzir a concentração de vários poluentes acumulados no interior.
Controlar a humidade: excesso de humidade pode favorecer problemas associados a bolores e microrganismos. Também é importante não deixar os vasos permanentemente encharcados. A própria EPA alerta para o facto de solos excessivamente húmidos poderem favorecer o crescimento de microrganismos.
Evitar fumar dentro de casa: o fumo é uma fonte importante de poluentes e nenhuma planta em vaso consegue compensar esse problema.
Reduzir fontes de poluição: produtos de limpeza, tintas, colas, determinados materiais e fragrâncias podem contribuir para a presença de compostos no ar interior.
Limpar regularmente o pó: folhas, superfícies, têxteis e tapetes podem acumular partículas. Uma casa limpa e ventilada beneficia mais da combinação de várias medidas do que da presença isolada de plantas.
Escolher plantas adequadas ao espaço: uma planta saudável, colocada num local onde tenha luz e condições apropriadas, será sempre uma melhor escolha do que uma espécie que definhe por falta de luminosidade.
Plantas em casa: mais do que uma questão de decoração
Mesmo quando se deixa de lado a ideia exagerada de que algumas plantas conseguem “limpar” completamente o ar de uma habitação, continua a existir uma boa razão para lhes dar espaço dentro de casa.
As plantas tornam os ambientes mais vivos.
Uma sala com algumas espécies verdes parece imediatamente menos fria. Uma cozinha ganha frescura. Um escritório torna-se mais acolhedor. Uma entrada pode deixar de ser apenas um espaço de passagem e transformar-se num pequeno recanto verde.
E existe ainda uma dimensão emocional difícil de medir: cuidar de uma planta obriga a parar, observar e acompanhar alguma coisa viva.
Por isso, escolher uma planta de interior não deve ser apenas uma questão de procurar aquela que promete eliminar mais toxinas.
É preferível escolher uma espécie que se adapte à luminosidade existente, ao espaço disponível, ao tempo que existe para cuidar dela e, sobretudo, às pessoas e animais que vivem na casa.
Porque uma casa mais verde não precisa de ser uma casa cheia de vasos.
Precisa apenas de ter plantas certas, bem cuidadas e colocadas nos lugares certos.
Uma nota importante antes de escolher
Algumas das plantas mais populares para interiores podem ser tóxicas para animais de companhia. Dieffenbachia, lírio-da-paz e hera inglesa, por exemplo, estão identificados pela ASPCA como plantas tóxicas para cães e gatos quando ingeridas.
O mesmo acontece com o aloé vera, que a ASPCA classifica como tóxico para cães e gatos quando ingerido.
Assim, antes de comprar uma planta para casa, sobretudo quando existem crianças pequenas ou animais, é importante verificar a espécie e escolher um local seguro.
No fundo, as melhores plantas para uma casa não são necessariamente aquelas que aparecem em listas de “superpurificadoras”.
São as que conseguem crescer saudáveis no espaço disponível, acrescentar beleza ao ambiente e coexistir em segurança com quem lá vive.




