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Os mais belos poemas dedicados à Mãe

Pequena coletânea de poemas sobre a mulher mais importante das nossas vidas. Os mais belos poemas dedicados à Mãe.

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Os mais belos poemas dedicados à mãe
Os mais belos poemas dedicados à mãe

Os mais belos poemas dedicados à Mãe

Pequena mas bela coletânea de poemas sobre a mulher mais importante das nossas vidas. Os mais belos poemas dedicados à Mãe.

Os mais belos poemas dedicados à Mãe
Eugénio de Andrade – Os mais belos poemas dedicados à Mãe

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…

Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, in “Os Amantes Sem Dinheiro”

(cont.)

2 COMENTÁRIOS

  1. SOBRE A “MÃE”
    DO MEU “DICIONÁRIO PESSOAL”.

    Acolho-me ao seio da mãe, e tudo são mães.

    Água antiquíssima e sempre renovada.

    A mãe expulsou-me de uma nuvem para outra.

    A mãe solta frutos que mais parecem raízes.

    A maior devoradora e a primeira deusa.

    A sempre violada pela ausência do filho.

    A sombra da mãe, tão pequenina, ilumina a casa toda.

    Casa — uma casa que nunca deixou de me acompanhar.

    Ela irradiava os pequenos fios da existência.

    Em teu corpo austero foi sempre Primavera.

    Encostaste a cabeça para o lado e deixaste-me sem raízes.

    Falta-me a sombra da minha mãe.

    Há uma mãe antes da mãe onde desejo regressar.

    Jamais distante a memória de quando fui “um” com a minha mãe.

    Louve-se a mãe ainda que tudo sejam mães.

    Nasci no momento em que ela explodiu.

    O momento em que deixou de parecer mulher mas apenas mãe.

    Onde está a minha mãe? Por múltiplos caminhos vem chegando.

    Perde o ser quem se afasta da mãe.

    Quantas mães tem um homem?

    Quem não ama, na mulher, a sua mãe?

    Um poço muito leve que arde sem cessar.

    Viagem que não acaba, o regresso à mãe.

    Vi a mãe antes de ver o mundo.

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