Uma das cidades mais antigas da Europa fica em Portugal… e quase ninguém sabe! Há cidades que impressionam pela sua modernidade. Outras conquistam pela sua beleza. Mas existem algumas que possuem algo ainda mais raro: a capacidade de transportar quem as visita através de milhares de anos de história.
Lisboa pertence a esse grupo restrito.
A capital portuguesa não é apenas uma das cidades mais bonitas da Europa. É também uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do continente, uma metrópole onde cada rua, monumento ou colina guarda vestígios de civilizações que floresceram há mais de três milénios.
Num ranking elaborado pelo jornal britânico The Telegraph, Lisboa surge entre as cidades mais antigas da Europa que permanecem habitadas até aos dias de hoje. Uma distinção que reforça a importância histórica da cidade e a coloca ao lado de alguns dos mais antigos centros urbanos da civilização europeia.
Uma cidade mais antiga do que Roma
Quando se fala das grandes cidades históricas da Europa, é comum pensar-se imediatamente em Roma, Atenas ou Constantinopla. No entanto, muitos desconhecem que Lisboa possui raízes que antecedem a própria fundação da capital italiana.
As investigações arqueológicas realizadas junto ao Castelo de São Jorge e à Sé de Lisboa revelaram vestígios de ocupação humana que remontam a cerca de 1200 anos antes de Cristo.
Os primeiros habitantes conhecidos da região terão sido comerciantes fenícios, um povo navegante originário da zona do atual Líbano, que encontrou na foz do rio Tejo um local privilegiado para estabelecer rotas comerciais entre o Mediterrâneo e o Atlântico.
Muito antes de existir Portugal, já Lisboa desempenhava um papel estratégico no comércio marítimo internacional.
O nascimento de uma cidade junto ao Tejo
A localização geográfica de Lisboa foi determinante para o seu crescimento. Protegida por colinas e banhada pelo estuário do Tejo, a região oferecia condições excecionais para a navegação, defesa e comércio. Os fenícios terão sido os primeiros a reconhecer esse potencial. Mais tarde, romanos, visigodos e mouros consolidaram a importância da cidade, deixando marcas profundas na sua cultura, arquitetura e identidade.
Ao longo dos séculos, Lisboa transformou-se num dos mais importantes centros urbanos da Península Ibérica.
Cada civilização acrescentou uma camada à sua história.
Cada conquista deixou uma herança.
Cada geração contribuiu para moldar aquela que viria a tornar-se a capital de Portugal.
Dos fenícios aos romanos
Após os fenícios, a região foi integrada no vasto Império Romano.
Os romanos chamaram-lhe Olisipo e transformaram-na numa cidade florescente.
Construíram estradas, termas, teatros, aquedutos e infraestruturas que impulsionaram o desenvolvimento económico e social.
Durante este período, Lisboa tornou-se um dos principais portos comerciais da fachada atlântica do Império.
O vinho, o azeite, o sal e os famosos preparados de peixe eram exportados para várias regiões do mundo romano.
A influência moura que ainda hoje se sente
Em 714, Lisboa foi conquistada pelos mouros.
Durante cerca de quatro séculos, a cidade integrou o mundo islâmico, tornando-se um importante centro cultural, económico e científico.
Foi nesta época que nasceram muitos dos traços urbanos que ainda hoje caracterizam bairros históricos como Alfama.
As ruas estreitas, os becos sinuosos e a organização labiríntica de algumas zonas da cidade são heranças diretas desse período.
A influência árabe permanece visível não apenas na arquitetura, mas também em diversos costumes, palavras e tradições portuguesas.
A reconquista e o nascimento de uma capital
Em 1147, durante a Reconquista Cristã, Lisboa foi conquistada por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.
Este momento marcou uma viragem decisiva na história nacional.
A partir daí, Lisboa cresceu em importância política e económica até se tornar definitivamente a principal cidade do reino.
A sua posição estratégica junto ao Atlântico acabaria por desempenhar um papel determinante durante a Era dos Descobrimentos.
Lisboa e os Descobrimentos Portugueses
Poucas cidades no mundo tiveram um impacto tão profundo na história global.
Foi a partir do porto de Lisboa que partiram algumas das expedições que mudaram para sempre o conhecimento do planeta.
Navegadores como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Bartolomeu Dias iniciaram viagens que ligaram continentes, culturas e civilizações.
Durante os séculos XV e XVI, Lisboa tornou-se uma das cidades mais ricas e influentes do mundo.
Mercadores, exploradores e diplomatas de vários continentes passavam pelas suas ruas.
O ouro, as especiarias, os tecidos e as novas ideias chegavam diariamente ao coração da cidade.
Uma cidade moldada pela resiliência
Ao longo dos seus mais de três mil anos de história, Lisboa enfrentou invasões, guerras, epidemias e catástrofes naturais.
O episódio mais marcante ocorreu em 1755, quando um devastador terramoto destruiu grande parte da cidade.
O desastre foi seguido por um maremoto e por incêndios que agravaram ainda mais a destruição.
Mas Lisboa renasceu.
Sob a liderança do Marquês de Pombal, foi reconstruída e tornou-se um exemplo pioneiro de planeamento urbano moderno.
A atual Baixa Pombalina continua a ser uma das maiores provas da capacidade de reinvenção da cidade.
Entre as cidades mais antigas da Europa
Segundo a lista do The Telegraph, Lisboa integra um grupo restrito de cidades históricas europeias cuja ocupação humana remonta à Antiguidade.
Entre elas encontram-se:
- Argos (Grécia);
- Atenas (Grécia);
- Plovdiv (Bulgária);
- Chania (Creta);
- Patras (Grécia);
- Trikala (Grécia);
- Tebas (Grécia);
- Kutaisi (Geórgia);
- Lárnaca (Chipre);
- Cálcis (Grécia);
- Lisboa (Portugal);
- Mitilena (Grécia);
- Cádis (Espanha);
- Mtsqueta (Geórgia);
- Zadar (Croácia);
- Erevan (Arménia).
A presença de Lisboa nesta lista demonstra a relevância histórica da capital portuguesa no contexto europeu.
Uma viagem por três milénios de história
Visitar Lisboa é muito mais do que conhecer uma cidade.
É percorrer ruas onde passaram fenícios, romanos, mouros, reis, navegadores e comerciantes.
É contemplar monumentos que testemunharam alguns dos momentos mais importantes da história da humanidade.
É sentir a fusão perfeita entre tradição e modernidade.
Poucas cidades conseguem oferecer uma experiência tão rica.
Poucas cidades conseguem contar tantas histórias.
E poucas cidades conseguem afirmar, com tanto orgulho, que permanecem vivas há mais de três mil anos.
Lisboa não é apenas a capital de Portugal.
É um dos mais antigos tesouros urbanos da Europa.
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