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Início Histórias Curiosidades

Uma das cidades mais antigas da Europa é portuguesa… e quase ninguém sabe

Lisboa está entre as cidades europeias com uma história mais antiga. Descubra as origens milenares da capital portuguesa e os seus segredos.

Sara Costa Por Sara Costa
27/09/2026
em Curiosidades, Notícias
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Uma das cidades mais antigas da Europa é portuguesa… e quase ninguém sabe

Uma das cidades mais antigas da Europa é portuguesa… e quase ninguém sabe

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Lisboa integra uma lista de algumas das cidades mais antigas da Europa. Mas a verdadeira dimensão da sua história pode ser ainda mais fascinante do que parece.

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Há cidades que impressionam pelos monumentos. Outras conquistam pela beleza das suas ruas, pela gastronomia ou pela atmosfera. E depois existem cidades que parecem esconder o próprio tempo. Lisboa pertence a esse grupo.

Debaixo dos elétricos, das calçadas, dos miradouros e das fachadas cobertas de azulejos existe uma história que recua milhares de anos. Muito antes de Portugal existir como país, muito antes da fundação de Roma e séculos antes de Lisboa se tornar capital, já havia comunidades a viver e a negociar junto ao Tejo.

É precisamente essa profundidade histórica que coloca Lisboa entre as cidades mais antigas da Europa em algumas listas históricas.

Uma das mais conhecidas foi publicada pelo jornal britânico The Telegraph, que em 2016 reuniu 16 cidades europeias consideradas entre as mais antigas com ocupação continuada. Nessa lista, Lisboa surge em 11.º lugar, associada a uma data de ocupação inicial por volta de 1200 a.C..

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É uma classificação que merece contexto: não existe um único método universal para determinar qual é a “cidade mais antiga da Europa”. As datas podem referir-se à presença humana, ao primeiro povoado conhecido, à fundação de uma cidade ou à continuidade da ocupação.

Mas uma coisa é difícil de ignorar: Lisboa tem uma história urbana extraordinariamente antiga.

Lisboa pode ser mais antiga do que Roma

Quando se fala nas cidades históricas da Europa, Roma e Atenas surgem quase inevitavelmente.

Roma, segundo a tradição, foi fundada em 753 a.C. Atenas possui uma história de ocupação muito mais antiga. Lisboa, porém, apresenta vestígios de presença humana e de contactos comerciais que remontam a períodos muito anteriores à formação do mundo romano.

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A lista do The Telegraph atribuía a Lisboa uma data de cerca de 1200 a.C., colocando-a, nesse critério, vários séculos antes da tradicional fundação de Roma. Isto não significa, contudo, que Lisboa tenha sido formalmente “fundada” em 1200 a.C. A distinção é importante. A arqueologia permite identificar ocupações e contactos humanos antigos, mas não é possível transformar automaticamente a data do primeiro povoamento conhecido na data exata da fundação da cidade moderna.

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É precisamente essa nuance que torna a história de Lisboa ainda mais interessante.

A cidade que hoje se estende entre Monsanto, as colinas históricas e o Tejo é o resultado de sucessivas camadas de ocupação, transformação e reconstrução.

As origens de Lisboa perdem-se na Antiguidade

A posição geográfica explica grande parte do destino da cidade.

Lisboa encontra-se junto ao enorme estuário do Tejo, numa área privilegiada para a navegação e para as trocas comerciais entre o Atlântico e o Mediterrâneo.

O próprio Município de Lisboa destaca a sucessiva presença de diferentes povos na cidade, incluindo fenícios, gregos, romanos, povos germânicos e muçulmanos.

A colina onde hoje se encontra o Castelo de São Jorge foi uma das primeiras zonas ocupadas de Lisboa. Segundo a Câmara Municipal, essa área desempenhou uma função estratégica durante a Idade do Ferro e o período romano, tendo também sido ocupada durante o domínio islâmico.

Foi ali, entre o rio e as colinas, que diferentes comunidades encontraram condições favoráveis para viver, comerciar e controlar uma das entradas naturais mais importantes da Península Ibérica.

E é aqui que começa uma das grandes histórias de Lisboa.

Os fenícios e a ligação ao Mediterrâneo

A tradição histórica associa as origens urbanas de Lisboa à presença fenícia.

Os fenícios eram grandes navegadores e comerciantes do Mediterrâneo oriental, provenientes sobretudo da região do atual Líbano. A sua expansão comercial levou-os a estabelecer contactos e entrepostos ao longo das costas mediterrânica e atlântica.

A localização de Lisboa era extraordinária para quem dominava as rotas marítimas.

O Tejo oferecia abrigo, água, recursos e acesso ao interior da Península Ibérica. Ao mesmo tempo, a proximidade do Atlântico colocava a região numa posição estratégica para as ligações marítimas.

Uma publicação da Câmara Municipal de Lisboa refere a antiga Olisipo como um centro ligado às redes comerciais e destaca a importância que a cidade viria a adquirir ao longo do período romano.

O mais fascinante é pensar que, muito antes das caravelas portuguesas atravessarem oceanos, já existiam navegadores a utilizar estas águas.

O Tejo já era uma porta para o mundo milhares de anos antes da Era dos Descobrimentos.

Olisipo: quando Lisboa entrou no mundo romano

Séculos mais tarde, Roma chegou à Península Ibérica.

A cidade passou a integrar o universo romano e ficou conhecida como Olisipo, recebendo posteriormente a designação de Felicitas Iulia Olisipo.

A importância de Lisboa cresceu extraordinariamente.

A Câmara Municipal de Lisboa assinala 138 a.C. como uma data fundamental, quando Décimo Júnio Bruto fortificou Olisipo durante a campanha romana na Lusitânia.

Durante o período romano, Lisboa desenvolveu-se como centro urbano e comercial.

Foram construídas vias, edifícios públicos, termas e espaços de espetáculo. A cidade possuía também uma importante indústria de preparados de peixe, incluindo o famoso garum, um produto muito valorizado no mundo romano.

Vestígios dessa época continuam espalhados pelo centro histórico.

O Teatro Romano, o criptopórtico da Rua da Prata e os complexos de produção de preparados de peixe são apenas alguns exemplos da Lisboa que existia há quase dois mil anos.

É como se a cidade atual tivesse sido construída sobre outra cidade — e essa sobre outra ainda mais antiga.

Depois de Roma vieram os povos germânicos

O fim do Império Romano não significou o fim de Lisboa.

A cidade atravessou as profundas transformações políticas que marcaram a Península Ibérica durante a Antiguidade Tardia e a Alta Idade Média.

Suevos, visigodos e outros povos passaram pelo território e deixaram diferentes marcas.

O próprio Arquivo Municipal de Lisboa destaca a sucessiva ocupação da cidade por diferentes povos ao longo dos séculos, ajudando a explicar a extraordinária mistura cultural que caracteriza a capital portuguesa.

Lisboa não nasceu de uma única civilização.

Foi sendo construída por muitas.

A Lisboa muçulmana e o nascimento de Alfama

No século VIII começou outra grande transformação.

Em 711, Lisboa entrou numa nova fase da sua história com a integração no mundo muçulmano. A documentação histórica da Câmara Municipal de Lisboa identifica esse momento como o início de um longo período de presença islâmica na cidade.

Lisboa passou a ser conhecida como Al-Ushbuna ou formas semelhantes do nome árabe da cidade, integrando as redes políticas e comerciais do mundo islâmico.

Foi uma época decisiva para a evolução urbana.

As marcas desse período são particularmente visíveis na zona histórica de Alfama, onde a topografia e a configuração das ruas preservam parte da memória de uma cidade medieval construída sobre encostas.

Ruas estreitas.

Becos.

Escadarias.

Passagens inesperadas.

Casas encostadas umas às outras.

A imagem romântica de Alfama é hoje inseparável de Lisboa, mas a sua complexidade urbana também recorda séculos de transformação.

A própria designação “Alfama” está relacionada com a presença árabe e com as antigas nascentes termais existentes naquela zona.

É uma das razões pelas quais caminhar por Alfama pode parecer uma viagem no tempo.

1147: o ano que mudou Lisboa para sempre

Em 1147, Lisboa voltou a mudar de mãos.

D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, cercou a cidade com o apoio de forças cruzadas vindas de várias partes da Europa.

O cerco prolongou-se durante cerca de 17 semanas e terminou com a conquista da cidade. A documentação do Município de Lisboa situa o fim do domínio islâmico em 21 de outubro de 1147.

Não foi, portanto, apenas uma conquista militar portuguesa no sentido mais simples da expressão.

Foi também um episódio ligado à Segunda Cruzada, com participação de cruzados ingleses, alemães, flamengos, franceses e normandos.

A partir desse momento, Lisboa foi integrada no reino português e iniciou uma nova etapa da sua história.

A Sé de Lisboa começou a ser construída precisamente em 1147, no local de uma antiga mesquita, que por sua vez tinha sido erguida sobre estruturas cristãs anteriores, segundo informação arqueológica e histórica apresentada pelo Turismo de Portugal.

Poucos lugares revelam de forma tão clara as sucessivas camadas da história de Lisboa.

Quando Lisboa se tornou capital de Portugal

Lisboa não foi imediatamente capital após a conquista.

A cidade tornou-se progressivamente o principal centro político e económico do reino e acabou por assumir o estatuto de capital no século XIII.

O Turismo de Portugal indica 1255 como o ano em que Lisboa se tornou capital nacional.

A escolha fazia sentido.

A cidade possuía uma localização estratégica, um porto privilegiado e uma ligação direta ao Atlântico.

Lisboa estava preparada para crescer.

E cresceu.

A cidade que se tornou porta de entrada para o mundo

Se a Antiguidade criou as raízes de Lisboa, os séculos XV e XVI deram-lhe uma dimensão verdadeiramente global.

A partir do Tejo partiram expedições que alteraram profundamente as relações entre Europa, África, Ásia e América.

Lisboa tornou-se um dos grandes centros comerciais da Europa.

Especiarias, metais preciosos, tecidos, produtos alimentares e mercadorias provenientes de territórios distantes entravam na cidade.

O Terreiro do Paço tornou-se um símbolo desse poder.

Belém ganhou uma importância extraordinária.

O Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém ficaram associados à época dos Descobrimentos e à expansão marítima portuguesa.

A Lisboa medieval transformava-se numa capital com ambições globais.

E o Tejo, que milhares de anos antes já atraía comerciantes e navegadores, tornava-se agora o ponto de partida para viagens que mudariam a história mundial.

O terramoto de 1755 quase apagou essa Lisboa

Poucos acontecimentos foram tão devastadores para Lisboa como o terramoto de 1 de novembro de 1755.

O sismo foi seguido por um maremoto e por incêndios que destruíram grande parte da cidade.

O impacto foi gigantesco.

Palácios, igrejas, edifícios públicos, obras de arte e bairros inteiros desapareceram ou ficaram severamente danificados.

Mas a história de Lisboa não terminou nas ruínas.

Começou uma nova fase.

Sob a liderança do Marquês de Pombal, a cidade foi reconstruída segundo um plano urbano racional e inovador para a época. A Baixa passou a apresentar uma estrutura geométrica, com ruas organizadas e edifícios concebidos com preocupações de resistência sísmica.

Nascia a Baixa Pombalina.

É uma das maiores provas de que Lisboa não é apenas uma cidade antiga.

É também uma cidade que soube renascer.

Lisboa está entre as cidades mais antigas da Europa?

Sim, Lisboa aparece em listas internacionais de cidades europeias com ocupação muito antiga, mas é importante perceber exatamente o que isso significa.

A lista publicada pelo The Telegraph em 2016 colocou Lisboa em 11.º lugar entre 16 cidades, atribuindo-lhe uma data de ocupação inicial de cerca de 1200 a.C.. A mesma lista incluía cidades como Argos, Atenas, Plovdiv, Chania, Patras, Trikala, Tebas, Kutaisi, Lárnaca, Cálcis, Mitilene, Cádis, Mtsqueta, Zadar e Erevan.

A lista original era apresentada como uma seleção das cidades mais antigas da Europa com ocupação continuada.

Contudo, rankings deste género devem ser lidos com cautela.

Determinar a “cidade mais antiga” não é uma tarefa simples. Uma cidade pode ter vestígios humanos muito antigos, mas não apresentar uma continuidade urbana perfeitamente documentada desde esse período. Além disso, diferentes estudos podem utilizar critérios diferentes.

Por isso, é mais rigoroso dizer que Lisboa está entre as cidades europeias com uma das mais antigas histórias de ocupação urbana documentada e tradicionalmente atribuída à Antiguidade.

E isso já é extraordinário.

Uma cidade mais antiga do que o próprio país

Talvez este seja um dos aspetos mais impressionantes da história de Lisboa.

Portugal nasceu como reino na Idade Média.

Lisboa já existia há muitos séculos.

Quando D. Afonso Henriques consolidou o reino português, a cidade tinha atrás de si uma longa sucessão de civilizações, povos, guerras, rotas comerciais e transformações urbanas.

Quando Portugal começou a afirmar-se no mundo, Lisboa já era uma cidade antiga.

Quando as caravelas partiram para África e para a Ásia, o Tejo já tinha assistido à passagem de inúmeros povos.

Quando o terramoto de 1755 destruiu grande parte da cidade, Lisboa tinha mais de dois milénios de história urbana.

E hoje, ao atravessar a Baixa, Alfama ou a colina do Castelo, é possível caminhar sobre camadas de história que remontam à Antiguidade.

Onde sentir a Lisboa mais antiga

Quem quiser perceber esta história não precisa de entrar num livro de História.

Pode começar pelas próprias ruas da cidade.

Castelo de São Jorge

A colina do Castelo é uma das zonas fundamentais para compreender as origens de Lisboa. A Câmara Municipal identifica-a como uma das primeiras áreas ocupadas da cidade, com importância durante a Idade do Ferro e o período romano, além da ocupação islâmica e da conquista de 1147.

Sé de Lisboa

A Sé é uma verdadeira sobreposição de épocas.

A construção começou em 1147, após a conquista cristã, sobre o local de uma antiga mesquita e de estruturas religiosas anteriores.

Alfama

É um dos lugares onde a memória da Lisboa medieval e islâmica continua mais presente.

Subir pelas suas ruas é entrar numa das zonas históricas onde a topografia da cidade antiga permanece particularmente evidente.

Teatro Romano

É uma das provas mais impressionantes da dimensão que Olisipo alcançou durante o período romano.

Ali, a Lisboa moderna encontra diretamente a cidade romana.

Baixa Pombalina

É o testemunho da capacidade de reconstrução de Lisboa depois do desastre de 1755.

A sua organização urbana tornou-se uma das imagens mais reconhecíveis da capital portuguesa.

Uma cidade que nunca deixou de se reinventar

Talvez seja essa a verdadeira grandeza de Lisboa.

Não é apenas a idade.

É a capacidade de sobreviver às mudanças.

Fenícios, romanos, povos germânicos, muçulmanos, portugueses medievais, navegadores, comerciantes e reformadores deixaram marcas na cidade.

Lisboa foi porto comercial, cidade romana, centro islâmico, capital medieval, capital imperial e metrópole moderna.

Foi conquistada.

Foi reconstruída.

Foi devastada.

E voltou a erguer-se.

O terramoto de 1755 poderia ter transformado Lisboa numa memória do passado. Em vez disso, deu origem a uma das maiores experiências de reconstrução urbana da Europa do século XVIII.

Lisboa: uma cidade onde o passado ainda está debaixo dos pés

Há algo de profundamente fascinante em perceber que uma simples caminhada pelas ruas de Lisboa pode atravessar milhares de anos.

Na mesma cidade coexistem vestígios de Olisipo romana, memórias da Lisboa islâmica, igrejas medievais, palácios, edifícios pombalinos e uma metrópole contemporânea.

É difícil encontrar uma imagem mais poderosa da passagem do tempo.

Lisboa não é antiga apenas porque os livros o dizem.

É antiga porque a sua história continua visível.

Está nas pedras.

Nas colinas.

Nas muralhas.

Nos nomes das ruas.

Nos monumentos.

Nos vestígios arqueológicos.

E, sobretudo, no próprio traçado da cidade.

Talvez seja por isso que Lisboa provoque uma sensação tão particular a quem a percorre.

Há cidades que se visitam.

Lisboa lê-se.

Cada subida revela uma época. Cada ruela esconde uma história. Cada miradouro abre uma janela para séculos de transformações.

E por baixo da Lisboa luminosa, turística e moderna permanece uma cidade muito mais antiga — uma cidade que começou a formar-se milhares de anos antes de Portugal existir.

Lisboa não é apenas a capital portuguesa. É uma das grandes testemunhas vivas da longa história urbana da Europa.

Fontes consultadas

Câmara Municipal de Lisboa — História de Lisboa

Arquivo Municipal de Lisboa — História

Turismo de Portugal — Lisboa

História de Lisboa — Tempos Fortes, Câmara Municipal de Lisboa

Lista das 16 cidades mais antigas, reproduzida pela Tornos News

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Sara Costa

Sara Costa

Sempre adorou comunicar. Por isso, tornou-se uma profissional bem-sucedida no marketing digital e na produção de conteúdos. Paralelamente, formou-se em Turismo e dedica-se à organização de viagens e tours pelo mundo, escrevendo sobre os lugares mais fascinantes que há para conhecer.

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