Os hábitos de férias dos portugueses estão a mudar de forma significativa. A tradicional liderança do Algarve já pertence ao passado e há uma nova região a conquistar o coração de quem procura descanso, natureza, tranquilidade e autenticidade durante o verão.
Segundo o mais recente estudo “Férias dos Portugueses 2019-2026”, desenvolvido pelo IPAM, o Alentejo Litoral tornou-se o destino nacional preferido para as férias de verão, ultrapassando o Algarve pela primeira vez desde que existem dados comparativos.
Além da mudança de preferências, o estudo revela uma realidade marcada por maior contenção financeira, maior planeamento das viagens e uma utilização crescente da Internet e da Inteligência Artificial na organização das férias.
Alentejo conquista a preferência dos portugueses
Os resultados mostram uma mudança clara nas escolhas dos viajantes nacionais.
Entre os participantes que planeiam fazer férias em Portugal, 60% apontam o Alentejo Litoral como destino de eleição, tornando esta região a grande vencedora das preferências dos portugueses.
Em contraste, o Algarve sofreu uma quebra significativa.
Depois de liderar o estudo realizado em 2019, a região algarvia passou de 48% para apenas 30% das preferências.
Ao mesmo tempo, o Norte Litoral registou uma forte subida, passando de 13% para 38%, tornando-se também uma das regiões que mais cresce na procura turística nacional.
Porque está o Alentejo a ganhar cada vez mais visitantes?
A crescente procura do Alentejo resulta da combinação de vários fatores.
Cada vez mais portugueses procuram destinos que ofereçam:
- praias menos sobrelotadas;
- maior tranquilidade;
- contacto com a natureza;
- gastronomia regional;
- preços mais equilibrados;
- experiências autênticas;
- turismo sustentável.
O Alentejo Litoral reúne precisamente estas características, oferecendo centenas de quilómetros de costa praticamente preservada, pequenas localidades piscatórias, parques naturais e algumas das praias mais bonitas da Europa.
Portugal continua a liderar, mas os portugueses voltam a olhar para o estrangeiro
Apesar das mudanças, Portugal continua a ser o principal destino de férias.
Ainda assim, a preferência pelo turismo interno diminuiu ligeiramente.
Enquanto em 2019 cerca de 61% dos inquiridos escolhiam permanecer no país, atualmente essa percentagem baixou para 50%.
Em sentido contrário, a Europa recuperou atratividade.
Os destinos europeus passaram de 34% para 40%, refletindo uma maior vontade de viajar para o estrangeiro, impulsionada pela recuperação das ligações aéreas e pelo aumento da oferta turística.
Praia continua a ser rainha, mas há novos critérios na escolha
O mar continua a ser um dos maiores atrativos das férias de verão.
No entanto, a importância exclusiva da praia está a diminuir.
Segundo o estudo do IPAM, a praia continua a liderar os fatores de escolha, mas caiu de 59% para 47%.
Hoje, os portugueses valorizam também outros aspetos, como:
- preço da estadia;
- património cultural;
- gastronomia;
- experiências locais;
- qualidade do alojamento;
- atividades disponíveis;
- relação qualidade-preço.
Esta mudança demonstra um perfil de viajante mais informado e mais exigente.
Orçamento aumenta, mas as famílias continuam cautelosas
Apesar da inflação dos últimos anos, os portugueses continuam a controlar cuidadosamente os gastos.
O orçamento médio previsto para as férias situa-se agora nos 750 euros por pessoa, ligeiramente acima dos 712 euros registados em 2019.
Contudo, a maioria pretende manter ou reduzir a despesa.
Os dados revelam que:
- 43% planeiam gastar menos do que no ano anterior;
- 43% pretendem manter o mesmo orçamento;
- apenas 14% admitem aumentar os gastos.
Este comportamento confirma uma tendência crescente de planeamento financeiro e procura de soluções mais económicas.
Subsídio de férias continua a ser essencial
De acordo com o ZAP, o estudo mostra igualmente que o subsídio de férias continua a desempenhar um papel determinante na capacidade de muitos portugueses conseguirem viajar.
Cerca de 77% dos inquiridos afirmam recorrer, total ou parcialmente, a este rendimento extraordinário.
Destes:
- 47% utilizam apenas parte do subsídio;
- 30% dependem integralmente desse valor para financiar as férias.
Os números demonstram que, para muitas famílias, este apoio continua a ser decisivo para garantir alguns dias de descanso.
Menos portugueses vão de férias
Também se verifica uma ligeira redução no número de pessoas que tencionam fazer férias.
Segundo o estudo:
- 79% dos inquiridos afirmam que irão gozar férias este verão;
- em 2019 essa percentagem era de 85%.
Entre aqueles que fazem férias, mantém-se praticamente inalterada a percentagem dos que saem da residência habitual.
Quanto à duração, duas semanas continuam a ser a opção preferida da maioria dos portugueses.
A Internet domina o planeamento das viagens
Uma das maiores mudanças registadas desde 2019 prende-se com a forma como os portugueses organizam as suas férias.
Hoje, 86% pesquisam informação na Internet antes de escolher o destino.
Há apenas alguns anos, essa percentagem situava-se nos 67%.
Além disso, as plataformas digitais tornaram-se o principal canal de reserva, sendo utilizadas por 64% dos participantes.
Comparadores de preços, motores de pesquisa, avaliações online e aplicações móveis passaram a desempenhar um papel fundamental na decisão final.
Inteligência Artificial entra nas férias dos portugueses
Pela primeira vez, a Inteligência Artificial surge destacada como uma ferramenta relevante no planeamento das viagens.
Segundo o estudo, 21% dos inquiridos já recorrem a soluções baseadas em IA para:
- procurar destinos;
- comparar preços;
- encontrar alojamento;
- descobrir atividades;
- planear itinerários personalizados.
Esta tendência deverá crescer significativamente nos próximos anos, à medida que as ferramentas de inteligência artificial se tornam mais acessíveis e sofisticadas.
Alojamento Local continua a liderar
Na escolha do alojamento também existem mudanças importantes.
Somando as categorias “Alojamento Local” e “Airbnb”, estas representam cerca de 50% das preferências.
Os hotéis surgem em segundo lugar, reunindo 29% das respostas.
Esta diferença demonstra que muitos portugueses continuam a privilegiar soluções mais flexíveis, económicas e adaptadas às necessidades familiares.
As férias continuam a ser uma prioridade
Apesar das dificuldades económicas e da necessidade de controlar despesas, o estudo conclui que as férias continuam a ser consideradas um momento essencial para o equilíbrio físico e emocional.
Segundo Mafalda Ferreira, professora do IPAM e coordenadora da investigação, os portugueses adaptaram os seus comportamentos sem abdicar do descanso.
O maior planeamento, o recurso crescente às plataformas digitais e a procura de destinos alternativos demonstram uma evolução clara na forma como as famílias organizam as suas férias.
Um retrato das novas tendências do turismo nacional
O estudo “Férias dos Portugueses 2019-2026”, realizado pelo IPAM Porto junto de 450 adultos, revela um país onde as prioridades estão a mudar.
Os portugueses procuram hoje experiências mais autênticas, controlam melhor os gastos, recorrem cada vez mais à tecnologia e demonstram uma crescente preferência por destinos nacionais menos massificados.
O Alentejo simboliza precisamente esta nova forma de fazer férias: mais calma, mais próxima da natureza e mais ajustada às necessidades das famílias portuguesas.





