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Dizemos isto todos os dias, mas está errado: 5 expressões que os portugueses usam mal sem saber

Será que fala bem português? Descubra 5 expressões que usamos todos os dias mas que estão gramaticalmente erradas. Um guia prático para evitar os erros mais comuns.

José Ferreira Por José Ferreira
12/02/2026
em Curiosidades, Língua Portuguesa, Português
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Dizemos isto todos os dias, mas está errado: 5 expressões que os portugueses usam mal sem saber

Dizemos isto todos os dias, mas está errado: 5 expressões que os portugueses usam mal sem saber

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A língua portuguesa é, sem dúvida, uma das mais belas e complexas do mundo. É uma língua viva, que respira, que se molda aos tempos e que viaja por continentes. No entanto, essa mesma riqueza torna-a traiçoeira.

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Muitas vezes, o que soa “bem” aos ouvidos ou o que ouvimos repetido até à exaustão na televisão, no trabalho ou em família é, na verdade, um erro histórico que passou de geração em geração.

O hábito é o maior inimigo da gramática. Quando uma expressão errada é dita por tempo suficiente por pessoas que respeitamos, o nosso cérebro deixa de a questionar e passa a aceitá-la como norma.

Mas, para quem preza a clareza e a correção — seja num e-mail profissional, num artigo ou numa conversa casual — conhecer estas “armadilhas” é fundamental. Hoje, no Ncultura, vamos desmascarar as expressões que quase todos os portugueses usam mal, sem terem a mínima noção do erro.

 

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1. O erro que destrói reuniões: “Ao encontro de” vs. “De encontro a”

Este é, talvez, o campeão dos erros no ambiente de escritório e em contextos profissionais. A confusão entre estas duas expressões pode mudar completamente o sentido do que pretende dizer, transformando um acordo numa colisão frontal.

  • Ao encontro de: Significa estar de acordo, caminhar na mesma direção, favorável a algo. Exemplo: “A tua proposta vai ao encontro do que eu pensava.” (Estamos felizes e em sintonia).
  • De encontro a: Significa o oposto. Significa choque, oposição, contrariedade. Exemplo: “A tua decisão foi de encontro aos meus interesses.” (Aqui temos um problema, pois houve um conflito).

Imagine que quer elogiar o seu chefe dizendo que as ideias dele são ótimas, mas usa “de encontro a”. Na prática, acabou de lhe dizer que as ideias dele chocam com a realidade ou com os seus princípios. É um erro subtil, mas com consequências semânticas desastrosas.

2. A expressão popular que desafia a lógica: “Ter de” ou “Ter que”?

Quantas vezes já parou para pensar se deve dizer “Tenho que ir” ou “Tenho de ir”? Embora no uso coloquial e no Brasil a forma “ter que” seja omnipresente, em Portugal a norma culta ainda estabelece uma distinção importante.

A regra tradicional diz que, quando queremos expressar obrigação ou necessidade, devemos usar a preposição “de”. Portanto, o correto é: “Tenho de trabalhar”, “Tenho de estudar”.

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O “ter que” deve ser reservado para situações onde “que” equivale a “algo que” ou “coisa que”. Exemplo: “Tenho muito que fazer” (Tenho muitas coisas para fazer). Na dúvida, lembre-se: se há obrigação, o “de” é o seu melhor aliado. Usar “ter de” demonstra um domínio refinado da nossa língua que salta à vista de qualquer interlocutor atento.

Leia também:
  • O que um espanhol realmente pensa dos portugueses. Sem filtros
  • Reforma sem penalizações se cumprir estes requisitos e tiver nascido entre as datas indicadas
  • Palavras mal pronunciadas: evite erros que comprometem a sua credibilidade
  • Errar é humano: 6 erros que todos devíamos cometer pelo menos uma vez na vida

 

3. O pleonasmo vicioso que usamos por hábito: “Há dois anos atrás”

Este erro é tão comum que até grandes escritores e jornalistas o deixam escapar. É o que chamamos de redundância ou pleonasmo vicioso.

O verbo haver, quando usado para indicar tempo decorrido, já carrega em si a ideia de passado. Quando dizemos “Há dois anos”, já estamos a dizer que o tempo passou. Ao acrescentar o “atrás”, estamos a dizer a mesma coisa duas vezes. É o equivalente linguístico a dizer “subir para cima” ou “entrar para dentro”.

  • Como corrigir: Use apenas “Há dois anos” ou, se preferir o atrás, use o verbo fazer: “Dois anos atrás” (embora esta última soe menos natural em Portugal). A simplicidade é, quase sempre, o caminho para a correção.

4. “A nível de”: A expressão que não serve para tudo

Esta expressão tornou-se uma espécie de “muleta” linguística usada para ligar qualquer tipo de assunto. Ouvimos constantemente: “A nível de dinheiro, estamos mal” ou “A nível de saúde, ele está melhor”.

Gramaticalmente, “a nível de” só deve ser usado quando nos referimos a hierarquias ou planos distintos. Exemplo: “Isto será decidido a nível ministerial” (no plano dos ministérios).

Para todos os outros casos, o português oferece opções muito mais elegantes e corretas: “No que toca a”, “Relativamente a”, “Quanto a” ou “No aspeto de”. Evitar o “a nível de” limpa o seu discurso e torna-o menos repetitivo e mais preciso.

5. “Fazer por causa que”: O erro que magoa os ouvidos

Pode parecer um erro grosseiro que “ninguém comete”, mas a verdade é que, na oralidade rápida, ele surge mais do que pensamos, muitas vezes disfarçado. A expressão correta é, simplesmente, “porque” ou “por causa de”.

A junção de “por causa” com “que” para introduzir uma explicação é uma construção inexistente na norma culta. Se quer explicar a razão de algo, escolha o caminho direto: “Não fui porque estava a chover” ou “Não fui por causa da chuva”. Tentar misturar as duas estruturas cria um ruído gramatical que retira autoridade a quem fala.

Conclusão: Um convite à correção amigável

A evolução da língua é inevitável e, muitas vezes, o erro de hoje torna-se a norma de amanhã. No entanto, enquanto a norma atual subsistir, conhecê-la é uma ferramenta de poder e clareza. Não se trata de ser um “polícia da gramática” ou de corrigir os outros de forma arrogante, mas sim de cuidar do património que é a nossa língua.

O erro não define a nossa inteligência, mas a atenção ao detalhe define o nosso brio. Da próxima vez que estiver prestes a escrever “há muitos anos atrás” num relatório ou a dizer que a proposta de alguém “foi de encontro” aos seus planos, faça uma pequena pausa. O seu português (e a sua imagem profissional) agradecerão.

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Etiquetas: erros de portuguêsexpressão popularExpressões portuguesaspleonasmo
José Ferreira

José Ferreira

Professor de Português, sempre gostou de desafiar os seus alunos com jogos de gramática e de ortografia. Para ele, a oportunidade de divulgar esses desafios em artigos que chegam a um público mais vasto é verdadeiramente estimulante e animador.

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