Há erros que passam despercebidos. E há outros que ficam. Que marcam. Que criam uma pequena hesitação no discurso — quase impercetível, mas suficiente para quebrar a credibilidade.
A língua portuguesa, rica e complexa, exige atenção. E, muitas vezes, não é a escrita que trai — é a pronúncia. Pequenos deslizes repetidos ao longo do tempo tornam-se hábitos. E esses hábitos acabam por se instalar no discurso quotidiano.
Porque é que erramos tanto na pronúncia?
A explicação é simples.
A língua falada evolui mais rápido do que a norma.
Influências regionais, rapidez no discurso, imitação de terceiros e até exposição mediática contribuem para a distorção de palavras.
O problema?
Quando o erro se torna comum, deixa de ser reconhecido como erro.
E é aí que começa a repetir-se — sem correção.
Palavras que quase toda a gente pronuncia mal
Há termos que continuam a ser mal ditos, mesmo em contextos formais. Em televisão, rádio, conferências e até no ensino superior. E são precisamente esses contextos que amplificam o impacto do erro.
Acelerar
Forma correta: acelerar
Erro comum: acelarar
Uma troca subtil, mas frequente. O “e” central desaparece no discurso rápido, criando um erro que se repete quase sem consciência.
Disenteria
Forma correta: disenteria
Erro comum: desinteria
A confusão com o prefixo “des” leva muitos a alterar a palavra. Mas a forma correta mantém o “di”.
Inexorável
Forma correta: inezorável
Erro comum: ineczorável
Uma palavra sofisticada que muitas vezes é distorcida por excesso de zelo na pronúncia.
Logótipo
Forma correta: logótipo
Erro comum: logotípo
O acento tónico está no “ó”, não no “í”. Um erro muito comum, sobretudo em contexto profissional.
Príncipe
Forma correta: príncipe
Erro comum: príncepe
A inversão de sons altera completamente a musicalidade da palavra.
Rubrica
Forma correta: rubríca
Erro comum: rúbrica
Um dos erros mais frequentes em Portugal. O acento tónico está no “í”.
Ruim
Forma correta: ruím
Erro comum: rúim
A posição do acento muda completamente a pronúncia — e o erro é extremamente comum.
Sintaxe
Forma correta: sintásse
Erro comum: sintácse
Uma palavra muito usada em contexto académico… e muitas vezes mal pronunciada.
Subsídio
Forma correta: subcídio
Erro comum: subzídio
Um erro quase institucionalizado, repetido até em contextos formais.
Supérfluo
Forma correta: supérfluo
Erro comum: superfulo
Uma simplificação indevida que elimina sons essenciais da palavra.
O impacto invisível destes erros
Pode parecer irrelevante.
Mas não é.
A forma como se fala influencia diretamente:
- A perceção de competência
- A credibilidade profissional
- A clareza da comunicação
- A confiança transmitida
Em contextos formais, estes detalhes ganham ainda mais peso.
O papel dos media na propagação dos erros
Quando um erro é repetido por figuras públicas, tende a legitimar-se.
E isso torna a correção mais difícil.
A televisão, a rádio e as redes sociais têm um papel determinante na forma como a língua é usada — e também na forma como é deturpada.
Como melhorar a pronúncia no dia a dia
Corrigir a forma como se fala não exige esforço extremo.
Mas exige atenção.
Algumas estratégias simples:
- Ouvir com atenção profissionais da comunicação
- Consultar dicionários com transcrição fonética
- Praticar a leitura em voz alta
- Estar disponível para corrigir hábitos
A melhoria começa na consciência do erro.
Falar bem é mais do que uma questão de rigor
É uma questão de identidade.
A língua é um reflexo da forma como se pensa, se comunica e se posiciona no mundo.
E cuidar da forma como se fala é, também, cuidar da forma como se é percebido.
Conclusão: pequenos detalhes, grande impacto
Nenhuma destas palavras é difícil.
Mas todas exigem atenção.
Porque, no fim, não é apenas uma questão de dizer bem.
É uma questão de dizer melhor.
A sua opinião
Quantas destas palavras estavam a ser mal pronunciadas? Vale a pena rever e corrigir — o impacto é imediato.





