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Início Histórias Curiosidades

Bacalhau à Gomes de Sá: receita original à moda do Porto

Aprenda a fazer Bacalhau à Gomes de Sá à moda do Porto. Descubra a história, os ingredientes e os segredos da receita tradicional portuguesa mais famosa.

Paula Miranda Por Paula Miranda
22/08/2026
em Curiosidades, Receitas de Peixe, Truques e Dicas
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Bacalhau à Gomes de Sá: receita original à moda do Porto

Bacalhau à Gomes de Sá: receita original à moda do Porto

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Descubra a história e a receita tradicional de Bacalhau à Gomes de Sá, um dos grandes clássicos da gastronomia portuguesa. Saiba como preparar esta especialidade portuense com bacalhau, batata, cebola, azeite, alho, ovo, salsa e azeitonas.

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Há pratos que alimentam. E há pratos que contam histórias. O Bacalhau à Gomes de Sá pertence, sem dúvida, à segunda categoria. Cada garfada transporta para o Porto antigo, para as ruas da Ribeira, para as cozinhas onde o aroma do azeite quente se misturava com o perfume da cebola lentamente alourada e para uma época em que a simplicidade dos ingredientes era transformada em verdadeira arte gastronómica.

Entre os grandes tesouros da gastronomia portuguesa, esta receita ocupa um lugar muito especial. É um prato humilde na origem, mas extraordinário no resultado: lascas de bacalhau macias, batatas tenras, cebola dourada, alho, azeite, ovo cozido, salsa e azeitonas pretas unem-se numa travessa que chega à mesa quente, aromática e irresistível.

O resultado é uma daquelas refeições capazes de reunir toda a família à mesa. Não precisa de ingredientes extravagantes nem de técnicas complicadas. Precisa, sobretudo, de bons produtos, tempo e respeito pela receita tradicional.

Bacalhau à Gomes de Sá: um clássico nascido no Porto

O Bacalhau à Gomes de Sá é uma das receitas mais emblemáticas da cidade do Porto. A sua história está ligada a José Luís Gomes de Sá Júnior, comerciante de bacalhau e cozinheiro amador portuense, a quem é atribuída a criação desta preparação.

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A receita tornou-se parte da identidade gastronómica da Invicta e ultrapassou há muito as fronteiras da cidade. Hoje, é reconhecida como uma das grandes especialidades da cozinha tradicional portuguesa.

O prato destaca-se precisamente pela capacidade de transformar ingredientes simples numa combinação extraordinariamente saborosa. O bacalhau, protagonista incontornável da mesa portuguesa, encontra nas batatas, na cebola, no azeite e no alho os parceiros perfeitos.

É essa simplicidade, aparentemente despretensiosa, que torna o prato tão especial.

Quem foi Gomes de Sá?

José Luís Gomes de Sá Júnior nasceu no Porto, a 7 de fevereiro de 1851, e ficou associado à criação de uma das receitas mais conhecidas da gastronomia portuense.

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A memória de Gomes de Sá permanece ligada à zona histórica da cidade e, em particular, à Rua do Muro dos Bacalhoeiros, na Ribeira, onde uma placa assinala a casa associada ao seu nascimento. A sua história está também envolta em relatos transmitidos ao longo das gerações. Segundo a tradição, Gomes de Sá terá aproveitado ingredientes que já utilizava na preparação de bolinhos de bacalhau para criar uma nova receita. O resultado acabaria por se tornar muito mais do que uma experiência culinária. Transformou-se num símbolo do Porto.

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A história da receita que conquistou Portugal

Uma das histórias mais conhecidas relacionadas com esta especialidade conta que Gomes de Sá terá transmitido a receita ao seu amigo João, cozinheiro do Restaurante Lisbonense, no Porto.

A tradição atribui à receita instruções muito precisas, sobretudo relativamente à temperatura a que deveria ser servida. A famosa recomendação de que o prato deveria chegar à mesa “bem quente, muito quente” tornou-se parte da memória desta iguaria.

Mais do que uma simples indicação culinária, esta expressão revela a importância atribuída à forma de servir o prato. O azeite deve chegar perfumado, a cebola deve conservar a sua doçura, o bacalhau deve permanecer suculento e as batatas devem absorver todos os sabores.

É precisamente aí que reside uma das grandes virtudes do Bacalhau à Gomes de Sá: apesar de ser uma receita relativamente simples, pequenos erros podem fazer toda a diferença.

Bacalhau à Gomes de Sá: receita original à moda do Porto
Bacalhau à Gomes de Sá: receita original à moda do Porto

O segredo está nos ingredientes

Para preparar um Bacalhau à Gomes de Sá tradicional, não é necessário recorrer a uma lista interminável de ingredientes.

A qualidade dos produtos é muito mais importante do que a quantidade.

Ingredientes

Para 6 a 8 pessoas:

  • 1 kg de bacalhau demolhado
  • 1,5 a 2 kg de batatas
  • 4 dentes de alho
  • 4 a 6 cebolas
  • 3 dl de azeite de boa qualidade
  • 4 ovos
  • Salsa fresca q.b.
  • Azeitonas pretas q.b.
  • Leite quente q.b.
  • Sal q.b.
  • Pimenta branca ou preta q.b.
  • 1 folha de louro, opcional

A receita tradicional admite pequenas variações, mas há ingredientes que não podem faltar se o objetivo for preservar a identidade do prato: bacalhau, batata, cebola, azeite, alho, ovo, salsa e azeitonas.

Como fazer Bacalhau à Gomes de Sá passo a passo

O segredo para conseguir um prato verdadeiramente memorável começa muito antes de ligar o forno.

1. Demolhar corretamente o bacalhau

Se for utilizado bacalhau salgado, é fundamental proceder à demolha com antecedência. O peixe deve permanecer em água fria, no frigorífico, durante o período adequado ao tamanho das postas, com mudanças regulares da água.

Este passo não deve ser apressado. Um bacalhau demasiado salgado pode comprometer todo o prato.

2. Cozer o bacalhau sem o deixar ferver em excesso

Coloque o bacalhau numa panela e cubra-o com água a ferver. Tape e deixe repousar alguns minutos, evitando uma fervura agressiva.

O objetivo é conseguir que o bacalhau fique cozinhado e suculento, sem perder a textura.

Depois, retire a pele e as espinhas e separe o peixe em lascas generosas.

É importante não desfazer demasiado o bacalhau. As lascas devem manter alguma estrutura para que sejam identificáveis no prato.

3. O truque tradicional do leite

Coloque as lascas de bacalhau num recipiente e cubra-as com leite quente.

Deixe repousar durante cerca de uma a duas horas.

Este procedimento ajuda a tornar o bacalhau mais macio e delicado, contribuindo para uma textura particularmente agradável. É um dos pequenos segredos associados à preparação tradicional desta receita.

4. Preparar as batatas

Descasque as batatas e corte-as em rodelas com aproximadamente um centímetro de espessura.

Coza-as cuidadosamente em água temperada com sal, evitando que fiquem demasiado moles.

A batata deve estar cozinhada, mas suficientemente firme para manter a forma durante a passagem pelo forno.

Este detalhe é essencial. Batatas desfeitas podem transformar o prato numa espécie de puré, retirando-lhe a textura característica.

5. Alourar a cebola e o alho

Num tacho ou frigideira larga, aqueça o azeite.

Junte as cebolas cortadas em rodelas finas e os dentes de alho picados ou laminados. Se desejar, acrescente uma folha de louro.

Deixe cozinhar lentamente.

Aqui, a pressa é inimiga do sabor. A cebola deve ficar macia, translúcida e ligeiramente dourada, libertando toda a sua doçura no azeite.

É este refogado que vai envolver todos os restantes ingredientes e dar personalidade ao prato.

6. Juntar o bacalhau

Escorra bem as lascas de bacalhau que estiveram no leite.

Junte-as cuidadosamente à cebola e ao alho, envolvendo tudo no azeite.

Não mexa de forma demasiado vigorosa. O objetivo é preservar as lascas e permitir que o bacalhau absorva os aromas do refogado.

7. Montar o Bacalhau à Gomes de Sá

Numa travessa de forno, coloque uma camada de batata.

Distribua por cima parte da mistura de bacalhau e cebola.

Repita as camadas até terminar os ingredientes.

Regue com o azeite do preparado. É este azeite aromático que vai penetrar nas batatas durante a passagem pelo forno e criar aquele sabor tão característico.

8. Levar ao forno

Leve a travessa ao forno previamente aquecido a cerca de 180 ºC, durante aproximadamente 15 a 20 minutos.

Não é necessário deixar o prato demasiado tempo no forno. Todos os ingredientes já estão cozinhados. O objetivo é simplesmente permitir que os sabores se fundam e que a superfície fique ligeiramente dourada.

9. Finalizar com ovo, salsa e azeitonas

Retire a travessa do forno e finalize com ovos cozidos cortados em rodelas, salsa fresca finamente picada e azeitonas pretas.

Este último passo não é apenas decorativo.

O ovo acrescenta cremosidade e riqueza, a salsa introduz frescura e as azeitonas oferecem uma nota salgada que contrasta com a doçura da cebola.

O resultado é uma combinação equilibrada, aromática e profundamente portuguesa.

O grande segredo: não ter pressa

Há uma razão para as receitas tradicionais continuarem a conquistar gerações.

Não é apenas a receita. É o tempo.

A cebola precisa de tempo para amaciar. O bacalhau precisa de tempo para absorver o leite. As batatas precisam de ser cozinhadas no ponto certo. E o forno precisa apenas do tempo necessário para juntar todos os sabores.

Um bom Bacalhau à Gomes de Sá não deve ser seco nem excessivamente tostado.

Deve ser suculento, aromático e envolvido por azeite.

Que bacalhau escolher?

Para esta receita, a qualidade do bacalhau tem enorme importância.

Sempre que possível, escolha postas de boa qualidade, com espessura suficiente para permitir obter lascas bonitas e suculentas.

O bacalhau demasiado fino pode ficar seco durante a preparação, enquanto postas mais grossas permitem obter uma textura muito mais interessante.

Outro ponto essencial é a demolha. Um bacalhau mal demolhado pode ficar excessivamente salgado e comprometer todo o equilíbrio da receita.

Como conseguir batatas perfeitas

A batata pode parecer um ingrediente secundário, mas desempenha um papel fundamental.

O ideal é utilizar uma variedade que mantenha a estrutura depois de cozida.

As rodelas não devem ser demasiado finas, porque podem desfazer-se facilmente. Também não devem ser excessivamente grossas, pois terão mais dificuldade em absorver os sabores do azeite e da cebola.

O ponto ideal é conseguir uma batata macia por dentro, mas ainda firme.

O azeite faz toda a diferença

Num prato com tão poucos ingredientes, o azeite não pode ser tratado como um simples detalhe.

É praticamente o elemento que liga toda a receita.

Um bom azeite português acrescenta aroma, intensidade e profundidade. É utilizado para cozinhar a cebola, envolver o bacalhau e regar a travessa antes de esta entrar no forno.

Por isso, não vale a pena economizar precisamente neste ingrediente.

O leite é obrigatório?

Não existe consenso absoluto sobre todas as variações da receita tradicional, mas o uso de leite quente para envolver as lascas de bacalhau é uma técnica frequentemente associada à preparação atribuída a Gomes de Sá.

O leite ajuda a suavizar a textura do peixe e pode tornar as lascas mais delicadas.

Quem pretende aproximar-se da versão tradicional pode experimentar este método e perceber a diferença no resultado final.

Como evitar que o Bacalhau à Gomes de Sá fique seco

Este é um dos problemas mais comuns.

Para evitar um prato seco, há alguns cuidados essenciais:

  • Não cozinhar excessivamente o bacalhau;
  • Não deixar as batatas demasiado tempo no forno;
  • Utilizar azeite suficiente;
  • Não deixar a cebola queimar;
  • Evitar temperaturas excessivamente elevadas;
  • Regar bem a travessa antes de levar ao forno;
  • Servir pouco depois de sair do forno.

O bacalhau deve permanecer húmido e as batatas devem absorver parte do azeite aromatizado pela cebola e pelo alho.

Uma receita simples que representa o Porto

Poucos pratos conseguem representar tão bem a ligação entre gastronomia, história e identidade local como o Bacalhau à Gomes de Sá.

O Porto é conhecido pelas suas paisagens sobre o Douro, pelas pontes, pelas caves de vinho do Porto, pelas igrejas e pela arquitetura histórica. Mas existe uma outra forma de conhecer a cidade: através dos sabores.

E o Bacalhau à Gomes de Sá é uma dessas portas de entrada.

É uma receita que nasceu da criatividade de um portuense, atravessou gerações e conquistou mesas muito para além da cidade onde surgiu.

Hoje, continua a ser presença habitual em restaurantes, reuniões familiares, celebrações e almoços de domingo.

Bacalhau à Gomes de Sá: mais do que uma receita

Há qualquer coisa de profundamente reconfortante neste prato.

Talvez seja o cheiro da cebola lentamente cozinhada em azeite. Talvez seja a textura das lascas de bacalhau entre as batatas. Talvez sejam os ovos cozidos e as azeitonas a completar uma travessa que parece ter sido feita para reunir pessoas.

O certo é que o Bacalhau à Gomes de Sá continua a provar que a grande cozinha não precisa de luxo.

Precisa de memória, bons ingredientes e respeito pela tradição.

E quando a travessa chega à mesa ainda quente, perfumada e dourada, torna-se difícil resistir.

Porque há receitas que alimentam o corpo. E há receitas que alimentam a memória. O Bacalhau à Gomes de Sá faz as duas coisas.

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Etiquetas: Bacalhau à Gomes de Sábacalhau à Gomes de Sá receita originalreceita de bacalhau à Gomes de Sáreceita original de bacalhau à Gomes de Sá
Paula Miranda

Paula Miranda

Formou-se em Direito, mas o seu sonho sempre foi cozinhar. Por isso, de há uns anos para cá, tem apostado em cursos culinários e em formações de cake design para aperfeiçoar a sua técnica. Comunicadora por excelência, encontra nas receitas a melhor forma de partilhar com os outros aquilo que a alimenta por dentro e por fora.

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