Portugal continental enfrenta nos próximos dias um período de chuva persistente e ventos fortes, embora a tempestade Nils não passe diretamente sobre o território. O risco maior advém das frentes associadas e de um rio atmosférico carregadíssimo de humidade, originário das Caraíbas, que irá intensificar a precipitação, especialmente nas regiões do Norte e Centro do país.
A circulação do jato polar, deslocada mais a sul do habitual, canaliza este fluxo de tempestades atlânticas, enquanto o anticiclone dos Açores, mais afastado, permite que o país receba ar tropical e húmido, provocando temperaturas suavemente amenas e uma reduzida amplitude térmica. As mínimas variarão entre 12 e 15 ºC, exceto no interior Norte e Centro, onde os valores podem ser ligeiramente inferiores.
Quarta-feira: pico do rio atmosférico e chuva intensa
Na quarta-feira, 11 de fevereiro, o rio atmosférico atingirá o seu pico de intensidade, resultando em chuva persistente, localmente moderada a forte, sobretudo entre a madrugada e final da manhã, e novamente entre início e final da tarde.
As áreas mais afetadas serão:
- Distritos do Norte e Centro, a norte da Serra da Estrela e oeste da Barreira de Condensação.
- Interior Norte e Centro, litoral Oeste, Área Metropolitana de Lisboa e Alto Alentejo.
A chuva será intensificada nas zonas expostas à orografia e ao vento de sudoeste. O Baixo Alentejo e o Algarve registam precipitação menos frequente.
O vento será outro fator relevante, com rajadas até 75 km/h na faixa costeira do Norte e Centro e até 100 km/h nas terras altas, exigindo atenção redobrada em áreas frágeis, embora os impactos não sejam comparáveis aos registados com a tempestade Kristin.
Quinta e sexta-feira: frente ativa e precipitação acumulada
Na quinta-feira, 12 de fevereiro, espera-se uma melhoria temporária, com céu muito nublado e algumas abertas. Os aguaceiros serão fracos e dispersos, principalmente a norte do Vouga e oeste da Barreira de Condensação.
No final da tarde, uma nova frente ativa atravessará o território a partir do litoral Centro (entre Coimbra e Leiria), avançando de sudoeste para nordeste. A chuva tornar-se-á generalizada, com episódios pontualmente fortes, estendendo-se até meio da manhã de sexta-feira, 13 de fevereiro.
Com a chegada de uma massa de ar mais fria, a precipitação passará a aguaceiros intermitentes, eventualmente acompanhados de granizo, trovoadas e neve acima de 1000 metros nas serras do Norte e Centro.
Acumulados previstos
Entre hoje e sexta-feira, os valores de pluviosidade acumulada poderão variar entre 100 e 200 mm nas seguintes regiões:
- Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra
- Setores ocidentais de Vila Real e Viseu
- Parcialmente nos distritos de Leiria, Santarém e Portalegre
Nas zonas montanhosas de Aveiro, os acumulados poderão ultrapassar os 200 mm, exigindo atenção especial.
Risco de cheias e medidas preventivas
As chuvas intensas e prolongadas aumentam significativamente o risco de cheias rápidas, especialmente nos rios Douro, Vouga, Mondego e Tejo. A população deve manter atenção redobrada, evitando zonas ribeirinhas e percursos de risco, e seguir as instruções das autoridades locais e dos serviços municipais de proteção civil.
Outras recomendações incluem:
- Evitar conduzir em estradas inundadas ou zonas alagadiças
- Verificar a integridade de telhados, muros e sistemas de drenagem
- Manter dispositivos de comunicação carregados para alertas meteorológicos
- Preparar kits de emergência com alimentos, água e medicamentos essenciais
Mar agitado e alerta costeiro
O mar atlântico será fortemente agitado, com ondas superiores a 4 metros na costa ocidental e até 8 metros nas ilhas e terras altas do Norte e Centro, aumentando o risco de inundações costeiras e de acidentes marítimos.
Os Açores e a Madeira sentirão efeitos indiretos: os Açores terão aguaceiros moderados a fortes e vento de sudoeste até 90 km/h, enquanto a Madeira experimentará céu parcialmente nublado e ondas até 3 metros, mantendo condições mais amenas e estáveis.
Previsão para o fim de semana
O fim de semana poderá trazer ligeira melhoria, mas a instabilidade persiste, sobretudo no Norte e Centro. O anticiclone dos Açores começará a exercer maior influência, podendo criar períodos mais secos e com céu parcialmente limpo.
No entanto, a atenção às condições meteorológicas continua a ser fundamental, pois o Atlântico permanece instável e a chegada de novas frentes não está totalmente descartada.
Portugal vive, assim, uma semana crítica de precipitação intensa, marcada por rios atmosféricos poderosos, ventos fortes, cheias e agitação marítima, exigindo preparação, vigilância e prudência.




