Declaração do líder do Chega sobre imigração está a provocar forte reação nas redes sociais. André Ventura defende a suspensão da entrada de imigrantes extracomunitários até que a AIMA consiga resolver os processos pendentes.
A imigração voltou a estar no centro da discussão política em Portugal, mas uma frase de André Ventura acabou por ganhar particular destaque nas redes sociais.
Durante uma ação política em Setúbal, o líder do Chega defendeu que Portugal deve suspender a entrada de imigrantes provenientes de países de fora da União Europeia enquanto não forem resolvidos os processos pendentes na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).
De acordo com o Zap, foi nesse contexto que André Ventura proferiu uma declaração que rapidamente começou a circular nas redes sociais:
“Senão qualquer dia temos mais imigrantes do que pessoas… que portugueses, e acho que isso não é bom.”
A frase surgiu durante uma intervenção em que o presidente do Chega criticava a atual capacidade de resposta do Estado português perante o número de processos relacionados com imigração.
André Ventura quer “fechar fronteiras” a imigrantes extracomunitários
O líder do Chega considera que Portugal não deve continuar a permitir novas entradas de cidadãos extracomunitários enquanto existirem centenas de milhares de processos por analisar.
Segundo André Ventura, existem cerca de meio milhão de pedidos em análise na AIMA, situação que, na sua perspetiva, demonstra a incapacidade atual do sistema para acompanhar o ritmo dos processos.
A solução defendida passa por uma suspensão temporária das entradas de imigrantes provenientes de países fora da União Europeia.
“Mais do que falar de saúde e resiliência na saúde, nós precisamos, meus caros amigos, minhas caras amigas, de um Estado resiliente”, afirmou o dirigente, defendendo uma atuação mais firme por parte do Governo.
Em declarações aos jornalistas, Ventura resumiu a sua posição através de uma imagem particularmente expressiva: “Ninguém compreende que numa casa sobrelotada continuemos de porta aberta.” E acrescentou: “Até a casa estar em ordem, trancas à porta.”
A proposta apresentada pelo Chega
A posição assumida publicamente por André Ventura acompanha uma iniciativa apresentada pelo grupo parlamentar do Chega na Assembleia da República.
No projeto de resolução, o partido recomenda ao Governo a “imediata suspensão da emissão de qualquer nova autorização de residência” enquanto os processos atualmente pendentes na AIMA não forem analisados e decididos.
É importante distinguir esta proposta das declarações políticas feitas pelo líder do partido: trata-se de um projeto de resolução, uma iniciativa parlamentar que recomenda uma determinada atuação ao Governo e que não tem, por si só, força de lei.
Para o Chega, a prioridade deverá ser recuperar a capacidade de resposta da AIMA antes de permitir um aumento adicional do número de processos.
“Não podemos deixar o país invadir-se de migrantes”
A intervenção de André Ventura foi marcada por uma linguagem particularmente contundente.
Ao abordar a necessidade de mão de obra estrangeira, o líder do Chega reconheceu que existem empresas portuguesas que necessitam de trabalhadores, mas defendeu que muitos dos imigrantes que já se encontram no país podem ser encaminhados para essas necessidades.
Foi então que surgiu a frase que está a provocar reações nas redes sociais:
“Senão qualquer dia temos mais imigrantes do que pessoas… que portugueses, e acho que isso não é bom.”
A declaração foi feita no contexto da defesa de uma política migratória mais restritiva e da crítica à incapacidade do Estado para acompanhar os processos administrativos.
Pouco antes, Ventura tinha afirmado:
“Nós não podemos, enquanto treinamos e não treinamos, enquanto chamamos e não chamamos, deixar o país invadir-se de migrantes.”
As palavras utilizadas pelo líder do Chega refletem a posição política que tem vindo a defender: uma redução das entradas extracomunitárias até que Portugal consiga controlar e reorganizar o sistema de imigração.
AIMA continua no centro da discussão
A Agência para a Integração, Migrações e Asilo está no centro desta polémica.
A estrutura herdou responsabilidades anteriormente atribuídas ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e enfrenta uma enorme pressão relacionada com processos de regularização, autorizações de residência e outros procedimentos administrativos.
André Ventura considera que o reforço da AIMA deve ser uma prioridade.
O líder do Chega referiu ainda a existência de funcionários que pretendem abandonar a agência, defendendo que é necessário reforçar os recursos humanos e garantir formação adequada.
Na sua visão, não será suficiente contratar mais trabalhadores se o Estado não conseguir criar uma estrutura capaz de responder eficazmente ao volume de processos existentes.
“Com meio milhão por regularizar”, não pode haver mais entradas
A argumentação de André Ventura assenta numa ideia central: Portugal deverá primeiro resolver a situação administrativa dos imigrantes que já se encontram no país antes de aceitar novos fluxos migratórios.
O dirigente considera que a existência de um número elevado de processos pendentes impede o Estado de garantir uma resposta eficaz.
Por isso, defende uma suspensão temporária da entrada de cidadãos extracomunitários, com exceções previstas na lei, até que a situação seja considerada controlada.
“Com meio milhão por regularizar”, afirmou Ventura, o país não terá capacidade para continuar a aumentar o número de processos.
A polémica também chegou às redes sociais
É precisamente a frase “qualquer dia temos mais imigrantes do que pessoas” que está a despertar particular atenção nas redes sociais.
A declaração é apresentada e interpretada de formas diferentes, consoante a posição de quem a partilha. Para os apoiantes do Chega, representa um alerta sobre a dimensão da imigração e sobre a capacidade de integração de Portugal. Para os críticos, trata-se de uma afirmação polémica e suscetível de alimentar discursos de rejeição da imigração.
A frase, contudo, não surgiu isoladamente.
Foi proferida durante uma intervenção em que André Ventura defendia uma alteração profunda da política migratória portuguesa e, concretamente, a suspensão de novas entradas de cidadãos extracomunitários até que os processos pendentes na AIMA fossem resolvidos.
O caso dos vistos e das fronteiras
Durante a mesma ação política, António Tânger Corrêa, então cabeça de lista do Chega às eleições europeias, também abordou a entrada em Portugal de cidadãos provenientes de países sujeitos a obrigação de visto.
Foram mencionados países como Bangladesh, Nepal, Índia e Paquistão, tendo Tânger Corrêa defendido que as regras de entrada devem ser cumpridas e fiscalizadas.
Questionado pelos jornalistas sobre como seria possível a entrada de pessoas sem visto, respondeu de forma polémica:
“Vá para o aeroporto e veja. Quem é que entra? Eles todos, os indostânicos e estes gajos que precisam de visto, sem visto.”
A declaração acabou por acrescentar uma nova dimensão à polémica, num momento em que o Chega procurava pressionar o Governo para adotar regras mais apertadas relativamente à imigração.
Ventura fala numa “situação excecional”
André Ventura considera que Portugal atravessa uma situação que exige medidas extraordinárias.
O líder do Chega defende que o país tem autonomia para reforçar o controlo das entradas de cidadãos provenientes de países terceiros, respeitando naturalmente as regras nacionais e europeias aplicáveis.
Na sua perspetiva, a dimensão dos processos pendentes na AIMA justifica uma intervenção imediata.
A proposta passa, assim, por reduzir temporariamente as entradas, reforçar a AIMA, acelerar os processos pendentes e estabelecer regras de imigração mais restritivas.
Uma discussão que promete continuar
A frase de André Ventura tornou-se o ponto mais visível de uma discussão muito maior.
Portugal enfrenta um debate cada vez mais intenso sobre imigração, habitação, mercado de trabalho, serviços públicos, integração e capacidade administrativa do Estado.
A questão colocada pelo Chega é essencialmente esta: deve Portugal continuar a receber novos imigrantes enquanto milhares de processos permanecem pendentes?
Para André Ventura, a resposta é não.
O líder do Chega quer que o país suspenda novas entradas de cidadãos extracomunitários até que consiga colocar em ordem os processos que já estão dentro do sistema.
E é nesse contexto que a frase que agora circula nas redes sociais ganhou força:
“Senão qualquer dia temos mais imigrantes do que pessoas… que portugueses, e acho que isso não é bom.”
Uma declaração que, independentemente da posição política de cada leitor, promete continuar a alimentar um dos debates mais intensos da atualidade portuguesa: qual deve ser o limite da imigração e até onde consegue Portugal garantir a integração de quem chega ao país?




