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Porto: o imponente Teatro Nacional S. João

O Teatro Nacional S. João tem uma história longa e atribulada a partir da qual se pode sentir a pulsação da sociedade portuense ao longo dos séculos XIX, XX e XXI.

Teatro Nacional S. João
Porto: o imponente Teatro Nacional S. João

Porto: o imponente Teatro Nacional S. João

O Teatro Nacional S. João tem uma história longa e atribulada a partir da qual se pode sentir a pulsação da sociedade portuense ao longo dos séculos XIX, XX e XXI.

O imponente Teatro Nacional S. João, que fecha o lado sul da Praça da Batalha, foi construído no mesmo local onde existiu antes outro teatro lírico com o mesmo nome, fundado por iniciativa do corregedor da comarca, Francisco de Almada e Mendonça, que quis dotar a cidade do Porto com um teatro semelhante ao inaugurado em Lisboa (o Teatro do Salitre), em 1794.

Teatro Nacional S. João
Com a sua imponente fachada, aberta para o centro da Praça da Batalha, o novo Teatro Nacional S. João, concebido por Marques da Silva, pretendeu ser a «resposta» portuense ao lisboeta Teatro Nacional de S. Carlos.

Para tal, aprovado o projecto pelo governo, reuniu, nesse mesmo ano, comerciantes e capitalistas da cidade, tendo conseguido, até Abril de 1796, que fossem subscritas 313 acções, cujo capital (31.000$000 reis) permitiu iniciar as obras.

Esse teatro (mais sóbrio que o actual) foi projectado pelo arquitecto italiano Vicente Mazzoneschi (nessa altura a trabalhar em Lisboa na construção do Teatro de S. Carlos) e foi inaugurado em 13 de Maio de 1798, com a comédia «A Vivandeira», para assinalar os 31 anos do príncipe regente, o futuro D. João VI. Chamou-se, por isso, inicialmente, Teatro do Príncipe e, depois, Real Teatro de S. João.

Teatro Nacional S. João
Fachada do antigo Real Teatro de São João

Destinado a ópera italiana e declamação portuguesa, este teatro sofreu várias remodelações nos anos seguintes. O edifício era constituído por quatro andares, com várias janelas de peitoril; na fachada principal, ostentava o brasão real.

Interiormente, tinha frisas, três ordens de camarotes, superior, geral, balcão de 1ª e 2ª fila e galerias. Mesmo sem grandes comodidades, era o melhor teatro do Porto no seu tempo, frequentado pela melhor sociedade.

Pelo seu palco passaram alguns dos maiores actores da época, que levaram à cena grandes dramas e comédias, tanto no palco como nos bastidores e até na plateia. Que o digam Camilo e outras figuras da política, das artes e da intelectualidade portuense desses tempos…

Teatro Nacional S. João
Real Theatro S. João após o incêndio

O velho teatro foi totalmente destruído por um incêndio, em 11 de Abril de 1908, logo se constituindo uma sociedade encarregada de promover a reconstrução e a exploração do teatro lírico do Porto.

Teatro Nacional S. João
Real Theatro S. João após o incêndio

As obras iniciaram-se em 1911 e terminaram em 1918, sendo o projecto do novo teatro (que pretendeu ser uma «resposta» à iniciativa lisboeta do «S. Carlos») da autoria do arquitecto Marques da Silva.

Teatro Nacional S. João
Porto: o imponente Teatro Nacional S. João

Este novo teatro é um bloco arquitectónico de notável robustez, sem estilo definido, mas um tanto classicizante. A imponente frontaria é guarnecida por quatro colunas jónicas, entre as quais se abrem três janelas de arco pleno e outras tantas portas emolduradas com mármores e encimadas por frontões.

Teatro Nacional S. João
Porto: o imponente Teatro Nacional S. João

As decorações interiores da sala de espectáculos e principais salões, inspiradas em padrões italianos e franceses, são da responsabilidade dos pintores Acácio Lino e José Brito e dos escultores Henrique Moreira, Diogo de Macedo e Sousa Caldas, sendo destes dois últimos as quatro figuras alegóricas da Bondade, da Dor, do Ódio e do Amor colocadas no friso do entablamento.

Teatro Nacional S. João
Porto: o imponente Teatro Nacional S. João

Nas fachadas laterais sobressaem máscaras de cimento e frisos com festões e frutos, feitos pelo escultor Joaquim Gonçalves da Silva. O amplo átrio é pavimentado com mármores e quatro colunas jónias, na parte central, sustentam o tecto estucado e apainelado.
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