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Língua Portuguesa: paronomásia, sabe o que é?

Sabe distinguir cada um dos recursos de estilo que existem? Tire todas as suas dúvidas da língua portuguesa: paronomásia, sabe o que é?

paronomásia
Língua Portuguesa: paronomásia, sabe o que é?

Sabe distinguir cada um dos recursos de estilo que existem? Tire todas as suas dúvidas da língua portuguesa: paronomásia, sabe o que é?

Comunicar pode tornar-se um problema, se não conseguirmos expressar as nossas ideias, nem as nossas emoções. Quando não conseguimos transmitir o que pretendemos, ficamos frustrados. Por isso, convém dominar ao máximo a arte de comunicar, de forma a sermos mais eficazes na comunicação.

Uma forma de enriquecer o discurso é compreender os recursos estilísticos. Os recursos de estilo contribuem para uma forma de comunicar mais livre. Recorrer aos recursos de estilo permite a quem comunica desenvolver um discurso mais rico. Entre estes, estão as figuras de estilo que tornam o ato de comunicar bem mais atrativo. Quando se recorre a um recurso estilístico ou a figuras de estilo, a expressão pessoal adquire outros valores, novas dimensões.


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Língua Portuguesa: paronomásia, sabe o que é?

Exercício

Temos um bom desafio para si!… Está preparado(a) para testar os seus conhecimentos sobre recursos estilísticos e enfrentar o nosso desafio? Então, responda à questão: Qual (ou quais) das seguintes frases é/são exemplo de uma paronomásia?

– “Mas não tremas, nem temas.” (Padre António Vieira)

– “Eu não posso senão ser desta terra em que nasci.” (Jorge De Sena, «Quem a tem…»)

– “O sapo e a raposa resolveram e acordaram fazer uma sementeira a meias.” (Ataíde de Oliveira (rec.), in Contos Tradicionais Portugueses, Figueirinhas, 1975)

– “A mochila a pesar toneladas de tanto livro e tanto dossier.” (Alice Vieira, Trisavó de Pistola à Cinta, Caminho, 2001)

– “Que dia tão feliz, a sorte sorriu-me.”

– Ela gosta de português; eu, de filosofia.

– Vistes que com grandíssima ousadia, vistes aquela insana fantasia, vistes e ainda vemos cada dia.” (Luís de Camões)

– “Aquela cativa / que me tem cativo / porque nela vivo / já não quer que viva.” (Luís de Camões)

– Aquela árvore tinha toda a felicidade dos homens.

– A verdade é que tinha as mãos pesadas como penedos.

Antes de avançarmos com a identificação da(s) resposta(s) certa(s), é mais importante esclarecer o significado do conceito aqui abordado, a paronomásia. Só posteriormente iremos identificar as que estão erradas e as que não estão.

Significado

Paronomásia

Do grego paronomasía, com o mesmo significado, pelo latim paronomasĭa, no mesmo sentido. Paronomásia é nome feminino que identifica a figura de retórica que consiste em empregar, na mesma frase, palavras semelhantes no som ou na escrita, mas diferentes no sentido. Agnominação. Adnominação.

A paronomásia é uma figura de linguagem que pode ser integrada na categoria de figuras de som (como a onomatopeia, por exemplo), pois está relacionada com a sonoridade das palavras. São recursos que visam evidenciar algum aspeto através de um efeito harmónico provocado na leitura.

Ela recorre a palavras parónimas, isto é, a palavras que tendo uma sonoridade e grafia semelhantes têm um significado distinto. A paronomásia é um recurso utilizado em textos literários, mas também pode ser usado na linguagem oral e popular. Por exemplo: “Por causa dos privados foi privado” (Luís Vaz de Camões).

Análise

Vejamos o seguinte exemplo:

Exemplo 1: “Que a morte apressada seja tributo do entendimento, e a vida larga atributo da ignorância.” (Padre Antônio Vieira)

Explicação 1: O autor recorre à sonoridade semelhante entre determinados termos (nomeadamente tributo e atributo) que, apesar de terem significados distintos, estão apresentados num contexto onde há aproximação de duas ideias naturalmente opostas. Neste sentido, o autor fala na “morte apressada” e do tributo e fala da “vida larga” e do atributo.

Respostas

Agora que conhecemos bem o significado deste recurso estilístico, estamos aptos a regressar ao desafio com outra capacidade. Analisemos as frases do exercício, identificando qual a que está certa (ou quais as que estão certas) e quais as que estão erradas.


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É ou não é uma paronomásia?

– “Mas não tremas, nem temas” (Padre António Vieira) ✓

– “Eu não posso senão ser desta terra em que nasci.” (Jorge De Sena, «Quem a tem…») X

– “O sapo e a raposa resolveram e acordaram fazer uma sementeira a meias.” (Ataíde de Oliveira (rec.), in Contos Tradicionais Portugueses, Figueirinhas, 1975) X

– “A mochila a pesar toneladas de tanto livro e tanto dossier.” (Alice Vieira, Trisavó de Pistola à Cinta, Caminho, 2001) X

– “Que dia tão feliz, a sorte sorriu-me.” X

– Ela gosta de português; eu, de filosofia. X

– Vistes que com grandíssima ousadia, vistes aquela insana fantasia, vistes e ainda vemos cada dia.” (Luís de Camões) X

“Aquela cativa / que me tem cativo / porque nela vivo / já não quer que viva” (Luís de Camões) ✓

– Aquela árvore tinha toda a felicidade dos homens. X

– A verdade é que tinha as mãos pesadas como penedos. X

Fique a conhecer mais exemplos de paronomásia:

Não basta aprender é preciso apreender.

O João é um cavaleiro notável e um cavalheiro intratável.

A pomba pousou na estátua e posou para os turistas encantados com ela.

Sua Eminência está na iminência de partir para os Estados Unidos da América.

São poucos os loucos que viverão para ver!

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