Todos os anos, milhares de contribuintes em Portugal cumprem o mesmo ritual: pagar o Imposto Único de Circulação. Fazem-no quase por automatismo, sem questionar. Mas há uma verdade que continua a passar despercebida a muitos — nem todos são obrigados a pagar.
Em 2026, existem situações específicas em que o IUC simplesmente não é devido. E ignorar essas regras pode significar pagar um imposto que, na prática, não teria de sair da sua conta.
A lei é clara: há isenções previstas, mas pouco conhecidas
O Código do IUC estabelece exceções concretas, aplicáveis a determinados veículos e contribuintes. No entanto, a falta de informação continua a levar muitos portugueses a pagar sem necessidade.
Antes de avançar para o pagamento, há uma pergunta essencial que deve ser feita:
Este imposto aplica-se realmente ao seu caso?
Veículos elétricos continuam livres de IUC
Num contexto de transição energética, os veículos 100% elétricos mantêm uma vantagem clara: continuam isentos de IUC em 2026.
Esta isenção aplica-se exclusivamente a veículos totalmente elétricos ou movidos por energias renováveis não combustíveis.
Já os híbridos não beneficiam de isenção total. O valor do imposto depende de fatores como:
- Emissões de CO₂
- Cilindrada
- Categoria do veículo
Ou seja, ao contrário do que muitos pensam, ter um carro híbrido não significa automaticamente pagar menos — muito menos zero.
Pessoas com deficiência: direito à isenção, mas com regras
Outro grupo abrangido pela isenção inclui pessoas com grau de incapacidade igual ou superior a 60%.
Contudo, este benefício tem limites bem definidos:
- Aplica-se apenas a um veículo por beneficiário
- O valor da isenção não pode ultrapassar 240 euros
- No primeiro ano, o pedido deve ser feito dentro do prazo de pagamento
Além disso, nem todos os veículos são elegíveis. Existem critérios específicos relacionados com categorias e níveis de emissões.
Veículos históricos: quando o passado deixa de pagar
Os automóveis com mais de 30 anos também podem estar isentos — mas não basta a idade.
Para beneficiar desta exceção, é necessário:
- Ter reconhecimento como veículo de interesse histórico
- Circular de forma limitada (até 500 km por ano)
- Cumprir as categorias previstas na lei
O mesmo se aplica a veículos integrados em museus públicos, desde que o uso seja ocasional.
Não usar o carro não chega para evitar o imposto
Há um erro comum que continua a custar dinheiro a muitos portugueses: acreditar que não usar o carro significa não pagar IUC.
Não é assim.
Enquanto a matrícula estiver ativa, o imposto continua a ser devido. A única forma de eliminar essa obrigação é através do:
- Abate do veículo
- Cancelamento oficial da matrícula
Se estes procedimentos forem concluídos antes da data de aniversário da matrícula, o imposto deixa de ser exigido.
2026 mantém as regras — mudanças só chegam depois
Apesar de já terem sido anunciadas alterações ao regime do IUC, estas só deverão entrar em vigor a partir de 2027.
Até lá, mantém-se a regra atual:
- O imposto deve ser pago até ao final do mês da matrícula
Qualquer expectativa de mudanças imediatas pode levar a erros — e a penalizações.
Confirmar pode evitar pagar sem necessidade
A Autoridade Tributária deixa um aviso claro: antes de pagar, confirme.
No Portal das Finanças é possível:
- Verificar se existe obrigação de pagamento
- Confirmar eventuais isenções
- Submeter pedidos ou documentos necessários
Este simples passo pode evitar um encargo desnecessário.
Um imposto que nem sempre é obrigatório
O IUC continua a ser visto como inevitável, sublinha o Postal. Mas a realidade não é assim tão simples.
Há exceções. Há regras específicas. E há, sobretudo, muitos casos em que o pagamento é feito por desconhecimento.
Num contexto económico exigente, cada euro conta. E conhecer os seus direitos fiscais pode fazer toda a diferença.
A sua opinião
Já verificou se está realmente obrigado a pagar IUC este ano? Partilhe a sua opinião e experiência.




