Início Cultura Língua portuguesa: expressões e palavras que muitos erram

Língua portuguesa: expressões e palavras que muitos erram

Quando se cai no erro de propagar erros, estes tornam-se difíceis de erradicar… Fique a conhecer expressões e palavras que muitos erram.

expressões e palavras que muitos erram
Língua portuguesa: expressões e palavras que muitos erram

Quando se cai no erro de propagar erros, estes tornam-se difíceis de erradicar… Fique a conhecer expressões e palavras que muitos erram.

Na língua portuguesa, existem diversos exemplos de palavras que estão na origem de várias confusões e que levam a que sejam cometidos erros que se podem tornar verdadeiramente embaraçosos, se forem cometidos em determinados contextos (sala de aula, apresentação de uma tese, apresentação de um trabalho, palestra, entre outros momentos do género).

As palavras parónimas (propriedade de duas palavras com grafia relativamente próxima, mas com sentidos distintos), como comprimento/cumprimento ou emigração/imigração, são um exemplo perfeito de palavras que são frequentemente confundidas e que estão na origem de muitos erros. Basta uma ligeira distração.

O mesmo acontece com palavras homógrafas (saia/saía) ou com palavras homófonas (acento/assento). Há ainda o caso de se inventarem palavras que, apesar de não constarem no dicionário da língua portuguesa, são muitas vezes usadas. Vejamos, então, expressões e palavras da língua portuguesa que muitos dizem de forma incorreta


Leia também: Língua Portuguesa: enriqueça o seu léxico e evite estas 14 palavras!


Língua portuguesa: expressões e palavras que muitos erram

Solarengo

Esta é uma palavra que ouvimos constantemente ser usada de forma errada. É tão comum ouvi-la de determinada forma que, quando a vemos num dicionário, duvidamos do que estamos a ler.

Ora, quando alguém olha para o sol e diz que está um belo dia, um dia solarengo, na verdade o que pretende dizer é que, na verdade, está um dia soalheiro (ou, então, ensolarado). Soalheiro quer dizer exposto ao sol, quente. Enquanto solarengo é algo relativo ou pertencente a solar. Pode ser uma moradia ou também o dono ou habitante de um solar.

Uma grama

Grama, enquanto medida, é uma palavra masculina. Embora termine com a letra “a”, ela é uma palavra que serve de exceção à regra geral, ensinada na escola. Desde cedo, somos ensinados a associar o género feminino a qualquer palavra que termine com a letra “a”. Contudo, grama (referente ao sentido da medida, como “300g” de fiambre) é uma palavra masculina.

No Brasil, existe a palavra grama e aí é uma palavra que deve ser usada no feminino, como manda a regra geral. Grama, nesse caso, serve para identificar erva ou relva.

Contudo, sempre que se referir à unidade de medida, grama é uma palavra masculina. Portanto, deve pedir trezentos gramas de fiambre, pois está errado pedir trezentas gramas de fiambre.


Leia também: Língua Portuguesa: 20 palavras que poucos conhecem


Viver às custas de

Quem nunca ouviu dizer (ou leu) “viver às custas de”? Basta uma rápida pesquisa num qualquer motor de busca (como o Google ou o Yahoo), para encontrar diversos exemplos do uso desta expressão. No entanto, a expressão “viver às custas de” está incorreta, pois devemos dizer sempre “à custa de”. Esta é a única forma que é correta e comumente aceite na língua portuguesa.

Apesar de existirem diversos exemplos do uso da expressão “viver às custas de”, seja na internet, seja em jornais, em revistas, a verdade é que a palavra “custas” é um substantivo (feminino) que tem um uso associado apenas a um contexto jurídico.

Por isso, não deve ser usado no sentido analisado anteriormente. Não deve ser usado como plural de custa, pois “à custa de” é uma locução que não contempla plural.

Bebida à descrição

Ficamos entusiasmados sempre que ouvimos um amigo convidar-nos para uma festa com bebidas à descrição. Mas devíamos ficar preocupados com a falta de conhecimento sobre a língua portuguesa.

É que esta expressão é mal usada. Há uma clara confusão entre palavras parónimas. Se pretendemos referir uma festa sem restrições de bebidas ou com abundância das mesmas, devemos dizer “bebidas à discrição”, no sentido de “à vontade”.

Ora, como “descrição” vem do verbo descrever, por muito que o barman saiba todos os detalhes da bebida, não fará o que desejamos. Ele até pode descrever bem a bebida: é vermelha, tem um teor alcoólico de 13%, tendo sido realizada a partir das castas Touriga Nacional e Touriga Francesa, mas ficaremos tristes! A última coisa que pretendemos é um barman eloquente, pois ouvi-lo não nos tira a sede…

Concerteza

Escrever “concerteza” é cometer um atentado contra a língua portuguesa. No entanto, ele é feito diariamente, um pouco por todo o país. É um erro bastante comum…

Há na língua portuguesa uma expressão que é “com certeza”, que é mais adequada para esse efeito. Contudo, muitos teimam em usar uma palavra inventada.

Desejamo-vos

Em datas especiais (natal, passagem de ano, aniversário, casamento) é comum alguém dizer ou escrever “desejamo-vos” qualquer coisa. Esta frase é um erro. Não devemos dizer “nós desejamo-vos um feliz natal”. Aqui, a letra “s” faz toda a diferença.

Devemos dizer “nós desejamos-vos um feliz natal”.  Quando nós desejamos algo a vós (seja um feliz natal ou outra coisa qualquer), deve manter-se o “s”, ficando “desejamos-vos”.

Sim, pode até não soar bem para muitos, mas “desejamos-vos” é a forma correta.

Contudo, quando se deseja algo a nós mesmos, enquanto grupo, devemos dizer desejamo-nos (agora sem o “s”).


Leia também: Língua Portuguesa: 15 palavras «roubadas» pelos franceses


Salganhada

O termo salgalhada é o termo certo para identificar uma trapalhada, uma confusão ou uma mixórdia. Contudo, salganhada foi um erro tão comum que se enraizou, sendo hoje uma palavra que aparece em alguns dicionários.

Por causa que

A única forma correta é “por causa de”. Não se deve dizer “por causa que”, pois está incorreto.

Só se pode falar bem português, se usarmos as expressões adequadas. Devemos, por isso, fazer o esforço de conhecer cada vez mais sobre a nossa língua. Uma boa forma de fazê-lo é seguir o sítio do NCultura de forma regular.

2 COMENTÁRIOS

  1. Muito obrigado pela informação.
    É sempre com agrado que leio as v/ publicações.
    Embora, desta vez (perdoem-me a imodéstia…) não tenha detectado ‘novidades’, também não dei por desperdiçado o tempo da leitura.
    Permitam-me uma sugestão:
    – Nas publicações, abordem, se possível, não só a grafia, mas também a pronúncia, que tão maltratada anda…
    Particularmente o emprego do ‘presente do indicativo’ em vez do ‘pretérito perfeito’ (verbos terminados em ‘ar’), usado e abusado pelos ‘cominicadores’ da TV e da Rádio, faz-me cá uma ‘comichão’…
    Obrigado (também) pela v/ paciência…
    Cumprimentos
    Domingos Santos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.