O mau tempo não dá tréguas. Quando o país ainda tenta recuperar dos estragos deixados pela devastadora tempestade Kristin, uma nova ameaça meteorológica aproxima-se rapidamente do território nacional.
Chama-se depressão Leonardo — e promete dias difíceis.
Chuva intensa e persistente, rajadas violentas, mar revolto, queda de neve nas serras e risco acrescido de inundações colocam Portugal continental, Açores e Madeira sob forte pressão atmosférica, com avisos meteorológicos amarelo, laranja e vermelho já ativos.
O inverno mostra o seu lado mais duro. E os próximos dias poderão trazer novos transtornos, cortes de estrada, falhas de energia e situações de perigo real.
Uma nova frente de mau tempo atinge o país de sul para norte
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os primeiros efeitos da depressão Leonardo começam a sentir-se no Baixo Alentejo e Algarve, avançando depois gradualmente para o restante território.
A partir da tarde de 3 de fevereiro, a chuva forte instala-se, acompanhada por:
- rajadas até 75 km/h no litoral
- até 95 km/h nas terras altas
- precipitação persistente
- risco de cheias rápidas em meio urbano
Durante a noite de 4 para 5 de fevereiro, o cenário deverá agravar-se significativamente. Este poderá ser o período mais crítico, com vento mais intenso, chuva forte contínua e possibilidade de trovoada e granizo.
Nas regiões montanhosas, a neve regressa acima dos 1500 metros, descendo depois para 1200/1400 metros, o que poderá afetar estradas, acessos e circulação.
Mar revolto e ondas perigosas
O oceano será outro motivo de preocupação.
A agitação marítima deverá atingir níveis elevados, com previsão de:
- ondas até 6 metros de altura significativa
- picos máximos que podem chegar aos 11 metros na costa ocidental
Estas condições aumentam o risco de:
- galgamentos costeiros
- danos em infraestruturas portuárias
- interdições em zonas ribeirinhas
- perigo para pescadores e embarcações
As autoridades recomendam evitar áreas junto ao mar.
Madeira sob chuva forte e vento violento
No arquipélago da Madeira, o agravamento começa mais cedo e poderá prolongar-se por vários dias.
São esperados:
- períodos de chuva forte e generalizada
- rajadas até 85 km/h, podendo atingir 95 km/h nas zonas altas
- ondulação entre 5 e 7 metros na costa norte
O impacto poderá ser sentido sobretudo nas encostas mais expostas, com possibilidade de quedas de árvores, derrocadas e condicionamentos rodoviários.
Açores enfrentam cenário ainda mais severo
Nos Açores, a situação assume contornos mais preocupantes.
A depressão Leonardo deverá provocar:
- rajadas até 110 km/h
- mar extremamente agitado
- ondas significativas até 10 metros
- picos máximos que podem chegar aos 19 metros
Face ao perigo, foi já emitido aviso vermelho de agitação marítima, o nível mais grave da escala meteorológica.
Estas condições representam risco elevado para pessoas, embarcações e estruturas costeiras.
Porque está o tempo tão instável?
A explicação está na atmosfera.
O anticiclone dos Açores, que normalmente protege Portugal das tempestades atlânticas, encontra-se enfraquecido e deslocado para sul. Ao mesmo tempo, a corrente de jato polar mantém-se anormalmente baixa em latitude.
Resultado: forma-se um verdadeiro “corredor de tempestades”, abrindo caminho sucessivo a depressões atlânticas que atingem diretamente o país.
Enquanto este padrão persistir, a instabilidade deverá continuar ao longo de fevereiro.
Autoridades pedem máxima precaução
Depois dos danos recentes provocados pela Kristin, o solo encontra-se saturado e os rios com caudais elevados. Qualquer nova chuva forte pode provocar:
- inundações rápidas
- deslizamentos de terras
- cheias urbanas
- cortes de energia
- estradas intransitáveis
O IPMA e a Proteção Civil aconselham:
- evitar deslocações desnecessárias
- afastar-se de zonas costeiras e ribeirinhas
- garantir limpeza de escoamentos
- acompanhar os avisos oficiais
A Leonardo confirma uma realidade: o inverno ainda está longe de terminar.





