Sexta-feira, Maio 8, 2026
NCultura Notícias
  • Início
  • Língua Portuguesa
    • Português
    • Poemas e Poesia
  • Histórias
    • História de Portugal
    • Curiosidades
    • Pessoas
    • Opinião
  • Receitas
    • Aperitivos e Petiscos
    • Receitas de Carne
    • Receitas de Peixe
    • Receitas Rápidas
    • Receitas Vegetarianas
    • Sopas
    • Bolos e Sobremesas
    • Truques e Dicas
  • Lifestyle
    • Moda e Beleza
    • Animais de Estimação
    • Limpeza e Arrumação
  • Viagens
    • Destinos e Viagens
    • Monumentos
  • Pensamentos
    • Pensamentos e Frases do Dia
    • Mensagens
  • Zodíaco
    • Horóscopo
    • Signos
  • Notícias
Sem resultados
Ver todos os resultados
NCultura Notícias
  • Início
  • Língua Portuguesa
    • Português
    • Poemas e Poesia
  • Histórias
    • História de Portugal
    • Curiosidades
    • Pessoas
    • Opinião
  • Receitas
    • Aperitivos e Petiscos
    • Receitas de Carne
    • Receitas de Peixe
    • Receitas Rápidas
    • Receitas Vegetarianas
    • Sopas
    • Bolos e Sobremesas
    • Truques e Dicas
  • Lifestyle
    • Moda e Beleza
    • Animais de Estimação
    • Limpeza e Arrumação
  • Viagens
    • Destinos e Viagens
    • Monumentos
  • Pensamentos
    • Pensamentos e Frases do Dia
    • Mensagens
  • Zodíaco
    • Horóscopo
    • Signos
  • Notícias
Sem resultados
Ver todos os resultados
NCultura Notícias
Sem resultados
Ver todos os resultados
Publicidade
Início Língua Portuguesa

Como se escrevia em português antes de 1911: as palavras que mudaram para sempre

Pharmacia, theatro, abysmo, lyrio... veja como se escrevia em português antes da reforma de 1911 e descubra a história que mudou a nossa língua para sempre.

José Ferreira Por José Ferreira
08/05/2026
em Língua Portuguesa, Português
0
Como se escrevia em português antes de 1911: as palavras que mudaram para sempre

Como se escrevia em português antes de 1911: as palavras que mudaram para sempre

FacebookTwitterPinterestWhatsApp
Publicidade
Publicidade

Artigos Relacionados

D. Afonso Henriques falava português?

D. Afonso Henriques falava português?

Maio 8, 2026
10 palavras que todos dizem mas poucos sabem escrever corretamente em português

10 palavras que todos dizem mas poucos sabem escrever corretamente em português

Maio 7, 2026
10 palavras que quase toda a gente pronuncia mal em Portugal e como dizer corretamente

10 palavras que quase toda a gente pronuncia mal e como dizer corretamente

Maio 7, 2026
Provérbios portugueses: a sabedoria que atravessou séculos e ainda faz sentido hoje

Provérbios portugueses: a sabedoria que atravessou séculos e ainda faz sentido hoje

Abril 10, 2026

Havia uma palavra que Fernando Pessoa não conseguia suportar ver escrita de outra forma. Era abysmo. Com y. Não por teimosia nem por ignorância — mas porque, para ele, a forma do y dava profundidade visual ao conceito. Retirar o y e colocar um i era, nas suas palavras, “fechar a boca do abismo, transformá-lo numa superfície banal.”

Publicidade
Publicidade

Pessoa escreveu isto em 1910, nas vésperas da maior reforma ortográfica que a língua portuguesa alguma vez conheceu. Um ano depois, em setembro de 1911, a República recém-proclamada mudou tudo.

A ortografia portuguesa foi simplificada, racionalizada, modernizada — e palavras que tinham existido durante séculos desapareceram de um dia para o outro.

Mas como se escrevia antes? O que é que mudou exatamente, e porquê?

 

Publicidade
Publicidade

A lógica da escrita antiga

Antes de 1911, a ortografia portuguesa não seguia o som das palavras — seguia a sua origem. Era uma ortografia etimológica: cada palavra era escrita de acordo com o étimo latino ou grego de onde provinha.

Se uma palavra vinha do grego e tinha ph, escrevia-se com ph, mesmo que o som fosse exatamente igual ao f. Se tinha th, escrevia-se com th, mesmo que soasse como um simples t.

O resultado era uma escrita visualmente muito diferente da atual — mais carregada, mais “clássica”, e com uma ligação explícita às raízes da língua. Quem sabia ler aquelas palavras sabia, automaticamente, de onde vinham.

A ortografia era, nesse sentido, uma forma de memória cultural inscrita em cada linha de texto.

Publicidade
Publicidade

PH em vez de F: as palavras de origem grega

A mudança mais visível foi a eliminação do dígrafo ph, que em grego tinha o som de f. Todas as palavras de origem grega que usavam ph passaram a ser escritas simplesmente com f.

Receba as últimas notícias do NCultura no WhatsApp Seguir
Leia também:
  • Pré-reforma: requisitos, direitos e benefícios explicados passo a passo
  • Pré-reforma: regras, direitos e vantagens deste regime que transforma a vida laboral
  • Quem pode pedir a reforma aos 65 anos? Qual é a idade legal para se aposentar?
  • Reforma antecipada sem cortes? Há uma regra pouco conhecida que pode mudar tudo

 

  • pharmacia → farmácia
  • philosophia → filosofia
  • phosphoro → fósforo
  • phleugma → fleuma
  • diphthongo → ditongo
  • telephone → telefone
  • phonographo → fonógrafo
  • photo → foto
  • orthographia → ortografia
  • geographia → geografia
  • typographia → tipografia
  • phantasia → fantasia
  • elephante → elefante
  • triumpho → triunfo
  • orphão → órfão

TH em vez de T: o toque grego que desapareceu

O dígrafo th, também de origem grega, soava exatamente como um t simples. Com a reforma, desapareceu por completo, substituído por t em todos os contextos.

  • theatro → teatro
  • thorax → tórax
  • athmosphera → atmosfera
  • bibliotheca → biblioteca
  • mathematica → matemática
  • arithmetica → aritmética
  • cathecismo → catecismo
  • methodo → método
  • esthetica → estética
  • sympathia → simpatia
  • antipathia → antipatia
  • hypothese → hipótese
  • enthusiasmo → entusiasmo
  • pathologia → patologia
  • rhythmo → ritmo

Y em vez de I: a letra que dava profundidade

O y grego — o chamado ípsilon — era uma das letras mais defendidas pelos opositores da reforma. Onde hoje escrevemos i, escrevia-se y em todas as palavras de raiz grega. Fernando Pessoa foi o seu defensor mais eloquente.

  • abysmo → abismo
  • lyrio → lírio
  • estylo → estilo
  • systema → sistema
  • mysterio → mistério
  • psychologia → psicologia
  • tyranno → tirano
  • hymno → hino
  • symbolo → símbolo
  • rhythmo → ritmo
  • martyrio → martírio
  • dynastia → dinastia
  • gymnasio → ginásio
  • typo → tipo
  • pharynge → faringe
  • larynge → laringe
  • myopico → míope
  • paroxysmico → paroxístico

CH com som de K: outra herança grega

Em português, o ch tem hoje o som de x (como em chave). Mas antes de 1911, usava-se também ch para representar o som k em palavras de origem grega — esse ch foi substituído por c ou qu conforme o contexto.

  • monarchia → monarquia
  • architectura → arquitetura
  • charactere → carácter
  • chimica → química
  • archivio → arquivo
  • anarchia → anarquia
  • hierarchia → hierarquia
  • technica → técnica
  • mechanica → mecânica
  • psychico → psíquico
  • epocha → época
  • echo → eco
  • archeologia → arqueologia
  • monarcha → monarca

Consoantes duplas que desapareceram

Antes de 1911, as consoantes duplas eram muito mais frequentes, herdadas da ortografia latina. Na maior parte dos casos, o som era idêntico ao de uma consoante simples — e a reforma eliminou-as.

  • commercio → comércio
  • grammatica → gramática
  • diccionario → dicionário
  • immoral → imoral
  • illustre → ilustre
  • communidade → comunidade
  • differença → diferença
  • effectivo → efetivo
  • affecto → afeto
  • officina → oficina
  • profissão (já simplificado) ← professão → (manteve-se)
  • accção → ação
  • communicar → comunicar
  • sollicitar → solicitar
  • collega → colega
  • allegria → alegria
  • annuncio → anúncio

Consoantes mudas: letras que não se pronunciavam

Havia um conjunto de consoantes que existiam na escrita mas não influenciavam de modo algum a pronúncia. A reforma eliminou-as por completo.

  • alumno → aluno
  • columna → coluna
  • prompto → pronto
  • exhausto → exausto
  • psalmo → salmo
  • escripta → escrita
  • assumpto → assunto
  • excepto → exceto (ou excecto, ainda em debate)
  • corrupção ← corruptção (já havia simplificação anterior)
  • adoptar → adotar
  • adaptar (manteve-se)
  • baptismo → batismo
  • baptista → batista
  • circumscripto → circunscrito
  • descripção → descrição
  • subscripção → subscrição

Outras palavras que mudaram de forma

Além das categorias acima, há um conjunto de palavras que sofreram alterações mais pontuais — simplificações de grafia, eliminação de acentos arcaicos ou substituição de letras com o mesmo som.

  • portvgvesa → portuguesa (o V latino que soava U)
  • caravella → caravela
  • kilometre → quilómetro
  • kilometro → quilómetro
  • lyra → lira
  • martyrio → martírio
  • parochia → paróquia
  • sanccionar → sancionar
  • accção → ação
  • rheumatismo → reumatismo
  • rhabarbo → ruibarbo
  • rhinoceronte → rinoceronte
  • rhetorica → retórica
  • rhododendro → rododendro

A reforma que dividiu um povo

Em 1910, a República foi proclamada em Portugal. O novo governo sabia que queria construir um país diferente — mais instruído, mais democrático, mais acessível. E um dos primeiros passos foi reformar a língua escrita.

Foi constituída uma comissão de linguistas e filólogos notáveis — Gonçalves Viana, Carolina Michaëlis, Cândido de Figueiredo, Leite de Vasconcelos, entre outros. As bases da reforma foram publicadas a 1 de setembro de 1911, com um período de transição de três anos.

A resistência foi intensa. Alexandre Fontes escreveu que ver phase escrita como fase era como ver “um esqueleto” — a palavra havia perdido o corpo. Fernando Pessoa foi ainda mais longe, declarando que a sua pátria era a língua portuguesa e que a ortografia sem ípsilon lhe causava um “ódio verdadeiro.” Não eram caprichos. Era a consciência de que simplificar a escrita era também, em certa medida, apagar uma memória.

Do lado oposto, a lógica era igualmente poderosa: uma língua escrita que reproduzia o étimo grego ou latino era uma língua acessível apenas a quem tivesse estudado essas raízes. Numa época em que o analfabetismo era galopante, exigir que uma criança soubesse que pharmacia vinha do grego para a conseguir escrever era uma barreira social. A simplificação era também uma democratização.

A reforma avançou. O Brasil não a acompanhou de imediato — ficou com a ortografia etimológica até 1943, criando décadas de divergência entre os dois países. O processo de convergência luso-brasileira, iniciado com o Acordo de 1931, prolonga-se, com todos os seus sobressaltos, até aos nossos dias.

O que ficou perdido e o que ficou ganho

Hoje, quando escrevemos farmácia, não pensamos em pharmacia. Não pensamos no grego. Não pensamos em Pessoa nem em Alexandre Fontes. Escrevemos e seguimos.

Mas há algo que se perdeu nessa travessia. Não apenas a forma das palavras — também a relação imediata entre a escrita e a história. A palavra fósforo, hoje, não diz nada sobre o phosphoros grego, o portador da luz. A palavra teatro não evoca o theatron, o lugar de onde se vê. A simplificação funcionou — mas funcionou, também, como um pequeno esquecimento.

O que se ganhou foi igualmente real: uma língua mais acessível, mais democrática, mais capaz de chegar a quem não tinha estudado latim nem grego. Uma língua que podia ser aprendida por uma criança sem que a sua origem social determinasse se conseguiria ou não escrever corretamente.

Nas páginas antigas — nas cartas, nos jornais, nos livros impressos antes de setembro de 1911 — as palavras ainda têm o y que dava profundidade ao abismo. A escripta ainda tem o p mudo. A pharmacia ainda carrega o seu ph grego.

São documentos de uma língua que sabia, em cada palavra, de onde vinha. E que ainda hoje, em certas noites, nos faz sentir a falta.

Publicidade
Publicidade
Etiquetas: acordo ortográficocomo se escrevia antes da reforma ortográfgicaportuguês de antigamente
José Ferreira

José Ferreira

Professor de Português, sempre gostou de desafiar os seus alunos com jogos de gramática e de ortografia. Para ele, a oportunidade de divulgar esses desafios em artigos que chegam a um público mais vasto é verdadeiramente estimulante e animador.

Próximo
D. Afonso Henriques falava português?

D. Afonso Henriques falava português?

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Recipe Rating





Publicidade

Subscrever Blog via email

Indique o seu endereço de email para subscrever este site e receber notificações de novos artigos por email.

Publicidade
NCultura Notícias

© 2024 ncultura
Contacte-nos em [email protected]

Navegar

  • Estatuto Editorial
  • Autores
  • Quem Somos
  • Política de Privacidade

Siga-nos

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Início
  • Língua Portuguesa
    • Português
    • Poemas e Poesia
  • Histórias
    • História de Portugal
    • Curiosidades
    • Pessoas
    • Opinião
  • Receitas
    • Aperitivos e Petiscos
    • Receitas de Carne
    • Receitas de Peixe
    • Receitas Rápidas
    • Receitas Vegetarianas
    • Sopas
    • Bolos e Sobremesas
    • Truques e Dicas
  • Lifestyle
    • Moda e Beleza
    • Animais de Estimação
    • Limpeza e Arrumação
  • Viagens
    • Destinos e Viagens
    • Monumentos
  • Pensamentos
    • Pensamentos e Frases do Dia
    • Mensagens
  • Zodíaco
    • Horóscopo
    • Signos
  • Notícias

© 2024 ncultura
Contacte-nos em [email protected]