Há superfícies que são limpas quase por instinto: bancadas, lavatórios, mesas, chão, sanita e até os vidros. Mas, enquanto a casa parece impecável, existem objetos, cantos e acessórios que podem continuar a acumular sujidade durante semanas ou meses sem receber a devida atenção.
O problema é que muitos destes locais estão precisamente onde a sujidade, a humidade, os resíduos de produtos ou restos de alimentos se podem acumular. E alguns estão tão integrados na rotina diária que deixam simplesmente de ser vistos como algo que também precisa de ser lavado.
Piaçabas, cortinados, taças dos animais, caixotes da reciclagem, borrachas do frigorífico, toalhas de mesa e gavetas da máquina de lavar roupa estão entre os elementos que merecem entrar no calendário de limpeza doméstica.
A frequência ideal depende da utilização, do material e das condições de cada casa, mas existem alguns cuidados simples que podem fazer uma diferença enorme.
1. Piaçaba: o objeto que limpa a sanita também precisa de ser lavado
Poucos objetos da casa são tão esquecidos como o piaçaba. É utilizado para limpar a sanita e, depois, normalmente regressa diretamente ao respetivo suporte.
É precisamente aí que pode começar o problema.
Depois de utilizar o piaçaba, deve ser bem passado por água limpa. O próprio suporte também merece atenção: pode acumular água, resíduos e sujidade que permanecem em contacto com a escova.
Uma forma simples de fazer a limpeza consiste em retirar a água acumulada no suporte e lavá-lo com água quente e detergente, utilizando uma escova adequada.
No final, deve ser bem enxaguado e deixado secar completamente antes de voltar a colocar o piaçaba no interior.
Um detalhe que faz diferença
Não vale a pena limpar cuidadosamente a sanita e ignorar o utensílio utilizado para a limpar. O piaçaba deve ser encarado como qualquer outro acessório de limpeza: também precisa de ser lavado, enxaguado e seco regularmente.
2. Cortinados e estores acumulam mais do que parece
Os cortinados fazem parte da decoração e podem permanecer anos na mesma janela. Talvez por isso seja fácil esquecer que são tecidos que estão constantemente expostos ao ambiente da casa.
Ao longo do tempo, podem acumular pó, pólen, pelos de animais, partículas em suspensão e odores provenientes da cozinha.
Além de alterarem o aspeto do tecido, estes resíduos podem contribuir para que os cortinados adquiram um cheiro menos agradável e uma aparência baça.
A frequência de lavagem depende bastante da utilização da divisão. Uma referência prática pode ser lavar os cortinados a cada três a seis meses, aumentando a frequência quando existem animais de estimação, fumadores ou pessoas particularmente sensíveis ao pó e aos alergénios.
Antes da lavagem, é importante verificar a etiqueta do fabricante. Alguns tecidos podem ser lavados na máquina, enquanto outros exigem limpeza específica.
E os estores?
Também não devem ser esquecidos.
Persianas, estores e outras estruturas junto às janelas acumulam pó nas lâminas, sobretudo quando permanecem fechados durante longos períodos.
Uma limpeza regular com um pano de microfibra ou o acessório adequado do aspirador pode evitar que uma grande quantidade de pó se acumule.
3. Taças e recipientes dos animais de estimação
Quem tem cães ou gatos sabe que as taças fazem parte da rotina diária. O que nem sempre é lembrado é que também precisam de ser lavadas regularmente.
Restos de comida e humidade podem permanecer nas superfícies das taças, sobretudo quando se trata de alimentos húmidos.
A FDA recomenda lavar e secar as taças de comida dos animais depois de cada utilização e lavar diariamente as taças de água.
Os recipientes utilizados para guardar ração também devem ser lavados e completamente secos entre utilizações, especialmente antes de serem novamente abastecidos. A FDA recomenda ainda que a ração seca seja mantida num local fresco e seco e, sempre que possível, na embalagem original ou num recipiente limpo, seco e bem fechado.
Um cuidado importante
Se o animal consumir alimentação crua, os cuidados devem ser ainda maiores, uma vez que pode existir risco de contaminação microbiológica. Nesse caso, a limpeza das taças e das superfícies que entram em contacto com os alimentos deve ser particularmente rigorosa.
4. O caixote da reciclagem também precisa de banho
É fácil pensar que, por receber embalagens destinadas à reciclagem, o caixote da reciclagem não precisa de ser lavado com frequência.
Na realidade, embalagens podem conter restos de alimentos, líquidos, gordura e outros resíduos, que acabam por ficar no fundo ou nas paredes do recipiente.
Mesmo quando existe um saco no interior, podem ocorrer derrames ou pequenas fugas.
Por isso, o caixote deve ser esvaziado regularmente e lavado sempre que apresente sujidade. Em casas onde recebe frequentemente embalagens de alimentos ou onde ocorrem derrames, uma limpeza semanal pode ser uma rotina prática.
Depois da lavagem, é importante deixá-lo secar completamente antes de colocar um novo saco.
Não esquecer a tampa e as pegas
A tampa, o pedal e as pegas também entram em contacto frequente com as mãos e merecem ser incluídos na limpeza.
São precisamente estes pequenos detalhes que muitas vezes ficam de fora quando se faz uma limpeza rápida.
5. As borrachas do frigorífico escondem sujidade nas dobras
As prateleiras do frigorífico são provavelmente uma das primeiras coisas que se limpam. As pegas também não costumam escapar.
Mas há uma zona frequentemente esquecida: a borracha que veda a porta.
As dobras da borracha podem acumular migalhas, restos de alimentos, humidade e sujidade. Com o passar do tempo, essa acumulação pode tornar-se visível e dificultar a correta limpeza da vedação.
Uma escova de dentes velha, macia e devidamente limpa pode ser útil para alcançar as zonas mais estreitas. Também pode ser utilizado um pano húmido com detergente adequado, seguido de um bom enxaguamento e secagem.
A frequência depende da utilização, mas uma verificação a cada um a três meses é uma referência prática. Se a borracha estiver visivelmente suja, não é necessário esperar pelo calendário.
A borracha também é importante para a eficiência
A vedação da porta tem uma função essencial: ajudar a manter o frigorífico corretamente fechado.
Por isso, além da higiene, vale a pena verificar regularmente se a borracha está limpa, bem encaixada e sem danos.
6. Toalhas de mesa e individuais escondem restos invisíveis
Depois de uma refeição, é natural reparar nas migalhas que ficaram sobre a mesa. O que pode passar despercebido são os resíduos que ficam na própria toalha ou nos individuais.
Gordura, pequenas partículas de alimentos e líquidos derramados podem ficar retidos nos tecidos.
Uma toalha que parece limpa à primeira vista pode, portanto, precisar de ser lavada.
Em utilização habitual, uma boa referência é trocar e lavar as toalhas de mesa pelo menos uma vez por semana, ou com maior frequência quando existem derrames, crianças pequenas ou refeições particularmente sujas.
Os individuais laváveis devem seguir as instruções do fabricante. Quando podem ir à máquina, é conveniente separá-los por cores e respeitar a temperatura recomendada.
A limpeza também protege os tecidos
Não se trata apenas de higiene.
Lavar regularmente toalhas e individuais ajuda a evitar que gordura e manchas permaneçam durante demasiado tempo no tecido, tornando a sua remoção mais difícil.
Quanto mais cedo uma nódoa for tratada, maiores são normalmente as probabilidades de ser removida sem deixar marcas.
7. A gaveta da máquina de lavar roupa pode ganhar bolor
É talvez uma das maiores ironias da limpeza doméstica: a máquina que serve para lavar roupa também precisa de ser limpa.
A gaveta do detergente é um dos locais onde podem acumular-se resíduos de detergente, amaciador, água e humidade.
Com o tempo, essa combinação pode favorecer o aparecimento de depósitos, manchas e odores desagradáveis.
Uma limpeza cerca de uma vez por mês é uma boa rotina para muitas máquinas utilizadas regularmente. A gaveta deve ser retirada, quando o modelo o permitir, e lavada com água morna e uma escova macia, prestando especial atenção às zonas onde ficam resíduos.
Depois, deve ser completamente seca antes de voltar a ser colocada.
A manutenção da máquina não deve ficar limitada à gaveta. A borracha da porta também merece atenção, assim como o filtro e o próprio tambor. A Which? recomenda, para máquinas utilizadas regularmente, uma limpeza mensal que inclua a borracha e a gaveta do detergente, além de um ciclo de manutenção adequado.
Deixar a gaveta aberta pode ajudar
Depois de uma lavagem, deixar a gaveta ligeiramente aberta permite que o interior seque melhor.
O mesmo princípio pode ser aplicado à porta da máquina, quando possível e seguro: deixar o interior arejar depois da utilização ajuda a reduzir a humidade acumulada.
A lista de limpeza que vale a pena guardar
Uma casa verdadeiramente limpa não depende apenas de passar o pano nas superfícies mais visíveis.
É nos pequenos detalhes que muitas vezes se encontra a sujidade que ficou esquecida durante semanas.
Para facilitar, vale a pena guardar esta pequena lista:
Piaçaba: limpar regularmente a escova e o suporte.
Cortinados: verificar e lavar de acordo com o tecido e a utilização.
Taças dos animais: lavar depois de cada utilização; as taças de água devem ser lavadas diariamente.
Caixote da reciclagem: lavar sempre que acumule resíduos e estabelecer uma rotina regular.
Borrachas do frigorífico: verificar as dobras e limpar quando necessário.
Toalhas e individuais: trocar e lavar regularmente.
Gaveta da máquina de lavar: limpar aproximadamente uma vez por mês em máquinas de utilização habitual.
O que parece limpo nem sempre está realmente limpo
A grande lição desta lista é simples: a sujidade nem sempre está onde é mais fácil vê-la.
Uma casa pode ter bancadas impecáveis e chão acabado de lavar e, ainda assim, esconder resíduos na borracha do frigorífico, na gaveta da máquina de lavar ou no suporte do piaçaba.
Não é necessário transformar a limpeza numa tarefa interminável. O segredo está em distribuir estas pequenas tarefas ao longo do mês.
Uma semana pode ser dedicada aos têxteis, outra à máquina de lavar, outra aos pequenos recipientes e acessórios. Desta forma, a limpeza torna-se mais organizada e evita-se aquela sensação de que há sempre algum canto esquecido.
Porque uma casa bem cuidada não é apenas aquela que parece limpa. É aquela em que também se lembram de limpar o que quase ninguém vê.




