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10 nomes de línguas de Espanha incluindo o português

Espanha é um país complicado e os nomes das línguas parecem multiplicar-se, ainda mais do que as próprias línguas. Vejamos, então, 10 nomes de línguas de Espanha (entre outros).

línguas de Espanha
10 nomes de línguas de Espanha incluindo o português

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Espanha é um país complicado e os nomes das línguas parecem multiplicar-se, ainda mais do que as próprias línguas. Vejamos, então, 10 nomes de línguas de Espanha (entre outros).

Marco Neves

Sim, Espanha é um país complicado no que toca a línguas.

Aliás, Espanha é um país complicado, ponto final. (E bem interessante, por estranho que isso possa parecer a alguns ouvidos portugueses.)

Ora, nesse país complicado, os nomes das línguas parecem multiplicar-se, ainda mais do que as próprias línguas.

Antes, um aviso: a lista abaixo é de nomes de línguas — e não, necessariamente, de línguas separadas. Assim, o “catalão” e o “valenciano” são nomes da mesma língua (há quem discorde), tal como os nomes “espanhol” e “castelhano” se referem ao mesmo idioma (e, neste caso, ninguém discorda).

Vejamos, então, 10 nomes de línguas de Espanha (entre outros):

10 nomes de línguas de Espanha incluindo o português

Espanhol. Este é o nome da língua que o mundo conhece como língua de Espanha. Há quem ande por aí convencido que tudo acaba aqui: em Espanha, fala-se espanhol, ponto final. Mas, não…

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Castelhano. Um outro nome dado ao espanhol, muito usado em Espanha para distingui-lo das outras línguas espanholas. Em Portugal, há quem use “castelhano” convencido que é muito mais correcto do que o corriqueiro “espanhol”. Noutro local, tenta-se explicar a confusão. No fundo, são sinónimos.

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Catalão. Este é o nome oficial da língua própria da Catalunha (e de mais uns quantos sítios). Sim, os catalães faltam também espanhol, mas uma grande parte da população tem como língua materna o catalão, falado em várias regiões de Espanha, em Andorra e ainda numa cidade italiana chamada, em italiano, “Alghero” e, em catalão, “L’Alguer”.

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Valenciano. Mais a sul, na Comunidade Valenciana, o catalão muda de nome, mas sem deixar de ser a mesma língua. Claro que há uma ou outra pessoa que insiste que é uma língua diferente, porque dá jeito.

E não é assim tão difícil criar uma língua própria: um nome, umas regras ligeiramente diferentes, um dicionário, uma academia, uma gramática e temos feito o idioma. Tudo para garantir que não se fala a língua do vizinho de cima.

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Lapao. Sigla de “Lengua aragonesa propia del área oriental“. Desde 2013, é este o termo usado pelo Governo de Aragão para designar o catalão falado no seu território (encostado à Catalunha). Porquê? Porque tudo é válido para evitar dizer o nome “catalão”, que é um bicho papão.

Sim, há regiões de Espanha com medo do “imperialismo linguístico” das outras regiões. Quem tem menos medo do catalão goza com este termo usando a risível abreviatura “lapao”. Parece que para o Governo de Aragão, mais vale falar lapao que catalão.

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Aranês. Esta é uma das línguas da Catalunha. No fundo, é outro nome para a língua occitana, falada no sul de França. Lá chegaremos, em boa hora, no futuro deste blogue (espero).

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Basco. Esta é a língua misteriosa que ali se esconde em redor dos Pirenéus e que não se sabe muito bem donde vem. Não é, sequer, uma língua indo-europeia e, assim, está na companhia do húngaro e do finlandês como elementos estranhos na paisagem linguística europeia.

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Euskera. O nome da língua basca em basco é “euskera” e esse nome é usado muitas vezes mesmo em textos escritos noutras línguas de Espanha.

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GalegoA língua nossa vizinha, a mais próxima do português — ou mesmo, segundo muitos, um outro nome para a nossa língua.

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Português. Haverá poucos que queiram chamar directamente “português” à língua que os galegos falam (até porque argumentam, e bem, que a língua nasceu dos dois lados do Rio Minho e nunca saiu de Portugal em direcção a norte). Mas já serão muitos aqueles que se atrevem a dizer algo que para os portugueses mais distraídos será uma grande surpresa: o galego e o português serão dois nomes para a mesma língua, com diferenças marcadas, é certo, mas sem que tal implique uma separação insanável. Há mesmo quem diga que o português do Brasil está mais distante do português europeu do que o galego. Não vamos entrar, para já, por aí. Fica para mais tarde. Mas podemos afirmar que, para lá dos nomes e das divisões, o português e o galego estão bem mais próximos do que a fronteira faz crer e, por isso, há também uma língua de Espanha que é um pouco nossa. E daí não vem mal ao mundo.

Para lá destes 10 nomes, há mais: “maiorquino”, “bable”, “aragonês”, “leonês” e há até alguns atrevidos que falam da língua andaluza.

Ora, que lições podemos tirar desta profusão de nomes de línguas?

Antes de mais, é fácil perceber que as línguas são fáceis de criar, pelo menos se acharmos que criar uma língua é dar-lhe um nome. As nossas ideias sobre o que é uma língua ou não é acabam por ser muito mais fluidas do que pensamos — principalmente no território das línguas latinas, muito onde todos os falares fazem parte dum só mundo linguístico. Assim, surgem nomes que para alguns serão nomes da mesma língua, para outros significam algo mais: significam a existência duma identidade separada e, nalguns casos, duma língua separada.

Depois, uma lição sobre a humanidade: a necessidade de marcar a diferença é algo muito humano. Assim, num espaço nacional muito fracturado e onde populam identidades locais, regionais e nacionais para lá da identidade nacional espanhola, é normalíssimo vermos surgir nomes de línguas como cogumelos.

Tudo isto também se aplica a nós, à nossa maneira.

Por exemplo, terá muito a ver com esta necessidade de ver na língua o reflexo simples da nossa identidade que leva a que muitos portugueses não consigam ver o galego como língua irmã do português. Afinal, são os galegos são espanhóis…

Mesmo no que toca ao Brasil, os portugueses, em geral, não estão muito interessados em sublinhar a proximidade. Que os brasileiros chamem à sua língua “português” parece um pouco estranho, mas ainda se aceita. Agora que haja por aí tentativas de pôr tudo no mesmo saco e unificar a língua já parece demais.

Também por aí se explica a facilidade com que tantos portugueses dizem “brasileiro” para designar a língua dos brasileiros, que estes últimos chamam “português” sem mais.

Tudo isto porque a língua serve para comunicar, mas serve também (e muito) para marcar a nossa identidade. Goste-se ou não, convém não esquecer esta característica do ser humano.

Autor: Marco Neves

a origem da palavra «obrigado»

Autor dos livros Doze Segredos da Língua PortuguesaA Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e A Baleia Que Engoliu Um Espanhol.

Saiba mais nesta página.


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