Início Histórias Quem foram os Braganças antes de reinarem?

Quem foram os Braganças antes de reinarem?

D. João IV foi aclamado rei de Portugal a 1 de Dezembro de 1640 e a coroa foi entregue à Casa de Bragança até 1910. Como é que esta linhagem de nobres conquistou influência no país e na Europa?

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Quem foram os Braganças antes de reinarem?
Quem foram os Braganças antes de reinarem?

Quem foram os Braganças antes de reinarem?

D. João IV foi aclamado rei de Portugal a 1 de Dezembro de 1640 e a coroa foi entregue à Casa de Bragança até 1910. Como é que esta linhagem de nobres conquistou influência no país e na Europa?

Qualquer curioso pela História Europeia, por mais distraído ou mais surdo que seja, já ouviu falar da progressiva erosão do feudalismo ao longo da Idade Moderna. Por processos mais naturais nuns casos, mais impostos noutros, por vezes pela secagem de uma árvore genealógica outrora frutuosa, outras vezes pela atracção da corte, muito mais apetecível do que longas extensões de terra estéril; certo é que, por umas causas ou por outras, a modernidade vai sepultando com os anos o senhor feudal.

O guerreiro refina ou degenera em cortesão, o senhor prefere os serões palacianos à solidão rural, a convivência entre pares ao temor entre os súbditos, e o rei suspira de alívio por ter os seus nobres entretidos em bulhas de precedências e não em guerras de independência.

As grandes casas feudais da Idade Média, quase autónomas, os ducados quase reinos, como o da Borgonha, e os reinos quase condados, como o de Pamplona, perderam a batalha contra o tempo. Das grandes casas senhoriais emergem enormes cortes, presas às capitais, ajoujadas de netos dos condes e marqueses de antanho, que viviam armados nos seus territórios.

Como explica Norbert Elias no seu A sociedade de Corte, a Idade Moderna é, já não o tempo das conquistas, mas do controlo dos seus danos. Os reis têm de corrigir a liberalidade dos seus pais, recuperar as terras entregues aos seus marechais mais valorosos, sob pena de reinarem sobre um território hipotecado àqueles que lho conquistaram.

Poucas famílias resistiram, assim, ao aliciamento régio, à tentação de, com as crises agrícolas, escambarem os seus territórios pelo dinheiro da coroa, de trocar a independência feudal pelo prestígio da corte; dessas poucas, menos ainda contaram com a ajuda divina para enfrentar pela biologia os diversos tipos de lei mental, ou com força Humana para a ignorar.

De uma Europa Medieval ladrilhada em incontáveis condados e senhorios, reinos e ducados, sobram talvez duas casas – fora as reinantes – com um modelo quase medieval. Significativamente, as duas em que pensamos – Bragança e Sabóia – venceram a guerra em que pareciam ser apenas os resistentes obstinados.

Uma casa portuguesa

Que terá levado, numa Europa que parecia represar todo o poder senhorial fora das casas reinantes, uma casa a aguentar expulsões e descréditos, perdas de bens e de herdeiros, e a conseguir ainda alçar um dos seus a Rei de Portugal? Como é que o sainete feudal, algo arrogante, se perpetra numa família capaz de enfrentar Reis e príncipes, quando todas as outras vão adormecendo os antigos leões rampantes das suas armas e encostando o seu sustento à gamela real?

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