O mau tempo não deu tréguas. Depois de uma segunda-feira marcada por chuva persistente, rajadas fortes e mar revolto, Portugal acorda hoje, terça-feira, sob o impacto direto da tempestade Joseph, numa das fases mais severas deste episódio meteorológico.
O cenário agrava-se hora após hora.
Céus carregados, estradas encharcadas, linhas de água a subir rapidamente, vento a fustigar a costa e neve a regressar às serras. A sensação é clara: o país entrou num ciclo de instabilidade prolongada, daqueles que obrigam a rever planos, cancelar deslocações e redobrar cuidados.
A depressão Joseph, associada a uma frente fria muito ativa e alimentada por um rio atmosférico carregado de humidade, está a despejar grandes quantidades de chuva sobre o território. E os efeitos já se fazem sentir de norte a sul.
Não é apenas mau tempo de inverno.
É um episódio com potencial para cheias, inundações rápidas, derrocadas e constrangimentos sérios na mobilidade.
Depois dos Açores, o continente está agora no centro da tempestade
Nas últimas horas, os Açores enfrentaram vento intenso, precipitação forte e mar extremamente agitado, com rajadas superiores a 100 km/h e ondas que ultrapassaram os vários metros de altura.
Agora, a influência da tempestade deslocou-se definitivamente para o continente.
A sucessão de frentes frias e núcleos depressionários secundários está a empurrar massas de ar muito húmidas do Atlântico para Portugal, criando condições ideais para precipitação persistente e por vezes torrencial.
Chuva intensa e solos saturados aumentam perigo de cheias
A chuva que começou ontem não abrandou – pelo contrário. Esta terça-feira está a ser marcada por aguaceiros frequentes, por vezes fortes e concentrados, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
Os distritos mais expostos incluem:
- Viana do Castelo
- Braga
- Porto
- Aveiro
- Vila Real
- Viseu
Os acumulados de precipitação já atingiram valores muito elevados em várias zonas, com registos que podem ultrapassar facilmente 40 a 120 mm em 24 horas, e localmente ainda mais no Minho.
Quando o solo atinge o limite de absorção, a água deixa de infiltrar.
Escorre. Invade. Transborda.
É neste ponto que surgem:
- cheias rápidas
- inundações urbanas
- caves e garagens alagadas
- estradas cortadas
- trânsito caótico
O risco é real e imediato.
Hoje é o pico da instabilidade
Os meteorologistas apontam esta terça-feira como o momento mais crítico de todo o episódio.
Uma nova frente fria, reforçada pelo rio atmosférico com origem tropical, continua a injetar enormes quantidades de vapor de água sobre o território.
Este “corredor de humidade” funciona como uma autoestrada de chuva contínua, prolongando os períodos de precipitação intensa.
Além das cheias, não se excluem:
- enxurradas súbitas
- deslizamentos de terras
- quedas de muros
- derrocadas em zonas montanhosas
Neve regressa às serras com descida da temperatura
Com a entrada de ar mais frio pós-frontal, a temperatura começou a descer.
A neve regressa hoje:
- aos pontos mais altos da Serra da Estrela
- a cotas entre 600 e 800 metros no Norte e Centro
- à Serra de São Mamede
Estas condições podem provocar gelo na estrada, reduzir visibilidade e dificultar a circulação, sobretudo durante a noite e madrugada.
Vento forte e mar perigoso mantêm alerta na costa
O vento também intensificou.
São esperadas:
- rajadas até 80 km/h no litoral
- até 100 km/h nas terras altas
Mas é no mar que o cenário se torna mais dramático.
A agitação marítima agrava-se significativamente, com:
- ondas entre 4 e 6 metros
- picos máximos que podem chegar aos 11 metros
Estas condições representam perigo elevado junto a praias, molhes, falésias e zonas portuárias.
A recomendação das autoridades é inequívoca: evitar aproximação à linha de costa.
Como agir durante este período de mau tempo
Face ao agravamento das condições meteorológicas, a prudência é essencial.
Recomenda-se:
- evitar deslocações desnecessárias
- conduzir com velocidade reduzida
- não atravessar zonas inundadas
- reforçar a fixação de objetos soltos
- acompanhar avisos do IPMA
- afastar-se da orla costeira
Pequenos gestos podem prevenir acidentes graves.
Conclusão: dias exigentes e instáveis
A tempestade Joseph está longe de ser apenas mais uma depressão atlântica, refere o Postal.
É um fenómeno intenso, persistente e potencialmente perigoso, que está a testar a resistência de infraestruturas, serviços e populações.
Portugal enfrenta agora dias de céu fechado, chuva incessante e mar revolto.
Até que o sistema enfraqueça, a palavra de ordem é apenas uma: cautela.




