O Cartão de Cidadão prepara-se para dar um passo decisivo rumo ao futuro. Aquilo que hoje é apenas um documento de identificação poderá, em breve, tornar-se o único “bilhete” necessário para circular nos transportes públicos em Portugal. O Governo quer acabar com a multiplicação de passes, cartões e bilhetes físicos, integrando tudo num único suporte: o Cartão de Cidadão — físico e digital.
A medida, com horizonte de implementação total até 2027, faz parte de uma estratégia mais ampla de digitalização do Estado e simplificação da vida quotidiana, com impacto direto em milhões de cidadãos que usam autocarros, metro, comboios e outros meios de transporte público.
Uma carteira mais leve, um sistema mais simples
Hoje, muitos portugueses acumulam cartões: passe mensal, cartão do metro, bilhete ocasional, cartão de descontos sociais, cartão do operador regional. Este modelo fragmentado está prestes a tornar-se obsoleto.
A proposta do Governo é clara: transformar o Cartão de Cidadão num título de transporte universal, válido em todo o território nacional, independentemente do operador ou da região. Um único documento, um único sistema, uma única experiência.
Transportes públicos no Cartão de Cidadão: como vai funcionar
O novo modelo de bilhética integrada nacional assenta em várias funcionalidades-chave que representam uma rutura com o sistema atual.
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Cartão de Cidadão como título de transporte
O Cartão de Cidadão passará a funcionar diretamente como passe ou bilhete, permitindo validar viagens em autocarros, metro, comboios urbanos e regionais, sem necessidade de cartões adicionais.
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Validação digital e smartphone
Além do cartão físico, o sistema será compatível com a aplicação gov.pt, transformando o telemóvel num bilhete digital. Bastará aproximar o smartphone de um validador para viajar.
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Gestão centralizada do perfil do utilizador
Cada cidadão terá um perfil único onde poderá:
- Associar passes mensais
- Ativar descontos sociais ou tarifários especiais
- Consultar saldos e histórico de viagens
- Gerir pagamentos e métodos associados (incluindo IBAN)
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Fim progressivo dos cartões de plástico
Com esta integração, o Governo pretende reduzir drasticamente a emissão de cartões físicos específicos de cada operador, promovendo sustentabilidade ambiental e menos burocracia.
Projeto-piloto já em curso
A implementação será faseada. O sistema começou a ser testado através de um projeto-piloto, ainda este semestre, envolvendo operadores selecionados.
Esta fase experimental permitirá:
- Ajustar os sistemas tecnológicos
- Testar a interoperabilidade entre operadores
- Garantir segurança, fiabilidade e rapidez na validação
Só após esta validação técnica será feita a expansão gradual a todo o país.
Uma peça-chave da Estratégia Digital Nacional
Esta medida integra o Plano de Ação 2026–2027 da Estratégia Digital Nacional, recentemente publicado em Diário da República, que prevê um investimento global de mil milhões de euros.
Entre os objetivos estratégicos até 2030 destacam-se:
- Digitalização de 90% das PME
- Competências digitais básicas para 80% da população
- Serviços públicos mais simples, acessíveis e seguros
A estratégia está alinhada com a Década Digital 2030 da União Europeia e assenta em quatro grandes pilares:
Pessoas, Empresas, Estado e Infraestruturas, orientados por princípios como segurança, inclusão, sustentabilidade, ética, transparência e eficiência.
O que muda para os cidadãos na prática
A integração dos transportes no Cartão de Cidadão traz benefícios concretos e imediatos:
Mais simplicidade
Um único documento substitui vários cartões, reduzindo esquecimentos, perdas e confusão.
Mobilidade sem fronteiras
Será possível viajar entre regiões sem trocar de passe ou adquirir novos cartões ao mudar de cidade.
Tecnologia ao serviço do quotidiano
A utilização do smartphone como bilhete aproxima Portugal das grandes capitais europeias mais digitalizadas.
Controlo total
Todos os passes, tarifários e movimentos estarão concentrados num único sistema, acessível a qualquer momento.
Quando entra em vigor
O Governo prevê que o sistema esteja totalmente operacional na segunda metade de 2027. Até lá, a implementação será gradual, garantindo que ninguém fica excluído — incluindo cidadãos menos familiarizados com tecnologia digital.
Mais do que uma mudança tecnológica, trata-se de uma transformação estrutural na forma como os portugueses se deslocam, interagem com o Estado e organizam o seu dia a dia.





