Uma nova burla MB WAY está a espalhar-se em Portugal e a alarmar autoridades, bancos e utilizadores. O esquema parece simples, quase inocente, mas esconde um mecanismo engenhoso que pode transformar qualquer pessoa numa vítima — ou até num intermediário involuntário de lavagem de dinheiro.
O golpe explora a confiança, a pressa e a boa-fé de quem recebe uma transferência inesperada e acredita estar apenas a corrigir um erro alheio.
E é precisamente aí que reside o perigo.
Como começa esta nova burla?
Tudo tem início com um gesto aparentemente banal: uma transferência inesperada entra na conta da vítima através do MB WAY.
Os valores variam, mas os relatos apontam frequentemente para montantes como:
- 150 euros
- 180 euros
- 200 euros
Minutos depois, chega uma mensagem via WhatsApp ou chamada telefónica de um número desconhecido.
O tom costuma ser convincente e urgente:
“Boa tarde, enganei-me na transferência. Pode devolver, por favor?”
À primeira vista, parece um simples lapso humano. Mas pode tratar-se de uma armadilha cuidadosamente preparada.
Como funciona o esquema fraudulento?
O padrão repete-se em vários casos denunciados:
-
Transferência inesperada
A vítima recebe dinheiro sem qualquer explicação.
-
Contacto imediato
Um desconhecido entra em contacto a pedir devolução.
-
Conta diferente
Muitas vezes, o número para onde pedem devolução não corresponde ao remetente original.
-
A vítima transfere
Ao tentar “resolver o erro”, envia dinheiro para outra conta.
É neste momento que o golpe se concretiza.
Sem se aperceber, a vítima pode estar:
- a perder dinheiro próprio;
- a transferir fundos ilícitos;
- a servir de elo numa cadeia criminosa.
Porque esta burla é tão perigosa?
Ao contrário de esquemas tradicionais, esta fraude não depende de links falsos nem de phishing clássico.
Ela baseia-se em algo muito mais poderoso: a honestidade das pessoas.
Quem recebe uma transferência indevida sente frequentemente obrigação moral de devolver o valor.
Os burlões sabem disso — e exploram esse impulso imediato.
Além disso, este método pode ser usado para:
- branqueamento de capitais;
- circulação de dinheiro roubado;
- ocultação da origem ilícita dos fundos.
Polícia Judiciária já investiga vários casos
A Polícia Judiciária confirmou que existem investigações em curso relacionadas com este novo esquema.
Segundo fontes ligadas às autoridades, os casos têm aumentado em diferentes zonas do país, o que revela uma expansão preocupante da fraude.
A sofisticação do método dificulta a deteção imediata, tornando essencial a prevenção.
O que deve fazer se receber dinheiro “por engano”?
Se surgir uma transferência inesperada no MB WAY, nunca atue por impulso.
Siga estes passos:
Não devolva imediatamente
Nunca transfira dinheiro sem confirmar primeiro a origem.
Ignore pressão emocional
Mensagens urgentes são uma técnica comum de manipulação.
Contacte o banco
Informe imediatamente a instituição bancária.
Verifique o remetente
A devolução só deve ser analisada após validação oficial.
Guarde provas
Conserve mensagens, capturas de ecrã e comprovativos.
Avise as autoridades
Reporte à:
- PSP
- GNR
- Polícia Judiciária
O erro mais comum que leva à fraude
O maior erro é acreditar que está apenas a ajudar alguém.
Ao devolver rapidamente o valor, muitas vítimas:
- não confirmam a origem;
- não validam com o banco;
- transferem para contas erradas.
É exatamente essa reação espontânea que os criminosos procuram.
Como se proteger desta nova ameaça?
A regra é simples:
Se não estava à espera do dinheiro, não mexa nele.
Antes de qualquer ação:
- confirme com o banco;
- valide a operação;
- desconfie sempre de contactos desconhecidos.
No mundo digital, a prudência vale mais do que a pressa.
MB WAY continua seguro — mas exige atenção
O MB WAY continua a ser uma plataforma segura e amplamente utilizada em Portugal.
O problema não está no sistema em si, mas na engenharia social usada pelos burlões para manipular comportamentos humanos.
Quanto maior a rapidez das transações, maior deve ser o cuidado.
Conclusão: a nova fraude que engana pela simplicidade
Esta nova burla prova que os esquemas mais perigosos nem sempre recorrem a tecnologia sofisticada — muitas vezes basta uma mensagem convincente e um pedido aparentemente legítimo.
A melhor defesa continua a ser a informação.
Num cenário em que qualquer utilizador pode ser alvo, estar alerta deixou de ser opcional: tornou-se essencial.




