Milhares de famílias continuam a pagar imposto… quando podiam estar isentas. Todos os anos, a mesma carta chega a casa. O mesmo valor. A mesma despesa.
O IMI — Imposto Municipal sobre Imóveis — é uma das contas mais pesadas do orçamento familiar.
Para muitas famílias, significa centenas ou até milhares de euros por ano. Dinheiro que faz falta para a renda, para a alimentação, para os medicamentos ou simplesmente para viver com mais tranquilidade.
Mas há um detalhe que quase ninguém explica:
existem várias situações legais que permitem pagar zero euros de IMI.
Sim, zero.
E, em muitos casos, a isenção não é automática. Quem não pedir… continua a pagar.
Todos os anos, milhares de portugueses perdem este direito por puro desconhecimento.
Conhecer as regras pode representar uma poupança acumulada de milhares de euros ao longo da vida.
O que é o IMI?
O IMI é um imposto municipal cobrado sobre:
- casas
- apartamentos
- terrenos
- garagens
- prédios rústicos e urbanos
O valor depende de:
- Valor Patrimonial Tributário (VPT)
- taxa aplicada pelo município
- situação do agregado familiar
As taxas variam normalmente entre 0,3% e 0,45%, mas o impacto anual pode ser significativo.
As 8 situações em que pode pedir isenção de IMI
1. Isenção automática por baixos rendimentos (permanente)
Esta é uma das mais importantes… e mais esquecidas.
Pode haver isenção total e permanente se:
- rendimento bruto anual do agregado ≤ 2,3 × IAS
(≈ cerca de 17.000€ a 18.000€, valor atualizado anualmente) - VPT total dos imóveis ≤ 10 × IAS
Se cumprir os critérios, não paga IMI todos os anos.
Em muitos casos, a Autoridade Tributária atribui automaticamente, mas falhas de dados podem impedir o benefício.
Confirmar no Portal das Finanças pode evitar pagar indevidamente.
2. Isenção temporária por compra de casa própria
Quem compra casa para habitação própria pode beneficiar de isenção até 3 anos.
Condições habituais:
- imóvel destinado a habitação própria permanente
- VPT dentro dos limites legais
- pedido feito após a aquisição
É um apoio relevante para quem enfrenta crédito à habitação elevado nos primeiros anos.
Pode representar centenas ou milhares de euros de poupança imediata.
3. Famílias com dependentes (redução familiar do IMI)
Não é uma isenção total, mas é um desconto automático que poucos conhecem.
Dependendo do número de filhos:
- 1 filho → desconto
- 2 filhos → desconto maior
- 3 ou mais → desconto máximo
Alguns municípios oferecem reduções superiores.
Pode significar menos 20€, 40€ ou até 70€ por ano.
Pequenos valores que, somados ao longo dos anos, fazem diferença.
4. Imóveis para reabilitação urbana
Quem compra ou reabilita imóveis em áreas de reabilitação urbana (ARU) pode ter:
isenção até 3 anos (renovável)
É uma medida criada para incentivar a recuperação de centros históricos.
Ideal para quem investe em casas antigas ou faz obras profundas.
5. Prédios classificados como património
Imóveis classificados como:
- monumentos nacionais
- interesse público
- interesse municipal
podem beneficiar de isenção de IMI.
O objetivo é compensar os elevados custos de manutenção.
6. Instituições sociais e associações sem fins lucrativos
IPSS, associações culturais, recreativas ou desportivas podem ter isenção quando os imóveis são usados para fins sociais.
Embora menos comum para particulares, é relevante para coletividades.
7. Terrenos agrícolas e prédios rústicos em atividade
Alguns prédios rústicos ou terrenos afetos a atividade agrícola podem ter redução ou isenção, dependendo do enquadramento fiscal.
Produtores e pequenos agricultores devem confirmar junto das Finanças.
8. Situações excecionais aprovadas pelo município
Os municípios podem aprovar:
- reduções extraordinárias
- apoios sociais locais
- benefícios temporários
Cada câmara municipal tem autonomia.
Consultar o regulamento municipal pode revelar oportunidades desconhecidas.
Como pedir a isenção?
Muitas situações exigem pedido formal.
Passos gerais:
- Entrar no Portal das Finanças
- Aceder a “IMI – benefícios fiscais”
- Submeter pedido
- Anexar documentação necessária
Se houver dúvida, pode recorrer:
- balcão das Finanças
- e-balcão
- contabilista
O erro que custa dinheiro todos os anos
O maior problema não é a falta de direito.
É o silêncio.
Muitos contribuintes simplesmente:
- não pedem
- não confirmam
- ou assumem que não têm direito
E continuam a pagar.
Num período de inflação elevada, juros altos e custo de vida crescente, cada euro poupado conta.




