Portugal continental prepara-se para enfrentar um novo episódio de mau tempo severo, provocado pela influência direta da Depressão Oriana, que traz consigo precipitação intensa e persistente, rajadas de vento até 100 km/h e agitação marítima extrema.
O agravamento das condições meteorológicas deverá fazer-se sentir com maior intensidade entre a tarde de 12 de fevereiro e o dia 13, especialmente na região de Lisboa e Vale do Tejo, mas com impactos significativos também no Norte e Centro do país.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alerta para um cenário atmosférico potencialmente perigoso, marcado por solos já saturados, rios com caudais elevados e risco real de cheias e inundações.
Chuva forte e persistente: solos no limite da saturação
A precipitação poderá ser intensa e prolongada, sobretudo no litoral Norte, Centro e na região de Lisboa e Vale do Tejo.
Depois de vários dias consecutivos de chuva, os solos encontram-se hidricamente saturados, o que aumenta exponencialmente o risco de:
- Cheias rápidas
- Transbordo de rios e ribeiras
- Inundações urbanas por falha nos sistemas de drenagem
- Deslizamentos de terras e derrocadas
A infiltração contínua de água fragiliza margens fluviais e encostas, podendo provocar movimentos de massa perigosos, especialmente em zonas desprovidas de coberto vegetal.
Municípios sob maior risco de inundações
De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), prevê-se risco significativo de cheias nas seguintes bacias hidrográficas:
Rio Mondego
Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Soure
Rio Tejo
Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Mação, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha
Rio Sorraia
Coruche, Benavente
Rio Vouga
Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar, Vagos, Cantanhede
Outras bacias sob vigilância
Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Lis, Nabão, Guadiana e Sado — abrangendo dezenas de municípios do Norte ao Algarve.
A subida dos caudais poderá manter-se elevada durante vários dias, prolongando o risco mesmo após o pico da precipitação.
Vento forte e rajadas até 100 km/h
A Depressão Oriana traz também vento intenso de oeste e sudoeste, com rajadas que podem atingir:
- 80 km/h nas zonas costeiras
- 100 km/h nas terras altas
Este reforço do vento aumenta o risco de:
- Queda de árvores e ramos
- Danos em estruturas frágeis
- Arrastamento de objetos soltos
- Acidentes rodoviários
A sensação térmica poderá agravar-se significativamente, aumentando o desconforto na população.
Mar revolto com ondas até 11 metros
A agitação marítima será particularmente severa na costa ocidental, com:
- Ondulação significativa até 6 metros
- Altura máxima de onda que poderá atingir os 11 metros
Este cenário representa perigo elevado na orla costeira, podendo ocorrer galgamentos marítimos e acidentes junto ao mar.
Atividades como pesca desportiva, desportos náuticos ou simples permanência em zonas expostas tornam-se especialmente perigosas.
Efeitos esperados
Face ao quadro meteorológico previsto, é expectável:
- Cheias por transbordo de rios e ribeiras
- Inundações urbanas por obstrução de escoamentos
- Estradas submersas e interdições rodoviárias
- Piso escorregadio e formação de lençóis de água
- Deslizamentos e derrocadas
- Arrastamento de detritos para vias públicas
- Acidentes na costa devido à forte agitação marítima
O risco será mais elevado nas áreas historicamente vulneráveis.
Medidas preventivas essenciais
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) recomenda:
- Garantir a limpeza de sistemas de drenagem
- Evitar circulação em zonas inundadas
- Não atravessar áreas submersas
- Retirar bens e animais de zonas vulneráveis
- Fixar estruturas soltas e mobiliário exterior
- Reforçar portas e janelas expostas ao vento
- Evitar permanência junto à orla costeira
- Adotar condução defensiva
- Acompanhar permanentemente os avisos oficiais
A prevenção poderá ser determinante para minimizar danos.
Informação meteorológica em www.ipma.pt





