Depois de Kristin e Leonardo, uma nova tempestade aproxima-se. O sábado poderá ser o dia mais perigoso. O domingo traz apenas uma trégua frágil. Portugal mal teve tempo para recuperar. As ruas ainda secam das últimas enxurradas. Os rios continuam cheios. Os solos permanecem saturados.
E já há outra ameaça no horizonte.
Depois das depressões Kristin e Leonardo, o país prepara-se agora para enfrentar a depressão Marta, um novo sistema atmosférico carregado de instabilidade, capaz de trazer chuva muito intensa, vento forte e fenómenos extremos concentrados em poucas horas.
Os meteorologistas falam num cenário de risco elevado.
Os especialistas falam em prevenção urgente. Porque quando a água regressa antes de a terra recuperar, o perigo multiplica-se.
Sexta-feira abre a porta ao mau tempo mais agressivo
A partir de sexta-feira, a entrada de uma massa de ar polar vai destabilizar a atmosfera, criando condições para aguaceiros frequentes, por vezes fortes, acompanhados de granizo, trovoadas e descidas acentuadas de temperatura.
A chuva poderá cair de forma irregular, mas intensa.
Em poucos minutos, o que começa como um aguaceiro transforma-se numa cortina de água.
As temperaturas descem para valores invernais, com mínimas próximas dos 2 ºC no interior, enquanto o vento sopra moderado, com rajadas até 60 km/h.
Nas serras, a neve regressa em força. Acima dos 800 a 1000 metros, a acumulação pode ultrapassar 25 centímetros, criando gelo, cortes de estrada e constrangimentos na circulação. Ao longo da costa, o mar mantém-se agressivo, com ondulação elevada e condições perigosas para atividades marítimas. Mas tudo isto será apenas o prelúdio.
Sábado pode ser o dia mais crítico
O verdadeiro pico da depressão Marta está previsto para sábado.
E é aqui que os receios aumentam.
Segundo especialistas em alterações climáticas, a situação hidrológica do país encontra-se no limite. Barragens em descarga, rios com caudais elevados, solos saturados e drenagens urbanas sob pressão criam um cenário explosivo.
Basta mais algumas horas de chuva intensa para desencadear:
- cheias rápidas
- transbordo de ribeiras
- inundações urbanas
- estradas submersas
- deslizamentos de terras
Na bacia do Tejo, sobretudo na Margem Sul e na Área Metropolitana de Lisboa, o risco agrava-se significativamente.
Também o Alentejo e o Algarve preocupam os especialistas, regiões menos habituadas a precipitações tão concentradas, onde o solo responde pior ao excesso de água.
De acordo com o IPMA, os acumulados poderão atingir 60 mm em apenas 24 horas, especialmente a sul do Tejo e nas serras algarvias — volumes suficientes para fazer subir rios e ribeiras de forma súbita.
Quando a água chega depressa demais, não há tempo para reagir.
Rajadas severas e instabilidade perigosa
Além da chuva, o vento poderá intensificar-se em dois momentos distintos: primeiro nas regiões a sul durante a manhã, depois no Norte durante a tarde.
Estas rajadas severas aumentam o risco de:
- queda de árvores
- danos em telhados
- estruturas soltas arrastadas
- acidentes rodoviários
- cortes de energia
O cenário pode deteriorar-se rapidamente.
Em poucos minutos, a normalidade transforma-se em caos.
Domingo traz uma trégua… mas apenas aparente
Curiosamente, o domingo, dia de eleições presidenciais, poderá oferecer uma pausa temporária na instabilidade.
As previsões indicam um abrandamento da precipitação durante grande parte do dia, com céu mais estável.
Uma “janela” meteorológica.
Uma espécie de respiração entre tempestades.
Ainda assim, os especialistas alertam: a trégua poderá ser curta.
A chuva poderá regressar ao final do dia, coincidindo com o período de contagem de votos.
A recomendação é clara: planear deslocações cedo, evitar zonas inundáveis e manter atenção aos avisos.
Porque mesmo sem chuva intensa, os efeitos acumulados mantêm-se.
Os rios continuam altos.
O risco não desaparece.
Apenas fica em pausa.
Nova ameaça já no início da próxima semana
A instabilidade não termina aqui.
Para terça-feira, os modelos apontam para novos episódios de precipitação forte e trovoadas, com especial preocupação em algumas bacias hidrográficas já no limite.
Cidades atravessadas por rios, como Coimbra, podem enfrentar subidas rápidas de caudal.
Bastam poucas horas de chuva intensa para provocar alagamentos sérios.
O problema já não é apenas meteorológico.
É estrutural.
É acumulado.
É progressivo.
Portugal vive um verdadeiro “carrossel de depressões”, alimentado por uma corrente de jato persistente que continua a encaminhar tempestades atlânticas diretamente para o território.
Quando chega o tempo seco?
Há sinais tímidos de mudança apenas a partir de meados de fevereiro.
Os modelos sugerem que o anticiclone poderá reforçar-se e empurrar as tempestades mais para norte.
Mas, até lá, a palavra-chave é cautela.
Porque enquanto a chuva não der descanso prolongado, o risco mantém-se.
E cada nova frente pode ser a gota que falta.
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Com este terrivel problema imposto pela Natureza nao devia de haver eleicoes, pois mais importante e cuidar dos problemas que a tempestade trouxe para Portugal.