Com a depressão Ingrid, Portugal continental entra numa fase crítica do ponto de vista meteorológico. Os próximos dias serão marcados por um agravamento significativo do estado do tempo, com impacto transversal em todo o território.
A combinação de vários fenómenos atmosféricos adversos levou climatologistas a emitirem alertas claros: o risco é elevado e a evolução da situação deve ser acompanhada com máxima atenção.
Segundo o climatologista Mário Marques, em declarações à SIC, “esta semana será caracterizada pela passagem sucessiva de depressões com superfícies frontais frias”, um padrão que favorece a instabilidade prolongada e episódios de precipitação intensa.
No entanto, o cenário poderá tornar-se ainda mais severo a partir de quinta-feira, com a possível formação de uma depressão profunda que deverá receber o nome Ingrid.
Uma depressão com potencial destrutivo
A tempestade Ingrid poderá assumir características particularmente agressivas. “Será uma senhora tempestade”, alerta Mário Marques, sublinhando que estão reunidas condições para fenómenos extremos pouco habituais em simultâneo.
A interação entre massas de ar frio, frentes atlânticas muito ativas e um oceano energeticamente agitado cria um contexto propício a episódios de tempo severo, com impacto direto na segurança das populações.
Os especialistas identificam quatro grandes fatores de risco, que exigem vigilância reforçada:
1. Agitação marítima tempestuosa
A costa portuguesa será uma das zonas mais afetadas. As previsões apontam para ondas que podem atingir os 10 metros de altura, sobretudo entre a Figueira da Foz e Sines. Este fenómeno representa um perigo elevado para embarcações, atividades piscatórias, portos, zonas ribeirinhas e frentes marítimas. A erosão costeira e os galgamentos oceânicos poderão causar danos materiais significativos.
2. Vento forte e rajadas perigosas
O vento será outro elemento crítico. Estão previstas rajadas até 90 km/h, capazes de provocar a queda de árvores, estruturas frágeis, andaimes, painéis publicitários e danos em telhados. A circulação rodoviária poderá ser afetada, sobretudo em pontes, viadutos e estradas expostas, aumentando o risco de acidentes.
3. Chuva intensa e persistente
A precipitação deverá ser frequente e, em alguns momentos, intensa. Este cenário eleva o risco de cheias rápidas, inundações urbanas, transbordo de linhas de água e deslizamentos de terras, especialmente em zonas com solos saturados ou histórico de instabilidade. Os centros urbanos poderão enfrentar constrangimentos significativos.
4. Queda de neve com acumulação relevante
No interior e nas regiões de maior altitude, a neve será um fator adicional de preocupação. Está prevista queda de neve a partir dos 700 metros, com um fator de acumulação muito significativo em determinados locais. Em cotas mais elevadas, os valores de acumulação poderão comprometer acessos rodoviários, isolar populações e exigir intervenção da Proteção Civil.
Avisos do IPMA refletem agravamento progressivo
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já emitiu avisos amarelos para sete distritos do continente devido à agitação marítima: Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e Lisboa.
A partir de quarta-feira, o aviso estende-se a toda a costa portuguesa, sinalizando a generalização do risco. Na quinta-feira, a situação agrava-se ainda mais, com a subida do aviso para laranja, refletindo o aumento da intensidade e do perigo associado ao estado do mar.
No que diz respeito à neve, os distritos da Guarda e Castelo Branco estarão sob aviso amarelo na quarta e quinta-feira. As previsões indicam queda de neve acima dos 1600 metros, descendo gradualmente para os 1200 metros, com acumulações até 10 centímetros, podendo causar perturbações significativas.
Apelo à prudência e à preparação
As autoridades reforçam o apelo à adoção de comportamentos preventivos. Evitar deslocações desnecessárias, especialmente em zonas costeiras e serranas, assegurar objetos soltos em varandas e quintais, e acompanhar as atualizações oficiais do IPMA e da Proteção Civil são medidas essenciais.
Este episódio de mau tempo poderá ter impacto direto no quotidiano, na mobilidade, na atividade económica e na segurança de pessoas e bens. A tempestade Ingrid surge como mais um lembrete da crescente frequência de fenómenos meteorológicos extremos, exigindo uma resposta informada, cautelosa e responsável.





