Durante vários dias, Portugal viveu sob o domínio de uma massa de ar polar que empurrou os termómetros para valores pouco habituais, mesmo para pleno inverno. Geadas persistentes, mínimas negativas e um frio seco e cortante marcaram madrugadas difíceis de Norte a Sul, sobretudo no interior.
Agora, o cenário começa finalmente a mudar. A partir de sábado, dia 10, o país entra numa nova fase meteorológica, com a chegada de uma massa de ar mais amena de origem atlântica, que promete devolver algum conforto térmico e pôr fim ao episódio mais rigoroso do inverno até agora.
Segundo os principais modelos de previsão, nomeadamente o Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF), o ar polar encontra-se em franco recuo, abrindo espaço a uma circulação de oeste, mais húmida e significativamente menos fria.
A transição faz-se com chuva e avisos
A mudança não acontece sem sobressaltos. Esta quinta-feira, dia 8, fica marcada por um episódio de precipitação moderada a pontualmente forte, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
De acordo com o Meteored, a situação intensifica-se ao final do dia, com a entrada de um núcleo de precipitação mais ativo pelo litoral minhoto, afetando em especial os distritos de Viana do Castelo e Braga.
Localidades como Ponte de Lima, Ponte da Barca ou Paredes de Coura poderão registar acumulados elevados num curto espaço de tempo, o que levou o IPMA a emitir avisos de risco moderado. As autoridades alertam para a possibilidade de inundações rápidas, especialmente em zonas urbanas e junto a linhas de água de resposta imediata.
Durante a madrugada de sexta-feira, dia 9, a frente fria associada a esta instabilidade avança para sul, perdendo intensidade ao longo do dia, preparando o terreno para a melhoria do estado do tempo.
Fim do ar polar e noites menos duras
Com o afastamento definitivo da massa de ar polar, as temperaturas mínimas sobem de forma clara. As madrugadas deixam de ser negativas na maioria do território e passam a situar-se entre os 6 e os 10 graus, um alívio significativo face aos dias anteriores. As temperaturas máximas acompanham esta tendência, podendo atingir os 14 a 15 graus em várias zonas do litoral e do Sul já na sexta-feira.
Este aquecimento marca o fim de um episódio invernal particularmente severo, que trouxe neve a cotas relativamente baixas, geadas generalizadas e um frio persistente que se fez sentir até em áreas habitualmente mais amenas.
Um “braço de ferro” atmosférico divide a Europa
No sábado, dia 10, os mapas meteorológicos mostram um contraste impressionante à escala europeia. Enquanto o Norte da Europa continua mergulhado em ar polar — visível nos mapas em tons azulados —, a Península Ibérica passa a estar sob influência direta do Atlântico. A análise da temperatura ao nível dos 925 hPa, um dos indicadores mais fiáveis do tipo de massa de ar que influencia a superfície, revela claramente esta transição. Segundo o Meteored, este nível permite identificar com precisão as fronteiras térmicas entre o frio extremo e o ar mais ameno.
Portugal surge, assim, numa posição privilegiada, beneficiando de uma corrente mais quente e húmida, em contraste com o rigor persistente sobre a Escandinávia e parte da Europa Central.
Domingo e segunda-feira trazem alívio térmico
A melhoria consolida-se no domingo, dia 11, e prolonga-se na segunda-feira, dia 12. As temperaturas máximas sobem de forma mais expressiva, podendo atingir valores entre os 15 e os 18 graus no Sul e rondar os 14 graus no Norte.
O cenário será de tempo mais estável, menos agreste e claramente mais confortável, um contraste evidente com o arranque gelado do mês de janeiro.
Segundo o Postal, apesar de o inverno continuar em pleno calendário, a influência atlântica oferece uma pausa bem-vinda no rigor invernal, devolvendo alguma normalidade ao quotidiano e reduzindo o impacto do frio extremo na saúde e nas atividades diárias.
Uma instabilidade cada vez mais frequente
Segundo os especialistas, esta alternância rápida entre massas de ar muito frias e fluxos mais amenos é uma característica cada vez mais comum no atual contexto climático. A variabilidade atmosférica exige acompanhamento constante, já que mudanças abruptas podem voltar a ocorrer nas próximas semanas.
Para já, a mensagem é clara: o frio intenso tem os dias contados — pelo menos por agora.
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