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Reis de Portugal: D. Sancho II, o rei que morreu de desgosto

Por vezes, o coração prega partidas. Por vezes, os irmãos não são o apoio de que se precisa… Eis a vida dos reis: D. Sancho II, o rei que morreu de desgosto.

D. Sancho II
Reis de Portugal: D. Sancho II, o rei que morreu de desgosto

Por vezes, o coração prega partidas. Por vezes, os irmãos não são o apoio de que se precisa… Eis a vida dos reis: D. Sancho II, o rei que morreu de desgosto.

Ao longo de quase 900 anos, Portugal teve mais de três dezenas de reis, tendo havido um total de quatro dinastias durante a nossa história. A monarquia representa um período temporal longo e fascinante. Um tempo de princesas, de príncipes, de reis e de rainhas. Contudo, sem magia, sem fadas, sem dragões.

As coisas não são como surgem nos livros para crianças, pois a realidade é bem menos encantadora. Muitas vezes, não servem sequer de exemplo. A vida dos reis e das rainhas demonstra como eles podem ser tão normais como os comuns mortais.

Possuem defeitos e virtudes: amam, matam, traem, são traídos, ferem, revoltam-se, insultam, têm ataques de fúria, sofrem, choram, pois são humanos. Não são deuses, não são semideuses, não são super-heróis.

Neste artigo, centramos a nossa atenção num rei que entregou o seu coração e sofreu as consequências disso mesmo.

Reis de Portugal: D. Sancho II, o rei que morreu de desgosto

Dinastia Afonsina

Portugal, ao longo da história, teve mais de 30 reis, que integraram 4 dinastias. D. Afonso Henriques (1111-1185), “O Conquistador”, inaugurou a 1ª Dinastia, que ficou conhecida como Dinastia Afonsina ou de Borgonha.

O filho de D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa teve um longo reinado, num espaço temporal que foi de 1143 a 1185. Da união entre D. Afonso Henriques e D. Mafalda de Sabóia, surgiu o sucessor do trono, D. Sancho I, “O Povoador”, que reinou entre 1185 e 1211.

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A relação com D. Dulce de Aragão teve como fruto D. Afonso II, “O Gordo”, que era neto de D. Afonso Henriques. Este rei assumiu o trono entre 1211-1223. D. Afonso II  foi casado com D. Urraca. Com ela teve dois filhos que serão o centro da nossa atenção neste artigo. Mas a dinastia Afonsina prolongou-se… até D. Fernando I que reinou até 1383.

D. Sancho II
Reis de Portugal: D. Sancho II, o rei que morreu de desgosto

Filhos de D. Afonso II e D. Urraca

D. Sancho II e D. Afonso III foram filhos de D. Afonso II, “O Gordo” (neto de D. Afonso Henriques) e de D. Urraca. Os bisnetos de D. Afonso Henriques foram ambos reis com mais de duas décadas de reinado.

D. Sancho II nasceu no dia 08 de setembro de 1202, em Coimbra. “O Capelo”, como D. Sancho II era conhecido, casou-se com D. Mécia Lopes de Hero. Reinou entre 1223 e 1248.

D. Afonso III, seu irmão, sucedeu-lhe no trono. O Rei que ficou conhecido pelo cognome “O Bolonhês” nasceu no dia 05 de maio de 1210. Ao longo da vida casou-se com duas mulheres, primeiro com D. Matilde de Bolonha e, posteriormente, com D. Beatriz de Castela. Reinou entre 1248 e 1279.

D. Sancho II
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O rapto de Mécia

D. Sancho II viveu fascinado por Mécia Lopes de Haro, a viúva de 26 anos com quem “O Capelo” se casou. Segundo se constava, Mécia chegou a recorrer a feitiços para manter o espírito de Sancho cativo.

D. Afonso III afastou o seu irmão do trono. Um homem de confiança de Afonso cumpriu ordens e uma noite entrou no paço com alguns companheiros para algo insólito. Penetraram na câmara da rainha e levaram Mécia para Ourém, uma vila que obedecia a D. Afonso III.

Contudo, pode até pensar-se que, por esse acontecimento ter ocorrido com simplicidade e em silêncio, Mécia até poderá não ter oferecido resistência…

Uma morte de desgosto

Sancho sofreu imenso com o acontecimento. Não só acabou deposto do trono, como viveu desterrado em Toledo, onde viveu os seus dias triste e amargurado, tendo morrido de desgosto com 38 anos de idade.

A sua imensa tristeza foi testemunhada por um pequeno grupo de fiéis que o seguiu no curto exílio que ainda durou alguns meses. “O Capelo” deixara de ser rei e gastou os seus dias em condições inesperadas. O seu olhar era alucinado. Vivia no limiar da loucura, a pensar em tudo o que perdera. Vivia obsessivamente a pensar na infiel “feiticeira” Mécia Lopes de Haro, uma das muitas coisas que perdeu. Mas seria essa a “coisa” mais importante para ele?

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